quarta-feira, 27 de abril de 2011

A memória de Paulo reavivou as comunidades

Paulo - Marko Ivan Rupnik


Estamos na Oitava da Páscoa. O mistério Pascal da morte e ressurreição do Senhor foi a idéia força do anúncio paulino. O Apóstolo proclamou a morte e ressurreição do Senhor para nossa salvação. É o que ele chamava de “meu Evangelho”, a boa-notícia que ele queria comunicar ao mundo inteiro.

No programa da Semana Santa, vimos que o autor dos Atos dos Apóstolos fez paralelos perfeitos entre a paixão de Jesus e a de Paulo. Isso se pode dizer também com referência à ressurreição. Apesar de não existir textos que nos permitam afirmar isso, refletindo sobre os eventos pós-pascais, veremos a sintonia entre Jesus e Paulo. O que se lê nos Evangelhos? Como vemos os discípulos depois da morte de Jesus?
Temerosos e frustrados. Eles pensavam que Jesus fosse salvar Israel dos romanos, mas os próprios romanos o crucificaram. E quando descobriram que ele havia ressuscitado, reavivaram a fé, perderam o medo. Algo semelhante se repetiu anos depois com as comunidades cristãs do primeiro século após do martírio do Apóstolo Paulo.

Paulo morreu, provavelmente no ano 67. Três anos depois os romanos fizeram aquilo que os judeus mais temiam: destruíram Jerusalém e o templo. Uma grande dor e decepção oprimiram judeus e cristãos de todo o Império.
Todas as comunidades cristãs eram vistas pelo poder de Roma como um movimento interno do judaísmo. Só a ousadia de permitir que escravos se sentassem à mesma mesa ao lado dos livres já era motivo para deixar o império em alerta.

Todos então, judeus e cristãos, acharam mais seguro ficar quietos em seu canto, diminuir o ardor do anúncio do Evangelho e reforçar a prática da Lei judaica, na tentativa de desfazer a idéia de serem perigosos no Império. Mas pelo que parece, o sacrifício não deu resultado. Jerusalém foi destruída do mesmo jeito.
Pode-se, então, comparar a desilusão dos cristãos com a dos discípulos depois da morte de Jesus. Mas, o que foi que ocorreu depois que o primeiro grupo fez a experiência de que Jesus estava vivo e recebeu a força de seu espírito? Criaram coragem para testemunhar a ressurreição e anunciar o Evangleho.

Algo parecido houve nas comunidades paulinas por volta dos anos 80 a 90 do primeiro século. Alguém se lembrou da coragem e fé do missionário Paulo, que nunca temeu pressões nem ameaças e anunciou o Evangelho aos povos até o martírio.
Talvez sacudiram o pó dos rolos das cartas e fizeram cópias para outras comunidades. Começaram a resgatar a memória da vida de Paulo, a redescobrir e valorizar os ensinamentos dele.

Foi a Páscoa de Paulo, podemos dizer: a memória de sua vida e ensinamentos re-impulsionou a Igreja, como o Cristo ressuscitado havia impulsionado os discípulos em Jerusalém.O mais importante teólogo da Igreja antiga a reconhecer Paulo como legítimo apóstolo ao lado de Pedro, foi Santo Irineu de Lion, que viveu no fim do segundo século. Vemos que passaram quase 150 anos depois do martírio de Paulo.

O apóstolo Paulo acompanha a Igreja na contínua novidade de Deus. Continuaremos a seguir seus passos na missão, no programado dia 10 de Maio.


Ir. Maria Inês Carniato, fsp

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