sexta-feira, 13 de abril de 2012

2º DOMINGO DA PÁSCOA - COMENTÁRIO DAS LEITURAS


II DOMINGO DA PÁSCOA – ANO B

* Por Gabriel Frade
 Domingo in albis;
Domingo da divina misericórdia
Leituras: At 4, 32-35; Sl 117; 1 Jo 5, 1-6; Jô 20, 19-31.

Este segundo domingo do tempo da páscoa traz consigo a reverberação da alegria pascal celebrada na grande Vigília e nos dias sucessivos que compõem a oitava de Páscoa. De fato, a primeira leitura, tirada do livro dos Atos dos Apóstolos, nos apresenta o desdobramento da ressurreição do Senhor, já que os Apóstolos, perante a comunidade e a sociedade do seu tempo “com grandes sinais de poder, davam testemunho da ressurreição do Senhor Jesus”.
Presente nesta leitura está uma imagem que quer descrever de maneira idealizada a comunidade cristã: “a multidão era um só coração e uma só alma”. Parece que, na verdade, o autor quer sublinhar o espírito que anima a comunidade cristã primitiva: o amor.


Amor que não deve ser apenas um sentimento, mas que deve ser verificado nos fatos: “Entre eles ninguém passava necessidade”. A partilha, a comunhão ao corpo do Cristo ressuscitado, deve levar necessariamente à comunhão com os irmãos.


Esta comunhão não deve ser entendida como mero esforço humano, mas principalmente como gratuidade que deve brotar do dom pascal do Espírito, isto é, da misericórdia infinita de Deus por nós que se revela plenamente no Ressuscitado.


Dai graças ao Senhor, porque ele é bom; eterna é a sua misericórdia! (salmo responsorial).


Esta tônica de gratuidade também está presente na segunda leitura: “Pois isto é amar a Deus: observar os seus mandamentos. E os seus mandamentos não são pesados, pois todo o que nasceu de Deus vence o mundo...”.


Estas palavras tinham um sentido ainda mais profundo para os neófitos, quando, neste domingo, na Igreja antiga, ocorria a deposição das vestes brancas que os neo-batizados haviam recebido na semana anterior, por ocasião de seu batismo na grande Vigília pascal.


Durante toda a semana que seguia à Vigília pascal, os recém batizados iam à Igreja vestidos de branco para celebrar e receber as catequeses pós-batismais. Ao final do processo, no domingo seguinte, eles retiravam as vestes brancas e assumiam seu lugar na comunidade dos fiéis. Por isto, este domingo recebia o nome de Domingo in albis (depositis), isto é, Domingo onde se depunham as vestes brancas. O Evangelho de João chama a atenção para os “oitos dias” após a ressurreição do Senhor.


No domingo, o Senhor aparece à comunidade dos discípulos, descrita como entregue ao medo, fechada num local isolado: é imagem de todo aquele que se deixa levar pelos funestos acontecimentos da vida; que vive acabrunhado pelas vicissitudes, pelo sofrimento, pela solidão...


Diante dessa situação, o ressuscitado atravessa toda barreira: entra na sala e deseja a paz!


Imediatamente, o contato com a misericórdia do Senhor provoca a alegria nos discípulos. Do mesmo modo, Jesus se dirige de maneira muito particular a cada um de nós, nos convidando a entrar na mesma alegria festiva dos discípulos.


“Bem aventurados os que creram sem terem visto!”.
O Papa João Paulo II também dedicou este domingo à Divina Misericórdia. Esta devoção ligada à freira polonesa Santa Faustina Kowalska nos coloca diante da bondade do Pai que quer salvar toda a humanidade.


Nesse sentido reproduzimos abaixo um texto de “Mamma” Carmela Carabelli, uma mulher italiana, leiga, discípula de Padre Pio da Pietralcina e que encantou muitas pessoas com seus escritos místicos sobre a Divina Misericórdia.

10 de abril de 1968


“Como a mais atenciosa dentre as mães, diante da própria criança doente, que se reclina e se desdobra em mil maneiras para ajudá-la, assim também Deus, pleno de piedade e amor, se sente atraído pelo homem, criado à sua imagem e semelhança: uma imensa compaixão. Você poderá ver claramente, ainda que de modo infinitamente inadequado, porque humano, a misericórdia de Deus [...] nas parábolas do Bom Samaritano, do Filho Pródigo e do Bom Pastor. A partir delas você poderá compreender algo do imenso amor que Deus traz pelos homens, por mais malvados que sejam e como ele vai em busca deles com um carinho que não tem comparação na terra.
Deus tudo perdoa, tudo suporta, tudo repara. Ele nos pede apenas, depois de termos errado (e quem não erra?) de nos voltarmos para ele com arrependimento, pedindo-lhe o seu perdão.
Não existe pecado, por quão grande este seja, que ele não possa ou não queira perdoar”.


Do texto “A Palavra e as promessas de Jesus misericordioso a Mamma Carmela, apóstola da Divina Misericórdia”.
Disponível em http://www.preghiereagesuemaria.it/devozioni/promesse%20di%20gesu%20misericordioso.htm.





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