sexta-feira, 1 de junho de 2012

SANTÍSSIMA TRINDADE - ANO B


DOMINGO DEPOIS DE PENTECOSTES: SANTÍSSIMA TRINDADE - ANO B

*Gabriel Frade
Leituras: Dt 4, 32-34.39-40; Sl 32 (33); Rm 8, 14-17; Mt 28, 16-20


“Bendito seja Deus Pai, bendito o Filho unigênito e bendito o Espírito Santo. Deus foi misericordioso para conosco”. (Antífona de entrada – Missal Romano).

A liturgia do domingo subsequente à Solenidade de Pentecostes nos apresenta o nosso Deus Trindade. Mais do que fazer raciocínios que queiram explicar a grandeza desse mistério, a liturgia nos coloca diante de um Deus que é relação; um único Deus que é comunidade de amor. A primeira leitura apresenta-nos essa perspectiva.
No discurso de Moisés fica patente esse carinho e amor de Deus para com o povo de Israel, que é imagem de nossa realidade concreta. Deus, o Pai, é o criador. Deus cria o homem à sua imagem e semelhança, isto é, à imagem da Trindade santa. De fato, é de nossa natureza buscar a comunicação, viver em comunidade.
Na patrística, nos escritos daqueles que são os santos padres, isto é, aquela primeira geração de cristãos que se pôs a pensar a fé vivida e a organizá-la em torno de um discurso também com caráter racional, encontramos algumas imagens muito belas. Deus, por exemplo, ao criar o homem do barro, é visto tal qual um oleiro que modela o barro para fazer algum utensílio. Ao plasmar o barro o Pai “usa” os braços do Filho. A água que misturada à argila, terra seca, torna o barro dúctil, obediente às suas mãos hábeis. Essa água é figura do Espírito Santo. Com efeito, já no domingo anterior cantávamos ao Espírito a belíssima composição do século XIII, a Sequência de Pentecostes: “a aridez regai; abrandai durezas...”.
Essa imagem da Trindade criadora, de certo modo, está contida no salmo responsorial: “A palavra do Senhor criou os céus, o sopro da sua boca os adornou”.
Deus, o Pai, por meio do Filho, no Espírito comunica seu amor e sua vontade salvífica à humanidade inteira: “Ó Deus, nosso Pai, enviando ao mundo a Palavra da verdade e o Espírito santificador, revelastes o vosso inefável mistério...” (Oração do dia).
Esse homem e mulher criados à imagem e semelhança do criador, e que se encontrarão depois feridos pelo pecado, vivem agora em busca do sentido mais profundo de sua existência; vivem em constante “saudade” na busca desse amor. Nossa sociedade, principalmente os mais jovens, ao procurar no consumo desenfreado dos bens materiais, ao buscar na sexualidade desenfreada, nas drogas, nas festas com músicas às vezes “infernais”, encontra-se na situação de “mendicância”: quer desesperadamente encontrar o sentido; por isso, vale tudo: o “carpe diem”, isto é, o “aproveitar o agora” custe o que custar, pois essa parece ser a única resposta.
Infelizmente, nessa busca no plano material o que há é uma espécie de buraco negro: por mais que se procure, o coração do homem e da mulher continua irrequieto... nenhum bem desta terra pode de fato saciá-lo.
A resposta a esse vazio do coração do homem está no deixar-se abrir para o sopro do “Espírito de Deus”, sopro que nos coloca em contato com esse amor primordial e sempre presente em Deus, o Pai para conosco.
De fato, como dirá São Paulo, assim nos tornamos “filhos de Deus”. Essa possibilidade real e muito concreta nos foi dada pelo Filho de Deus; de modo que nossa realização plena se dará na medida em que nos abrimos e reconhecemos a gratuidade de Deus, que em seu Filho Jesus nos deu acesso livre ao seu amor.
No amor de Pai atencioso para com seus filhos, por meio do Filho, no Espírito podemos, apesar de nossas debilidades humanas, encontrar a plenitude: “Porque sois filhos, Deus enviou aos vossos corações o Espírito do seu Filho, que clama: Abba Pai!” (Antífona da comunhão).


*Gabriel Frade é leigo, casado e pai de três filhos. Graduado em Filosofia e Teologia pela Universidade Gregoriana (Roma), possui Mestrado em Liturgia pela Pontifícia Faculdade de Teologia Nossa Senhora D’Assunção (São Paulo). Atualmente é professor de Liturgia e Sacramentos no Mosteiro de São Bento (São Paulo) e na UNISAL – Campus Pio XI. É tradutor e autor de livros e artigos na área litúrgica. Participa todas as sextas-feiras do Programa Nos Passos de Paulo.


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