sexta-feira, 26 de abril de 2013

V DOMINGO DE PÁSCOA – ANO C

V DOMINGO DE PÁSCOA – ANO C

“Cantai ao Senhor um canto novo, porque ele fez maravilhas; e revelou sua justiça diante das nações, aleluia!” (Antífona de entrada)

Leituras: At 14, 21b-27; Sl 144; Ap 21, 1-5a, Jo 13,31-33a.34-35.

 A Palavra de Deus neste 5° domingo de páscoa coloca em evidência o novo: a primeira leitura narra a evangelização que ocorre por meio dos apóstolos em sua primeira viagem missionária. Deus por meio de Paulo e Barnabé atinge o coração dos gentios, que abraçam a fé como a grande novidade em suas vidas.

A resposta que brota dessa ação de Deus é o louvor: o mesmo Deus que agira por meio dos apóstolos age hoje em meio à nossa assembleia reunida: Deus quer comunicar a novidade do amor e da vida e por isso abre a porta da fé para nós. Essa expressão foi utilizada pelo Papa Bento XVI para proclamar este ano como o “ano da fé”, convidando toda a Igreja a manifestar publicamente a sua fé. Será que estamos de acordo com o apelo do Papa? Será que estamos seguindo o mesmo caminho dos apóstolos em nossa comunidade e em nossa vida?

A segunda leitura do Apocalipse nos apresenta através de figuras aquilo que será a realidade última. A plena comunhão com Deus nos é apresentada através da imagem do matrimônio: a nova Jerusalém desce do céu como uma esposa adornada. É interessante notar a insistência nos termos “novo”, “nova”; o próprio Deus afirma que fará “novas todas as coisas”.

É interessante perceber como somos atraídos pelo novo, pela novidade: no fundo, o novo é promessa de esperança, de algo melhor, em definitiva, é promessa de felicidade.

É, de certo modo, o que Jesus nos apresenta no evangelho: no contexto de sua iminente entrega, Jesus faz a revelação máxima do novo mandamento. Devemos nos amar uns aos outros, e o metro desse amor é o próprio Jesus, ele que nos amou por primeiro (cf. 1 Jo 4, 19) entregando-se por nós.

Jesus nos oferece a possibilidade de amar de modo novo, de amar até o fim, experimentando que é possível superar as dificuldades. Amar assim é superar as limitações do humano. Amar de maneira nova, nessa dimensão cristã, só é possível através da experiência da graça. Graça que nos é dada na própria celebração, principalmente através do sacramento eucarístico.

“Vencendo a corrupção do pecado, realizou [o Cristo] uma nova criação. E, destruindo a morte, garantiu-nos a vida em plenitude” (Prefácio da Páscoa, IV).

sexta-feira, 12 de abril de 2013

3º DOMINGO DO TEMPO PASCAL – ANO C



3º DOMINGO DO TEMPO PASCAL – ANO C

“Aclamai a Deus, toda a terra, cantai a glória de seu nome, rendei-lhe glória e louvor, aleluia!” (Antífona de entrada)

Leituras: At 5,27b-32.40b-41; Sl 29 (30); Ap 5, 11-14; Jo 21, 1-19

 
Gostaríamos de dizer apenas algumas palavras sobre esse belíssimo evangelho que a Igreja nos propõe neste 3º Domingo da Páscoa.
O início do relato mostra, num certo sentido, a grande crise dos Apóstolos após os terríveis eventos em Jerusalém. Pedro, o chefe da comunidade apostólica manifesta todo seu desalento a ponto de dizer que voltará a pescar.
Parece-nos que por trás dessas palavras está toda a decepção da esperança depositada em Jesus como Messias. Voltar a pescar é voltar ao estado anterior ao momento em que eles haviam conhecido Jesus, quando eram simples pescadores do mar da Galileia. É possível imaginar a sensação de derrota estampada no rosto desse grupo de apóstolos pescadores; derrota particularmente acentuda ao sabermos que passaram toda a noite sem nada pescar. É como se até mesmo a experiência primitiva da pescaria lhes fosse negada.
Qual teria sido a sensação que eles tiveram ao escutarem um desconhecido lhes pedir peixe? A situação talvez fosse tão desanimadora que eles nem ligaram em seguir o conselho de um desconhecido, já que sem maiores delongas jogaram a rede do lado direito do barco.
O fato da pesca milagrosa é uma bela imagem para dizer algumas grandes verdades: na “noite” da pesca, o esforço humano sozinho não é capaz de produzir “peixe”. É preciso que haja uma intervenção gratuita de Deus, uma iluminação do Ressuscitado, que aparece na “manhã” para que a vida surja em abundância.
São Jerônimo dizia que os antigos chegaram a classificar até cento e cinquenta e três qualidades de peixes: nesse número seria então um símbolo de totalidade; é como se o texto quisesse dizer que Deus quer salvar a totalidade dos homens e das mulheres nessa rede do Reino.
Pedro, ao descobrir que era o Senhor joga-se ao mar sem pensar. Ao chegar até a praia, encontra um Jesus servidor que, num gesto bem humano, está na praia preparando pão e peixes para seus discípulos.
Pão e peixe; parece que no judaísmo antigo esses alimentos traziam consigo a ideia dos tempos messiânicos que se realizaram de fato em Jesus.
Segue-se um diálogo tocante. Jesus chama Pedro pelo nome e sobrenome: a coisa é séria...
No diálogo, a pergunta que está dirigida a Pedro e a todos aqueles que querem ser discípulos do Senhor: “Tu me amas?”
Como responderíamos nós a Jesus, o ressuscitado? O texto original do evangelho contêm certas nuanças que nós não conseguimos perceber em nossas traduções. Jesus quando pergunta a Pedro, formula uma sentença em que o amor é posto em evidência. Pedro, ao responder, se coloca num nível diferente de Jesus. É como se respondesse que o ama, mas com um amor de amizade e não com um amor com o “a” maiúsculo.
Ao final, Jesus desce ao nível de Pedro e termina o discurso com um vibrante “segue-me”. Pedro já não é mais dono “do seu nariz”, agora tornou-se alguém disposto a seguir os passos de Jesus e a fazer a sua vontade, como bem ilustra a primeira leitura dos Atos.

