segunda-feira, 30 de abril de 2012

DIA DO TRABALHO

DIA DO TRABALHO OU DO TRABALHADOR!


LEMBRAMOS NESSE DIA DE TODOS OS TRABALHADORES DO NOSSO BRASIL E DO MUNDO E DE MANEIRA ESPECIAL DAQUELES QUE TRABALHAM TANTO E RECEBEM TÃO POUCO. PEDIMOS POR ELES E POR NOSSOS GOVERNANTES PARA QUE TENHAM CORAGEM DE MELHORAR OS SALÁRIOS DOS NOSSOS TRABALHADORES, PARA QUE ELES POSSAM TER UMA VIDA DIGNA.
QUE SÃO JOSÉ OPERÁRIO INTERCEDA POR TODOS OS TRABALHADORES HOJE E SEMPRE!

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Conheça a História de Lindalva Justo de Oliveira




"O coração é meu e pode sofrer, mas o semblante pertence aos outros e deve ser sorridente"
Bem-Aventurada Lindalva Justo de Oliveira.

Conheça a história dessa Mártir do nosso tempo.
Sábado em nosso programa, Nos Passos de Paulo. 
Não perca!
Às 20:00 horas pela rádio 9 de Julho, AM 1600


segunda-feira, 23 de abril de 2012

49º DIA MUNDIAL DE ORAÇÃO PELAS VOCAÇÕES

MENSAGEM DO SANTO PADRE
PARA O 49º DIA MUNDIAL
DE ORAÇÃO PELAS VOCAÇÕES
(29 DE ABRIL DE 2012 -
IV DOMINGO DE PÁSCOA)
Tema: As vocações, dom do amor de Deus

Amados irmãos e irmãs!


     O XLIX Dia Mundial de Oração pelas Vocações, que será celebrado no IV domingo de Páscoa – 29 de Abril de 2012 –, convida-nos a reflectir sobre o tema «As vocações, dom do amor de Deus».

     A fonte de todo o dom perfeito é Deus, e Deus é Amor – Deus caritas est –; «quem permanece no amor permanece em Deus, e Deus nele» (1 Jo 4, 16). A Sagrada Escritura narra a história deste vínculo primordial de Deus com a humanidade, que antecede a própria criação. Ao escrever aos cristãos da cidade de Éfeso, São Paulo eleva um hino de gratidão e louvor ao Pai pela infinita benevolência com que predispõe, ao longo dos séculos, o cumprimento do seu desígnio universal de salvação, que é um desígnio de amor. No Filho Jesus, Ele «escolheu-nos – afirma o Apóstolo – antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis em caridade na sua presença» (Ef 1, 4). Fomos amados por Deus, ainda «antes» de começarmos a existir! Movido exclusivamente pelo seu amor incondicional, «criou-nos do nada» (cf. 2 Mac 7, 28) para nos conduzir à plena comunhão consigo.

     À vista da obra realizada por Deus na sua providência, o salmista exclama maravilhado: «Quando contemplo os céus, obra das vossas mãos, a Lua e as estrelas que Vós criastes, que é o homem para Vos lembrardes dele, o filho do homem para com ele Vos preocupardes?» (Sal 8, 4-5). Assim, a verdade profunda da nossa existência está contida neste mistério admirável: cada criatura, e particularmente cada pessoa humana, é fruto de um pensamento e de um acto de amor de Deus, amor imenso, fiel e eterno (cf. Jer 31, 3). É a descoberta deste facto que muda, verdadeira e profundamente, a nossa vida. Numa conhecida página das Confissões, Santo Agostinho exprime, com grande intensidade, a sua descoberta de Deus, beleza suprema e supremo amor, um Deus que sempre estivera com ele e ao qual, finalmente, abria a mente e o coração para ser transformado: «Tarde Vos amei, ó beleza tão antiga e tão nova, tarde Vos amei! Vós estáveis dentro de mim, mas eu estava fora, e fora de mim Vos procurava; com o meu espírito deformado, precipitava-me sobre as coisas formosas que criastes. Estáveis comigo e eu não estava convosco. Retinha-me longe de Vós aquilo que não existiria, se não existisse em Vós. Chamastes-me, clamastes e rompestes a minha surdez. Brilhastes, resplandecestes e dissipastes a minha cegueira. Exalastes sobre mim o vosso perfume: aspirei-o profundamente, e agora suspiro por Vós. Saboreei-Vos e agora tenho fome e sede de Vós. Tocastes-me e agora desejo ardentemente a vossa paz» (Confissões, X, 27-38). O santo de Hipona procura, através destas imagens, descrever o mistério inefável do encontro com Deus, com o seu amor que transforma a existência inteira.
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domingo, 22 de abril de 2012

III Domingo de Páscoa – Comentário das Leituras

III Domingo de Páscoa – Ano B

Leituras: At 3, 13-15.17-19; Sl 4; 1 Jo 2, 1-5a; Lc 24, 35-48.

