quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Leitura Orante – 4º domingo do Advento


Leitura Orante –  4º domingo do Advento, 20 de dezembro de 2015

VISITAÇÃO: gerar a vida divina em nosso interior

“Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança pulou no seu ventre...” (Lc 1,41)


Texto Bíblico: Lc 1,39-45


1 – O que diz o texto?
Nos relatos do Evangelho de Lucas há duas mulheres, Maria e Isabel, que experimentaram profundamente o dom da gratuidade, e seu lugar de carência se converteu em lugar de abundância. As duas descobriram o dinamismo curador das relações e a riqueza que os contatos pessoais contém.

O evangelho de hoje nos apresenta uma visita inesperada: a visita daquela que não permanece fechada nem em si mesma em seu mistério; a visita daquela que se sente impulsionada a sair de si mesma para colocar-se a serviço daquela que está necessitada de ajuda.

Uma visita alegre, espontânea e gratuita, porque cheia da experiência de Deus; Maria que faz Isabel sentir a alegria de uma maternidade não esperada. Isabel que faz Maria sentir as maravilhas que Deus realizou nela. Uma visita que se expressa em dois cantos de louvor e ação de graças: “Bendita és tu que acreditaste” e “Minha alma engrandece o Senhor”.

Elas nos conduzem a agradecer a capacidade feminina, que homens e mulheres tem, de deixar transparecer o Mistério que nos habita, de despertar-nos uns a outros para essa Vida que nos habita e cuja presença reconhecemos.



2 – O que o texto diz para mim?
Maria não vai só servir a Isabel; ela precisa de alguém que a partir de sua experiência lhe diga: “vai em frente, que isso é de Deus”. Necessita que Isabel a confirme e a bendiga. E Isabel, por sua vez, necessita agradecer o sonho de Deus que as duas compartilham e que se tornou possível.

Estas mulheres são um ícone preciosíssimo para cultivar as dimensões do diálogo intergeracional e a necessidade que tenho de diálogo em todas as dimensões da vida, entre as culturas, entre as diversas tradições religiosas... O diálogo como caminho para a comunhão.

Isabel e Maria se convertem cada uma em comadre, em parteira da outra; a partir de seus diferentes momentos vitais, vão se ajudar a esperar e a passar o processo do “dar à luz”. Na vida nova que está se gestando nelas, no secreto, anseiam em uníssono para trazer ao mundo algo de Deus que estava oculto.



3 – O que a Palavra me leva a experimentar?
À sombra do encontro entre Maria e Isabel e contemplando o modo de visitar e de ser visitada, agradeço. É um tempo para orar as relações, para considerar aquelas que preciso continuar alimentando e aquelas que se romperam e que quero reparar.

Agradecer as relações que nutrem a minha vida. Trazer ao coração as pessoas significativas que me fizeram provar o sabor do amor em mim e seus bons efeitos. Recolher agradecidamente os pequenos gestos de amor, de carinho, de escuta, de confiança, de paciência... que tiveram comigo.

As duas mulheres se encontram em diferentes momentos vitais: Isabel na terceira etapa de sua vida, Maria quase na primeira, entrando na segunda. Uma é estéril e anciã, a outra, jovem e virgem, ambas portadoras de uma vida maior que elas mesmas, conhecedoras do mistério que crescia em seu interior.

Devido à sua gravidez, as duas se encontram fora da norma social, do estabelecido. Isabel é idosa para poder conceber, e Maria está grávida sem estar casada.  Ambas deviam sentir não só alegria no abraço, mas também a comoção e as dúvidas: “quê vai acontecer?”, “como vamos ajeitar as coisas?”...



4 – O que a Palavra me leva a falar com Deus?
Senhor, os ícones que ao longo dos séculos expressam esta visita, esta saudação, me apresentam as duas mulheres vinculadas, unidas por um abraço, por uma mesma alegria. Em seu modo de entrar em relação, em sua maneira de dialogar, se apresentam na qualidade de mestras para mim, para a humanidade fragmentada que aspira relações novas.

Isabel e Maria se fazem valer mutuamente e despertam o melhor que há em cada uma. Viveram uma história de agradecimento e de libertação, se encontraram a partir da alma, a partir do mais profundo de si mesmas e se ofereceram mutuamente palavras amigas, palavras de encorajamento e de sabedoria.



5 – O que a Palavra me leva a viver?
O “mistério da visitação” me possibilita recuperar o sentido e o dinamismo de um encontro interpessoal. O encontro é uma realidade inter humana dinâmica e, até certo ponto, tem algo de arriscado e imprevisível, derrubando todas as minhas prévias tentativas de controlá-lo.

Minha casa, lugar de visitação e encontro, espaço humano de partilha, convivência, festa, ajuda...

Casa sempre aberta: “entrada franca”;

Casa, lugar do lava pés, do mandamento novo, da amizade, da oração...

Casa, lugar do discipulado: olhar, escutar e seguir

Casa, lugar de unção acolhida, serviço e cuidado...

Casa, lugar do Nascimento, da experiência de um Natal permanente.


Fonte:
Bíblia na linguagem de hoje –  Lc 1,39-45
Pe. Adroaldo, sj – reflexão do Evangelho
Desenho: Osmar Koxne      

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