sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Coroa do Advento

Pode ser feito na celebração eucarística, um pequeno rito pode ser colocado no início da celebração, liturgia da palavra ou qualquer outro momento conforme o designar o celebrante. 
Seria também muito próprio fazer, em nossas casas,  uma breve oração e acendimento das velas nos Domingos que antecedem o Natal, como a seguir.


1º Domingo do Advento - Acende-se a  PRIMEIRA VELA

  A luz nascente nos conclama a refletir e aprofundar a proximidade do Natal,  onde Cristo, Salvador e Luz do mundo brilhará para a  humanidade. Lembra ainda o perdão concedido a Adão e Eva. A cor roxa nos recorda  nossa atitude de vigilância diante da abertura e espera do Senhor que virá.

Oração

A luz de Cristo, que esperamos neste Advento, enxugue todas as lágrimas, acabe com todas as trevas, consolem quem está triste e encha nossos corações da  alegria de preparar sua vinda neste novo ano de graça!

Canto 
( veja melodia em http://leituraorantedapalavra.blogspot. com.br)

Uma vela, na coroa, acendemos, 

Toda sombra se esvai com sua luz; 
Vigilantes, o Senhor esperemos: 
Chegou o tempo do Advento de Jesus ! 

Refrão: 

Meus irmãos, penitência e oração ! 
Arrumemos nossa casa co’alegria ! 
Logo a ela, o Senhor vai chegar, 
Pelo ventre imaculado de Maria ! 

2º Domingo do Advento - Acende-se a  SEGUNDA VELA

 A segunda vela acesa nos convida ao desejo de conversão, arrependimento dos nossos pecados e também o compromisso de prepararmos, assim como São João Batista, o caminho do Senhor que virá.  Esta vela lembra ainda a fé dos patriarcas e de São João Batista, que anuncia a salvação para todos os povos.

Oração

A luz de Cristo, que esperamos neste Advento, enxugue todas as lágrimas, acabe com todas as trevas, consolem quem está triste e encha nossos corações da  alegria de preparar sua vinda neste novo ano de graça!

Canto

2 o Domingo:
Outra vela, na coroa, acendemos, 
Penitentes nos caminhos do Senhor. 
Consolando os aflitos, busquemos. 

Novos céus e nova terra, com ardor! 

Refrão: 

Meus irmãos, penitência e oração ! 
Arrumemos nossa casa co’alegria ! 
Logo a ela, o Senhor vai chegar, 
Pelo ventre imaculado de Maria ! 


3º Domingo do Advento - Acende-se a  TERCEIRA VELA (Rosa)

 A terceira vela acesa nos convida à alegria e ao júbilo pela aproximação da chegada de Jesus.  A cor litúrgica de hoje, o rosa,  indica justamente o Domingo da Alegria, ou o Domingo Gaudete,  onde transborda nosso coração de alegria pela proximidade da chegada do Senhor. Esta vela lembra ainda a alegria celebrada pelo rei Davi e sua promessa que, agora, está se cumprindo em Maria.

Oração

Alegrai-vos sempre no Senhor! De novo vos digo: Alegrai-vos! O Senhor está perto"

3 o Domingo:
A terceira vela hoje acendemos 
E cantamos: “Alegrai-vos no Senhor!” 
No deserto, uma voz escutemos: 
Praticai a justiça e o amor! 

Refrão: 
Meus irmãos, penitência e oração ! 
Arrumemos nossa casa co’alegria ! 
Logo a ela, o Senhor vai chegar, 
Pelo ventre imaculado de Maria ! 


4º Domingo do Advento - Acende-se a  QUARTA VELA

  A quarta vela marca os passos de preparação para acolher o Salvador,  nossa expectativa da chegada definitiva da Luz ao mundo. Simboliza ainda nossa fé em Jesus Cristo, que ilumina todo homem que vêm a este mundo e  também os ensinamentos dos profetas, que anunciaram a chegada do Salvador. 

Oração

Céus, deixai cair o orvalho, nuvens, chovei o justo;  abra-se a terra, e brote o Salvador!

