terça-feira, 15 de abril de 2014


Leitura Orante em Paulo Apóstolo
Dia : 15 de abril de 2014
Tema: Jerusalém ou Babilônia

Jerusalém antiga


Babilonia Antiga












1. Oração ao Apóstolo São Paulo

Ó São Paulo,
discípulo e missionário de Jesus Cristo:
ensina-nos a acolher a Palavra de Deus
e abre nossos olhos à verdade do Evangelho.
Conduze-nos ao encontro com Jesus e
contagia-nos com a fé que te animou

São Paulo Apóstolo, Rogai por nós!

O papa Francisco manda um recado para todos nós: Como é doce estar diante do Crucifixo, ficar simplesmente sob o olhar cheio de amor do Senhor! (papa Francisco, 12/04/2014).

2. O método

1º Momento - Leitura (Verdade) – O que diz o texto?
Vejamos: 1Ts 2,17-20. Vamos a uma primeira leitura:
Irmãos, já faz algum tempo que estamos separados de vocês, longe dos olhos, mas não do coração, e por isso temos o mais vivo e ardente desejo de tornar a vê-los.
Quisemos visitá-los. Eu mesmo, Paulo, mais de uma vez quis fazer isso. Satanás, porém, nos impediu.

De fato, quem, senão vocês, será a nossa esperança, a nossa alegria e a nossa coroa diante de nosso Senhor Jesus, no dia de sua vinda? Sim, nossa glória e alegria são vocês!
Ler uma segunda vez. Deter-se nas palavras mais fortes.
Muitas vezes precisaremos lançar mão de algum subsídio que nos ajude a entender melhor o texto.

Paulo lembra um ditado popular de quem se quer bem: “longe dos olhos mas perto do coração”.

Só que ele diz que muitas vezes quis ir ver a comunidade de Tessalônica, mas Satanás o impediu. O que ele quer dizer com isso? Quem era na prática, satanás?
Para Paulo, satanás é o que ele diz também “poder das trevas”, o “deus deste mundo”, aos Romanos ele dirá da “escravidão da corrupção” (Rm 8,21). Em Corinto, ele fala de “falsos apóstolos” e “ministros de satanás”. (2Cor 11, 14-15).  Veja o que ele diz neste texto:  “O próprio Satanás se disfarça em anjo de luz! Por isso, não me surpreendo de que os ministros de Satanás se disfarcem como servidores da justiça”.

Mas, até com anjo de luz aparece Satanás?

Isso mesmo. Para enganar.  Na segunda aos tessalonicenses Paulo dirá: “A vinda do ímpio vai acontecer graças ao poder de satanás, com todo tipo de falsos milagres, sinais e prodígios e com toda sedução”.(2Ts 1,8-9).  Quando ele fala  do disfarce de Satanás em  anjo de luz quer dizer que não é fácil identificá-lo. Ele confunde as pessoas. Aos efésios, por exemplo, Paulo usa outro termo para dizer que satanás se disfarça para enganar. Veja Ef 2,2.
Outrora vocês viviam nessas faltas e pecados, seguindo o modo de pensar deste mundo, seguindo o príncipe do poder do ar, o espírito que agora age nos homens desobedientes.
Na verdade ele quer dizer que há dois modos de viver: sem Cristo e com Cristo. Sem Cristo é o mundo pagão, cuja mentalidade, modo de pensar e agir manifestam a presença do mal que é o egoísmo que divide as pessoas. Com Cristo surge nova forma de viver: o amor que leva à doação, ao perdão, à comunhão e realiza-se o Projeto de Deus. Então, quando ele fala que satanás o impede de ir ver a comunidade, quer dizer que há empecilhos à missão?

É. Na 2ª aos Coríntios 4,4, Paulo afirma que “o deus deste mundo” afasta do Evangelho seus súditos humanos, cegando-lhes a inteligência para que não compreendam, nem creiam. Paulo falava de satanás que o impedia, referindo-se a “circunstâncias adversas”, ou à “situação política”. Para ele, no entanto,  não existem acaso, nem circunstâncias adversas quer de tipo político, climático, de saúde. Ele sabe que o que acontece  é causado por forças vivas pessoais que trabalham por Deus ou contra ele. Santo Inácio de Loyola falará de duas bandeiras: Jerusalém ou Babilônia.  O amor ou o egoísmo?

