sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

SEGUNDO DOMINGO DO ADVENTO – ANO C

SEGUNDO DOMINGO DO ADVENTO – ANO C
* Por Gabriel Frade
 
 “Povo de Sião, o Senhor vem para salvar as nações! E, na alegria do vosso coração, soará majestosa a sua voz”. (Antífona de entrada)
Leituras: Bar 5,1-9, Sl 125 (126), Fp 1,4-6.8-11, Lc 3,1-6
 Neste caminhar que a liturgia da Palavra nos convida a continuar, a primeira leitura da profecia de Baruc apresenta Jerusalém como uma viúva, que está em aflição e guarda luto pelo seu marido perdido. Bela metáfora para dizer que Israel havia se distanciado de Deus, havia se separado a causa de suas múltiplas infidelidades.
Apesar disso, Deus continua fiel: convida a viúva - isto é, Israel - a se alegrar consigo, porque Deus “lembrou-se de seus filhos” e os reconduz à sua mãe. Deus ao visitar o seu povo, na história do seu dia-a-dia, transforma a sua realidade oferecendo a plena misericórdia e a plena justiça.
De fato, a oração do dia evoca a misericórdia do Senhor, recordando que nosso Deus, não é apenas misericordioso, mas está “cheio de misericórdia”.
“Ó Deus todo-poderoso e cheio de misericórdia, nós vos pedimos que nenhuma atividade terrena nos impeça de correr ao encontro do vosso Filho, mas, instruídos pela vossa sabedoria, participemos da plenitude de sua vida”. (Oração do dia).
Os dicionários da língua portuguesa dão vários significados à palavra misericórdia: perdão, clemência, compaixão, indulgência... Releva-se muitas vezes o aspecto da gratuidade quando o sujeito que aplica a misericórdia é Deus. Em contrapartida, a palavra “misericórdia” quando vista no âmbito humano, evoca muitas vezes a destruição ou a morte, como, por exemplo, quando se diz “Dar um golpe de misericórdia...” em alguém, com o significado de, em alguns casos, provocar a rápida morte de determinado indivíduo.
Embora também sejamos capazes de atos, no sentido mais positivo do termo, de verdadeira misericórdia para com o próximo, percebemos que o exercício desta é algo que muitas vezes nos supera. Experimentamos por vezes algo grande. Uma paz interior e, muitas vezes, a alegria da reconciliação. Essa experiência talvez se dê em nós porque nos sintamos próximos à própria atitude de Deus para com a humanidade, prefigurada na história do povo da Bíblia. Com efeito, Cristo é aquele que nos conecta à experiência do Deus misericordioso, que olhou a pequenez da humanidade e veio em seu socorro: Ele que é o Emanuel, o Deus-conosco.
“Acolhei, ó Deus, com bondade nossas humildes preces e oferendas, e, como não podemos invocar os nossos méritos, venha em nosso socorro a vossa misericórdia” (Oração sobre as oferendas).
O evangelho de Lucas situa o advento de Jesus na história do dia-a-dia, citando personagens históricos: no centro da boa notícia cristã não está uma ficção, mas uma história bem concreta. Na origem da figura do precursor e de seu convite à conversão está a Palavra criadora de Deus. Palavra que comunica vida nova e esperança da “plenitude da vida divina” (cf. Oração do dia) e que temos o privilégio não só de ouvir, mas também de acolher em nosso íntimo através da comunhão ao corpo e ao sangue do Cristo Palavra encarnada.
“Alimentados pelo pão espiritual, nós vos suplicamos, ó Deus, que, pela participação nesta Eucaristia, nos ensineis a julgar com sabedoria os valores terrenos e colocar nossas esperanças nos bens eternos” (Oração depois da comunhão).
Neste tempo de Advento será que buscamos misericórdia.

 

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