sexta-feira, 12 de abril de 2013

3º DOMINGO DO TEMPO PASCAL – ANO C



3º DOMINGO DO TEMPO PASCAL – ANO C

“Aclamai a Deus, toda a terra, cantai a glória de seu nome, rendei-lhe glória e louvor, aleluia!” (Antífona de entrada)

Leituras: At 5,27b-32.40b-41; Sl 29 (30); Ap 5, 11-14; Jo 21, 1-19

 
Gostaríamos de dizer apenas algumas palavras sobre esse belíssimo evangelho que a Igreja nos propõe neste 3º Domingo da Páscoa.
O início do relato mostra, num certo sentido, a grande crise dos Apóstolos após os terríveis eventos em Jerusalém. Pedro, o chefe da comunidade apostólica manifesta todo seu desalento a ponto de dizer que voltará a pescar.
Parece-nos que por trás dessas palavras está toda a decepção da esperança depositada em Jesus como Messias. Voltar a pescar é voltar ao estado anterior ao momento em que eles haviam conhecido Jesus, quando eram simples pescadores do mar da Galileia. É possível imaginar a sensação de derrota estampada no rosto desse grupo de apóstolos pescadores; derrota particularmente acentuda ao sabermos que passaram toda a noite sem nada pescar. É como se até mesmo a experiência primitiva da pescaria lhes fosse negada.
Qual teria sido a sensação que eles tiveram ao escutarem um desconhecido lhes pedir peixe? A situação talvez fosse tão desanimadora que eles nem ligaram em seguir o conselho de um desconhecido, já que sem maiores delongas jogaram a rede do lado direito do barco.
O fato da pesca milagrosa é uma bela imagem para dizer algumas grandes verdades: na “noite” da pesca, o esforço humano sozinho não é capaz de produzir “peixe”. É preciso que haja uma intervenção gratuita de Deus, uma iluminação do Ressuscitado, que aparece na “manhã” para que a vida surja em abundância.
São Jerônimo dizia que os antigos chegaram a classificar até cento e cinquenta e três qualidades de peixes: nesse número seria então um símbolo de totalidade; é como se o texto quisesse dizer que Deus quer salvar a totalidade dos homens e das mulheres nessa rede do Reino.
Pedro, ao descobrir que era o Senhor joga-se ao mar sem pensar. Ao chegar até a praia, encontra um Jesus servidor que, num gesto bem humano, está na praia preparando pão e peixes para seus discípulos.
Pão e peixe; parece que no judaísmo antigo esses alimentos traziam consigo a ideia dos tempos messiânicos que se realizaram de fato em Jesus.
Segue-se um diálogo tocante. Jesus chama Pedro pelo nome e sobrenome: a coisa é séria...
No diálogo, a pergunta que está dirigida a Pedro e a todos aqueles que querem ser discípulos do Senhor: “Tu me amas?”
Como responderíamos nós a Jesus, o ressuscitado? O texto original do evangelho contêm certas nuanças que nós não conseguimos perceber em nossas traduções. Jesus quando pergunta a Pedro, formula uma sentença em que o amor é posto em evidência. Pedro, ao responder, se coloca num nível diferente de Jesus. É como se respondesse que o ama, mas com um amor de amizade e não com um amor com o “a” maiúsculo.
Ao final, Jesus desce ao nível de Pedro e termina o discurso com um vibrante “segue-me”. Pedro já não é mais dono “do seu nariz”, agora tornou-se alguém disposto a seguir os passos de Jesus e a fazer a sua vontade, como bem ilustra a primeira leitura dos Atos.

 

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