* Por Gabriel Frade

A liturgia da Palavra deste terceiro Domingo de Páscoa nos coloca diante da Ressurreição de Jesus. A primeira leitura dos Atos apresenta o discurso de Pedro no Templo de Jerusalém. Os Apóstolos se apresentam como testemunhas da ressurreição e a boa notícia por eles anunciada é o perdão dos pecados para todo aquele que se arrepende e se volta para Deus. A questão da ressurreição de Jesus está no centro da fé cristã. A afirmação de Pedro continua valendo para cada um de nós: “Deus o ressuscitou, e disso nos somos testemunhas!”. Na medida em que experimentamos o Cristo em nossa vida, principalmente através da liturgia, conseguimos testemunhá-lo perante o mundo, a anunciá-lo como o único capaz de dar pleno sentido à existência humana (cf. Salmo responsorial). De fato, num contexto muito específico do ponto de vista histórico, a segunda leitura vem ratificar o papel de Cristo em relação ao perdão. Experimentar o perdão do ressuscitado é colocar em prática seus mandamentos; é amar o irmão como a si mesmo. Do contrário corre-se sempre o risco de reduzir o cristianismo à apenas um “tratado de boas intenções”.
No Evangelho Jesus se coloca em meio a comunidade apostólica: da mesma forma, na celebração, o ressuscitado se coloca em meio à nossa comunidade e nos indaga sobre nossa fé em sua ressurreição. Apesar da dificuldade e da incredulidade dos discípulos – dificuldade e incredulidade muitas vezes também nossas! – o Senhor não titubeia em nomea-los testemunhas qualificadas de sua ressurreição: neste domingo, ao celebrarmos com fé o Senhor nos nomeia suas testemunhas e nos convida a sermos portadores da sua boa notícia: Deus quer o bem de toda a humanidade!

*Gabriel Frade é leigo, casado e pai de três filhos. Graduado em Filosofia e Teologia pela Universidade Gregoriana (Roma), possui Mestrado em Liturgia pela Pontifícia Faculdade de Teologia Nossa Senhora D’Assunção (São Paulo). Atualmente é professor de Liturgia e Sacramentos no Mosteiro de São Bento (São Paulo) e na UNISAL – Campus Pio XI. É tradutor e autor de livros e artigos na área litúrgica. Participa todas as sextas-feiras do Programa Nos Passos de Paulo.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

PARABÉNS RÁDIO 9 DE JULHO

              A Rádio 9 de Julho conquistou o prêmio Microfone de Prata, na categoria entretenimento, com o programa "Nossas Igrejas: Uma expressão de fé, arte e cultura", apresentado pelo padre José Renato Ferreira e pela jornalista Jucelene Rocha. O programa vai ao ar aos sábados às 15h com reprise no domingo, às 20h.

       Os Prêmios de Comunicação da CNBB- Margarida de Prata (cinema), Microfone de Prata (rádio), Clara de Assis (televisão) e Dom Helder Câmara (impresso)- serão entregues em solenidade na noite do dia 20 de abril, como parte da 50ª Assembleia Geral dos Bispos do Brasil na cidade de Aparecida-SP. A Rádio 9 de Julho irá transmitir a cerimônia ao vivo, às 20h30.
     O objetivo da premiação anual é reconhecer a arte e o mérito dos profissionais dos meios de comunicação social que contemplam em suas produções os valores humanos, cristãos, sociais e políticos, bem como, a qualidade artística, a linguagem e a técnica.


Dom Helder Câmara de Imprensa
- Karla Maria, com a reportagem “Extermínio silencioso”, publicado na REVISTA FAMÍLIA CRISTÃ;
- Adriana Irion e José Luís Costa, com a reportagem “Meninos Condenados”, do Jornal Zero Hora;
- Prêmio de Menção Honrosa para o Jornalista Odilon Rios, com a reportagem “Pacientes convivem com formigas, goteiras e cadáveres em Alagoas”.

Margarida de Prata
- As canções, documentário de longa-metragem, de Eduardo Coutinho;
- Diário de uma busca, documentário de longa-metragem, de Flávia Castro;
- A música segundo Tom Jobim, documentário de longa-metragem, de Nelson Pereira dos Santos;
- Á sombra de um delírio verde, documentário de média-metragem, de Cristiano Navarro Peres.

Clara de Assis
- O documentário Marujada – A festa de São Benedito, de Ivaldo Souza e Marcos Valério, da Rede Nazaré de Televisão
- A reportagem Dependência Química – álcool e crack, de Thiago Rodrigues Tiburcio, da TV Senado;
- A reportagem Lixo: danos e soluções, de Ioná Marina Moreira Pina Rangel, da Rede Aparecida de Comunicação;
- O documentário Filhos do abandono, do Projeto Comunicar, da TV PUC-Rio.

Microfone de Prata
- Categoria religioso, Por dentro do assunto, Rádio Mensagem 1470 AM, Jacareí (SP), apresentado por Carlos Alberto Sena e padre Ednei Evaldo Batista, com produção de Donizete Eugênio;
- Categoria jornalismo, reportagem Especial: O novo Código do Processo Civil - Uma Justiça mais rápida?, Rádio Senado FM, Brasília (DF), apresentado por Luciomar Rodrigues e Assis Medeiros com produção de Rodrigo Resende, sendo texto e reportagem de Adriano Faria;
- Categoria entretenimento, Nossas Igrejas, uma expressão de fé, arte e cultura”, Rádio 9 de Julho, Arquidiocese de São Paulo (SP), apresentado pelo padre José Renato Ferreira e Jucilene Rocha, com produção da equipe de jornalismo da Rádio 9 de Julho.