Canto

4 o domingo:
Acendemos hoje a última vela, 
Pois tão logo o Emanuel vai chegar. 
Com Maria, todos juntos, na espera, 

“Deus-Conosco”, pro seu Reino implantar!

Refrão: 

Meus irmãos, penitência e oração ! 
Arrumemos nossa casa co’alegria ! 
Logo a ela, o Senhor vai chegar, 

Pelo ventre imaculado de Maria ! 

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Oração Laudato sì - Papa Francisco

Deus Onipotente,
que estais presente em todo o universo
e na mais pequenina das vossas criaturas,
Vós que envolveis com a vossa ternura
tudo o que existe,
derramai em nós a força do vosso amor
para cuidarmos da vida e da beleza.
Inundai-nos de paz,
para que vivamos como irmãos e irmãs
sem prejudicar ninguém.
Ó Deus dos pobres,
ajudai-nos a resgatar
os abandonados e esquecidos desta terra
que valem tanto aos vossos olhos.


Curai a nossa vida,

para que protejamos o mundo
e não o depredemos,
para que semeemos beleza
e não poluição nem destruição.
Tocai os corações
daqueles que buscam apenas benefícios
à custa dos pobres e da terra.
Ensinai-nos a descobrir o valor de cada coisa,
a contemplar com encanto,
a reconhecer que estamos profundamente unidos
com todas as criaturas
no nosso caminho para a vossa luz infinita.
Nós Vos louvamos, Pai,
com todas as vossas criaturas,
que saíram da vossa mão poderosa.
São vossas e estão repletas da vossa presença
e da vossa ternura.
Louvado sejais!


Filho de Deus, Jesus,

por Vós foram criadas todas as coisas.
Fostes formado no seio materno de Maria,
fizestes-Vos parte desta terra,
e contemplastes este mundo
com olhos humanos.
Hoje estais vivo em cada criatura
com a vossa glória de ressuscitado.
Louvado sejais!


Espírito Santo, que, com a vossa luz,

guiais este mundo para o amor do Pai
e acompanhais o gemido da criação,
Vós viveis também nos nossos corações
a fim de nos impelir para o bem. Louvado sejais!


Senhor Deus, Uno e Trino,

comunidade estupenda de amor infinito,
ensinai-nos a contemplar-Vos
na beleza do universo,
onde tudo nos fala de Vós.
Despertai o nosso louvor e a nossa gratidão
por cada ser que criastes.
Dai-nos a graça de nos sentirmos
intimamente unidos
a tudo o que existe.
Deus de amor,
mostrai-nos o nosso lugar neste mundo
como instrumentos do vosso carinho
por todos os seres desta terra,
porque nem um deles sequer
é esquecido por Vós.


Iluminai os donos do poder e do dinheiro

para que não caiam no pecado da indiferença,
amem o bem comum, promovam os fracos,
e cuidem deste mundo que habitamos.
Os pobres e a terra estão bradando:
Senhor, tomai-nos
sob o vosso poder e a vossa luz,
para proteger cada vida,
para preparar um futuro melhor,
para que venha o vosso Reino
de justiça, paz, amor e beleza.
Louvado sejais!
Amém.

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Leitura Orante – 1º domingo do Advento


Leitura Orante –  1º domingo do Advento, 29 de novembro de 2015

ADVENTO, DEIXA-TE SURPREENDER

 “...levantai-vos e erguei a cabeça, porque a vossa libertação está próxima” (Lc 21,28)


Texto Bíblico: Lc 21,25-28.34-36


1 – O que diz o texto?
No evangelho de hoje, Jesus dá por suposto a existência de situações desastrosas que nos sacodem, enchendo-nos de ansiedade e preocupação; mas, onde nós só vemos catástrofes, Jesus vê “sinais”. E a condição para descobri-los é erguer a cabeça, levantar os olhos, ir mais além do imediato que nos cega e nos prende em redes de desejos insatisfeitos, em obsessões por conservar modos de vida que considerávamos definitivos, em temores que embotam nosso coração impedindo o fluir da vida.

