sexta-feira, 9 de novembro de 2012

32º DOMINGO DO TEMPO COMUM - ANO B - COMENTÁRIO DAS LEITURAS



32º DOMINGO DO TEMPO COMUM  -   ANO B
* Por Gabriel Frade

“O Senhor faz justiça aos que são oprimidos; ele dá alimento aos famintos” (cf. Salmo responsorial)

Leituras: 1 Re 17,10-16; Salmo 145 (146); Hb 9,24-28; Mc 12,38-44

Na primeira leitura proposta para este domingo nos deparamos com o profeta Elias a caminho de uma cidadezinha chamada Sarepta. É importante dizer que este povoado era uma cidade estrangeira onde provavelmente não havia a presença de judeus praticantes, mas sim de fenícios que professavam a religião de Baal.
Vale lembrar que alguns domingos antes, Elias havia sido descrito em franca rota de colisão com os profetas de Baal: no famoso episódio do monte Carmelo, fica patente que apenas o Deus de Israel é o Deus verdadeiro.
Pois bem, é justamente no contexto de uma grande seca que assola toda a região, que Elias vai visitar uma viúva com seu filhinho órfão. A situação é dramática: a viúva ia preparar o resto de farinha para si e para seu filhinho para depois esperar a morte.
Apesar dessa história ter ocorrido há tanto tempo ela é atualíssima: faz lembrar o nosso agreste sertão nordestino, onde milhares de pessoas sofrem hoje as penúrias de uma seca prolongada; faz lembrar também as inúmeras pessoas que passam fome em nossos grandes centros urbanos, sob os viadutos, nas favelas, talvez, quem sabe, ao lado de nossas casas...
Voltando ao texto, chama a atenção que Elias vá visitar justamente esta mulher estrangeira: uma não seguidora do “verdadeiro Deus” Israelita. É precisamente nessa situação que Deus, através de seu profeta, manifestará o seu amor e sua compaixão universais, preferencialmente pelos pobres oprimidos.
Esse episódio, interpretado à luz do Evangelho deveria colocar em xeque nossas atitudes religiosas: será que Deus quer apenas nossa participação ritual na celebração? Quem são os “doutores da Lei” do evangelho, hoje? Porventura não seremos nós mesmos com nossas atitudes “religiosas” separadas da vivência quotidiana? Estaremos nós servindo seriamente a Deus com nossa vida, ou estamos dando apenas o supérfluo para parecermos justos e bondosos diante dos homens?
Deus de poder e misericórdia, afastai de nós todo obstáculo para que, inteiramente disponíveis, nos dediquemos ao vosso serviço (Oração do dia).
Essas perguntas que a liturgia da Palavra nos coloca parecem ser extremamente atuais, principalmente quando vemos tantos comentários nas redes sociais virtuais, feitos por jovens católicos que, apesar da boa intenção, tomam atitudes, para dizer o mínimo, unilaterais: parece que o bem, a compaixão, a ternura existem apenas dentro das fronteiras da Igreja, ou ainda: o bom católico é aquele que – aparentemente – vai à missa e se confessa com freqüência... É verdade. Mas é igualmente verdade que Deus quer que nós superemos apenas o aspecto ritual da celebração e avancemos para “águas mais profundas”: necessariamente nossa celebração deve reverberar em nossa vida, assim como a vida de Cristo e seu sacrifício, nos são apresentados em termos cultuais na segunda leitura da missa tirada da carta aos Hebreus. Do contrário corremos o grande risco de reduzir a liturgia a mero formalismo. É preciso dar ao Senhor as “duas moedinhas” da totalidade de nossa vida na partilha generosa com os irmãos.

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