terça-feira, 23 de julho de 2013

Discurso do Papa Francisco no Palácio Guanabara - 22/07/2013


Discurso do Papa Francisco no Palácio Guanabara 

Senhora presidenta,
ilustres autoridades,
irmãos e amigos!

Quis Deus na sua amorosa providência que a primeira viagem internacional do meu pontificado me consentisse voltar à amada América Latina, precisamente ao Brasil, nação que se gloria de seus sólidos laços com a Sé Apostólica e dos profundos sentimentos de fé e amizade que sempre a uniram de modo singular ao sucessor de Pedro. Dou graças a Deus pela sua benignidade.

Aprendi que para ter acesso ao povo brasileiro é preciso ingressar pelo portal do seu imenso coração; por isso, permitam-me que nesta hora eu possa bater delicadamente a esta porta. Peço licença para entrar e transcorrer esta semana com vocês. Não tenho ouro nem prata, mas trago o que de mais precioso me foi dado: Jesus Cristo! Venho em seu nome, para alimentar a chama de amor fraterno que arde em cada oração; e desejo que chegue a todos e a cada um a minha saudação: a paz de Cristo esteja com vocês!

Saúdo com deferência a senhora presidenta e os ilustres membros do seu governo. Obrigado pelo seu generoso acolhimento e por suas palavras que externaram a alegria dos brasileiros pela minha presença em sua pátria. Cumprimento também o senhor governador deste estado, que amavelmente nos recebe na sede do governo, e o senhor prefeito do Rio de Janeiro, bem como os membros do corpo diplomático acreditado junto ao governo brasileiro, as demais autoridades presentes e todos quantos se prodigalizaram para tornar realidade esta minha visita.

Quero dirigir uma palavra de afeto aos meus irmãos no episcopado, sobre quem pousa a tarefa de guiar o rebanho de Deus neste imenso país, e às suas amadas igrejas particulares. Esta minha visita outra coisa não quer senão continuar a missão pastoral própria do bispo de Roma de confirmar os seus irmãos na fé em Cristo, de animá-los a testemunhar as razões da esperança que d'Ele vem e de incentivá-los a oferecer a todos as inesgotáveis riquezas do seu amor.

O motivo principal da minha presença no Brasil, como é sabido, transcende as suas fronteiras. Vim para a Jornada Mundial da Juventude. Vim para encontrar os jovens que vieram de todo o mundo, atraídos pelos braços abertos do Cristo Redentor. Eles querem agasalhar-se no seu abraço para, junto de seu coração, ouvir de novo o seu potente e claro chamado: ide e fazei discípulos entre todas as nações.

Estes jovens provêm dos diversos continentes, falam línguas diferentes, são portadores das variadas culturas, e, todavia, em Cristo encontram as respostas para suas mais altas e comuns aspirações, e podem saciar a fome de verdade límpida e de amor autêntico que os irmanem para além de toda a diversidade.

Cristo abre espaço para eles, pois sabe que energia alguma pode ser mais potente que aquela que se desprende do coração dos jovens quando conquistados pela experiência da sua amizade. Cristo "bota fé" nos jovens e confia-lhes o futuro de sua própria causa: ide e fazei discípulos. Ide para além das fronteiras do que é humanamente possível e criem um mundo de irmãos. Também os jovens "botam fé" em Cristo. Eles não têm medo de arriscar a única vida que possuem, porque sabem que não serão desiludidos.

Ao iniciar esta minha visita ao Brasil, tenho consciência de que, ao dirigir-me aos jovens, falarei às suas famílias, às suas comunidades eclesiais e nacionais de origem, às sociedades nas quais estão inseridos, aos homens e às mulheres dos quais, em grande medida, depende o futuro destas novas gerações.

Os pais usam dizer por aqui: os filhos são a menina dos nossos olhos. Que bela expressão da sabedoria brasileira que aplica aos jovens a imagem da pupila dos olhos, janela pela qual entra a luz, regalando-nos o milagre da visão!

O que vai ser de mim, se não tomarmos conta dos nossos olhos? Como haveremos de seguir em frente? O meu auspício é que, nesta semana, cada um de nós se deixe interpelar por essa desafiadora pergunta.