Aspiração, sede, ansiedade, expectativa, estar de pé: isso é o que nos invade quando sentimos que se aproxima algo que desejamos de verdade. Pois isso é o Advento: tempo para os grandes sonhos.

Curvados sobre nós mesmos, sem horizonte, sem poder olhar de frente, nem entrar em relação de reciprocidade, carregando durante longo tempo um peso excessivamente grande (culpa, ressentimento, vergonha), bloqueados, privados de nosso próprio potencial: este é o drama que nos desumaniza. Nossos corpos encurvados se fazem texto, linguagem, grito, petição... para serem endireitados. 

Nesse contexto ressoa com força o apelo de Jesus: “levantai-vos e erguei a cabeça, porque a vossa libertação está próxima”.



2 – O que o texto diz para mim?

O melhor do Deus que vem é que Ele se manifesta de maneiras inesperadas: desfaz certezas, rompe convenções, renova sonhos, não busca brilhos ou ornamentos, aplausos ou adesões forçadas. Sua chegada não exige cobranças nem condiciona com exigências desmedidas. A esperança abre passagem por onde menos espero. E Deus continua aparecendo onde e quando ninguém espera.

Poderia dizer que o Advento me apresenta uma “espiritualidade do despertar”.



3 – O que a Palavra me leva a experimentar?
O meu corpo fala mais e com mais veracidade que minhas palavras, o que irradia revela algo sobre mim. É preciso interrogar o corpo para que ele conte suas histórias guardadas: seus segredos, suas dores, suas vivências. Devo ser capaz de lê-los e respeitá-los, para poder devolver-lhes sua harmonia e sua beleza originais.

É meu próprio corpo posto de pé, é minha própria vida circulando sem  ataduras, é a libertação de minhas forças afetivas, a possibilidade de olhar outros olhos sem temor e de entrar em comunicação... que me faz experimentar uma relação nova com a vida.

Para “conhecer” a realidade e a verdade do Advento preciso de olhos novos e de um coração novo.

É necessário despertar aquela “sensibilidade” escondida e abafada pelo ativismo e pelo ritmo estressante de minha vida. No Advento, toda a humanidade é atingida como que por um raio, é tomada de surpresa.

A sua noite, o seu silêncio, o seu sono, a sua rotina diária... é quebrada por uma novidade absoluta.

O Advento é, por sua própria natureza, uma surpresa que quebra a solidão das pessoas abandonadas a si mesmas, que irrompe no meio de uma vida sem sentido e sem direção, que traz luz para os ambientes fechados e frios.



4 – O que a Palavra me leva a falar com Deus? 
Senhor, a “sensibilidade” despertada pelo Advento recupera em mim o sentido da surpresa,  recobra a atitude da expectativa, da novidade, do assombro... diante da vida. Porque é no traçado das horas e dos dias que o Senhor Deus prepara sempre a sua novidade, a sua surpresa, o seu dom natalício. Tal surpresa faz brotar o entusiasmo para enfrentar os desafios da vida, despertando projetos arquivados, suscitando dinamismo novo no cotidiano pesado, fazendo-me levantar e retomar o caminho... estar desperta e experimentar intensamente a vida e, graças a isso, viver ancorada, enraizada e conectada com a  verdadeira identidade, ao meu eu original e universal. 



5 – O que a Palavra me leva a viver? 
É preciso saber olhar, abrir os olhos, ler a vida e despertar-me para aquilo que acontece à minha volta.

Se há uma palavra que perpassa todas as tradições religiosas, essa palavra é “despertar”.

O chamado original a “despertar” reveste-se de uma profundidade muito maior, que conecta com aquela palavra com a qual Jesus inicia sua atividade pública: “convertei-vos”. Na realidade, trata-se de um novo modo de olhar ou de conhecer, de um “conhecer mais além da aparência”.

Despertar para a gratuidade da vida, para o chamado à convivência e comunhão, despertar para uma presença misericordiosa. Jesus vem despertar e ativar a minha esperança.

Posso acolher este tempo com a marca da rotina (mais um ano, repetir as mesmas palavras, a espera, o “vem, Senhor”...); ou mobilizando-me e abrindo-me à surpresa de Deus, que virá a mim como chamado, como possibilidade, como grito para despertar-me... 

