quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Leitura Orante – 2º domingo do tempo comum, 17 de janeiro de 2016



Leitura Orante –  2º domingo do tempo comum, 17 de janeiro de 2016

UM CONVIDADO QUE “DÁ O QUE FALAR”

“Também Jesus e seus discípulos tinham sido convidados para o casamento” (Jo 2,2)


Texto Bíblico: Jo 2,1-11


1 – O que diz o texto?
"Havia um casamento na Galileia". Assim começa este relato em que nos é dito algo inesperado e surpreendente. Este gesto de Jesus ajuda-nos a captar a orientação de toda a Sua vida e o conteúdo fundamental do Seu projeto do Reino de Deus. Enquanto os dirigentes religiosos e os mestres da lei se preocupam com a religião, Jesus dedica-se a fazer mais humana e leve a vida das pessoas.

Segundo o evangelista João, a primeira intervenção pública de Jesus, o Enviado de Deus, não tem nada de “religioso”. Não acontece num lugar sagrado (sinagoga ou templo). Jesus inaugura a Sua atividade profética "salvando" uma festa de casamento que podia ter terminado muito mal. Trata-se do "primeiro sinal", onde nos é oferecida a chave para entender toda a Sua atuação e o sentido profundo da Sua missão salvadora. Convida-nos a que descubramos o Seu significado mais profundo.

“Festeje a fé que torna Deus luz e garantia para os nossos caminhos; festeje a esperança que transporta os seres ao novo do amanhã; festeje o amor  que os torna fonte de crescimento e união.

Ao festejar o mistério que o carrega e atrai, será capaz de transformar o dever em prazer, a dor em dinamismo de renovação e a convivência em promessa que se há de revelar graça onipresente.

Enxergue em tudo a dádiva e repouse do cansaço; celebre a festa em clima de gratidão e nunca deixará de ser motivado para um novo entusiasmo, recompensado também em ritmo de morte ressurreição”.
(F. Cláudio V.B.)


2 – O que o texto diz para mim?
Nas bodas de Caná, a novidade está numa nova forma de presença de Jesus, que não se encontra interessado, em princípio, por fazer coisas, por resolver problemas, senão para traçar uma presença como convidado. Ele não está aí para “arrumar” as coisas, mas para escutar e compartilhar um momento festivo. Ele se encontra presente de maneira gratuita, num gesto de solidariedade que transcende e supera toda atividade.

Os evangelhos apresentam Jesus concentrado, não na religião mas na vida. Viver o “estilo de vida” de Jesus não é só para pessoas religiosas e piedosas. É também para quem ficou decepcionado com a religião, mas sente necessidade de viver de forma mais digna e ditosa. Porquê? Porque Jesus contagia a fé num Deus festeiro, que não complica a vida de ninguém, mas  convida a confiar n’Ele, que com Ele é possível viver com alegria pois Ele apresenta uma vida mais generosa, movida por um amor solidário.



3 – O que a Palavra me leva a experimentar?
A cena das bodas de Caná da Galiléia não se limita simplesmente à ausência de vinho. O assunto é outro: o relato tem que ser entendido na perspectiva do Reino, na dinâmica do tempo messiânico. O texto indica que havia aí, em um lugar da casa, seis talhas de pedra vazias. O texto enfatiza que estavam vazias. São vasos destinados a conter a água da purificação, ritual dos crentes judeus. Porém estão vazias, secas. Este símbolo indica que o modelo religioso que Jesus encontrou está ressecado, vazio.

A espiritualidade de Jesus não é a espiritualidade do sacrifício, do pecado e da culpa, da busca da perfeição, mas é a espiritualidade da felicidade e da alegria para as pessoas. Com sua presença, participando das bodas, das refeições festivas e dos banquetes, Jesus anunciava e indicava um outro mundo diferente, onde partilha-se a vida, a convivência, a alegria, abrindo espaço à participação de todos, sobretudo daqueles que eram excluídos da religião. É a alegria contagiante do Evangelho.



4 – O que a Palavra me leva a falar com Deus?
Senhor, a mensagem para mim hoje é muito simples e questionadora. Nem ritos, nem abluções, poderão me purificar. Só quando saborear o vinho amor da festa e da partilha, ficarei toda limpa e purificada. Só quando descobrir o Deus presente dentro de mim e nas realidades mais cotidianas, serei capaz de viver a imensa alegria que nasce da profunda unidade com Ele. 

Geralmente me contento com as seis talhas de pedra para as purificações, preocupada com os ritos e as normas religiosas; esqueço que o melhor vinho ainda não foi servido, pois está escondido no mais profundo de mim mesma.



5 – O que a Palavra me leva a viver?
Com a presença de Jesus, a ritualidade, o legalismo, a norma fria e vazia, se transformam em vinho, símbolo da alegria, do júbilo messiânico, da festa da chegada do tempo novo do Reino de Deus.

A atitude de Jesus, sem nenhum tipo de imposição, vai revelando uma nova imagem e um novo conceito de Deus. Deus deixou de ser esse ser estranho e distante, que atemoriza o ser humano com o peso da doutrina e das leis, mas que revela sua face misericordiosa, ou seja, o Deus que caminha com seu povo.

Preciso eliminar, em minha vida pessoal comunitária, com os sistemas religiosos desumanizantes, para conseguir entrar na dinâmica libertadora, inclusiva e festiva que Jesus inaugurou.

Para Jesus, Deus se manifesta em todos os acontecimentos que me impulsiona a viver mais plenamente. Deus não quer que eu renuncie nada do que é verdadeiramente humano. Ele quer que eu viva o divino no que é cotidiano e normal. A ideia do sofrimento e da renúncia como exigência divina é antievangélica. 

A festa está profundamente enraizada no coração do ser humano; ela proporciona o diferente, o novo, o exuberante, o utópico; revela o “homo ludicus” que brinca, canta, dança, transborda emoções, reúne companheiros em comunidade e celebra a vida.



Fonte: 
Bíblia na linguagem de hoje –  Jo 2,1-11
Pe. Adroaldo, sj – reflexão do Evangelho
Desenho: Osmar Koxne       

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