A juventude é a janela pela qual o futuro entra no mundo e, por isso, nos impõe grandes desafios. A nossa geração se demonstrará à altura da promessa contida em cada jovem quando souber abrir-lhe espaço; tutelar as condições materiais e imateriais para seu pleno desenvolvimento; oferecer a ele fundamentos sólidos, sobre os quais construir a vida; garantir-lhe segurança e educação para que se torne aquilo que ele pode ser; transmitir-lhe valores duradouros pelos quais a vida mereça ser vivida; assegurar-lhe um horizonte transcendente que responda à sede de felicidade autêntica, suscitando nele a criatividade do bem; entregar-lhe a herança de um mundo que corresponda à medida da vida humana; despertar nele as melhores potencialidades, para que seja sujeito do próprio amanhã e corresponsável do destino de todos.

Concluindo, peço a todos a delicadeza da atenção e, se possível, a necessária empatia para estabelecer um diálogo de amigos. Nesta hora, os braços do papa se alargam para abraçar a inteira nação brasileira, na sua complexa riqueza humana, cultural e religiosa. Desde a Amazônia até os pampas, dos sertões até o Pantanal, dos vilarejos até as metrópoles, ninguém se sinta excluído do afeto do papa. Depois de amanhã, se Deus quiser, tenho em mente recordar-lhes todos a Nossa Senhora Aparecida, invocando sua proteção materna sobre seus lares e famílias. Desde já a todos abençoo. Obrigado pelo acolhimento!


segunda-feira, 22 de julho de 2013

O QUE ELES DISSERAM PARA A JUVENTUDE - Bem-aventurado Tiago Alberione

A juventude é o amanhã da vida,
não é um capítulo separado do restante
 da existência nem é o prefácio de um livro.
É a premissa de tudo. É a semente de onde brota tudo.
É o alicerce sobre o qual deve apoiar-se o grande edifício da vida.
São vocês mesmos, 
jovens que estão preparando suas vidas para o amanhã.
Se a meia-noite vocês olharem o nascente, porque de lá virá a luz,
vocês olharão por muito tempo e poderão até pensar que é inútil.
Mas se continuarem insistindo e olharem uma segunda,
uma terceira vez vocês vão descobrir um raio de luz na alvorada.
E todo o panorama circundante se iluminará.
Duas coisas foram necessárias, 
a perseverança em olhar e a existência da luz.
Para todas as grandes coisas exigem-se
 lutas penosas e um preço muito alto.
A única derrota da vida é a fuga diante das dificuldades.
O homem que morre lutando é um vencedor.

Bem-aventurado Tiago Alberione


O QUE ELES DISSERAM PARA A JUVENTUDE - Dom Pedro Casaldáliga


CREDO DA JUVENTUDE

Creio na juventude que busca o novo,
Que espera o amanhã melhor e sonha sonhos de criança.

Creio no jovem e na jovem que sabe o que quer,

Que enfrenta firme a luta, que não foge da raia.

Creio na rapaziada que segue em frente e segura o rojão.
Creio no jovem que descobre o valor de vivermos como irmãos e irmãs

E que busca a comunidade.
Creio que todos os jovens e todas as jovens sabem dizer sim e também dizer não.
Creio na juventude que sempre se reúne para partilhar a vida.
Creio nos jovens e nas jovens da comunidade, do campo, da escola, da periferia,
Que sabem viver o amor em sua realidade.
Creio em nossa caminhada rumo à nova sociedade,
Onde todos e todas seremos irmãos e irmãs.
Creio na força do jovem e da jovem que sorri, canta, dança, chora, namora,
Espera e faz o novo amanhã.
Creio no Deus pai e mãe, libertador,
E em todo jovem e toda jovem que sonha com seu reino de amor.
Creio no Cristo jovem,
Que fez a vontade de Deus e viveu com muito amor.
Creio no Espírito Santo,
Que com o fogo do amor anima toda a juventude na busca do libertador.
Creio em maria,
Mulher de dor e alegria,
Mãe nossa querida, de todos os jovens e de todas as jovens
Que na vida redescobrem seu valor.
Cremos que só com fé, força e confiança
Chegaremos ao reino de Deus e do povo.
Amém!
Dom Pedro Casaldáliga