O Advento quer reafirmar a possibilidade de uma alternativa, da chegada de um hóspede inesperado, porque é “boa nova”, é evangelho.



Fonte:  Bíblia na linguagem de hoje –  Lc 21,25-28.34-36
             Pe. Adroaldo, sj – reflexão do Evangelho
             Desenho: Osmar Koxne       

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Família, lugar de perdão - MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO


Não existe família perfeita! Não temos pais perfeitos, não somos perfeitos, não nos casamos com uma pessoa perfeita nem temos filhos perfeitos. Temos queixas uns dos outros. Decepcionamos uns aos outros.
Por isso, não há casamento saudável nem família saudável sem o exercício do perdão. O perdão é vital para nossa saúde emocional e sobrevivência espiritual. Sem perdão a família se torna uma arena de conflitos e um reduto de mágoas.
Sem perdão a família adoece. O perdão é a assepsia da alma, a faxina da mente e a alforria do coração. Quem não perdoa não tem paz na alma nem comunhão com Deus. A mágoa é um veneno que intoxica e mata. Guardar mágoa no coração é um gesto autodestrutivo. É autofagia. Quem não perdoa adoece física, emocional e espiritualmente.
É por isso que a família precisa ser lugar de vida e não de morte; território de cura e não de adoecimento; palco de perdão e não de culpa. O perdão traz alegria onde a mágoa produziu tristeza; cura, onde a mágoa causou doença.
Papa Francisco

Tudo em Deus

TUDO EM DEUS E PARA DEUS...
NA PALAVRA DE DEUS!

Você diz: "Isso é impossível"
Deus diz: "Tudo é possível" (Lc 18,27)
Você diz: "Eu já estou cansado"
Deus diz: "Eu te darei o repouso" (Mt 11,28-30)
Você diz: "Ninguém me ama de verdade"
Deus diz: "Eu te amo" (Jo 3,16;Jo 13,34)
Você diz: "Não tenho condições"
Deus diz: "Minha graça é suficiente" (2Cor 12,9)
Você diz: "Não vejo saída"
Deus diz: "Eu guiarei teus passos" (Pr 3,5-6)
Você diz: "Estou angustiado"
Deus diz: "Eu te livrarei da angústia" (Sl 90,15)
Você diz: "Não vale a pena"
Deus diz: "Tudo vale a pena" (Rm 8,28)
Você diz: "Não vou conseguir"
Deus diz: "Eu suprirei todas as suas necessidades" (Fl 4,19)
Você diz: "Estou com medo"
Deus diz: "Eu não te dei um espírito de medo" (2Tm 1,7)
Você diz: "Estou sempre frustrado e preocupado"
Deus diz: "Confiai-me todas as suas preocupações" (1Pd 5,7)
Você diz: "Eu não tenho talento suficiente"
Deus diz: "Eu te dou sabedoria" (1Cor 1,30)
Você diz: "Não tenho fé"
Deus diz: "Eu dei a cada um uma medida de fé" (Rm 12,3)
Você diz: "Eu me sinto só e desamparado"
Deus diz: "Eu nunca te deixarei nem desampararei"

DEUS ABENÇOE A TODOS.


Padre-Sílvio César Aguilar, pároco de Morro Agudo (SP)

LEITURA ORANTE - CRISTO REI

Leitura Orante –  Cristo Rei, 22 de novembro de 2015

VERDADE DESVELADA

”Eu nasci e vim ao mundo para isto: para dar testemunho da verdade” (Jo 18,37)


Texto Bíblico: Jo 18,33-37


1 – O que diz o texto?
Cristo Rei. Para começar, é preciso reconhecer que se trata de um “rei” pouco convencional: seu trono é uma cruz e sua coroa é de espinhos. Um rei bem estranho, pois afirmou: “Não vim para ser servido, mas para servir”.

Frente a isto, o evangelho de hoje revela-se surpreendente e até escandaloso, porque nos apresenta esse título numa situação de humilhação e impotência extrema: na Paixão, com insultos, escárnios e zombarias dos chefes judeus, de Pilatos, dos soldados romanos...