Pense nestas verdades e se pergunte:
Qual bandeira o nosso mundo mais levanta: a de Jerusalém ou a da Babilônia? Ou seja, a do amor que ajuda, perdoa, promove ou a do egoísmo que divide as pessoas, julga, condena? Pense nalgum exemplo e converse com alguém, seu grupo ou comunidade sobre isto.

2º Momento – Meditação (Caminho) – O que diz o texto?
O que diz para mim, para nós, para o mundo de hoje? Há algo parecido no mundo de hoje? Há algo diferente?  Outros textos  bíblicos ou de autores cristãos que você recorda, relacionados a este.

Para a nossa meditação pedimos ajuda ao Papa Francisco e ele nos oferece sua mensagem da Quaresma deste ano, uma mensagem inspirada em São Paulo apóstolo.

MENSAGEM DO SANTO PADRE FRANCISCO
PARA A QUARESMA DE 2014

Fez-Se pobre, para nos enriquecer com a sua pobreza
(cf. 2 Cor 8, 9)

Por ocasião da Quaresma, ofereço-vos algumas reflexões com a esperança de que possam servir para o caminho pessoal e comunitário de conversão. Como motivo inspirador tomei a seguinte frase de São Paulo: «Conheceis bem a bondade de Nosso Senhor Jesus Cristo, que, sendo rico, Se fez pobre por vós, para vos enriquecer com a sua pobreza» (2 Cor 8, 9). O Apóstolo escreve aos cristãos de Corinto encorajando-os a serem generosos na ajuda aos fiéis de Jerusalém que passam necessidade. A nós, cristãos de hoje, que nos dizem estas palavras de São Paulo? Que nos diz, hoje, a nós, o convite à pobreza, a uma vida pobre em sentido evangélico?

A graça de Cristo

Tais palavras dizem-nos, antes de mais nada, qual é o estilo de Deus. Deus não Se revela através dos meios do poder e da riqueza do mundo, mas com os da fragilidade e da pobreza: «sendo rico, Se fez pobre por vós». Cristo, o Filho eterno de Deus, igual ao Pai em poder e glória, fez-Se pobre; desceu ao nosso meio, aproximou-Se de cada um de nós; despojou-Se, «esvaziou-Se», para Se tornar em tudo semelhante a nós (cf. Fl 2, 7; Hb 4, 15). A encarnação de Deus é um grande mistério. Mas, a razão de tudo isso é o amor divino: um amor que é graça, generosidade, desejo de proximidade, não hesitando em doar-Se e sacrificar-Se pelas suas amadas criaturas. A caridade, o amor é partilhar, em tudo, a sorte do amado. O amor torna semelhante, cria igualdade, abate os muros e as distâncias. Foi o que Deus fez conosco. Na realidade, Jesus «trabalhou com mãos humanas, pensou com uma inteligência humana, agiu com uma vontade humana, amou com um coração humano. Nascido da Virgem Maria, tornou-Se verdadeiramente um de nós, semelhante a nós em tudo, exceto no pecado» (Conc. Ecum. Vat. II, Const. past. Gaudium et spes, 22).

A finalidade de Jesus Se fazer pobre não foi a pobreza em si mesma, mas – como diz São Paulo – «para vos enriquecer com a sua pobreza». Não se trata dum jogo de palavras, duma frase sensacional. Pelo contrário, é uma síntese da lógica de Deus: a lógica do amor, a lógica da Encarnação e da Cruz. Deus não fez cair do alto a salvação sobre nós, como a esmola de quem dá parte do próprio supérfluo com piedade filantrópica. Não é assim o amor de Cristo! Quando Jesus desce às águas do Jordão e pede a João Baptista para O batizar, não o faz porque tem necessidade de penitência, de conversão; mas fá-lo para se colocar no meio do povo necessitado de perdão, no meio de nós pecadores, e carregar sobre Si o peso dos nossos pecados. Este foi o caminho que Ele escolheu para nos consolar, salvar, libertar da nossa miséria. Faz impressão ouvir o Apóstolo dizer que fomos libertados, não por meio da riqueza de Cristo, mas por meio da sua pobreza. E todavia São Paulo conhece bem a «insondável riqueza de Cristo» (Ef 3, 8), «herdeiro de todas as coisas» (Hb 1, 2).