O QUE ELES DISSERAM PARA A JUVENTUDE - Dom Luciano Mendes de Almeida

Com muita dor... 
- Das coisas mais tristes hoje é ver o assassinato de grupos de jovens.
- Nossa juventude é mais eliminada pela violência do que se participasse de guerras.
- Falta muito para assumirmos Puebla, e sofremos por isso.
- A Igreja precisa ser povo, tem que ir à pobreza, isso cria mística!
- Igreja que reza, deve trabalhar com os pobres e pelos pobres.
- Este ano da juventude é um grande ato penitencial da Igreja, por não saber ouvir a juventude!
- Não podemos deixar cair os braços diante de tanta luta da vida contra a morte.
- Quando doente, lá em Mariana, pensava no tempo dos escravos, também da dizimação dos povos indígenas, e eu tinha vergonha!
- Mas diante da vida sendo assassinada, Cristo vem para trazer mensagem: “vim para que
todos/as tenham vida”. Acreditar, lutar pela vida vivifica este mundo.
(Dom Luciano Mendes de Almeida, no 8° Encontro Nacional da PJ)



O QUE ELES DISSERAM PARA A JUVENTUDE - Dom Helder Câmara


Bem-aventurados os jovens porque sonham 
e correm o risco de verem seus sonhos realizados.
Dom Helder Câmara


sexta-feira, 19 de julho de 2013

BEM-VINDO, PAPA FRANCISCO!

É com grande prazer que Paulinas dá as boas vindas ao sumo pontífice.
Assista ao videoclipe da canção "Francisco, Papa da Paz" criada com tanto carinho para esta ocasião tão especial!


Essas são as boas vindas de Paulinas ao Papa Francisco!

Francisco, Papa da Paz

Letra e Música: Ir. Verônica Firmino, fsp
Arranjo e Teclado: Renato Groove
Bateria: Roger Palão
Baixo: Rangel
Guitarras: Maércio Lopes
Coro: Grupo Musical Ir. Tecla merlo e Jovens Postulantes Paulinas
Vocal: Andréia Zanardi, Dalvatenório e Karla Fioravante (Cantores de deus), Ir. Verônica Firmino, Marcelo Mattos e Renato Groove
Gravado e Mixado nos Estúdio Paulinas-COMEP

quinta-feira, 18 de julho de 2013

ADRIANA MELO - ALÉM DA ÚLTIMA ESTRELA


Adriana Melo, cantora de Teresina-PI acompanhou o Pe. Zezinho, scj por 10 anos em shows por todo Brasil, participando também na gravação de diversos CDs do mesmo. Seu primeiro CD solo traz 12 canções do Pe. Zezinho, scj, sendo 5 regravações e 7 canções inéditas. São canções para ouvir, contemplar e se emocionar com a belíssima interpretação da cantora Adriana Melo. Além de assinar a produção artística o Pe. Zezinho, scj também faz uma participação especial na faixa Criador e Pai.


Para adquirir o CD Adriana Melo - Além da última estrela, ligue para 088 70 100 81
ou acesse PAULINAS.ORG.BR
Contato para shows: cantoraadrianamelo@gmail.com
sthefanyproducoesartisticas@gmail.com

quinta-feira, 11 de julho de 2013

DIA DE ORAÇÃO PELA JMJ RIO 2013

Oração Oficial

Ó Pai, enviaste o Teu Filho Eterno para salvar o mundo e escolheste homens e mulheres para que, por Ele, com Ele e nEle, proclamassem a Boa-Nova a todas as nações. Concede as graças necessárias para que brilhe no rosto de todos os jovens a alegria de serem, pela força do Espírito, os evangelizadores de que a Igreja precisa no Terceiro Milênio.

Ó Cristo, Redentor da humanidade, Tua imagem de braços abertos no alto do Corcovado acolhe todos os povos. Em Tua oferta pascal, nos conduziste pelo Espírito Santo ao encontro filial com o Pai. Os jovens, que se alimentam da Eucaristia, Te ouvem na Palavra e Te encontram no irmão, necessitam de Tua infinita misericórdia para percorrer os caminhos do mundo como discípulos-missionários da nova evangelização.

Ó Espírito Santo, Amor do Pai e do Filho, com o esplendor da Tua Verdade e com o fogo do Teu Amor, envia Tua Luz sobre todos os jovens para que, impulsionados pela Jornada Mundial da Juventude, levem aos quatro cantos do mundo a fé, a esperança e a caridade, tornando-se grandes construtores da cultura da vida e da paz e os protagonistas de um mundo novo.
 Amém!

quarta-feira, 10 de julho de 2013

LUMEN FIDEI - A Luz da Fé


LUMEN FIDEI
A luz da fé
A encíclica do Papa Francisco escrita a quatro mãos
O Papa Francisco nos ensina a compreender e viver melhor a nossa fé

A FÉ LIGADA NA ESCUTA

A fé está ligada à escuta. Abraão não vê Deus, mas ouve a sua voz. Deste modo, a fé assume um carácter pessoal: o Senhor não é o Deus de um lugar, nem mesmo o Deus vinculado a um tempo sagrado específico, mas o Deus de uma pessoa, concretamente o Deus de Abraão, Isaac e Jaco.

