sábado, 26 de janeiro de 2013

TERCEIRO DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO C - Comentário das leituras


3º DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO C

*Por Gabriel Frade

Leituras: Ne 8,2-4a.5-6.8-10, Salmo 18 B (19), 1 Cor 12,12-30, Lc 1,1-4;4,14-21

“Cantai ao Senhor um canto novo, cantai ao Senhor, ó terra inteira; esplendor, majestade e beleza brilham no seu templo santo” (Antífona da entrada).

 Neste terceiro domingo do tempo comum a liturgia da Palavra nos apresenta a leitura de Neemias. Nesse trecho da Sagrada Escritura se descreve a situação do povo de Deus que retorna, após o longo tempo de exílio, para a cidade de Deus, Jerusalém.

A alegria do retorno parece ceder lugar à decepção da reconstrução: é necessário recomeçar a construção da cidade e do Templo; mas é tempo também da “reconstrução” da própria comunidade.

N leitura se diz que o povo reunido por um longo em “frente da Porta das Águas” ficou atento à leitura da Lei, da Palavra de Deus vivenciada pelo próprio povo ao longo de sua história.

Alguns querem ver no fato do povo reunido em torno da Lei como que o nascimento da identidade do povo de Israel, a identidade do judaísmo. Gosto de pensar que esse episódio nos remete, num certo sentido, à leitura de Gênesis, quando o “Espírito de Deus Pairava sobre as águas” (Gn 1,2) primordiais. É a Palavra de Deus que vai criando, dando forma, dando sentido, conferindo identidade...

A comunidade em Neemias, reunida em torno da Palavra proclamada percebe a mesma vitalidade e força criadora dos primórdios da criação. A comunidade se sente revitalizada pela presença do próprio Deus Palavra.

De fato, no Evangelho, Jesus, Palavra Encarnada, se apresenta como o ápice da história de um Deus que quer bem ao seu povo, que está pronto para recriá-lo, amá-lo. Jesus é aquele que, em perfeita comunhão, se deixa guiar pela Palavra de seu Pai: “Deus eterno e todo-poderoso, dirigi a nossa vida segundo o vosso amor, para que possamos, em nome do vosso Filho, frutificar em boas obras” (Oração do dia).

Jesus, ao participar da liturgia na sinagoga de Nazaré, nos mostra o sentido profundo da celebração da Palavra: não se trata de um simples ler para recordar o que Deus fez por nós, mas trata-se muito mais de nos colocar em contato direto com a ação de Deus em nossas vidas.

“Hoje se cumpriu aos vossos ouvidos esta Palavra”, com esta firmação, Jesus coloca naturalmente um ponto de interrogação em nossas consciências, posto que deveríamos, também nós, nos perguntar sobre como se cumpre hoje, em nossa história, a Palavra que acabamos de ouvir nesta celebração. A cada um, a sua resposta pessoal e comunitária.

“Lâmpada para meus passos e luz para meu caminho é a tua Palavra, ó Senhor” (cf. Sl 119). Apesar de Jesus se revelar como o Cristo/Messias na sinagoga de Nazaré, seus ouvintes não o reconheceram como tal. Não quiseram enxergar a verdade ali presente: “Eu sou a luz do mundo, diz o Senhor; aquele que me segue não anda nas trevas, mas terá a luz da vida” (Antífona da comunhão).

Seguir os passos do Senhor é uma graça que vem de Deus, mas que demanda também a resposta pessoal de cada um de nós.

Oxalá tenhamos o discernimento de enxergar e ouvir Jesus não só na celebração, mas também nos acontecimentos quotidianos de nossa vida: “Concedei-nos, Deus todo-poderoso, que, tendo recebido a graça de uma nova vida, sempre nos gloriemos dos vossos dons” (Oração depois da comunhão).

Sugestão de Leitura: Dia a dia nos passos de Jesus - Ano C - Paulinas Editora

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