quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Leitura Orante – 32° domingo do tempo comum

Leitura Orante –  32° domingo do tempo comum, 08 de novembro de 2015

GENEROSIDADE SEM LIMITES

“Ela ofereceu tudo aquilo que possuía para viver” (Mc 12,44) 


Texto Bíblico: Mc 12,38-44


1 – O que diz o texto?
Jesus, mais uma vez nos ensina. O episódio de hoje é o melhor resumo que se pode fazer de todo o evangelho de Marcos. Duas imagens, emergem com intensidade. O contraste entre as duas cenas é total.

Na primeira, Jesus põe a descoberto a atitude dos doutores da lei no templo. Sua religião é falsa: utilizam-na para buscar sua própria glória e projetar-se sobre os outros. Vivem o “complexo do pavão”: só se preocupam com o exterior, as vestimentas, a ostentação, a vaidade, as honras, as saudações... Buscam vestir-se de modo especial e ser saudados com reverência para sobressair sobre os outros, impor-se e dominar. A religião lhes serve para alimentar fantasias. Fazem “longas orações” para impressionar. Não criam comunidade, pois se fazem o centro dela. No fundo, só pensam em si mesmos. Vivem aproveitando-se das pessoas frágeis às quais deveriam servir. Não se deve admirá-los nem seguir seu exemplo.

Na segunda cena, Jesus encontra-se junto ao cofre do templo e observa o gesto de uma pobre viúva que deposita ali duas pequenas moedas. Impactado pelo gesto, Jesus desperta a atenção de seus discípulos para que não esqueçam o gesto desta mulher. É uma pobre mulher, maltratada pela vida, sozinha e sem recursos. Provavelmente vive mendigando junto ao Templo. Desta mulher eles podem aprender algo que os doutores da lei nunca lhes ensinarão: uma fé total em Deus e uma generosidade sem limites.



2 – O que o texto diz para mim?
Jesus descobre o dom da generosidade em uma mulher, a viúva pobre, que lançou no cesto das oferendas tudo o que precisava para viver. Olhar como Jesus olha me educa, me faz ter grandes olhos. É um gesto que passa desapercebido para muitos outros e que, no entanto, Ele recebe e elogia.

Enquanto os mestres da lei vivem aproveitando-se da religião, esta mulher despoja-se de tudo em favor dos outros, confiando totalmente em Deus.

Para captar toda a força da frase final do Evangelho de hoje (“na sua pobreza, ofereceu tudo aquilo que possuía”), tenho que ter em conta que em grego “bios” significa não só vida, senão também modo de vida, recursos, sustento; seria o conjunto de bens imprescindíveis para a subsistência. Isso quer dizer que ela deu todo seu sustento (vida), ou seja, tudo o que constituía sua possibilidade de viver. A atitude da viúva equivalia a colocar sua subsistência (vida) nas mãos de Deus. Sua insignificante esmola demonstra uma atitude de total confiança em Deus e de total disponibilidade diante d’Ele.

Seu gesto me faz descobrir o coração da verdadeira religião: confiança grande em Deus, gratuidade surpreendente, generosidade expansiva, amor solidário, simplicidade e verdade. Não conheço o nome desta mulher nem seu rosto. Só sei que Jesus viu nela um modelo para os futuros dirigentes de sua Igreja.



3 – O que a Palavra me leva a experimentar?
Trata-se de uma mulher anônima que pratica a misericórdia através de sua pobreza e de sua capacidade de partilha. Esta pobre mulher me ensina a não acumular, a não apegar-me às coisas, às pessoas, ao que faço ou que já fiz em outros tempos; ela me ensina a estar aberta para me deixar conduzir, ali onde a vida precisa de mim, a atrever-me a lançar minhas duas moedas, apesar de senti-las de tão pouco valor. Porque esse gesto é o que dá sentido à minha vida e torna fecunda também a dos outros. Aprendo dela a viver minha pobreza oferecida, de mãos estendidas, de coração livre.

Em minhas relações com Deus não servem de nada as aparências e as indumentárias. A sinceridade é a única base para que a religiosidade seja efetiva. Não enganar a Deus com aparências.



4 – O que a Palavra me leva a falar com Deus? 
Senhor, tantas mulheres e homens de fé simples e coração grande e generoso, que sabem amar sem reservas, são o melhor que a igreja tem hoje. Não escrevem livros nem pronunciam sermões, nem se fazem o centro na comunidade, mas são essas pessoas  que mantém vivo  o evangelho de Jesus; são elas que fazem o mundo mais humano, são elas que creem de verdade em Deus, são elas que se deixam conduzir pelo Espírito de Jesus em meio a outras atitudes religiosas falsas e interesseiras. Vivem a simplicidade e o despojamento, sem chamar a atenção sobre si mesmas. Na liturgia e nas celebrações não gostam de se exibir com vestimentas vistosas, mendigando saudações vazias e reverências fúteis, nem buscam os assentos de honra e os primeiros lugares. Destas pessoas aprendo para seguir a Jesus. São elas que mais se parecem com Ele.



5 – O que a Palavra me leva a viver? 
Diante do olhar compassivo do Senhor, experimentar a generosidade como libertação, como um mergulho no coração da verdade.

Sentir o coração dilatar-se até às dimensões do universo, livre para qualquer desafio, para lançar-se a uma intensa generosidade.

É a generosidade que alarga o meu coração, rompendo meus estreitos limites e lançando-me a compromissos mais profundos. Sentir que cada nova doação é uma libertação maior: são novas oportunidades de serviço, de maior aproximação d’Aquele  que veio, não para ser servido, mas para servir e para dar sua vida pelo mundo.


Fonte:  Bíblia na linguagem de hoje –  Mc 12,38-44
              Pe. Adroaldo, sj – reflexão do Evangelho
              Desenho: Osmar Koxne       


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