segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

PRIMEIRO DOMINGO DO ADVENTO - ANO C


PRIMEIRO DOMINGO DO ADVENTO - ANO C
* Por Gabriel Frade

“A vós, meu Deus, elevo a minha alma. Confio em vós, que eu não seja envergonhado! Não se riam de mim meus inimigos, pois não será desiludido quem em vós espera”. (Antífona de entrada)

Leituras: Jr 33, 14-16; Salmo 24 (25), 1Ts 3, 12-4,2; Lc 21, 25.28.34-36

 A palavra “advento” significa espera. Era usada, por exemplo, para indicar a espera pela chegada de algum alto funcionário, representante de algum rei, em visita a uma cidade.

Nos tempos antigos, considerando as dificuldades dos caminhos por terra e pelo mar, era muito difícil precisar exatamente a chegada de algum visitante ilustre; eis porque a espera muitas vezes se fazia carregada de expectativa: a visita poderia ocorrer a qualquer momento dentro de um prazo razoavelmente fixado. Era preciso estar preparado para a iminência da chegada, a qual poderia ocorrer inesperadamente.

Neste domingo, com o início do tempo do advento, começa um novo ciclo litúrgico, mais precisamente o Ano C, onde a Igreja nos propõe a leitura semi-continuada de um dos evangelhos sinóticos, o evangelho de Lucas.

Com o primeiro domingo do advento, a Palavra de Deus nos coloca diante da realidade última de nossa vida. Nesse sentido é muito eloqüente a Oração do dia proposta pelo missal para a missa deste domingo: “Deus todo-poderoso, concedei a vossos fieis o ardente desejo de possuir o reino celeste, para que, acorrendo com as nossas boas obras ao encontro do Cristo que vem, sejamos reunidos à sua direita na comunidade dos justos”.

A realidade última, ou a promessa de vida mesmo depois da morte não é algo separado desta vida, como a própria oração da missa nos recorda: só entra na vida aquele que motivado pelo “desejo ardente” de estar em comunhão com Deus, começa desde já, ainda nesta vida, a ter uma atitude digna do nosso Deus, que ama sem medida. Assim como Deus nos ama, somos chamados a “amar desde agora o que é do céu e, caminhando entre as coisas que passam, abraçar as que não passam” (Oração depois da comunhão), pois deste modo entramos em comunhão com os irmãos e com Deus.

Na primeira leitura da profecia de Jeremias, Deus nos fala de uma promessa. Deus se compromete com seu povo oferecendo-lhe a salvação. Essa salvação brotará misteriosamente do próprio povo; é a menção à estirpe de Davi. Essa ideia do “broto’, nos traz à mente a imagem da árvore. No natal, são muitas as famílias e as comunidades que montam a sua árvore de natal.

Qual o sentido dessa árvore, desse sinal?

Historicamente, a árvore de natal entra nas tantas boas tradições eclesiásticas provavelmente através do ambiente do norte Europeu. Na Europa do norte, o frio intenso de dezembro mata praticamente quase todas as plantas. Sobrevivem normalmente apenas os pinheiros. Para muitos povos, o pinheiro era um símbolo de vida que se sobrepõe à morte. Era o símbolo do desejo humano de viver para além da morte.

Gosto de pensar que colocar a árvore de natal em nossos lares nos põe diante de nossa árvore genealógica, de nossa árvore da vida e de nossa ligação com toda a humanidade.

A Sagrada Escritura nos diz que é dessa árvore de toda humanidade que brotarão os elementos mais belos que normalmente muitas árvores produzem; quem não se lembra de uma famosa cantiga brasileira: “da vara nasceu a flor; da flor nasceu Maria e de Maria, nasceu o Salvador”.

Colocamos muitas vezes no alto de nossas árvores natalinas uma bela estrela. Muitos dizem que é uma alusão à estrela de Belém. Particularmente gosto de pensar que essa estrela – lembrando aqui da profecia de Balão no AT – é o Cristo Senhor. Ele é que é o melhor fruto que nossa humanidade poderia oferecer ao Pai: “Revestido da nossa fragilidade, ele veio a primeira vez para realizar seu eterno plano de amor e abrir-nos o caminho da salvação. Revestido de sua glória, ele virá uma segunda vez para conceder-nos em plenitude os bens prometidos que hoje, vigilantes esperamos” (Prefácio do Advento I).

De fato, essa esperança de uma salvação que se realizará mediante a intervenção de Deus em nossa humanidade está bem expressa também pelo salmo responsorial: “Vem, Senhor, nos salvar! Vem, sem demora, nos dar a Paz!”.

No Evangelho, a linguagem apocalíptica pode muitas vezes nos induzir à interpretações pouco ligadas à realidade. Não são poucos aqueles que em nossa sociedade tem mais fé num final catastrófico da humanidade do que em sua transformação final. A vinda do Senhor, como o versículo da aclamação ao evangelho nos recorda, está associada à sua grande compaixão. É preciso, porém, estar atentos aos sinais de sua visita: o Senhor pode nos visitar de muitas maneiras; pode nos visitar no pobre da rua; nos visitar no doente que reclama nossa visita; nos visitar no momento de nossa morte e, de modo particular hoje, ele no visita nesta celebração.

Sugestões:

Neste tempo de advento seria muito interessante se pudéssemos aproveitar os elementos que nos ajudam a intensificar nossa espera do Senhor que vem: a oração da Liturgia das Horas em comunidade, a oração pessoal mais intensa, a lectio divina, a novena de natal, a coroa do advento, a piedade mariana, a confecção do presépio e da árvore de natal em nossas casas, praticar mais fortemente a solidariedade com o próximo...

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