Reportagem da Revista Família Cristã ganha Prêmio Dom Helder Câmara de Imprensa

A reportagem “Extermínio silencioso”, da jornalista do jornal O São Paulo, Karla Maria, publicada na edição de janeiro de 2012 da REVISTA FAMÍLIA CRISTÃ, foi a vencedora do Prêmio Dom Helder Câmara de Imprensa- edição 2012, um dos prêmios de Comunicação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).
A reportagem traz denúncias dos indígenas Guarani Kaiowá, literalmente encurralados entre fazendeiros, sendo assassinados em suas terras tradicionais em Mato Grosso do Sul. A matéria apresenta, ainda, a origem das terras e a situação da demarcação. (Leia mais sobre a reportagem aqui)

Karla Maria, com o cacique Faride

sexta-feira, 13 de abril de 2012

2º DOMINGO DA PÁSCOA - COMENTÁRIO DAS LEITURAS


II DOMINGO DA PÁSCOA – ANO B

* Por Gabriel Frade
 Domingo in albis;
Domingo da divina misericórdia
Leituras: At 4, 32-35; Sl 117; 1 Jo 5, 1-6; Jô 20, 19-31.

Este segundo domingo do tempo da páscoa traz consigo a reverberação da alegria pascal celebrada na grande Vigília e nos dias sucessivos que compõem a oitava de Páscoa. De fato, a primeira leitura, tirada do livro dos Atos dos Apóstolos, nos apresenta o desdobramento da ressurreição do Senhor, já que os Apóstolos, perante a comunidade e a sociedade do seu tempo “com grandes sinais de poder, davam testemunho da ressurreição do Senhor Jesus”.
Presente nesta leitura está uma imagem que quer descrever de maneira idealizada a comunidade cristã: “a multidão era um só coração e uma só alma”. Parece que, na verdade, o autor quer sublinhar o espírito que anima a comunidade cristã primitiva: o amor.


Amor que não deve ser apenas um sentimento, mas que deve ser verificado nos fatos: “Entre eles ninguém passava necessidade”. A partilha, a comunhão ao corpo do Cristo ressuscitado, deve levar necessariamente à comunhão com os irmãos.


Esta comunhão não deve ser entendida como mero esforço humano, mas principalmente como gratuidade que deve brotar do dom pascal do Espírito, isto é, da misericórdia infinita de Deus por nós que se revela plenamente no Ressuscitado.


Dai graças ao Senhor, porque ele é bom; eterna é a sua misericórdia! (salmo responsorial).


Esta tônica de gratuidade também está presente na segunda leitura: “Pois isto é amar a Deus: observar os seus mandamentos. E os seus mandamentos não são pesados, pois todo o que nasceu de Deus vence o mundo...”.


Estas palavras tinham um sentido ainda mais profundo para os neófitos, quando, neste domingo, na Igreja antiga, ocorria a deposição das vestes brancas que os neo-batizados haviam recebido na semana anterior, por ocasião de seu batismo na grande Vigília pascal.


Durante toda a semana que seguia à Vigília pascal, os recém batizados iam à Igreja vestidos de branco para celebrar e receber as catequeses pós-batismais. Ao final do processo, no domingo seguinte, eles retiravam as vestes brancas e assumiam seu lugar na comunidade dos fiéis. Por isto, este domingo recebia o nome de Domingo in albis (depositis), isto é, Domingo onde se depunham as vestes brancas. O Evangelho de João chama a atenção para os “oitos dias” após a ressurreição do Senhor.


No domingo, o Senhor aparece à comunidade dos discípulos, descrita como entregue ao medo, fechada num local isolado: é imagem de todo aquele que se deixa levar pelos funestos acontecimentos da vida; que vive acabrunhado pelas vicissitudes, pelo sofrimento, pela solidão...


Diante dessa situação, o ressuscitado atravessa toda barreira: entra na sala e deseja a paz!


Imediatamente, o contato com a misericórdia do Senhor provoca a alegria nos discípulos. Do mesmo modo, Jesus se dirige de maneira muito particular a cada um de nós, nos convidando a entrar na mesma alegria festiva dos discípulos.


“Bem aventurados os que creram sem terem visto!”.
O Papa João Paulo II também dedicou este domingo à Divina Misericórdia. Esta devoção ligada à freira polonesa Santa Faustina Kowalska nos coloca diante da bondade do Pai que quer salvar toda a humanidade.


Nesse sentido reproduzimos abaixo um texto de “Mamma” Carmela Carabelli, uma mulher italiana, leiga, discípula de Padre Pio da Pietralcina e que encantou muitas pessoas com seus escritos místicos sobre a Divina Misericórdia.

10 de abril de 1968


“Como a mais atenciosa dentre as mães, diante da própria criança doente, que se reclina e se desdobra em mil maneiras para ajudá-la, assim também Deus, pleno de piedade e amor, se sente atraído pelo homem, criado à sua imagem e semelhança: uma imensa compaixão. Você poderá ver claramente, ainda que de modo infinitamente inadequado, porque humano, a misericórdia de Deus [...] nas parábolas do Bom Samaritano, do Filho Pródigo e do Bom Pastor. A partir delas você poderá compreender algo do imenso amor que Deus traz pelos homens, por mais malvados que sejam e como ele vai em busca deles com um carinho que não tem comparação na terra.
Deus tudo perdoa, tudo suporta, tudo repara. Ele nos pede apenas, depois de termos errado (e quem não erra?) de nos voltarmos para ele com arrependimento, pedindo-lhe o seu perdão.
Não existe pecado, por quão grande este seja, que ele não possa ou não queira perdoar”.