Diante dos donos do poder e das autoridades religiosas que se julgavam em posse da verdade e que tinham um Deus feito à medida de seus interesses, Jesus afirma que “veio para dar testemunho da verdade”. De acordo com o evangelista João “ser rei” equivale a ser “testemunha da verdade”; e isso a tal ponto que com essas palavras se define a missão de Jesus: “Eu nasci e vim ao mundo para isto”. 



2 – O que o texto diz para mim?
A verdade não é um dogma e sim um caminho. 

Verdade não é apenas um princípio abstrato. Verdade é a realidade existente, o fato concreto, o conhecimento comprovado. A verdade desvela o desconhecido, salienta a dignidade da pessoa, reivindica liberdade e igualdade, sustenta o significado essencial do ser humano, preserva os valores consistentes.

É significativo que os antigos gregos entenderam a verdade como “a-létheia” (“sem véu”): quando “tiramos o véu” é quando emerge a Verdade do que somos. Aqui, cabe o termo “inventar”, que significa “descobrir o que está oculto”, e também significa “criar, fazer surgir o novo”. 

Importa “inventar” a verdade, ir à morada da verdade, encontrar a verdade.

Isso é o que Jesus viveu. Porque chegou a experimentar a verdade profunda de si mesmo, pode dizer: “Eu sou a verdade”. Essa não era uma afirmação egóica, nem tampouco se referia a nenhuma crença ou ideia em particular. Era a proclamação, constatação humilde e jubilosa de quem desvelou e viu o “segredo” último de sua vida.



3 – O que a Palavra me leva a experimentar?
“Conhecer a verdade” é aspiração humana inata. O ser humano tem sede de verdade. Vai buscá-la nas encostas do mundo e nos recôncavos de seu espírito. Descobrir a verdade é conquistar a transparência.

Compensa atravessar vigílias e trilhar veredas para chegar à verdade. Uma das angústias humanas é não alcançar o manancial da verdade. Enquanto existir verdade encoberta, o ser humano vive inquieto.

A verdade clareia a vida. Sem a verdade, a existência é sombria. A verdade gera autenticidade. Onde falta a verdade, instala-se uma lacuna na existência. Quem não vive a verdade, está carunchado por dentro. Impregnar-se da verdade é humanizar-se. 

Onde há verdade há humanidade transparente. Há rosto fascinante. Quando a verdade se desvela e se faz visível, o ser humano se ilumina.



4 – O que a Palavra me leva a falar com Deus? 
Senhor, quem é verdadeiro se move com muita liberdade em direção à verdade presente nos outros; não usa máscaras, não se impõe... Sua verdade vibra, se encanta, verdades que se encontram, que entram em comunhão, que humanizam...

Toda pessoa verdadeira, transparente... incomoda, é provocativa... porque desmascara as mentiras, as falsidades ocultas... Por isso é rejeitada. 

Seguir a Jesus não significa ter determinadas crenças, mas estar disposta a realizar a Verdade, o que Ele viu e viveu. Por isso, frente ao fanatismo que revela fechamento e estreiteza, a verdade requer abertura humilde, questionamento e flexibilidade. E é precisamente a pessoa que vive isto aquela que “é da verdade.”



5 – O que a Palavra me leva a viver? 
Revelar-me diante de Deus e deixar transparecer a verdade da minha vida: na confiança filial, descobrir o que está recoberto, desvelar o que está velado, desocultar o que está escondido, deslumbrar o que está ensombreado,  desmascarar o que está camuflado, desemudecer o que está calado, descativar o que está algemado.

A verdade que sou nunca pode ser algo que alguém tem e possa transmitir ou impor aos outros, mas a Presença que a todos sustenta e a todos abraça. Só a presença d’Aquele que é a Verdade ativa a verdade escondida em meu interior.

