quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Leitura Orante – 3º domingo do Advento



Leitura Orante –  3º domingo do Advento, 13 de dezembro de 2015

ADVENTO: tempo que destrava nosso interior

“As multidões perguntavam a João: ‘que devemos fazer?’” (Lc 3,10)


Texto Bíblico: Lc 3,10-18


1 – O que diz o texto?
Na iminência da vinda do Messias, os que se deixam envolver pela pregação do Batista lhe pedem normas de comportamento. Estas poderiam ser resumidas numa palavra: humanismo, ser gente.

Novamente, estamos acostumados demais a estes textos, impedindo-nos de descobrir sua novidade. Mas, o normal que se esperaria do profeta e asceta como o Batista, seria: exercícios de penitência, jejum e cilício.

No entanto, o Batista tem as ideias muito claras; não propõe às pessoas acrescentar às suas vidas novas práticas religiosas, não lhes pede que fiquem no deserto fazendo penitência, não lhes fala de novos preceitos. É preciso acolher o Messias, olhando atentamente e comprometendo-se com os necessitados.

Ser humano: esta é a exigência do momento quando o Reino de Deus acontece no meio de nós.


2 – O que o texto diz para mim?
Nesta terceira semana do Advento os sinais se tornam mais concretos: é preciso abrir-se à alteridade para viver a partilha, sair do estreito círculo do “meu”, para que o instinto de posse deixe passagem à liberdade de preferir o bem maior da relação: oportunidade de humanizar meu  louco consumismo, ser mais sensível ao sofrimento das vítimas, crescer em solidariedade prática, denunciar os desmandos na gestão da coisa pública, ativar a força da compaixão...

Essa será a minha maneira de acolher com mais verdade o Messias em minha vida.

O Advento me torna flexível, atenta às inspirações do Espírito; é um estado de alerta, de escuta e de uma grande atenção em relação à realidade que me cerca, buscando ser presença que ajuda, que eleva e que salva quem está em situação de necessidade. O Advento revela a natureza humana verdadeira, quando esta não está entulhada pela ilusão e pelo ego; é descentrar-me, desfazer-me de tudo aquilo que acredito ser, para que somente fique em mim o que é próprio de Deus.


3 – O que a Palavra me leva a experimentar?
Viver em “estado de mobilidade expansiva” é sair dos meus hábitos, sair do conhecido.

Se entro nessa aventura, minha vida será virada pelo avesso e completamente questionada.

O Advento é o que diz “sim” em mim: sim à vida, sim ao compromisso, sim à compaixão...

É necessário que eu descubra em meu interior, o sim mais profundo; ativá-lo para que minha vida cresça em humanidade e alargue minha capacidade de sair e caminhar para além de mim mesma.

O sim interior deve ser uma irradiação de todo o meu ser.

Quando o impulso para o além, para a transcendência me habita, tudo se torna sagrado, meus olhos se tornam contemplativos e se fazem mais oblativos, movendo-me em direção aos outros.


4 – O que a Palavra me leva a falar com Deus?
Senhor, estou mergulhada na cultura de resultados. A existência inteira faz-se maquinal e rotineira; já não encontro mais “tempo” para desfrutar das atividades mais simples e humanas.

Sentindo-me invadida por ruídos, pressas, atropelos, ansiedade, resultados imediatos, vivências superficiais... sem uma unidade interna e sem uma direção. Vivo uma quantidade de experiências rápidas, amontoadas, sem possibilidade de avaliação... e vou perdendo, pouco a pouco, a história pessoal e comunitária. Com isso, meu “modo de viver” torna-se rotineiro, pesado, carregado de desencanto..., me torna medíocre e me acomodo na passividade.

Minhas ações e meu serviço se esvaziam, tornam-se “insensatos” (sem sentido, sem inspiração e sem motivação: “para quê?” “para quem?”); faço coisas que não faria se pudesse tomar distância e discernir a respeito do que estou fazendo. Tudo isso me faz viver à margem de mim mesma, na superficialidade... sem poder captar o “mistério” escondido em meu interior, nos outros e nas criaturas.


5 – O que a Palavra me leva a viver?
O Advento é a contra corrente do ativismo. Se, de um lado, o ativismo me arrasta para a repetição e a conservação, de outro lado, a espiritualidade do Advento me impulsiona para a busca, a criatividade, a ação discernida... visando o “maior e melhor serviço”.

Uma pessoa marcada pela vivência do Advento não é aquela que, por medo, se distancia do mundo, mas é aquela que, movida por uma radical paixão, desce ao coração da realidade em que se encontra, aí se encarna e aí deixa transparecer o rosto da velada presença do Inefável. Isso significa uma maneira diferente e original de ser presença na realidade, dividida e conflituosa.

Devo habitar um mundo onde a interioridade faz a diferença, ou seja, onde as pessoas se definem por suas visões, paixões, esperanças, sonhos, imaginação criativa...


Fonte: 
Bíblia na linguagem de hoje –  Lc 3,10-18
Pe. Adroaldo, sj – reflexão do Evangelho
Desenho: Osmar Koxne       

Nenhum comentário:

Postar um comentário