Do texto “A Palavra e as promessas de Jesus misericordioso a Mamma Carmela, apóstola da Divina Misericórdia”.
Disponível em http://www.preghiereagesuemaria.it/devozioni/promesse%20di%20gesu%20misericordioso.htm.





terça-feira, 10 de abril de 2012

São Paulo na Vigília pela Vida

Em unidade com a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), o cardeal dom Odilo Pedro Scherer, arcebispo de São Paulo, solicita ao clero e a todos os fiéis que realizem vigílias de orações nesta terça-feira, 10, para que a vida humana seja respeitada e preservada em todas as circunstâncias. A presidência da conferência enviou a carta de convocação para a vigília na última sexta-feira, dia 6, (leia a íntegra da convocação), em vista do julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF), amanhã (11), da descriminalização do aborto de anencéfalos – casos em que o feto tem má formação no cérebro.São Paulo, 9 de abril de 2012


Acesse o ROTEIRO para a "Vigília pela Vida", proposto pela Arquidiocese de São Paulo e reze com sua comunidade!


Leia a carta do cardeal:

Revmos. Párocos, Vigários, Administradores Paroquiais, Vigários Paroquiais,
Religiosos/as, Diáconos, Consagrados/as, Famílias, Leigos/as


Feliz Páscoa a todos! “O Rei da Vida foi morto mas reina vivo!” Somos testemunhas do Senhor da Vida!


 O tema representa um sério desafio atual, a ser abordado com serenidade e objetividade, tendo em conta critérios antropológicos e éticos gerais, e também os referenciais do ordenamento jurídico brasileiro, a começar da própria Constituição Nacional. O Supremo Tribunal Federal deverá pronunciar-se sobre a “legalidade” do abortamento de fetos, ou bebês acometidos por essa grave deficiência, que não lhes permitirá viver por muito tempo fora do seio materno, se chegarem a nascer.
A partir da minha missão de bispo da Igreja e cidadão brasileiro, sinto-me no dever de manifestar minha posição e de dizer uma palavra que possa ajudar no discernimento diante da questão. A decisão tem evidentes implicações éticas e morais; desejo concentrar minha reflexão sobre alguns desafios muito específicos, que se referem à dignidade da pessoa e da vida humana.


Em relação aos anencéfalos, existe o pedido da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Saúde para que o Supremo Tribunal Federal reconheça e estabeleça a legalidade da “antecipação terapêutica do parto” desses bebês, com forte pressão de grupos favoráveis ao aborto. No calor de muita emoção, podem não ser adequadamente percebidos os examinados argumentos falaciosos, que acabam por se tornar decisivos.
Os principais argumentos alegados a favor do aborto, nesse caso, são os seguintes:
a ) Tratar-se-ia de “vidas inviáveis” fora do útero materno; uma vez que os anencéfalos não sobrevivem por muito tempo fora do seio materno, para que manter semelhante gravidez e levá-la até o fim?
A gravidez de um anencéfalo representaria, para a mãe, um sofrimento insuportável, uma verdadeira “tortura”, que degradaria a dignidade da mulher;
Tratando-se de uma “anomalia”, o ser daí resultante seria indefinível, um “não-ser”, um “não-humano”; portanto, em relação a ele não entrariam em questão os argumentos do respeito à vida e à dignidade humana;
Toda a atenção deveria ser dada à mãe, nesses casos, o único sujeito de direitos e de dignidade, a ser tutelado e protegido pela lei;
Os bebês anencéfalos seriam “natimortos”, pois a ausência parcial ou total do cérebro equivaleria à morte cerebral; para que manter tal gravidez? Por isso mesmo, os bebês acometidos por essa anomalia, que chegam a nascer, podem ser colocados na mesma condição dos adultos que estão com “morte cerebral” e seus órgãos poderiam ser retirados e doados.
O Brasil é um dos países que têm a maior incidência de anencefalia; seria necessário baixar este triste quadro.
Como se pode perceber facilmente, esses argumentos mereceriam ser examinados profundamente por peritos da área médica, do direito e da ética. De qualquer modo, as implicações morais são graves e não podem ser simplesmente resolvidas na emoção de um debate na opinião pública, ou a partir dos resultados de pesquisas de opinião, o que pode ser uma fácil tentação.
Os principais argumentos empregados pela CNBB são os seguintes:
O anencéfalo, malgrado a sua condição, é um ser humano vivo; por isso, ele merece todo o respeito devido a qualquer ser humano; ainda mais, por se tratar de um ser humano extremamente fragilizado; a sociedade, por meio de suas Instituições, deve tutelar o respeito pleno à sua frágil vida e à sua dignidade.
O sofrimento da mãe é compreensível e deve ser levado plenamente a sério; mas não pode ser argumento suficiente para suprimir a vida de um bebê com anomalia. Se o sofrimento da mãe, ainda que grande, fosse considerado argumento válido para provocar um aborto, estaria sendo aprovado o princípio segundo o qual pode ser tirada a vida de um ser humano que causa sofrimento grave a um outro ser humano. Não só em caso de aborto...
O sofrimento da mãe, que é pessoa adulta, pode e deve ser mitigado de muitas maneiras, quer pela medicina, pela psicologia, pela religião e pela solidariedade social; além disso, trata-se de um sofrimento circunscrito no tempo, que pode mesmo dignificar a mulher que o aceita, em vista do filho; mas a vida de um bebê, uma vez suprimida, não pode ser recuperada; e o sofrimento moral decorrente de um aborto provocado pode durar uma vida inteira. Além do mais, o sofrimento da mãe e o respeito à vida e à dignidade do filho são duas realidades de grandezas e pesos muito diversos e não podem ser, simplesmente, colocados no mesmo nível; o benefício do alívio de um sofrimento não pode ser equiparado ao dano de uma vida humana suprimida.
É preconceituoso e fora de propósito afirmar que a dignidade da mãe é aviltada pela geração de um filho com anomalia; tal argumentação pode suscitar, ou aprofundar um preconceito cultural contra mulheres que geram um filho com alguma anomalia ou deficiência; isso sim, seria uma verdadeira agressão à dignidade da mulher.
O valor da vida humana não decorre da duração dessa mesma vida, ou do grau de satisfação que ela possa trazer aos outros, ou a ela própria. O ser humano é respeitável sempre, por ele mesmo; por isso, sua dignidade e seu direito à vida é intocável.
O cerne de toda a questão está nisso: os anencéfalos são “seres humanos”? São “seres humanos vivos”? Apesar dos argumentos contrários, não há como colocar em dúvida a resposta afirmativa às duas perguntas. Portanto, daí decorre, como conseqüência, que ele deve ser tratado como “ser humano vivo”.
Permanece, de toda maneira, válido que só Deus é senhor da vida e não cabe ao homem eliminar seu semelhante, dando-lhe a morte; nem mesmo aqueles seres humanos que não satisfazem aos padrões estéticos, culturais, ou de “qualidade de vida” estabelecidos pela sociedade ou pelas ideologias. A vida humana deve ser acolhida, sem pré-condições; não somos nós que damos origem a ela, mas ela é sempre um dom gratuito. Não é belo, não é digno, não é ético, diante da vida humana frágil, fazer recurso à violência, ou valer-se do poder dos fortes e saudáveis para dar-lhe o fim, negando-lhe aquele pouco de vida que a natureza lhe concedeu. Digno da condição humana, nesses casos, é desdobrar-se em cuidados e dar largas à solidariedade e à compaixão, para acolhê-la e tratá-la com cuidado, até que seu fim natural aconteça.


