terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Leitura Orante – 4ª feira de cinzas, 10 de fevereiro de 2016



Leitura Orante –  4ª feira de cinzas, 10 de fevereiro de 2016

QUARESMA DA MISERICÓRDIA

“Tende cuidado para não praticar vossa justiça diante dos homens
somente para chamar sua atenção”  (Mt 6,1)

Texto Bíblico: Mt 6,1-6.16-18


1 – O que diz o texto?
A Vida de Jesus, testemunhada nos evangelhos, nos convida a viver de um modo mais integrado e unificado.

O tempo Quaresmal pode ser um momento privilegiado para que deixemos transparecer no mundo a missão de testemunhas da Misericórdia de Deus Pai-Mãe.

Este tempo litúrgico especial certamente mobilizará e ativará todas as dimensões de nosso ser: nossos sentidos se expandirão, olhando, escutando e sentindo a realidade que nos envolve; nossa mente tornar-se-á mais clara, sabendo discernir e não se deixando manipular; nosso coração se fará mais atento e misericordioso diante do sofrimento humano; nossa alegria será o fermento do pão cotidiano, compartilhado com os outros. E se dedicarmos mais tempo ao silêncio e à oração, recobraremos energia e sentido, necessários para sair da “normose doentia” de todos os dias.

Nesta perspectiva, as três disciplinas espirituais da Quaresma (oração, jejum e esmola), encontram sua relação com as três dimensões do amor: a Deus, ao próximo e a si mesmo. 
Não é preciso estar publicando no Facebook ou no WhatsApp cada pequeno passo adiante. De fato, nos diz Jesus: “Vosso pai, que vê no segredo, vos recompensará”.


2 – O que o texto diz para mim?
Quarta-feira de Cinzas. Quaresma. Entro num movimento de discernimento: jejuar... de quê jejuar... Mais que jejum de alimento e bebida, jejuar a soberba, a vaidade, o consumismo, o fazer-me centro de tudo, o ativismo, os afetos desordenados (smarts, face, internet...), jejuar as desculpas frágeis, as distâncias, a indiferença e a frieza nos relacionamentos...

O jejum e a abstinência me conduzem ao autocontrole e à autoestima e são sinônimos de desintoxicar, desconectar, desapegar, desprender... Ou seja, fazer tudo o que me leve a ser pessoa mais equilibrada, autônoma, livre... e que encontra mais tempo para amar a 
Deus e ao próximo.


3 – O que a Palavra me leva a experimentar?
A Quaresma pode ser o ponto de partida de uma transformação de vida; os quarenta dias de duração são um tempo propício para viver a “operação saída”, ou seja, expandir a vida em novas direções, rompendo com aquilo que é rotineiro, estreito e atrofiante. Se, nesse tempo, algo calar fundo, o ano se tornará pequeno para aquele que vive uma existência com mais intensidade, coerência e solidariedade.


4 – O que a Palavra me leva a falar com Deus?
Senhor, a oração me ajuda a ama-Lo e a colocá-Lo como centro de minha vida. A vivência da oração e de todas as práticas associadas a ela, como o silencio, a solidão, a reflexão, a “consciência plena”, a meditação bíblica, a participação na liturgia da comunidade, a leitura de um livro de espiritualidade..., me preparam e me ajudam a entrar em sintonia com a ação de Deus no mais profundo de meu ser.

Quando estou em oração, conheço e amo mais a Deus, sinto sua misericordiosa presença no meu dia-a-dia, alimenta minha vida interior, sou mais verdadeira, me fixo mais naquilo que me é dado continuamente como graça, vivo em contínua gratidão por estar rodeada de tanta ternura e beleza, mesmo em meio às situações delicadas, desperta em mim a empatia para com aqueles que mais sofrem, recobro novo ânimo para ajudá-los, sou consciente de minha fragilidade e pequenez, ao mesmo tempo que cresce em mim a percepção de minha maravilhosa dignidade de filha (filho) de Deus.


5 – O que a Palavra me leva a viver?
Em meio a um mundo desumanizado e sacudido pela violência, lutas fraticidas, intolerância e egoísmo exacerbado, o papa Francisco me convida a viver um Jubileu extraordinário, colocando a Misericórdia no centro de minha vida e responder ao chamado que Cristo me faz: “sede misericordiosos como o Pai”.

À luz da misericórdia empenhar pacientemente em dar à minha vida um perfil mais evangélico, daquilo que nasce do mais profundo e que tem a autenticidade das coisas verdadeiras.

Esse é o movimento de vida despertado pelo tempo quaresmal.


Fonte:
Bíblia Novo Testamento – Paulinas:  Mt 6,1-6.16-18
Pe. Adroaldo, sj – reflexão do Evangelho

Desenho: Osmar Koxne       

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