sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

QUINTO DOMINGO DO TEMPO COMUM - Comentário das Leituras


5º DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO C

Por Gabriel Frade

“Farei de vós pescadores de homens!”

Leituras: Is 6, 1-2a.3-8; Sl 137(138); 1Cor 15, 1-11; Lc 5, 1-11

 Este 5º domingo do tempo comum nos apresenta, na liturgia da Palavra, a figura da vocação do profeta. Isaías, provavelmente ainda um jovem rapaz, tem a visão aterradora da glória divina. Chama a atenção que essa visão - e o chamamento que Deus faz ao jovem profeta - ocorra num contexto litúrgico, evocado pela voz do Senhor, pelo canto dos serafins, pela fumaça do incenso que encheu o templo e a brasa coletada do altar.

É nesse quadro que nosso jovem profeta faz a experiência de sua pequenez diante de Deus, quando exprime um profundo lamento pela sua impureza. Aparentemente é justamente por se reconhecer pecador diante de Deus que Isaías poderá experimentar o dom do perdão gratuito de seus pecados, através da imagem do tição ardente que lhe toca os lábios.

A título de curiosidade, nosso querido amigo, o egrégio professor da USP Dr. Benedito Lima de Toledo, ao analisar as estátuas de pedra sabão dos profetas, em Congonhas do Campo (MG), uma das maiores obras do barroco brasileiro produzidas por Antonio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, constatou que a estátua do profeta Isaías apresenta os lábios inchados. É a interpretação que o genial Aleijadinho, em sua sensibilidade quase mística, nos legou ao enfatizar desse modo o transformador toque da brasa ardente na boca do profeta.

Isaías, mesmo sem saber de qual missão se tratava, ao fazer a experiência de Deus em sua vida não pensa duas vezes: “Aqui estou! Envia-me!”. Seus medos dissiparam-se imediatamente ao perceber a presença misericordiosa e protetora de Deus.

“Velai, ó Deus, sobre a vossa família, com incansável amor; e, como só confiamos na vossa graça, guardai-nos sob a vossa proteção” (Oração do Dia).

Sem dúvida, podemos perceber que o chamado de Isaías se faz presente no hoje de nossa assembleia litúrgica e na vida de cada um dos seus membros participantes. Ela, assembleia, que se encontra hoje diante do altar e do incenso, entoando com os mesmos serafins de Isaías o canto do “três vezes santo” faz a experiência de se perceber pequena, é verdade, mas amada pelo seu Senhor.

No evangelho vemos Jesus que entra na barca de Pedro. Simão Pedro, sem que nada fizesse, teve a graça de ter sua barca, sua vida, visitada por Jesus. À palavra do mestre ele se faz ao largo e faz a extraordinária experiência de um Deus que supera todos os esforços humanos.

A Palavra de Deus nos mostra que nós somos Isaías, nós somos Simão Pedro, que diante do gesto profético da pesca milagrosa operado pela palavra de Jesus se joga aos seus pés, cheio de temor e espanto, reconhecendo-se pecador.

Também nós somos convidados a fazer o gesto de Simão. “Senhor eu não sou digno que entreis em minha morada...” dizemos a cada eucaristia. Quem de nós de fato é digno?

No entanto, o primeiro passo para a conversão, para se tornar profeta e “pescador de homens”, é reconhecer-se pecador, invocar a misericórdia divina e ter a confiança que ele não nos rejeita. “Não tenhais medo!”.

Fazer a experiência da gratuidade de Deus, fazer a experiência de Paulo e da comunidade cristã primitiva de Cristo vivo e ressuscitado, é a premissa para largar tudo – nossos projetos egoístas, nossos medos, nossas angústias – e seguir Jesus, finalmente livres.

“Ó Deus, vós quisestes que participássemos do mesmo pão e do mesmo cálice; fazei-nos viver de tal modo unidos em Cristo, que tenhamos a alegria de produzir muitos frutos para a salvação do mundo”. (Oração pós-comunhão).

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