Cardeal dom Odilo P. Scherer
Arcebispo Metropolitano de São Paulo


Fonte: http://www.arquidiocesedesaopaulo.org.br/?q=node/103257

sábado, 7 de abril de 2012

VIGÍLIA PASCAL - DOMINGO DE PÁSCOA - COMENTÁRIO DAS LEITURAS

Sábado santo – Vigília Pascal


Assim como a sexta feira da Paixão, o sábado santo é considerado um dia a-litúrgico, isto é, um dia no qual não se celebra a eucaristia. Na Igreja antiga era um dia de rigoroso jejum que deveria facilitar a direcionar os pensamentos dos fiéis ao fato de Jesus “morto e sepultado”. Para quem reza a Liturgia das Horas, o Ofício das Leituras deste dia nos oferece uma leitura de um autor desconhecido do IV século, leitura de singular beleza. Reproduzimos um pequeno trecho abaixo:


“O que aconteceu? Hoje sobre a terra reina um grande silêncio, grande silêncio e solidão. Grande silêncio porque o Rei dorme: a terra permaneceu desencorajada, e calou-se, porque Deus feito carne adormeceu e acordou aqueles que há séculos dormiam. Deus morreu na carne e desceu para sacudir o reino dos infernos. Certamente ele vai procurar o primeiro pai, como a ovelha perdida. Ele quer descer para visitar aqueles que jazem nas trevas e na sombra da morte. Deus e o seu Filho vão libertar dos sofrimentos Adão e Eva, que se encontram prisioneiros. O Senhor entrou para junto deles levando as armas vitoriosas da cruz. Apenas Adão o viu, o progenitor, batendo em sue peito pela maravilha, gritou para todos dizendo: “Esteja com todos, o meu Senhor”. E Cristo respondendo disse para Adão: “E com o teu espírito”. E, tomando-o pela mão, o levantou, dizendo: “Acorda, tu que dormes e ressurge dos mortos, e Cristo te iluminará”.

À noite, toda a comunidade se reúne para a grande Vigília Pascal. A liturgia da vigília pode ser dividida em quatro partes: Liturgia da luz; Liturgia da Palavra; Liturgia Batismal e Liturgia Eucarística.


A liturgia da luz começa, quando é possível, do lado de fora da Igreja: acende-se uma fogueira em torno da qual se reúnem os fieis. Diante dessa fogueira, abençoada pelo presidente da celebração, acende-se o círio pascal. O acender desta vela reflete um costume muito antigo de se acenderem muitas luzes (velas) nesta noite santa. O próprio texto da Proclamação da Páscoa enfatiza a importância desses gestos litúrgicos referentes à luz do círio nesse momento ritual:


“O círio que acendeu as nossas velas possa esta noite toda fulgurar; misture sua luz à das estrelas, cintile quando o dia despontar. Que ele possa agradar-vos como o Filho, que triunfou da morte e vence o mal: Deus, que a todos acende no seu brilho, e um dia voltará, sol triunfal”. (Pregão Pascal)

A procissão que ocorre após o acendimento do círio e da aclamação “eis a luz de Cristo!” evoca o novo êxodo: assim como o próprio Deus guiava seu povo à noite como coluna de fogo (cf. Ex 13, 21), o círio pascal – a nova coluna de fogo – guia seu povo até a libertação operada pela ressurreição do Cristo Senhor.


