quarta-feira, 20 de abril de 2011

PAIXÃO DE JESUS E PAIXÃO DE PAULO


(Rupnik)
Jesus – Após a intensa vida missionária, dirigindo-se a Jerusalém para a festa da Páscoa, diz aos discípulos: “O Filho do homem sobe a Jerusalém e lá será preso, condenado e morto”. (cf. Lc 18,31-32).
Paulo – Após longas viagens missionárias, dirigindo-se a Jerusalém para a festa de Pentecostes, ao ser advertido que não vá, responde: “Estou pronto não a só a ser preso em Jerusalém, mas também a ser morto” (cf. At, 21,13).


Jesus – É preso e passa a noite no alojamento dos soldados, onde é agredido, em casa do Sumo Sacerdote judeu (cf.Lc 22, 54).
Paulo – É agredido pelos judeus e preso pelos soldados romanos. Passa a noite na fortaleza romana. Não é agredido, por ser cidadão romano (cf.At 21, 35).


Jesus – Pela manhã é acusado diante do Sinédrio (cf. Lc 22, 66).
Paulo – Pela manhã é acusado diante do Sinédrio (cf. At 22.30).


Jesus – O Sumo Sacerdote ordena que lhe batam na boca (cf. Jo 18,22).
Paulo – O Sumo Sacerdote ordena que lhe batam na boca (cf. At 23,3).

Jesus – É levado preso ao procurador romano (cf. Lc 23, 1ss).
Paulo – É levado preso ao procurador romano (cf. At 23,31).


Jesus – É acusado diante do procurador Pilatos: “Ele subleva todo o povo da Galiléia até a Judéia”. Não pode continuar vivo”. (cf. Lc 23, 5).
Paulo – É acusado diante do procurador Félix: “Ele subleva o povo por todo o império. Não pode continuar vivo” (cf. At 24,5).


Jesus – Pilatos, depois de o interrogar, declara: “Ele nada fez que mereça a morte. Vou liberta-lo”. (cf. Lc 23,13).
Paulo – Festo o interroga e declara: “Ele nada fez que mereça a morte. Eu poderia libertá-lo se não tivesse apelado para Roma” (cf. At 26,31).


Jesus – Não é apenas flagelado, como era intenção de Pilatos, pois, sem direito de cidadania, é crucificado (cf. Lc 23,22-25).
Paulo – Não é flagelado, como era a intenção do centurião romano, pois apela para o direito de cidadania (At 22,24-25).


Jesus – Os judeus gritam para Pilatos: “Ele merece a morte. Crucifica-o”. (cf. Lc 23,21).
Paulo - Os judeus gritam para o centurião romano: “Ele não é digno de viver! Mata-o, mata-o” (cf. At 21,36).


Jesus – Foi crucificado, pois não tinha proteção legal diante dos romanos (cf. Lc 23,24-25).
Paulo – Foi protegido pelas autoridades romanas (cf. At 26,31).

O relato dos Atos dos Apóstolos é encerrado com Paulo realizando em Roma a missão de Jesus: pregando o Reino de Deus a todos (cf. At 30,31 ; Lc 4,18-19). Deste modo, Lucas vincula a figura de Paulo da fé ao Cristo ressuscitado, presente e vivo entre os gentios.

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