quinta-feira, 28 de junho de 2012

SOLENIDADE DE SÃO PEDRO E SÃO PAULO APÓSTOLOS – ANO B


SOLENIDADE DE SÃO PEDRO E SÃO PAULO APÓSTOLOS – ANO B
* Por Gabriel Frade



Leituras: At 12, 1-11; Sl 33 (34); 2 Tm 4, 6-8.17-18; Mt 16, 13-19

Segundo uma antiga tradição, São Pedro e São Paulo foram martirizados em Roma, durante a perseguição de Nero (mais ou menos no ano 64 d. C.). São Pedro teria sido crucificado de cabeça para baixo, próximo à atual basílica do Vaticano e São Paulo, teria sido decapitado junto à região da cidade romana, hoje denominada Tre Fontane (Três Fontes).
Embora não seja possível, de um ponto de vista histórico, demonstrar que São Pedro e São Paulo tenham sido martirizados no mesmo dia, desde o século III há notícias da celebração destes dois apóstolos no dia 29 de junho.
No Brasil, para facilitar a participação dos fieis, a solenidade é transferida para o domingo.
A liturgia da Palavra nos introduz no mistério da Igreja, pois ao celebrar a memória de S. Pedro e S. Paulo celebramos também a Igreja, ela que está edificada “sobre o fundamento dos Apóstolos” (Cf. Ef 2, 19): “Eis os santos que, vivendo neste mundo, plantaram a Igreja, regando-a com seu sangue. [...]” (Antífona da entrada).
A primeira leitura de Atos dos Apóstolos nos mostra a Igreja mãe de Jerusalém sendo perseguida. O Apóstolo Pedro é jogado numa prisão, por ocasião da época da Páscoa. Desse calabouço, humanamente impossível de se escapar, Pedro é tirado por meio de um anjo enviado pelo Senhor. Essa passagem guarda certo paralelismo com o mistério da morte e ressurreição do Senhor: Jesus colocado dentro de um sepulcro bem fechado - da morte não há escapatória – Jesus aí permanece na escuridão e no silêncio; mas, contra toda expectativa humana, Jesus sai vitorioso da “prisão” da morte.
Ser cristão é seguir os passos da vida de Jesus; passos que nos foram transmitidos pelo ensinamento daqueles que foram testemunhas oculares da história: os Apóstolos.
“Ó Deus, que hoje nos concedeis a alegria de festejar São Pedro e São Paulo, concedei à vossa Igreja seguir em tudo os ensinamentos destes Apóstolos que nos deram as primícias da fé”. (Oração do dia).
Diante desta primeira leitura, seria bom nos perguntarmos: “Em qual prisão inexpugnável encontro-me hoje?”. Se nos colocarmos com fé diante do Senhor, talvez possamos unir nossa voz e cantar com o salmista a libertação que Deus nos dá gratuitamente de todos os nossos temores (cf. salmo responsorial).
São Paulo, na segunda leitura, ao falar à Timóteo, parece ter a clara percepção de que seguir os passos de Jesus Cristo significará lidar com a possibilidade do derramamento de seu sangue, como de fato iria ocorrer mais tarde em Roma. De onde Paulo poderia tirar a força para anunciar Jesus até o sangue? Paulo tinha plena convicção que a ressurreição de Jesus não era um fato que dizia respeito apenas ao Cristo, mas sim a todo aquele que crê em Jesus.
O Evangelho de Mateus, ao nos narrar a profissão de fé de Pedro, mostra que a linfa vital do Ressuscitado continua presente em sua Igreja, o novo Israel: “Pedro, o primeiro a proclamar a fé, fundou a Igreja primitiva sobre a herança de Israel. Paulo, mestre e doutor das nações, anunciou-lhes o Evangelho da Salvação. Por diferentes meios os dois congregaram a única família de Cristo e, unidos pela coroa do martírio, recebem hoje, por toda a terra, igual veneração”. (Prefácio: a dupla missão de Pedro e Paulo na Igreja).


*Gabriel Frade é leigo, casado e pai de três filhos. Graduado em Filosofia e Teologia pela Universidade Gregoriana (Roma), possui Mestrado em Liturgia pela Pontifícia Faculdade de Teologia Nossa Senhora D’Assunção (São Paulo). Atualmente é professor de Liturgia e Sacramentos no Mosteiro de São Bento (São Paulo) e na UNISAL – Campus Pio XI. É tradutor e autor de livros e artigos na área litúrgica. Participa todas as sextas-feiras do Programa Nos Passos de Paulo.






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