Após o canto do pregão pascal tem início a liturgia da Palavra. Nas várias leituras é retomada a história da salvação: Deus, desde os primórdios, tinha em mente a salvação de todo o gênero humano. Salvação realizada de uma vez por todas na Ressurreição de Jesus e atualizada para nós no momento da celebração litúrgica. Grande destaque aos cantos do Glória e do Aleluia: eu possam visibilizar a alegria da Ressurreição do Senhor


Em seguida, caso haja candidatos, tem lugar a liturgia batismal. Os temas da luz, da abertura do mar, da libertação do Egito, e mesmo o da Ressurreição, encontram sua realização mais densa na celebração dos sacramentos da iniciação cristã: Batismo, Confirmação e Eucaristia. São como o momento ápice da iniciação cristã.


Celebrar a vigília Pascal é fazer de modo particular a experiência do Ressuscitado. É experimentar que nessa noite santa, Cristo é o verdadeiro Cordeiro que tira o pecado do mundo; cordeiro que ao morrer, destrói nossa morte e ao ressurgir nos dá a vida (cf. Prefácio da Páscoa I).


Neste ano, em que nossa Páscoa cristã coincide com a Páscoa de nossos irmãos mais velhos na fé, os judeus, oxalá possamos experimentar em nossa vida o amor de Deus Pai manifestado em seu Filho Jesus.


Domingo de Páscoa


Com a reforma litúrgica, a Igreja entende valorizar a grande Vigília Pascal. A missa do Domingo de Páscoa deve ser percebida como um transbordar da alegria da Igreja pela ressurreição de seu Senhor. O missal romano em suas rubricas alerta que “a Missa da Vigília é a verdadeira Missa do domingo de Páscoa. Quem participa da Missa da noite pode comungar também na segunda Missa da Páscoa” (Missal Romano, Domingo da Páscoa na Ressurreição do Senhor, n. 4), ou seja, não há a obrigação de se participar da missa do Domingo pela manhã para aqueles que participaram da Vigília Pascal. Quem, porém, quiser participar está livre para fazê-lo.


A liturgia da Palavra é muito rica: a ressurreição é o tema central. Na primeira leitura, tirada do livro dos Atos dos Apóstolos, Pedro nos coloca diante do testemunho sobre o Ressuscitado, testemunho ligado à intimidade com o Cristo (“Nós que comemos e bebemos com ele”), intimidade que se nos dá também a nós na eucaristia. O Salmo responsorial (117) evoca a nova criação em Cristo: “Este é o dia (o dia da Ressurreição) que o Senhor fez: exultemos e cantemos de alegria!”.


São Paulo na segunda leitura fala da realidade nova do cristão: ele está na vida e, como tal, deve viver em Cristo ressuscitado. Logo após a leitura de Paulo há lugar a Sequência. Um cântico que tem a função de aumentar a solenidade e de dar vazão à alegria cristã pelo Senhor vivo. O Evangelho apresenta-nos a figura de Maria Madalena que vai a túmulo do Senhor logo pela manhã. Apesar da fé no ressuscitado, é interessante o pormenor que o evangelho de João nos traz: “Na verdade, [os discípulos] ainda não tinham entendido a Escritura, segundo a qual Jesus devia ressuscitar dos mortos”. Pedagogia da fé: O Senhor sabe de nossas incongruências e quer nos conduzir à sua presença na medida em podemos segui-lo, na medida em que podemos trilhar os seus passos até a vida plena.


O Senhor está Ressuscitado, Aleluia!
Santa Páscoa a todos!
Prof. Gabriel Frade

quinta-feira, 5 de abril de 2012

EXISTE PROVA MAIOR QUE DOAR A VIDA POR AMOR?


"Prova de Amor maior não há
que doar a vida pelo irmão!"


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quarta-feira, 4 de abril de 2012

TRÍDUO PASCAL - COMENTÁRIO DAS LEITURAS


TRÍDUO PASCAL

Quinta-feira santa; Missa In Coena Domini (Ceia do Senhor) – Leituras da missa: Ex 12, 1-8.11-14; Sl 115 (116B); 1Cor 11, 23-26; Jo 13, 1-15.
Sexta-feira santa; Paixão do Senhor – Leituras da celebração: Is 52, 13-53, 12; Sl 30 (31); Hb 4, 14-16; 5, 7-9; Jo 18, 1-19,42.
Sábado santo; Solene Vigília Pascal – Leituras da Vigília: Gn 1, 1-2, 2; Sl 103; Gn 22, 1-18; Sl 15; Ex 14, 15-15, 1; Cântico de Moisés Ex 15, 1b-6.17-18; Is 54, 5-14; Sl 29; Is 55, 1-11; Cântico Is 12, 2.4-6; Br 3, 9-15.32-4,4; Sl 18; Ez 36, 16-17ª.18-28; Sl 41; Rm 6, 3-11; Sl 117; Evangelho Mc 16, 9-15.

Domingo da Ressurreição do Senhor – Leituras da missa: At 10, 34ª.37-43; Sl 117 (118); Cl 3, 1-4; Jo 20, 1-9.
“A festa da Páscoa é, por conseguinte, a proclamação e a atuação presencial da ação redentora de Cristo na morte e transfiguração do Senhor, da vitória sobre a morte pela cruz e, consequentemente, da reconciliação entre Deus e os homens... Em uma palavra: a Páscoa é o mistério do culto da obra salutífera de Deus em Cristo na Igreja”.
D. Odo Casel