Ser “testemunha  da verdade” requer “viver na verdade”, não em algumas crenças. E viver na verdade inclui o reconhecimento e a aceitação da própria verdade, e da verdade presente no outro. Não pode estar na verdade quem não se aceita com toda sua verdade, com suas luzes e suas sombras; não pode estar na verdade quem vive identificado com seu ego ou com sua imagem idealizada. Pelo contrário, quando alguém se aceita assim, começa a viver na humildade e isso é já “caminhar em verdade”.

Afirmando de um modo mais claro: só conhece a verdade quem é verdadeiro, sem máscara ou disfarces. Quando se é verdade, conhece-se a verdade.


Fonte:  Bíblia na linguagem de hoje –  Jo 18,33-37
              Pe. Adroaldo, sj – reflexão do Evangelho
              Desenho: Osmar Koxne    

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Vida Consagrada Nos Passos de Paulo


Leitura Orante – 33° domingo do tempo comum



Leitura Orante –  33° domingo do tempo comum, 15 de novembro de 2015

A ESPERANÇA DE VIVER O PRESENTE DE MANEIRA CRIATIVA

“O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não passarão” (Mc 13,31)


Texto Bíblico: Mc 13,24-32


1 – O que diz o texto?
O Evangelho de hoje é parte do cap. 13 do Evangelho de Marcos, que contém um breve “apocalipse”, ou seja uma revelação, um desvelamento, um desnudamento dos múltiplos véus que revestem o palco, lúdico e trágico, da encenação do drama humano, com suas contradições, incertezas, promessas e esperanças.

No texto evangélico de hoje nos é revelado, através de sinais (abalos celestes e terrestres, tribulações...), que esta ordem das coisas (o “mundo”) vai ser renovado em profundidade. Tudo desmorona à nossa volta, tudo vai desaparecer; mas o que o texto parece resgatar é a contundente confiança na afirmação e na promessa de Jesus: “O céu e a terra passarão, mas minhas palavras não passarão”. As Palavras do Filho do Homem constituem o nosso rochedo, são a nossa força. É um convite a nos recentrar. 



2 – O que o texto diz para mim?
Devido às imagens que este gênero literário utiliza, com frequência atribui-se ao termo “apocalipse” um significado de “catástrofe” ou “destruição”. A realidade, no entanto, é diferente. Etimologicamente “apo-kalypsis” significa “destapar o que está escondido”, “tirar o véu”, “desvelar”, ou seja, “revelação”. 

Em cada momento histórico o texto do Apocalipse é lido e interpretado em função dos acontecimentos. Este gênero literário é uma luz que me ajuda a “ler” a realidade (interior e exterior), desvelando tudo o que acontece nela e assim poder assumir uma atitude mais coerente com a proposta do Evangelho.

Assim, pode-se “ler” esse texto como se escutasse um sonho revelador. 

O Apocalipse, portanto, é um empenho da comunidade cristã em dar sentido a tudo o que está acontecendo e assim reencontrar sua dignidade no coração das situações mais difíceis.



3 – O que a Palavra me leva a experimentar?
Quando sou transtornada pelos acontecimentos e sou levada pelas emoções, reações, medos, é preciso voltar ao centro.

O ciclone tem uma violência enorme e gira velozmente, mas seu centro é calmo, imóvel.

É preciso voltar ao centro do ciclone onde está o “Filho do Homem”, onde está o coração, onde está o Cordeiro. Esta vida nova está no centro da situação que vivo, no centro desse meu mundo interior.

É a partir do interior que algo pode mudar.

Nesse sentido, o gênero “apocalíptico” vem me dizer que, para além daquilo que possa ocorrer na superfície da história pessoal e coletiva, há uma Realidade estável que me sustenta e que posso experimentá-la como “rocha firme” sobre a qual firmar meus pés. A velha ordem virá abaixo para ser substituída por um mundo novo que será inaugurado pela presença do Filho do Homem, reunindo toda a humanidade (“os quatro cantos”) e estabelecendo o “Reinado de Deus”.

A esperança, portanto, é como esse impulso que desafia o presente imediato, sempre curto e sem raízes no futuro; é ela que me permite escrever a minha história com mais criatividade e ousadia, me abre à invenção de possibilidades que me faz viver, corrige o passado e me faz recomeçar, mantém a coragem de ser, transforma em mim o ser de puras exigências e de simples necessidades em ser  capaz  de dom e de desejo. Na esperança, encontro a abertura e a amplitude de minha vida.