Em que consiste então esta pobreza com a qual Jesus nos liberta e torna ricos? É precisamente o seu modo de nos amar, o seu aproximar-Se de nós como fez o Bom Samaritano com o homem abandonado meio morto na beira da estrada (cf. Lc 10, 25-37). Aquilo que nos dá verdadeira liberdade, verdadeira salvação e verdadeira felicidade é o seu amor de compaixão, de ternura e de partilha. A pobreza de Cristo, que nos enriquece, é Ele fazer-Se carne, tomar sobre Si as nossas fraquezas, os nossos pecados, comunicando-nos a misericórdia infinita de Deus. A pobreza de Cristo é a maior riqueza: Jesus é rico de confiança ilimitada em Deus Pai, confiando-Se a Ele em todo o momento, procurando sempre e apenas a sua vontade e a sua glória. É rico como o é uma criança que se sente amada e ama os seus pais, não duvidando um momento sequer do seu amor e da sua ternura. A riqueza de Jesus é Ele ser o Filho: a sua relação única com o Pai é a prerrogativa soberana deste Messias pobre. Quando Jesus nos convida a tomar sobre nós o seu «jugo suave» (cf. Mt 11, 30), convida-nos a enriquecer-nos com esta sua «rica pobreza» e «pobre riqueza», a partilhar com Ele o seu Espírito filial e fraterno, a tornar-nos filhos no Filho, irmãos no Irmão Primogênito (cf.Rm 8, 29).

Foi dito que a única verdadeira tristeza é não ser santos (Léon Bloy); poder-se-ia dizer também que só há uma verdadeira miséria: é não viver como filhos de Deus e irmãos de Cristo.

O nosso testemunho

Poderíamos pensar que este «caminho» da pobreza fora o de Jesus, mas não o nosso: nós, que viemos depois d'Ele, podemos salvar o mundo com meios humanos adequados. Isto não é verdade. Em cada época e lugar, Deus continua a salvar os homens e o mundo por meio da pobreza de Cristo, que Se faz pobre nos Sacramentos, na Palavra e na sua Igreja, que é um povo de pobres. A riqueza de Deus não pode passar através da nossa riqueza, mas sempre e apenas através da nossa pobreza, pessoal e comunitária, animada pelo Espírito de Cristo.
À imitação do nosso Mestre, nós, cristãos, somos chamados a ver as misérias dos irmãos, a tocá-las, a ocupar-nos delas e a trabalhar concretamente para as aliviar. A miséria não coincide com a pobreza; a miséria é a pobreza sem confiança, sem solidariedade, sem esperança. Podemos distinguir três tipos de miséria: a miséria material, a miséria moral e a miséria espiritual. A miséria material é a que habitualmente designamos por pobreza e atinge todos aqueles que vivem numa condição indigna da pessoa humana: privados dos direitos fundamentais e dos bens de primeira necessidade como o alimento, a água, as condições higiênicas, o trabalho, a possibilidade de progresso e de crescimento cultural. Perante esta miséria, a Igreja oferece o seu serviço, a sua diakonia, para ir ao encontro das necessidades e curar estas chagas que deturpam o rosto da humanidade. Nos pobres e nos últimos, vemos o rosto de Cristo; amando e ajudando os pobres, amamos e servimos Cristo. O nosso compromisso orienta-se também para fazer com que cessem no mundo as violações da dignidade humana, as discriminações e os abusos, que, em muitos casos, estão na origem da miséria. Quando o poder, o luxo e o dinheiro se tornam ídolos, acabam por se antepor à exigência duma distribuição equitativa das riquezas. Portanto, é necessário que as consciências se convertam à justiça, à igualdade, à sobriedade e à partilha.

Não menos preocupante é a miséria moral, que consiste em tornar-se escravo do vício e do pecado. Quantas famílias vivem na angústia, porque algum dos seus membros – frequentemente jovem – se deixou subjugar pelo álcool, pela droga, pelo jogo, pela pornografia! Quantas pessoas perderam o sentido da vida; sem perspectivas de futuro, perderam a esperança! E quantas pessoas se vêem constrangidas a tal miséria por condições sociais injustas, por falta de trabalho que as priva da dignidade de poderem trazer o pão para casa, por falta de igualdade nos direitos à educação e à saúde. Nestes casos, a miséria moral pode-se justamente chamar um suicídio incipiente. Esta forma de miséria, que é causa também de ruína econômica, anda sempre associada com a miséria espiritual, que nos atinge quando nos afastamos de Deus e recusamos o seu amor. Se julgamos não ter necessidade de Deus, que em Cristo nos dá a mão, porque nos consideramos auto-suficientes, vamos a caminho da falência. O único que verdadeiramente salva e liberta é Deus.