A celebração do “sacratíssimo Tríduo do Senhor crucificado, sepultado e ressuscitado” – conforme a bela expressão de santo Agostinho – é algo que foi muito sentido por gerações inteiras de cristãos. Já a partir do evento Cristo, a Igreja nunca cessou de celebrar a memória de seu Senhor, embora as primeiras notícias certas de uma celebração pascal anual datem apenas do século II. Apesar disso, em suas celebrações a Igreja antiga soube muito bem colher a essência do mistério da paixão, morte e ressurreição do Cristo, de modo que a estrutura celebrativa ao longo de três dias – o Tríduo, portanto – datam já do IV século. Embora toda a riqueza desta celebração tenha sido sempre o centro da vida da Igreja, há que se dizer que houve momentos, devido às contingências da história, em que ela sofreu alguns arranhões: a título de exemplo, quem não se lembra do famoso “sábado de aleluia”, quando logo pela manhã do sábado, em plena luz do dia, se anunciava a ressurreição de Jesus. Naquela época parecia não importar muito se os textos da liturgia falassem de uma “noite santa”, onde ocorria a libertação do povo de Israel e nossa... Também resultava difícil explicar às crianças o artigo do credo que falava da ressurreição “ao terceiro dia”, já que a prática celebrativa dizia que o Senhor morria na sexta feira santa e no sábado santo pela manhã cantava-se já sua ressurreição...

Por esses motivos e outros, em 1951, sob o pontificado do Papa Pio XII, a Igreja resolveu mudar alguns elementos relativos ao Tríduo pascal, mudanças estas que se concluiriam com a reforma litúrgica do concílio Vaticano II.

Apesar do concílio Vaticano II ter nos legado um verdadeiro tesouro, as celebrações do Tríduo pascal ainda não foram bem compreendidas. É muito comum se verificar ainda nas paróquias em geral algumas mutilações em relação a essas celebrações. A mais comum delas é a abreviação das leituras da grande vigília Pascal, a “mãe de todas as sagradas vigílias” (Sto. Agostinho) ou mesmo dos ritos que compõem a santa vigília nem sempre por motivos justificáveis.

Muitas vezes estas abreviações são gestos que demonstram a má formação litúrgica do povo de Deus em sentido amplo.

Celebrar com fé o Tríduo é viver sacramentalmente em nossa própria vida o mistério do Cristo morto e ressuscitado: é morrer com Jesus, para ressuscitarmos com ele.

Não cabe a nós nestas breves linhas traçar um panorama detalhado desta celebração em sua globalidade ou mesmo fazer uma crítica mais aprofundada em relação à prática pastoral[1]. Queremos apenas dar algumas pinceladas para, se pudermos, ajudar a celebrar melhor o mistério do Senhor em nossas vidas.

O início do Tríduo Pascal ocorre na quinta-feira santa a partir da missa vespertina “in Coena Domini”. Trata-se de um reflexo da antiga concepção judaica em que o dia começava com o declínio do dia anterior. Até hoje, por exemplo, a comunidade judaica celebra o início do sábado na sexta feira ao entardecer.

Nada de extraordinário que a quinta feira santa esteja ligada à sexta feira da Paixão, já que a entrega de Jesus na cruz foi por ele mesmo antecipada na eucaristia celebrada com os seus discípulos. Lembrando também que é nessa noite que Jesus começa seu sofrimento no horto das oliveiras e sua entrega por intermédio da traição de Judas.

Nessa celebração os elementos que se sobressaem são: a última Ceia de Jesus, a instituição da eucaristia e o rito do Lava-pés, símbolo particular de amor e de serviço aos homens. De fato a oração do dia parece colocar em evidência essas duas dimensões: “Concedei-nos, por mistério tão excelso [a Eucaristia], chegar à plenitude da caridade e da vida”.

É uma celebração com um tom mais festivo: os paramentos são da cor branca e nessa missa canta-se o Glória. A liturgia da Palavra de certo modo nos coloca já no coração da páscoa: a primeira leitura do livro do Êxodo nos apresenta a páscoa hebraica: dá-se uma ênfase aos pães sem fermento, imagem da aflição dos israelitas, e ao cordeiro imolado: o uso de seu sangue nos umbrais das portas livra os judeus do extermínio. Esses elementos do pão ázimo e do sangue do cordeiro imolado são imagem da realidade operada pelo Cristo: o pão que recebemos é sua carne e o vinho que bebemos é o seu sangue da “nova e eterna aliança”. Seria muito bom, onde for possível e a julgamento do pároco, se houvesse o uso de pão ázimo e a comunhão do cálice neste dia, à norma do que prevê a Instrução Geral do Missal Romano.

O salmo responsorial (Sl 115) nos põe diante do “cálice da bênção”. A evocação desta imagem nos coloca perante o ritual da páscoa judaica: além da manducação das ervas amargas, dos pães ázimos e do cordeiro, o ritual da páscoa judaica previa – e ainda hoje prevê – a consumação de quatro cálices de vinho. O terceiro cálice ritual, o mais solene, chamado de cálice da bênção, recebia uma oração de bênção por parte do pai de família. É possível que Jesus tenha usado esse momento para relacionar o cálice de vinho ao seu sangue derramado. Aquilo que era imagem cumpre-se no Cristo, como bem salienta São Paulo na segunda leitura. O Evangelho de João nos apresenta a imagem de Jesus num gesto de extrema humildade: aquilo que era tarefa dos escravos ou das personagens de menor importância é assumido inteiramente pelo Mestre. O rito do Lava-pés está longe de ser um teatro, uma encenação que quer relembrar o gesto de Jesus: na verdade, quer enfatizar que esse gesto de Jesus deve necessariamente ser assumido por todos nós em nosso hoje. Comungar da eucaristia deve necessariamente resultar em gestos concretos de serviço e de solidariedade para com o próximo.

