sexta-feira, 21 de junho de 2013

12º DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO C - COMENTÁRIO DAS LEITURAS


 
12º DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO C

Leituras: Zc 12, 10-11; 13, 1; Sl 62; Gl 3, 26-29; Lc 9, 18-24
* Por Gabriel Frade
“Eu sou o Bom Pastor, e dou a vida por minhas ovelhas, diz o Senhor” (Antífona da comunhão).
 
A profecia de Zacarias afirma o dom que Deus fará a seu povo: um espírito de graça e oração para que o povo possa olhar para o Senhor. Esse Senhor é ainda apresentado como alguém que sofre uma morte violenta. Na alusão ao trespassado – talvez uma indicação feita à morte do Rei Josias, um dos reis mais amados pelo povo – os cristãos viram a profecia concernente ao Cristo crucificado que morre pelos pecados da humanidade.

No Evangelho, de fato, nos é apresentada a figura de Jesus como o Messias profeta que deve cumprir a vontade de Deus, vontade que misteriosamente passará não pelos caminhos do sucesso mas, pelas estradas do sofrimento.

Lucas nos apresenta Jesus em oração, num lugar solitário. Em todos os principais momentos da vida de Jesus, a oração, a intimidade com o Pai é sempre uma ação que precede.

Neste caso, a oração precedeu uma pergunta relativamente simples que Jesus faz ao grupo mais íntimo dos doze: “Quem diz o povo que eu sou?”. Essa pergunta de Jesus parece nos colocar diretamente no cenário da revelação quando Moisés pergunta sobre o nome, isto é, a essência mesma de Deus (cf. Ex 3,14).

Parece que o olhar do povo para Jesus não é ainda o olhar justo. Jesus é comparável aos grandes profetas; parece ser possível enxergar nessas comparações atribuídas ao povo muito mais uma alusão àquilo que Jesus pode oferecer, isto é, os milagres maravilhosos, do que propriamente uma percepção mais profunda sobre quem realmente é Jesus.

Curiosamente Jesus muda a perspectiva. Pergunta aos discípulos de todos os tempos, àqueles que conviveram mais proximamente consigo: “E vós, quem dizeis que eu sou?”.

A simplicidade e a clareza da pergunta não poderiam ser mais impactantes. Jesus no hoje de nossa história pergunta para cada um de nós: “Quem sou eu para você?”. Ele não espera mais a resposta que, eventualmente, poderíamos dar baseados no catecismo da primeira comunhão. Provavelmente ele não quer que respondamos com palavras pré-fabricadas, lidas em algum escrito espiritual, ou até mesmo no catecismo da Igreja Católica.

A simplicidade da pergunta exige que nos coloquemos frente ao Senhor, uma pessoa viva, o Ressuscitado, e que respondamos com a sinceridade da nossa vida. Quem é esse Jesus para mim hoje?

Diante dos fatos atuais, das manifestações juvenis que impressionam o nosso Brasil, que sentido tem as palavras desse Jesus que nos convida a tomar “a cruz a cada dia”. Será um convite à aceitação passiva de todas as injustiças, ou será algo mais, algo que Paulo mesmo descobriu ao afirmar sem rodeios, na segunda leitura, que ao nos revestirmos de Cristo, já não há “nem homem, nem mulher, nem escravo, nem livre”.

Afinal, quem é Jesus para nós hoje? É um santo milagreiro, alguém que me dá consolação apenas nos momentos tristes?

A fé da Igreja, simbolizada na afirmação de Pedro, nos leva a crer que esse Jesus é muito mais do que um líder religioso. É muito mais do que um grande homem. É, na verdade, Deus mesmo que se revelou em sua humanidade e que se mostra próximo a todos; que quer a salvação de todos e que anseia ardentemente que possamos, ao conhece-lo em profundidade, fazer os mesmos atos que ele fez, isto é, amando sem medida, tomando partido dos mais fracos e dos mais desvalidos.

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