terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Leitura Orante – 4º domingo do tempo comum, 31 de janeiro de 2016

Leitura Orante –  4º domingo do tempo comum, 31 de janeiro de 2016

JESUS, “O HOMEM EMBRIAGADO COM A PALAVRA” 

“Todos davam testemunho dele e estavam 
admirados pelas palavras da graça que saíam da sua boca” (Lc 4,22) 



Texto Bíblico: Lc 4,21-30  


1 – O que diz o texto?
Chegada a plenitude dos tempos, Deus disse sua Palavra definitiva e insuperável em Jesus.  

Jesus, em sua vida e missão, prolonga a Palavra criativa de Deus; começa a falar uma Palavra sedutora a partir da margem geográfica, cultural, religiosa e econômica. 

Suas palavras revelam uma força “recriadora”, que é o sentido belo do viver; através delas Jesus põe em movimento a realidade, reconstrói pessoas feridas em sua dignidade, comunica saúde onde há enfermidade, faz emergir a vida onde impera a morte.

As palavras tem um peso no anúncio e na atividade missionária de Jesus. 

Como um raio x que transpassa, as palavras proferidas por Ele iluminam os recantos mais profundos do ser humano; como um refletor em noite escura, ela reacende a esperança onde tudo já perdeu o sentido; como a chuva em terra seca, ela desperta novidades na vida, sacode as consciências adormecidas, põe em questão as atitudes de indiferença e de fechamento... 

Palavra encarnada, Jesus sintoniza e ajusta sua palavra à palavra do Pai.

Com sua vida e sua palavra, Jesus interrompe o discurso dos especialistas sobre Deus. A surpresa, o desapontamento e o conflito que Jesus provocou, ensaiam cada dia novas palavras e novos gestos.

Seu ensinamento, cheio de “autoridade” introduz uma perspectiva nunca ouvida antes; apresenta uma alternativa que as pessoas mais simples do povo entendem como revelação do Pai aos pequeninos. 

No encontro com a realidade dos pobres e excluídos, Jesus extrai palavras significativas, previamente cinzeladas e incorporadas no seu interior, onde elas revelam dinamismo, sentido e alteridade; sua palavra brota de uma vida interior fecunda e conduz a uma vida comprometida. 


2 – O que o texto diz para mim?
É extraordinário perceber como as palavras ditas com cuidado e amor (pedagogia de Jesus) produzem efeitos benéficos para o ser humano. Suas palavras são bem-aventuradas, pois são capazes de fazer crescer, sustentar, edificar as pessoas para o convívio social, humano-afetivo, espiritual. São palavras que trazem luz e calor, infundem confiança e segurança.

Suas palavras jamais deixam as coisas como estão. Elas não se limitam a transmitir uma mensagem; elas tem uma força operativa, desencadeiam um movimento... 


3 – O que a Palavra me leva a experimentar?
As palavras podem mudar a vida, para o bem ou para o mal. Há palavras que ferem e há palavras que curam. Há uma palavra que constrói e uma que destrói, uma palavra que comunica calor e luz, outra que semeia frieza, uma que infunde confiança, outra que arrasa... 

As palavras me tocam e me modelam; às vezes, elas me tocam como brisa suave, outras vezes como punhais, mas sempre me deixando marcas profundas de estímulos ou de desânimo: sentimentos de alegria ou tristeza, de paz ou inquietação, de fé ou descrença, de amor ou ódio... 

Há uma palavra pela qual tudo começa e recomeça, outra pela qual tudo termina, deixando o silêncio atrás de si. Depois de certas palavras, não resta mais nada a dizer.


4 – O que a Palavra me leva a falar com Deus?
Senhor, as palavras perdem força e criatividade quando não nascem do silêncio. O mundo está repleto de “papos” vazios, confissões fáceis, palavras ocas, cumprimentos sem sentido, louvores desbotados e confidências tediosas, palavras enfeitadas e vazias, sem alma, nem paixão. Vivo cercada de “palavras vãs”. 

Às vezes tenho a sensação de que as palavras me saturam: nas aulas, na televisão, nos jornais, nas liturgias, na Internet, nas redes sociais... há demasiado palavras, palavras e mais palavras...

A palavra tem os atributos divinos. Os próprios textos sagrados me dizem:  “Deus-Palavra se encarnou”. 


5 – O que a Palavra me leva a viver?
Vivo em tempos de “fratura da palavra” e, portanto, “fratura de sentido”. E a raiz disso tudo está na carência de uma interioridade, lugar da gestão das palavras de sabedoria que inspiram minha vida.

Gerar palavras que elevam... curam... animam... Palavras marcadas pela esperança... Palavras carregadas de sentido... Palavras criativas... 

Cavar palavras nas minas do meu silêncio, e deixar que o Espírito diga a “palavra” misteriosa, diferente, reveladora de minha verdadeira identidade. Somente o silêncio poderá gerar “palavras de vida”.

Buscar palavras nas profundezas do meu interior, palavras carregadas de sentido e de ânimo.

Criar silêncio para poder dialogar com o meu  eu profundo.

Quem sabe articular silêncio e  palavra é um verdadeiro artífice da vida e da paz.


Fonte: 
Bíblia Novo Testamento – Paulinas:  Lc 4,21-30  
Pe. Adroaldo, sj – reflexão do Evangelho
Desenho: Osmar Koxne       

Nenhum comentário:

Postar um comentário