Não basta esperar, é preciso uma paixão de esperança, a qual somente é possível se conduz para um horizonte plenificante, para um além da vida do dia-a-dia.



4 – O que a Palavra me leva a falar com Deus? 
Senhor, a esperança carrega uma força misteriosa, um sopro criador, um alento espiritual que me leva a olhar tudo com fé e encantamento; é um princípio vital, expresso na sábia e verdadeira constatação de que “enquanto há vida há esperança”. Mesmo diante de intransponíveis situações, vislumbro possibilidades de saída, é possível ser de outro modo, inventar e reinventar alternativas, recusar a possibilidade de as realidades me dominarem e, sem cessar, sonhar com o mais e o melhor. 

A esperança é gestora do futuro e rompedora da dureza do existir.



5 – O que a Palavra me leva a viver? 
Na realidade, os discursos apocalípticos, a pesar de sua aparência, são sempre um chamado à esperança, que não é uma projeção para um determinado futuro, que serve para fugir do presente ou para poder “suportá-lo”; nem pode ser entendida como mera “expectativa” que me  afasta do presente, senão que me faz ancorar nele, ou seja, viver na Plenitude do que é, no Presente pleno e com sentido.

A esperança, talvez mais do que qualquer outra inclinação ou disposição, está bem no cerne do ser humano e de sua existência, fazendo-o viver e dando sentido à aventura de sua existência. Basta pensar no que significa o desespero, a ausência de horizonte, a falta ou a perda de todo projeto possível, para compreender que a esperança emerge das profundezas do ser humano. Sem esperança , ele não pode viver.

O ser humano é ser “esperante”. 

Paulo Freire insistia que não se pode confundir esperança do verbo “esperançar” com esperança do verbo “esperar”. Esperançar é se levantar, é ir atrás; esperançar é construir e não desistir. Esperançar é levar adiante, esperançar é juntar-se com outros para fazer de outro modo.


Fonte:  Bíblia na linguagem de hoje –  Mc 13,24-32
            Pe. Adroaldo, sj – reflexão do Evangelho
            Desenho: Osmar Koxne       


quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Participe da Entrevista aos Orionitas


Leitura Orante – 32° domingo do tempo comum

Leitura Orante –  32° domingo do tempo comum, 08 de novembro de 2015

GENEROSIDADE SEM LIMITES

“Ela ofereceu tudo aquilo que possuía para viver” (Mc 12,44) 


Texto Bíblico: Mc 12,38-44


1 – O que diz o texto?
Jesus, mais uma vez nos ensina. O episódio de hoje é o melhor resumo que se pode fazer de todo o evangelho de Marcos. Duas imagens, emergem com intensidade. O contraste entre as duas cenas é total.

Na primeira, Jesus põe a descoberto a atitude dos doutores da lei no templo. Sua religião é falsa: utilizam-na para buscar sua própria glória e projetar-se sobre os outros. Vivem o “complexo do pavão”: só se preocupam com o exterior, as vestimentas, a ostentação, a vaidade, as honras, as saudações... Buscam vestir-se de modo especial e ser saudados com reverência para sobressair sobre os outros, impor-se e dominar. A religião lhes serve para alimentar fantasias. Fazem “longas orações” para impressionar. Não criam comunidade, pois se fazem o centro dela. No fundo, só pensam em si mesmos. Vivem aproveitando-se das pessoas frágeis às quais deveriam servir. Não se deve admirá-los nem seguir seu exemplo.

Na segunda cena, Jesus encontra-se junto ao cofre do templo e observa o gesto de uma pobre viúva que deposita ali duas pequenas moedas. Impactado pelo gesto, Jesus desperta a atenção de seus discípulos para que não esqueçam o gesto desta mulher. É uma pobre mulher, maltratada pela vida, sozinha e sem recursos. Provavelmente vive mendigando junto ao Templo. Desta mulher eles podem aprender algo que os doutores da lei nunca lhes ensinarão: uma fé total em Deus e uma generosidade sem limites.



