sexta-feira, 3 de maio de 2013

VI DOMINGO DE PÁSCOA – ANO C - COMENTÁRIO DAS LEITURAS


VI DOMINGO DE PÁSCOA – ANO C
* Por Gabriel Frade

“Anunciai com gritos de alegria, proclamai até os extremos da terra: o Senhor libertou o seu povo, aleluia!” (Antífona de entrada)

Leituras: At 15, 1-2.22-19; Sl 66; Ap 21, 10-14.22-23; Jo 14, 23-29.

Neste 6° Domingo do tempo pascal, o profeta nos apresenta na segunda leitura a imagem da Jerusalém celeste: numa descrição idealizada, a cidade é apresentada como um quadrado perfeito, alinhado com os pontos cardeais e com três portas para cada lado, totalizando um número simbólico de doze portas. Essa imagem é evocativa das profecias do Antigo Testamento, que vislumbravam a nova Jerusalém como um local onde todos os povos iriam afluir, vindos de todos os quatro cantos da terra – por isso as três portas de cada lado - para prestar culto ao verdadeiro Deus (cf. Is 66, 19ss).
Sem dúvida, a Igreja é a antecipação e concreção dessa realidade última: nela já não há mais “judeu e nem grego” (Gl 3, 28), em Jesus todos nos tornamos um. Basta olhar para nossa assembleia reunidade e veremos que de fato nos encontramos diante de uma realidade de mistério. Somos por vezes em tantos, tão diferentes, de tantos lugares, de tantas realidades... No entanto, nos tornamos “um”, quando reunidos, elevamos ao Pai, por meio do Filho as nossas súplicas e os nossos louvores.
Naturalmente, a primeira leitura de Atos mostra que para chegar a essa percepção, a Igreja teve que percorrer um caminho. Foi necessário um concílio para se chegar à conclusão que para se seguir a Jesus bastava aceitar o mínimo. Fez-se necessária a assistência do Espírito Santo para se compreender que o esforço das práticas judaicas não era fundamental para se chegar à salvação operada por Jesus.
Embora pareça estar já superada esta primeira crise da Igreja, talvez percebamos que esta palavra de Deus proclamada para nós nesta celebração se faz muito atual.
Em Cristo recebemos um culto agradável e perfeito perante Deus, o Pai. Nele, Jesus, entramos sem temor no Santo dos Santos verdadeiro (cf. Hb 6, 19; 9, 24; 10, 19), representado pela nova Jerusalém celeste e nos colocamos em perfeita comunhão com Deus. Essa relação profunda com Deus só é possível pela graça, pelo dom do próprio Deus, Ele que nos amou por primeiro, através do grande dom de seu Filho que se entregou por nós “quando não éramos bons” (cf. Rm 5, 5-8ss).
“Se alguém me ama, guardará a minha palavra e meu Pai o amará, e nós viremos e nele faremos nossa morada” (Evangelho).
Isso significa que por mais que o homem religioso se esforce, ele não pode alcançar a salvação sozinho: é preciso a intervenção de Deus. Nesse sentido, será que nós não estamos nos dedicando a certas práticas religiosas acreditando que estas – entendidas apenas como uma espécie de “troca” com Deus – poderão de fato nos salvar? Será que não estamos nos considerando justos e piedosos porque apenas participamos das celebrações, da vida de nossa comunidade, mas deixando de lado o amor ao próximo e a aplicação concreta da palavra de Jesus?
“Deus todo poderoso, dai-nos celebrar com fervor estes dias de júbilo, em honra do Cristo ressuscitado para que nossa vida corresponda aos mistérios que celebramos” (Oração do dia)
No evangelho Jesus nos apresenta o amor, a paz, como dons que provém de Deus. Cabe ao homem aceitar ou não essa proposta de vida nova em comunhão com o Senhor. Somos chamados a entrar nessa paz de Cristo, uma paz diferente daquela mundana, por vezes entendida como ausência de problemas, de guerras, etc. A paz que Jesus doa à sua Igreja é a paz do ressuscitado, daquele que passou pela morte, mas a morte não teve poder sobre ele.
Aceitar a paz de Jesus é trilhar os mesmos passos do ressuscitado, é corresponder cada vez mais ao seu amor por nós: “Subam até vós, ó Deus, as nossas preces com estas oferendas para o sacrifício, a fim de que, purificados por vossa bondade, correspondamos cada vez melhor aos sacramentos do vosso amor”. (Oração sobre as oferendas).
Imagem: Spirito Santo Sonia Tonegato (2007)

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