O Evangelho é o verdadeiro antídoto contra a miséria espiritual: o cristão é chamado a levar a todo o ambiente o anúncio libertador de que existe o perdão do mal cometido, de que Deus é maior que o nosso pecado e nos ama gratuitamente e sempre, e de que estamos feitos para a comunhão e a vida eterna. O Senhor convida-nos a sermos jubilosos anunciadores desta mensagem de misericórdia e esperança. É bom experimentar a alegria de difundir esta boa nova, partilhar o tesouro que nos foi confiado para consolar os corações dilacerados e dar esperança a tantos irmãos e irmãs imersos na escuridão. Trata-se de seguir e imitar Jesus, que foi ao encontro dos pobres e dos pecadores como o pastor à procura da ovelha perdida, e fê-lo cheio de amor. Unidos a Ele, podemos corajosamente abrir novas vias de evangelização e promoção humana.

Queridos irmãos e irmãs, possa este tempo de Quaresma encontrar a Igreja inteira pronta e solícita para testemunhar, a quantos vivem na miséria material, moral e espiritual, a mensagem evangélica, que se resume no anúncio do amor do Pai misericordioso, pronto a abraçar em Cristo toda a pessoa. E poderemos fazê-lo na medida em que estivermos configurados com Cristo, que Se fez pobre e nos enriqueceu com a sua pobreza. A Quaresma é um tempo propício para o despojamento; e far-nos-á bem questionar-nos acerca do que nos podemos privar a fim de ajudar e enriquecer a outros com a nossa pobreza. Não esqueçamos que a verdadeira pobreza dói: não seria válido um despojamento sem esta dimensão penitencial. Desconfio da esmola que não custa nem dói.

Pedimos a graça do Espírito Santo que nos permita ser «tidos por pobres, nós que enriquecemos a muitos; por nada tendo e, no entanto, tudo possuindo» (2 Cor 6, 10). Que Ele sustente estes nossos propósitos e reforce em nós a atenção e solicitude pela miséria humana, para nos tornarmos misericordiosos e agentes de misericórdia. Com estes votos, asseguro a minha oração para que cada crente e cada comunidade eclesial percorra frutuosamente o itinerário quaresmal, e peço-vos que rezeis por mim. Que o Senhor vos abençoe e Nossa Senhora vos guarde! Francisco

3º momento - Oração (Vida) – O que o texto nos faz dizer a Deus?

A meditação nos faz subir o terceiro degrau. A leitura e meditação se transformam em um encontro mais direto, íntimo e pessoal com Deus. Entramos em diálogo, em comunhão amorosa com Deus. Respondemos a Deus, pedimos que nos ajude a praticar o que a sua Palavra nos pede.

Vamos fazer uma oração diferente: uma oração como sugere o papa Francisco: “estar diante do Crucifixo, ficar simplesmente sob o olhar cheio de amor do Senhor”. Contemple um crucifixo que você deve ter na parede,  aí onde está, ou até no seu terço ou na sua correntinha e pense:

Deus conseguirá (pe. Zezinho, scj)

E quando se acabarem as palavras
E quando não deu certo o que era humano
E quando se esgotarem os recursos
E já não adiantar nenhum discurso

E quando eu tiver feito o que é possível
E quando fazer mais for impossível
Então descansarei bem mais tranquilo
Então meu coração se lembrará

Confia no Senhor
Confia no Senhor
Procura o ombro dele que ele é Pai
Confia no Senhor

Confia no Senhor
Se não conseguiste
Deus conseguirá.

O segredo para viver em Deus está aí: Confia no Senhor!

4º momento - Contemplação (Vida) –  Qual o nosso novo olhar?

Que olhar a  Leitura, a Meditação e a Oração despertaram em mim, em nós?
Este olhar é mudança do coração em ação transformadora. “Para que ponhas em prática” (Dt 30,14).

Meu novo olhar deve ser de plena confiança em Deus e de fidelidade ao seu amor, rejeitando todo mal.

3. Conclusão

O Senhor nos abençoe e nos conduza na sua Verdade, no seu Caminho, na sua Vida. Amém.

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