Outro gesto muito sentido, logo após a oração de depois da comunhão, é a transladação do Santíssimo: o Santíssimo, que não deve ficar exposto num ostensório ou mesmo numa âmbula, mas deve ficar num tabernáculo adequado, se possível, ricamente adornado com flores e velas. Por sua vez, este tabernáculo não deveria conter algum tipo de elemento alusivo ao sepulcro do Senhor pois a morte do Senhor será celebrada na sexta feira santa.

Após o período previsto de adoração ao Santíssimo, a quinta feira santa cederá lugar à celebração da sexta feira da Paixão.

Sexta Feira da Paixão do Senhor

A sexta feira santa é uma celebração onde a Igreja se depara com o mistério da cruz. A atual celebração segue aproximadamente o modelo descrito pela peregrina Etéria em seu diário de viagem. Ela nos relata a estrutura dessa celebração na cidade de Jerusalém no IV século, descrevendo, por exemplo, o rito da adoração da relíquia da Santa Cruz que era apresentada aos fiéis para que estes beijassem o pedaço do santo lenho das mãos do bispo.

A celebração deste dia começa de forma muito sóbria: o presidente da celebração se dirige até o altar despojado de suas toalhas e se prostra ou ajoelha diante deste; após uma breve oração segue a liturgia da Palavra e uma breve homilia ou comentário à Palavra. Em seguida se procede à oração universal: momento ritual forte, onde se visibiliza a Igreja cumprindo seu papel de intercessora, de sacramento universal de salvação junto a toda a humanidade.

A liturgia da Palavra em si apresenta-nos a imagem do Servo misterioso do relato de Isaías. Essa imagem venerável de redenção que o cristianismo viu cumprida por Jesus Cristo, o Servo por excelência. A carta aos Hebreus mostra-nos o sentido profundo do sofrimento e da morte do Senhor: através desse ato, Cristo tornou-se sumo-sacerdote, entrando no santuário do Céu para nos procurar a salvação. No Evangelho, João nos diz que Jesus também é a vítima, do momento que o evangelista associa a morte de Jesus ao sacrifício do cordeiro pascal (cf. Jo 19, 14.31-37).

Após a liturgia da Palavra segue a adoração da cruz. A adoração poderá ser expressa pela genuflexão, ou pelo beijo, ou ainda por algum outro sinal adequado: no ritual antigo, por exemplo, previa-se a aproximação do fiel à cruz com os pés descalços; uma referência ao cenário da revelação a Moisés; o Deus que havia se revelado na sarça ardente é o Deus que se revela na árvore da cruz.

Terminada a adoração - de uma única cruz, como a verdade do sinal pede – se procede à liturgia da comunhão. Seria de mui bom alvitre que se guardasse, na medida do possível, um grande silêncio após a celebração como forma de uma maior participação ao mistério.

Além disto, neste dia a Igreja pede aos fiéis que façam jejum e abstinência, como forma sacramental de participação aos sofrimentos do Senhor e, no sábado santo, principalmente como preparação à Páscoa (Dias, porém, virão, em que lhes será tirado o esposo, e então jejuarão”. Mt 9, 15).

Sábado santo – Vigília Pascal

Assim como a sexta feira da Paixão, o sábado santo é considerado um dia a-litúrgico, isto é, um dia no qual não se celebra a eucaristia. Na Igreja antiga era um dia de rigoroso jejum que deveria facilitar a direcionar os pensamentos dos fiéis ao fato de Jesus “morto e sepultado”. Para quem reza a Liturgia das Horas, o Ofício das Leituras deste dia nos oferece uma leitura de um autor desconhecido do IV século, leitura de singular beleza. Reproduzimos um pequeno trecho abaixo:

“O que aconteceu? Hoje sobre a terra reina um grande silêncio, grande silêncio e solidão. Grande silêncio porque o Rei dorme: a terra permaneceu desencorajada, e calou-se, porque Deus feito carne adormeceu e acordou aqueles que há séculos dormiam. Deus morreu na carne e desceu para sacudir o reino dos infernos. Certamente ele vai procurar o primeiro pai, como a ovelha perdida. Ele quer descer para visitar aqueles que jazem nas trevas e na sombra da morte. Deus e o seu Filho vão libertar dos sofrimentos Adão e Eva, que se encontram prisioneiros. O Senhor entrou para junto deles levando as armas vitoriosas da cruz. Apenas Adão o viu, o progenitor, batendo em sue peito pela maravilha, gritou para todos dizendo: “Esteja com todos, o meu Senhor”. E Cristo respondendo disse para Adão: “E com o teu espírito”. E, tomando-o pela mão, o levantou, dizendo: “Acorda, tu que dormes e ressurge dos mortos, e Cristo te iluminará”.

À noite, toda a comunidade se reúne para a grande Vigília Pascal. A liturgia da vigília pode ser dividida em quatro partes: Liturgia da luz; Liturgia da Palavra; Liturgia Batismal e Liturgia Eucarística.

A liturgia da luz começa, quando é possível, do lado de fora da Igreja: acende-se uma fogueira em torno da qual se reúnem os fieis. Diante dessa fogueira, abençoada pelo presidente da celebração, acende-se o círio pascal. O acender desta vela reflete um costume muito antigo de se acenderem muitas luzes (velas) nesta noite santa.

Continua...

 [1] Quanto a isto veja-se, por exemplo, a carta circular da Congregação para o Culto Divino “Paschalis Sollemnitatis” – A Preparação e Celebração das Festas Pascais, de 16 de janeiro de 1988.