ISRAEL FRAQUEJA NA FÉ

A história de Israel mostra-nos ainda a ten­tação da incredulidade, em que o povo caiu várias vezes. Aparece aqui o contrário da fé: a idola­tria. Enquanto Moisés fala com Deus no Sinai, o povo não suporta o mistério do rosto divino escondido, não suporta o tempo de espera.

O ato de fé do indi­víduo insere-se numa comunidade, no « nós » co­mum do povo, que, na fé, é como um só homem: « o meu filho primogénito », assim Deus designa­rá todo o Israel (cf. Ex 4, 22).

A fé é um dom gratuito de Deus, que exige a humildade e a coragem de fiar-se e entregar-se para ver o caminho lumino­so do encontro entre Deus e os homens.
Cardeal Dom Odilo...
“Portanto, a fé cristã é fé no Amor pleno, no seu poder efi­caz, na sua capacidade de transformar o mundo e iluminar o tempo”. « Nós conhecemos o amor que Deus nos tem, pois cremos nele » (1 Jo 4, 16).

Enquanto ressuscitado, Cristo é testemunha fiável, digna de fé (cf. Ap 1, 5; Heb 2, 17), apoio firme para a nossa fé. « Se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé », afirma São Paulo (1 Cor 15, 17).

A SALVAÇÃO PELA FÉ

São Paulo acredita que, ao aceitar o dom da fé, o ser humano é transformado numa nova criatura, recebe um novo ser, um ser filial, torna-se filho no Filho.

A salvação pela fé consiste em reconhecer o primado do dom de Deus, como resume São Paulo: « Porque é pela graça que estais salvos, por meio da fé. E isto não vem de vós, é dom de Deus » (Ef 2, 8).

A nova lógica da fé centra-se em Cristo. A fé em Cristo salva-nos, porque é n’Ele que a vida se abre radicalmente a um Amor que nos prece­de e transforma a partir de dentro, que age em nós e conosco.

Na fé, o « eu » do crente dilata-se para ser habitado por um Outro, para viver num Outro, e assim a sua vida amplia-se no Amor. É aqui que se situa a ação própria do Espírito San­to...

O cristão pode ter os olhos de Jesus, os seus sentimentos, a sua predisposição filial, porque é feito participante do seu Amor, que é o Espírito; é neste Amor que se recebe, de algum modo, a vi­são própria de Jesus.

A FORMA ECLESIAL DA FÉ

A fé tem uma forma necessariamente eclesial, é professada partindo do corpo de Cristo, como comunhão concreta dos crentes. A partir deste lugar eclesial, ela abre o indivíduo cristão a todos os homens.

A fé não é um fato privado, uma concepção individualista, uma opinião subjetiva, mas nasce de uma escuta e destina-se a ser pronunciada e a tornar-se anúncio.

UMA LUZ ILUSÓRIA...

A luz da fé é a expressão com que a tradição da Igreja designou o grande dom trazido por Jesus. Eis como Ele Se nos apre­senta, no Evangelho de João: « Eu vim ao mundo como luz, para que todo o que crê em Mim não fique nas trevas » (Jo 12, 46).
Podemos nos perguntar se essa luz é ilusória, em contrapartida com a razão. Por muito tempo acreditou-se que a fé só caberia onde a razão não conseguia explicar. Assim fé cai num vazio, afirma o Pontífice. Pensar a fé como mero suplemento da razão seria empobrecê-la.

Como a razão não conseguiu responder todas as inquietudes humanas, logo o homem cai num vazio existencial. Quando falta a luz, perde-se o rumo da estrada.

RECUPERAR A LUZ

Redescobrir a luz, implica em afirmar que ela já existe e está em nós. Muitas vezes encontra-se apagada, por isso o Papa insiste na redescoberta, pois essa luz é capaz de dar sentido a existência. Para tal, ele insiste na experiência com Deus.

