quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Leitura Orante - Epifania - 03.01.2016



Leitura Orante –  domingo, 03 de janeiro de 2016

EPIFANIA: o Deus das portas abertas 

“Quando entraram na casa, viram o menino com Maria, sua mãe”. (Mt 2,11)


Texto Bíblico: Mateus 2,1-12


1 – O que diz o texto?
Nesta festa da Epifania, a imagem de Deus que nos transparece é a d’Aquele das portas sempre abertas.
Esta imagem se fez visível na Gruta de Belém, simples estábulo sem portas ou portões, que só servia para guardar as ovelhas e protegê-las da chuva e dos perigos. Por isso, carecia de portas. 
Deus nasceu em um espaço sem portas.
Por isso, quando os Magos chegaram, não precisaram tocar a campainha, nem abrir a maçaneta e esperar que alguém, pela abertura da porta, lhes perguntasse: quem são? de onde vem? quê buscam?...
Simplesmente chegaram e entraram, porque tudo estava aberto.


2 – O que o texto diz para mim?
É impressionante a descrição que Edith Stein faz, quando um dia, ainda antes de se converter ao cristianismo, entrou na catedral de Francfurt.
“Entramos por alguns minutos na catedral e, enquanto permanecíamos ali dentro num silêncio respeitoso, entrou uma mulher com a sacola de compras. Ajoelhou-se em um dos bancos. Permaneceu nessa postura o tempo suficiente para rezar uma breve oração. Aquilo era algo completamente novo para mim. Nas sinagogas e nas igrejas protestantes que eu havia visitado só se entra para os atos litúrgicos da comunidade. Mas aqui alguém pode entrar numa igreja vazia, durante as horas de trabalho de um dia qualquer da semana para manter uma conversação familiar. Jamais pude esquecer isto”.
A presença dos Magos em Belém foi um pouco como a visita de Edith Stein à catedral de Franckfurt. O mais maravilhoso de Deus é que as portas lhe causam repugnância. Ele as quer sempre abertas para que todo aquele que queira “vê-lo”, falar-lhe e adorá-lo, não precisa nem chamar, nem tocar a campainha, nem marcar visita com hora fixa. Deus está aberto sempre e a todos. Não faz distinção de pessoas.


3 – O que a Palavra me leva a experimentar?
É altamente significativo e simbólico que a abertura do Jubileu da Misericórdia tenha começado com o destravamento das portas das igrejas em todo o mundo.
Mais significativo ainda foi o gesto do papa Francisco de abrir a Porta Santa do Ano da Misericórdia em Bangui, na África, antes mesmo de fazê-lo em Roma, sede central do Cristianismo.  
O Santo Padre declarou Bangui a capital espiritual do mundo no dia 29 de novembro, dando  início ao Jubileu da Misericórdia a partir daquela cidade, marcada pela miséria e pela violência.
Em sua misericórdia, Deus sempre me surpreende, sempre excede minhas estreitas expectativas, para abrir caminho a partir de minhas fragilidades. Só o amor misericordioso de Deus me reconstrói por dentro, destrava meu coração e me move em direção a horizontes maiores de busca, responsabilidade e compromisso. 


4 – O que a Palavra me leva a falar com Deus?
Senhor, o Espírito que sopra desde a África, com a abertura da Porta Santa, me abre então a porta para palmilhar a estrada deste Novo Ano rumo a um mundo marcado pela luz da Misericórdia.
Os Magos do Oriente são o símbolo de tantos homens e mulheres que, em qualquer parte do mundo, a partir de outras sendas e tradições espirituais, se perguntam, buscam e caminham. Uma lenda os apresenta como um rei jovem, outro ancião e outro negro, querendo significar que todos os âmbitos do ser humano se fazem patentes ao longo do caminho, até poder encontrar o Menino e adorá-lo.
Segundo esta lenda, os magos perdem a estrela justamente antes de chegar, e foram os pastores, as potências do coração, aqueles que lhes ensinaram o caminho. O ouro do amor, o incenso dos meus desejos e a mirra de minhas dores e daquilo que cura as feridas são entregues Àquele que me deu tudo primeiro.
Todos os dias deveriam ser “Epifania”, Deus com as portas abertas de seu coração misericordioso, pronto a me receber e receber a todos e a me aceitar e aceitar a todos como sou e como somos. Deus que a cada dia me diz: “Passai por aqui, a porta está sempre aberta”.


5 – O que a Palavra me leva a viver?
A obscuridade e as dúvidas pairam sobre meu presente e meu futuro. A situação social que vivo é certamente muito confusa. Por isso busco uma luz, uma estrela para me orientar.
Preciso de uma luz que dê sentido e orientação à minha vida.
Uma vez que a Luz do Menino me toca, já não posso seguir pelo mesmo caminho; o caminho da epifania é agora o meu caminho: descobrir o amor e manifestá-lo. Descobri-lo onde não esperava e levá-lo a outros por onde ainda não sei. Como cega tocada por uma luz que me indica os modos: em vulnerabilidade, em pobreza, em humildade, em alegria.
Ao celebrar a Epifania ou manifestação do Senhor devo me perguntar se vou caminhando para onde essa luz me leva, ou se permaneço instalada no caminho. Sou portadora desta nova luz para que ela também chegue aos rincões do mundo e a todos os seres humanos. Quando todos se abrirem a ela, certamente se envolverão na construção de uma sociedade fraterna onde a justiça e a paz se abraçarão e permanecerá vivo o mistério do Natal.


Fonte: 
Bíblia na linguagem de hoje –  Mateus 2,1-12
Pe. Adroaldo, sj – reflexão do Evangelho
Desenho: Osmar Koxne       

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