 

sexta-feira, 5 de abril de 2013

2º DOMINGO DO TEMPO PASCAL – ANO C - COMENTÁRIO DAS LEITURAS


2º DOMINGO DO TEMPO PASCAL – ANO C
“Exultai com a glória da vossa vocação dando graças a Deus, que vos chamou ao seu reino, aleluia!” (Antífona de entrada)
Leituras: At 5, 12-16; Sl 117 (118); Ap 1, 9-11ª.12-13.17-19; Jo 20, 19-31
 Este segundo Domingo do Tempo Pascal era chamado na antiguidade de Dominica in albis vestibus depositis, ou seja, era o Domingo no qual os neófitos, isto é, aqueles que haviam recebido o batismo na noite pascal, depunham a veste branca que haviam recebido na celebração batismal.
            A referência ao batismo e à iniciação cristã se faz presente também em outros momentos da celebração, com na oração do dia (“Ó Deus de eterna misericórdia, que reacendeis a fé do vosso povo na renovação da festa pascal, aumentai a graça que nos destes. E fazei que compreendamos melhor o batismo que nos lavou, o espírito que nos deu nova vida, e o sangue que nos redimiu”) e na oração sobre as oferendas: “Acolhei, ó Deus, as oferendas do vosso povo e dos que renasceram nesta Páscoa, para que, renovados pela profissão de fé e pelo batismo, consigamos a eterna felicidade”.
            Nessas orações vemos a preocupação maternal da Igreja pelos seus novos filhos, recém-batizados.
            As leituras do dia nos oferecem ainda a visão da Igreja nascente. Em Atos, os “muitos sinais e maravilhas” que os apóstolos realizavam em meio ao povo nos remetem diretamente ao contexto pascal. No Antigo Testamento, por exemplo, falar de “sinais e maravilhas” é, por vezes, relembrar a ação por excelência de Deus na vida do povo eleito: o Êxodo; a libertação da escravidão operada diretamente por Deus.
            A Igreja nascente se apresenta portanto como a realização de todas as esperanças e de todas as aspirações do povo, do momento que o fruto da Páscoa de Cristo, à saber, o envio do Espírito Santo, transformou radicalmente a comunidade, abrindo definitivamente e realizando de uma vez por todas o culto agradável a Deus e a plena santificação dos homens.
            De fato, é nessa linha que o livro do Apocalipse nos apresentará a visão da Igreja celeste: uma eterna celebração diante do Deus da vida que esteve “morto, mas agora está vivo para sempre” (cf. segunda leitura).
            No evangelho, a comunidade apostólica reunida à portas fechadas experimenta o grande medo da morte. É preciso que o Ressuscitado tome o centro da sala para que toda a comunidade reflita a sua luz e experimente a alegria do reencontro, a alegria de recobrar todo o sentido.
           São Tomé, que não esteve presente junto com os outros discípulos permanecerá fechado, como a própria comunidade antes de encontrar-se com o Ressuscitado.
           Será necessária a visão desse mesmo Ressuscitado para que as trevas da dúvida sejam dissipadas. Curiosamente, Tomé só pôde encontrar Jesus Ressuscitado no seio da comunidade. Isso nos leva a uma pergunta: onde podemos fazer a experiência de encontrar o Ressuscitado hoje? Será que nossa comunidade reunida tem o Cristo Ressuscitado em seu centro, ou estará dominada por vários medos e “fechada” em si mesma?
            O Senhor nos convida fortemente a acreditar nele, a superar nossas limitações e fazer experiência da sua “divina misericórdia”, como bem lembrou o Beato Papa João Paulo II, ao dedicar este domingo à Divina Misericórdia.

quinta-feira, 4 de abril de 2013

129 ANOS DO ANIVERSÁRIO DO FUNDADOR DA FAMÍLIA PAULINA: PE. TIAGO ALBERIONE



No dia 04 de abril de 2013, celebramos 129 anos do aniversário natalício de nosso Fundador, Pe. Tiago Alberione. Confira este pensamento onde ele fala de sua caminhada vocacional.