sexta-feira, 2 de março de 2012

COMENTÁRIO DAS LEITURAS


II DOMINGO DA QUARESMA – ANO B

Leituras: Gn 22,1-2.9a.10-13.15-18; Salmo 115 (116); Rm 8,31b-34; Mc 9,2-10
*Por Gabriel Frade


“Este é o meu Filho muito amado: escutai-o!”
O itinerário do caminho quaresmal está marcado por celebrações fortes e de grande significado: Deus declara seu amor incondicional pela humanidade e aguarda ardentemente a resposta do homem, a sua conversão.
A comovente imagem de Abraão posto à prova ao conduzir seu filho único para o sacrifício é figura da realidade pascal mais profunda do Cristo Senhor, o “Filho entregue à morte por todos nós” (2ª leitura).
Num antigo documento judaico de tradução/explicação dessa passagem de gênesis para a língua aramaica (targum neofiti), Isaac é apresentado de forma mais ativa: ele é um jovem que carrega a lenha às costas para o holocausto e sabe que será sacrificado.
Momento de grande densidade emotiva desse relato é quando Isaac pede ao seu pai Abraão que o amarre para que, num momento de medo ao se debater, ele por acaso não venha a invalidar o sacrifício.
Semelhanças notáveis entre o sacrifício de Isaac e o de Cristo, o Filho muito amado.
Aliás, o texto de gênesis em alguns versículos antes, e que infelizmente não entraram na primeira leitura deste domingo, traz a informação interessante que Abraão teria dito aos seus servos: “iremos até ali, e tendo adorado, voltaremos” (Gn 22, 4-5). Esse “voltaremos” foi percebido pelos Padres da Igreja como pré-figuração do retorno da morte de Jesus à vida, afinal, pensavam os santos Padres, como era possível Abraão dizer que “voltariam” se ele sabia que o filho iria morrer no sacrifício.
A única explicação possível, pensavam esses autores veneráveis, é que Abraão tinha a certeza da fé: Deus não iria deixá-lo sem o seu filho Isaac, o seu único; que de alguma forma Deus teria poder para restaurar seu filho à vida. “Caminharei na terra dos vivos na presença do Senhor” (Salmo responsorial).
Viver sacramentalmente a quaresma é viver a esperança que Deus continua tendo poder para nos retirar do pecado, da morte. É fazer a experiência que nossa carne humilhada pela escravidão do pecado, desfigurada como o Senhor desfigurado na cruz, foi transfigurada na carne do Senhor, e que será revestida de eternidade e plenitude.
Gostaríamos de aproveitar desta ocasião para lembrar nosso irmão, o pastor luterano e professor Milton Schwantes, biblista de renome internacional, autor de inúmeras obras e que realizou sua páscoa no dia 01 de março. Que o Deus da vida o possa acolher no banquete eterno, ele que sempre ensinou a dividir o pão da Palavra.

 *Gabriel Frade é leigo, casado e pai de três filhos. Graduado em Filosofia e Teologia pela Universidade Gregoriana (Roma), possui Mestrado em Liturgia pela Pontifícia Faculdade de Teologia Nossa Senhora D’Assunção (São Paulo). Atualmente é professor de Liturgia e Sacramentos no Mosteiro de São Bento (São Paulo) e na UNISAL – Campus Pio XI. É tradutor e autor de livros e artigos na área litúrgica.

Um comentário:

  1. APÓS A lEITURA ORANTE SEMPRE LEMOS OS COMENTÁRIOS DO GABRIEL FRADE.UMA BENÇÃO PODERMOS CONTEMPLAR PELA INTERNET E INICIARMOS O DIA EM ORAÇÃO ANTES DE LERMOS AS NOTÍCIAS E OS E.MAILS...PRIMEIRO A REFLEXÃO...AO SOM DA RÁDIO WEB.
    GRAÇA E PAZ!
    BRAULIO E SIMONE.

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