A fé que recebemos de Deus como dom sobrenatural, deve vir como luz que ilumina a estrada da vida e dá sentido. Por isso precisamos redescobri-la.

O Concílio Vaticano II fez brilhar a fé no âm­bito da experiência humana, percorrendo assim os caminhos do homem contemporâneo. Desta forma, se viu como a fé enriquece a existência humana em todas as suas dimensões.

SE NÃO ACREDITARDES, NÃO COMPREENDEREIS...

Um belo capítulo trata da transmissão da fé: esta é uma das preocupações sérias da Igreja em nossos dias. O Papa fala que a Igreja é “a mãe da nossa fé”.

A fé não é um fato individual e subjetivo: aquilo que cremos foi transmitido a nós, vem de longe, dos apóstolos! “Transmiti-vos aquilo que eu mesmo recebi”, observou São Paulo (1Cor 15,3).

FÉ E VERDADE

Se o amor tem necessidade da verdade, tam­bém a verdade precisa do amor; amor e verdade não se podem separar. Sem o amor, a verdade torna-se fria, impessoal, gravosa para a vida con­creta da pessoa.

O conhecimento da fé ilumina não só o caminho particular de um povo, mas também o percurso inteiro do mundo criado, desde a origem até à sua consumação.

A FÉ COMO ESCUTA E VISÃO

Ver Jesus é algo fundamental que acorreu com os discípulos e demais pessoas. Muitos creram por terem visto, mas muito creram por terem ouvido.

O ver, graças à sua união com o ouvir, torna-se seguimento de Cris­to; e a fé aparece como um caminho do olhar em que os olhos se habituam a ver em profundidade. Pela fé, podemos tocar Deus. Agostinho diz: tocar com o coração isto sim é crer.

FÉ E RAZÃO

A luz do amor, própria da fé, pode ilumi­nar as perguntas do nosso tempo acerca da ver­dade.

Por outro lado, enquanto unida à verdade do amor, a luz da fé não é alheia ao mundo material, porque o amor vive-se sempre com corpo e alma; a luz da fé é luz encarnada, que dimana da vida luminosa de Jesus.

A fé desperta o sentido crítico, en­quanto impede a pesquisa de se deter, satisfeita, nas suas fórmulas e ajuda-a a compreender que a natureza sempre as ultrapassa. Convidando a maravilhar-se diante do mistério da criação, a fé alarga os horizontes da razão...
A FÉ E A BUSCA DE DEUS
A luz da fé em Jesus ilumina também o ca­minho de todos aqueles que procuram a Deus...

O caminho do homem religioso passa pela confissão de um Deus que cuida dele e que Se pode encontrar. Que outra recompen­sa poderia Deus oferecer àqueles que O buscam, senão deixar-Se encontrar a Si mesmo?
Quanto mais o cristão penetrar no círculo aberto pela luz de Cristo, tanto mais será capaz de compreender e acompanhar o ca­minho de cada homem para Deus.
FÉ E TEOLOGIA
Como luz que é, a fé convida-nos a pene­trar nela, a explorar sempre mais o horizonte que ilumina, para conhecer melhor o que amamos. Deste desejo nasce a teologia cristã; assim, é cla­ro que a teologia é impossível sem a fé e per­tence ao próprio movimento da fé...

TRANSMITO-VOS AQUILO QUE RECEBI

Quem se abriu ao amor de Deus, acolheu a sua voz e recebeu a sua luz, não pode guardar este dom para si mesmo. Uma vez que é escuta e visão, a fé transmite-se também como palavra e como luz...

O passado da fé, aquele ato de amor de Jesus que gerou no mun­do uma vida nova, chega até nós na memória de outros, das testemunhas, guardado vivo naquele sujeito único de memória que é a Igreja;

É impossível crer sozinhos. A fé não é só uma opção individual que se realiza na interiori­dade do crente, não é uma relação isolada entre o « eu » do fiel e o « Tu » divino, entre o sujeito autô­nomo e Deus; mas, por sua natureza, abre-se ao « nós », verifica-se sempre dentro da comunhão da Igreja.
OS SACRAMENTOS E A TRANSMISSÃO DA FÉ

A Igre­ja transmite aos seus filhos o conteúdo da sua memória. É através da Tradição Apostólica, conservada na Igreja com a assistência do Espírito Santo, que temos contato vivo com a memória fundado­ra. E aquilo que foi transmitido pelos Apóstolos, como afirma o Concílio Ecumênico Vaticano II, « abrange tudo quanto contribui para a vida santa do Povo de Deus e para o aumento da sua fé;

Se é verdade que os sacramentos são os sacramentos da fé, há que afirmar também que a fé tem uma estrutura sacramental; o despertar da fé passa pelo despertar de um novo sentido sacra­mental na vida do homem.

