sexta-feira, 5 de abril de 2013

2º DOMINGO DO TEMPO PASCAL – ANO C - COMENTÁRIO DAS LEITURAS


2º DOMINGO DO TEMPO PASCAL – ANO C
“Exultai com a glória da vossa vocação dando graças a Deus, que vos chamou ao seu reino, aleluia!” (Antífona de entrada)
Leituras: At 5, 12-16; Sl 117 (118); Ap 1, 9-11ª.12-13.17-19; Jo 20, 19-31
 Este segundo Domingo do Tempo Pascal era chamado na antiguidade de Dominica in albis vestibus depositis, ou seja, era o Domingo no qual os neófitos, isto é, aqueles que haviam recebido o batismo na noite pascal, depunham a veste branca que haviam recebido na celebração batismal.
            A referência ao batismo e à iniciação cristã se faz presente também em outros momentos da celebração, com na oração do dia (“Ó Deus de eterna misericórdia, que reacendeis a fé do vosso povo na renovação da festa pascal, aumentai a graça que nos destes. E fazei que compreendamos melhor o batismo que nos lavou, o espírito que nos deu nova vida, e o sangue que nos redimiu”) e na oração sobre as oferendas: “Acolhei, ó Deus, as oferendas do vosso povo e dos que renasceram nesta Páscoa, para que, renovados pela profissão de fé e pelo batismo, consigamos a eterna felicidade”.
            Nessas orações vemos a preocupação maternal da Igreja pelos seus novos filhos, recém-batizados.
            As leituras do dia nos oferecem ainda a visão da Igreja nascente. Em Atos, os “muitos sinais e maravilhas” que os apóstolos realizavam em meio ao povo nos remetem diretamente ao contexto pascal. No Antigo Testamento, por exemplo, falar de “sinais e maravilhas” é, por vezes, relembrar a ação por excelência de Deus na vida do povo eleito: o Êxodo; a libertação da escravidão operada diretamente por Deus.
            A Igreja nascente se apresenta portanto como a realização de todas as esperanças e de todas as aspirações do povo, do momento que o fruto da Páscoa de Cristo, à saber, o envio do Espírito Santo, transformou radicalmente a comunidade, abrindo definitivamente e realizando de uma vez por todas o culto agradável a Deus e a plena santificação dos homens.
            De fato, é nessa linha que o livro do Apocalipse nos apresentará a visão da Igreja celeste: uma eterna celebração diante do Deus da vida que esteve “morto, mas agora está vivo para sempre” (cf. segunda leitura).
            No evangelho, a comunidade apostólica reunida à portas fechadas experimenta o grande medo da morte. É preciso que o Ressuscitado tome o centro da sala para que toda a comunidade reflita a sua luz e experimente a alegria do reencontro, a alegria de recobrar todo o sentido.
           São Tomé, que não esteve presente junto com os outros discípulos permanecerá fechado, como a própria comunidade antes de encontrar-se com o Ressuscitado.
           Será necessária a visão desse mesmo Ressuscitado para que as trevas da dúvida sejam dissipadas. Curiosamente, Tomé só pôde encontrar Jesus Ressuscitado no seio da comunidade. Isso nos leva a uma pergunta: onde podemos fazer a experiência de encontrar o Ressuscitado hoje? Será que nossa comunidade reunida tem o Cristo Ressuscitado em seu centro, ou estará dominada por vários medos e “fechada” em si mesma?
            O Senhor nos convida fortemente a acreditar nele, a superar nossas limitações e fazer experiência da sua “divina misericórdia”, como bem lembrou o Beato Papa João Paulo II, ao dedicar este domingo à Divina Misericórdia.

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