sexta-feira, 10 de agosto de 2012

19º DOMINGO DO TEMPO COMUM – Ano B - COMENTÁRIO DAS LEITURAS



19º DOMINGO DO TEMPO COMUM – Ano B

* Por Gabriel Frade
Leituras: 1 Re 19,4-8; Salmo 33 (34); Ef 4,30-5,2; Jo 6,41-51

“O pão que eu darei é a minha carne para a vida do mundo, diz o Senhor”. (Antífona da comunhão).

A primeira leitura do livro dos Reis mostra-nos a figura de um Elias cansado e acabrunhado. O profeta pouco antes, havia participado de um evento em defesa da fé de Israel. Como paga por seu comportamento intrépido, e fiel à aliança com Deus, o rei Acab e sua esposa haviam jurado matá-lo.

Para salvar sua vida Elias foge para longe. Eis a fonte do cansaço e do medo do Profeta no trecho narrado no dia de hoje. Parece que em sua cabeça ecoam as palavras do salmo 42: “Onde está o teu Deus?”. Essa condição de Elias pode ser uma imagem das situações quotidianas que nos oprimem: quem, ao final de um mês difícil, onde o dinheiro anda escasso e as contas não fecham; ou quem, diante dos problemas que a vida se encarrega de colocar diante de nós, não se sente combalido como o profeta?

A boa notícia é que Deus, mesmo nessas horas difíceis não abandona os seus filhos. “O Anjo do Senhor protege os que o temem e defende-os dos perigos. Provai e vede como é bom o Senhor: feliz o homem que nele se refugia!” (Salmo responsorial).

Elias toma o alimento dado por Deus e se revigora a ponto de caminhar durante 40 dias até o monte Horeb, sinal da aliança e da comunhão com Deus. Essa passagem guarda um paralelismo extraordinário com os 40 dias de Moisés no monte (cf. Ex 24, 18) e com a caminhada do Povo ao longo de 40 anos pelo deserto. Indica um tempo de intimidade com o Senhor e de aprofundamento da relação com o Deus dos vivos.

O tema do alimento dado por Deus é retomado pelo evangelho de João. Jesus se apresenta como “O Alimento” por excelência. Ele nos dá sua carne como forma profunda de comunhão com sua pessoa, nos torna seus irmãos e de conseqüência, nos torna também filhos de seu Pai: “Deus eterno e todo-poderoso, a quem ousamos chamar de Pai, dai-nos cada vez mais um coração de filhos, para alcançarmos um dia a herança que prometestes” (Oração do dia).

Ao entrarmos em comunhão com ele; ao nos tornarmos uma só carne com ele – “O corpo de Cristo”, nos diz o ministro; e respondemos “Amém” – podemos de fato experimentar o “sacramento de salvação” (cf. Oração sobre as oferendas). Porém, misteriosamente, podemos também nos fechar. Podemos “contristar o Espírito” (Segunda leitura) e, assim como a atitude de alguns judeus do evangelho, podemos não ir além da figura e ficar sem reconhecer a presença real do “pão da vida”.

“Ó Deus, o vosso sacramento que acabamos de receber nos traga a salvação e nos confirme na vossa verdade” (Oração depois da comunhão).


*Gabriel Frade é leigo, casado e pai de três filhos. Graduado em Filosofia e Teologia pela Universidade Gregoriana (Roma), possui Mestrado em Liturgia pela Pontifícia Faculdade de Teologia Nossa Senhora D’Assunção (São Paulo). Atualmente é professor de Liturgia e Sacramentos no Mosteiro de São Bento (São Paulo) e na UNISAL – Campus Pio XI. É tradutor e autor de livros e artigos na área litúrgica. Participa todas as sextas-feiras do Programa Nos Passos de Paulo



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