A FÉ DEVE BUSCAR A UNIDADE

A fé deve buscar a unida­de de visão num só corpo e num só espírito. Neste sentido, São Leão Magno podia afirmar: « Se a fé não é una, não é fé.

DEUS PREPARA PARA ELES UMA CIDADE(cf. Heb 11, 16)
Ao apresentar a Carta aos Hebreus vemos a prepa­ração de um lugar onde os homens possam ha­bitar uns com os outros. O primeiro construtor é Noé, que, na arca, consegue salvar a sua família (cf. Heb 11, 7). Depois aparece Abraão, de quem se diz que, pela fé, habitara em tendas, esperando a cidade de alicerces firmes (cf. Heb 11, 9-10).
A FÉ E A FAMÍLIA
O primeiro âmbito da cidade dos homens ilumina­do pela fé é a família; penso, antes de mais nada, na união estável do homem e da mulher no ma­trimônio. Fundados sobre este amor, homem e mu­lher podem prometer-se amor mútuo com um gesto que compromete a vida inteira.
Em família, a fé acompanha todas as ida­des da vida, a começar pela infância: as crianças aprendem a confiar no amor de seus pais. Por isso, é importante que os pais cultivem práticas de fé comuns na família, que acompanhem o amadurecimento da fé dos filhos, crianças e jovens...
Assimilada e aprofundada em família, a fé torna-se luz para iluminar todas as relações sociais.

No centro da fé Bíblica, há o amor de Deus, e o seu cuidado concreto a cada pessoa...

A fé, ao revelar-nos o amor de Deus Criador, faz-nos olhar com maior respei­to para a natureza, ajuda-nos a encontrar modelos de progresso, que não se baseiem apenas na utilidade e no lu­cro, mas considerem a criação como dom.

Quando a fé esmorece, há o risco de es­morecerem também os fundamentos do viver. Se tiramos a fé em Deus das nossas cidades, enfraquecer-se-á a confiança en­tre nós, apenas o medo nos manterá unidos, e a estabilidade ficará ameaçada.

Afirma a Carta aos Hebreus: « Deus não Se envergonha de ser cha­mado o “seu Deus”, porque preparou para eles uma cidade » (Heb 11, 16).
A fé ilumina a vida social: possui uma luz criadora para cada momento novo da história...

A fé não é luz que dissipa todas as nossas trevas, mas lâmpada que guia os nossos passos na noite, e isto basta para o caminho.

Ao homem que sofre, Deus não dá um raciocínio que expli­que tudo, mas oferece a sua resposta sob a forma duma presença que o acompanha...

FELIZ DAQUELA QUE ACREDITOU (cf. Lc 1, 45)
Lucas explica o signi­ficado da « terra boa »: « São aqueles que, tendo ouvido a palavra com um coração bom e virtuo­so, conservam-na e dão fruto com a sua perseve­rança » (Lc 8, 15).
A Palavra ouvida e conservada, pode constituir um retrato implícito da fé da Virgem Maria;



ORAÇÃO À MARIA

Ajudai, ó Mãe, a nossa fé.
Abri o nosso ouvido à Palavra, para reco­nhecermos a voz de Deus e a sua chamada.
Despertai em nós o desejo de seguir os seus passos, saindo da nossa terra e acolhendo a sua promessa.
Ajudai-nos a deixar-nos tocar pelo seu amor, para podermos tocá-Lo com a fé.
Ajudai-nos a confiar-nos plenamente a Ele, a crer no seu amor, sobretudo nos momentos de tribulação e cruz, quando a nossa fé é chamada a amadurecer.
Semeai, na nossa fé, a alegria do Ressusci­tado.
Recordai-nos que quem crê nunca está so­zinho.
Ensinai-nos a ver com os olhos de Jesus, para que Ele seja luz em nosso caminho.
E que esta luz da fé cresça sempre em nós até chegar aquele dia sem ocaso que é o próprio Cristo, vos­so Filho, nosso Senhor. Amém.


(Síntese feita pelo Pe. Edinaldo Mendes Tonete)