sexta-feira, 30 de março de 2012

DOMINGO DE RAMOS - COMENTÁRIO DAS LEITURAS


Domingo de Ramos - Ano B
Leituras da missa: Is 50,4-7, Salmo 21 (22), Fil 2,6-11, Mc 14,1 - 15,47


*Por Gabriel Frade


Neste domingo, dia do Senhor, a Igreja ainda no tempo da quaresma nos coloca diante da preparação imediata ao Mistério Pascal. Ao celebrarmos o domingo de ramos na Paixão do Senhor, somos imersos mais profundamente no mistério do sofrimento do Cristo e se inaugura assim a semana santa.
A procissão com os ramos se refaz ao episódio da entrada triunfal de Jesus em Jerusalém (cf. Mc 11). Jesus ao montar sobre um jumentinho cumpre as profecias apresentando-se como o Messias justo e bondoso, que quer proclamar a paz ao seu povo (cf. Zc 9, 9).
As primeiras notícias acerca de uma celebração litúrgica com a procissão de ramos de palmeiras e oliveiras são encontradas no relato venerável da peregrina Etéria: trata-se de um diário de viagem que uma mulher, talvez uma monja, escrevera no IV século.
Nesse escrito, ela descreve a liturgia celebrada na cidade de Jerusalém dando grande ênfase na participação de toda a comunidade cristã nas celebrações que ocorriam nos lugares históricos, palco dos acontecimentos relativos à pessoa de Jesus.
A multidão em atitude festiva e de reconhecimento ao Cristo como Rei e Messias pedia com fortes brados a salvação: “Hosana!” (cf. Jo 12, 13). Salvação que iria se realizar dali a alguns dias, mas de modo totalmente imprevisto pelas massas: Jesus é o “Rei dos Judeus”; é o título que fora pendurado sobre sua cruz (Evangelho, v. 26).
As massas que antes o haviam aclamado, agora provavelmente se voltam contra Jesus em atitude de desprezo: “todos os que me vem, escarnecem de mim...” (salmo responsorial)
Sem que soubessem, cumpria-se a Escritura.
Nesse sentido, a primeira leitura e o salmo nos apresentam a profecia: o servo misterioso em Isaías, que tem “sua barba arrancada”, que não desvia o “rosto dos insultos e das cusparadas” (primeira leitura) é Jesus. O canto que brota de nossa Assembléia reunida na liturgia é o canto do próprio Jesus na cruz ao Pai: apesar do sofrimento atroz, dos açoites, da perfuração das mãos e dos pés, a confiança em Deus permanece firme; “Mas vós, Senhor, não vos afasteis de mim, sois a minha força, apressai-vos a socorrer-me” (salmo responsorial).
E Deus permaneceu fiel: “Por isso Deus o exaltou e lhe deu um nome que está acima de todos os nomes, para que ao nome de Jesus todos se ajoelhem no céu, na terra e nos abismos, e toda a língua proclame que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai” (segunda leitura).
Em Cristo, de fato, se realiza a salvação da humanidade. Nele, o mistério da vida humana encontra sentido pleno.
Nele, “morte e vida se encontram num único mistério”; e a vida, contra toda a expectativa humana, leva a melhor.
Celebrar a Paixão do Senhor neste domingo é colocarmo-nos diante do amor do Pai para com a humanidade.
Amor que quer nos convidar a entrar na vida plena, na comunhão com ele, através da “loucura da cruz”.

“Que a cruz não seja para ti fonte de alegria somente no tempo da tranqüilidade,
mas tem confiança de que ela seja igualmente tal também no tempo da perseguição.
Que não ocorra a ti de seres amigo de Jesus
somente no tempo da paz e depois inimigo no tempo da guerra”.
São Cirilo de Jerusalém.

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