2 – O que o texto diz para mim?
Jesus descobre o dom da generosidade em uma mulher, a viúva pobre, que lançou no cesto das oferendas tudo o que precisava para viver. Olhar como Jesus olha me educa, me faz ter grandes olhos. É um gesto que passa desapercebido para muitos outros e que, no entanto, Ele recebe e elogia.

Enquanto os mestres da lei vivem aproveitando-se da religião, esta mulher despoja-se de tudo em favor dos outros, confiando totalmente em Deus.

Para captar toda a força da frase final do Evangelho de hoje (“na sua pobreza, ofereceu tudo aquilo que possuía”), tenho que ter em conta que em grego “bios” significa não só vida, senão também modo de vida, recursos, sustento; seria o conjunto de bens imprescindíveis para a subsistência. Isso quer dizer que ela deu todo seu sustento (vida), ou seja, tudo o que constituía sua possibilidade de viver. A atitude da viúva equivalia a colocar sua subsistência (vida) nas mãos de Deus. Sua insignificante esmola demonstra uma atitude de total confiança em Deus e de total disponibilidade diante d’Ele.

Seu gesto me faz descobrir o coração da verdadeira religião: confiança grande em Deus, gratuidade surpreendente, generosidade expansiva, amor solidário, simplicidade e verdade. Não conheço o nome desta mulher nem seu rosto. Só sei que Jesus viu nela um modelo para os futuros dirigentes de sua Igreja.



3 – O que a Palavra me leva a experimentar?
Trata-se de uma mulher anônima que pratica a misericórdia através de sua pobreza e de sua capacidade de partilha. Esta pobre mulher me ensina a não acumular, a não apegar-me às coisas, às pessoas, ao que faço ou que já fiz em outros tempos; ela me ensina a estar aberta para me deixar conduzir, ali onde a vida precisa de mim, a atrever-me a lançar minhas duas moedas, apesar de senti-las de tão pouco valor. Porque esse gesto é o que dá sentido à minha vida e torna fecunda também a dos outros. Aprendo dela a viver minha pobreza oferecida, de mãos estendidas, de coração livre.

Em minhas relações com Deus não servem de nada as aparências e as indumentárias. A sinceridade é a única base para que a religiosidade seja efetiva. Não enganar a Deus com aparências.



4 – O que a Palavra me leva a falar com Deus? 
Senhor, tantas mulheres e homens de fé simples e coração grande e generoso, que sabem amar sem reservas, são o melhor que a igreja tem hoje. Não escrevem livros nem pronunciam sermões, nem se fazem o centro na comunidade, mas são essas pessoas  que mantém vivo  o evangelho de Jesus; são elas que fazem o mundo mais humano, são elas que creem de verdade em Deus, são elas que se deixam conduzir pelo Espírito de Jesus em meio a outras atitudes religiosas falsas e interesseiras. Vivem a simplicidade e o despojamento, sem chamar a atenção sobre si mesmas. Na liturgia e nas celebrações não gostam de se exibir com vestimentas vistosas, mendigando saudações vazias e reverências fúteis, nem buscam os assentos de honra e os primeiros lugares. Destas pessoas aprendo para seguir a Jesus. São elas que mais se parecem com Ele.



5 – O que a Palavra me leva a viver? 
Diante do olhar compassivo do Senhor, experimentar a generosidade como libertação, como um mergulho no coração da verdade.

Sentir o coração dilatar-se até às dimensões do universo, livre para qualquer desafio, para lançar-se a uma intensa generosidade.

É a generosidade que alarga o meu coração, rompendo meus estreitos limites e lançando-me a compromissos mais profundos. Sentir que cada nova doação é uma libertação maior: são novas oportunidades de serviço, de maior aproximação d’Aquele  que veio, não para ser servido, mas para servir e para dar sua vida pelo mundo.


Fonte:  Bíblia na linguagem de hoje –  Mc 12,38-44
              Pe. Adroaldo, sj – reflexão do Evangelho
              Desenho: Osmar Koxne