quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Leitura Orante – 1º domingo do Advento


Leitura Orante –  1º domingo do Advento, 29 de novembro de 2015

ADVENTO, DEIXA-TE SURPREENDER

 “...levantai-vos e erguei a cabeça, porque a vossa libertação está próxima” (Lc 21,28)


Texto Bíblico: Lc 21,25-28.34-36


1 – O que diz o texto?
No evangelho de hoje, Jesus dá por suposto a existência de situações desastrosas que nos sacodem, enchendo-nos de ansiedade e preocupação; mas, onde nós só vemos catástrofes, Jesus vê “sinais”. E a condição para descobri-los é erguer a cabeça, levantar os olhos, ir mais além do imediato que nos cega e nos prende em redes de desejos insatisfeitos, em obsessões por conservar modos de vida que considerávamos definitivos, em temores que embotam nosso coração impedindo o fluir da vida.

Aspiração, sede, ansiedade, expectativa, estar de pé: isso é o que nos invade quando sentimos que se aproxima algo que desejamos de verdade. Pois isso é o Advento: tempo para os grandes sonhos.

Curvados sobre nós mesmos, sem horizonte, sem poder olhar de frente, nem entrar em relação de reciprocidade, carregando durante longo tempo um peso excessivamente grande (culpa, ressentimento, vergonha), bloqueados, privados de nosso próprio potencial: este é o drama que nos desumaniza. Nossos corpos encurvados se fazem texto, linguagem, grito, petição... para serem endireitados. 

Nesse contexto ressoa com força o apelo de Jesus: “levantai-vos e erguei a cabeça, porque a vossa libertação está próxima”.



2 – O que o texto diz para mim?

O melhor do Deus que vem é que Ele se manifesta de maneiras inesperadas: desfaz certezas, rompe convenções, renova sonhos, não busca brilhos ou ornamentos, aplausos ou adesões forçadas. Sua chegada não exige cobranças nem condiciona com exigências desmedidas. A esperança abre passagem por onde menos espero. E Deus continua aparecendo onde e quando ninguém espera.

Poderia dizer que o Advento me apresenta uma “espiritualidade do despertar”.



3 – O que a Palavra me leva a experimentar?
O meu corpo fala mais e com mais veracidade que minhas palavras, o que irradia revela algo sobre mim. É preciso interrogar o corpo para que ele conte suas histórias guardadas: seus segredos, suas dores, suas vivências. Devo ser capaz de lê-los e respeitá-los, para poder devolver-lhes sua harmonia e sua beleza originais.

É meu próprio corpo posto de pé, é minha própria vida circulando sem  ataduras, é a libertação de minhas forças afetivas, a possibilidade de olhar outros olhos sem temor e de entrar em comunicação... que me faz experimentar uma relação nova com a vida.

Para “conhecer” a realidade e a verdade do Advento preciso de olhos novos e de um coração novo.

É necessário despertar aquela “sensibilidade” escondida e abafada pelo ativismo e pelo ritmo estressante de minha vida. No Advento, toda a humanidade é atingida como que por um raio, é tomada de surpresa.

A sua noite, o seu silêncio, o seu sono, a sua rotina diária... é quebrada por uma novidade absoluta.

O Advento é, por sua própria natureza, uma surpresa que quebra a solidão das pessoas abandonadas a si mesmas, que irrompe no meio de uma vida sem sentido e sem direção, que traz luz para os ambientes fechados e frios.



4 – O que a Palavra me leva a falar com Deus? 
Senhor, a “sensibilidade” despertada pelo Advento recupera em mim o sentido da surpresa,  recobra a atitude da expectativa, da novidade, do assombro... diante da vida. Porque é no traçado das horas e dos dias que o Senhor Deus prepara sempre a sua novidade, a sua surpresa, o seu dom natalício. Tal surpresa faz brotar o entusiasmo para enfrentar os desafios da vida, despertando projetos arquivados, suscitando dinamismo novo no cotidiano pesado, fazendo-me levantar e retomar o caminho... estar desperta e experimentar intensamente a vida e, graças a isso, viver ancorada, enraizada e conectada com a  verdadeira identidade, ao meu eu original e universal. 



5 – O que a Palavra me leva a viver? 
É preciso saber olhar, abrir os olhos, ler a vida e despertar-me para aquilo que acontece à minha volta.

Se há uma palavra que perpassa todas as tradições religiosas, essa palavra é “despertar”.

O chamado original a “despertar” reveste-se de uma profundidade muito maior, que conecta com aquela palavra com a qual Jesus inicia sua atividade pública: “convertei-vos”. Na realidade, trata-se de um novo modo de olhar ou de conhecer, de um “conhecer mais além da aparência”.

Despertar para a gratuidade da vida, para o chamado à convivência e comunhão, despertar para uma presença misericordiosa. Jesus vem despertar e ativar a minha esperança.

Posso acolher este tempo com a marca da rotina (mais um ano, repetir as mesmas palavras, a espera, o “vem, Senhor”...); ou mobilizando-me e abrindo-me à surpresa de Deus, que virá a mim como chamado, como possibilidade, como grito para despertar-me... 

O Advento quer reafirmar a possibilidade de uma alternativa, da chegada de um hóspede inesperado, porque é “boa nova”, é evangelho.



Fonte:  Bíblia na linguagem de hoje –  Lc 21,25-28.34-36
             Pe. Adroaldo, sj – reflexão do Evangelho
             Desenho: Osmar Koxne       

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