sábado, 27 de agosto de 2011

Seguidores dos Passos de Paulo...

SANTO AGOSTINHO...
... E O APÓSTOLO DOS GENTIOS
Muita coisa une o Bispo de Hipona ao Apóstolo dos gentios. Embora Santo Agostinho não tenha escrito nada diretamente ligado à pessoa do Apóstolo, se dedicou piamente sobre suas cartas. Depois dos Santos Evangelhos é o que mais inspira os escritos agostinianos. A maior dedicação de Agostinho sobre as obras do corpus paulinum seguem o modelo da literatura clássica grega, os comentários (explicações sistemáticas). Sua pretensão era trazer à luz o autêntico pensamento do Apóstolo, sobretudo para uma melhor e maior compreensão dos escritos.
“A necessidade de uma justa interpretação das epístolas paulinas explica-se, ainda que não exclusivamente, pelas controvérsias doutrinais ocorridas entre 350 e 450 (o auge do trabalho intelectual e eclesial de Agostinho, é entre 388 e 420) sobre a pessoa e a natureza de Cristo, o significado da salvação e a condição humana; além disso, as cartas paulinas eram comuns ao variado universo de interlocutores nestas mesmas controvérsias, isto é, a ortodoxos e a heterodoxos. Mas também havia o interesse por Paulo sob um prisma espiritual, moral e ascético: o Apóstolo tornara-se modelo de conversão. Esses motivos não se excluem. Podem até mesmo confluir. Fato é que Agostinho insere-se entre os comentadores do corpus paulinum bastante alerta quanto às controvérsias mencionadas”. (COLEÇÃO, p. 11-12)
Embora não pareça ter como objetivo primeiro, em seus escritos, estas controvérsias. Fruto da leitura amadurecida dos escritos do Apóstolo, toda teologia agostiniana, sobretudo com relação à lei e à graça, é marcadamente paulina.
Além de todo o contato intelectual-eclesial com as epístolas de Paulo, dois fatos profundamente singulares aproximam ainda mais suas figuras. O primeiro é que durante sua ávida busca pela verdade, já num segundo contato com Escritura, Agostinho enxerga como benéfica a leitura de são Paulo:
“Lancei-me avidamente à venerável Escritura inspirada por ti, especialmente à do apóstolo Paulo. Desvaneceram-se em mim as dificuldades, segundo as quais me parecia, algumas vezes, haver contradição na Bíblia e incongruência entre o texto dos discursos dele e os testemunhos da Lei e dos Profetas. Compreendi o aspecto único de sua fisionomia e aprendi a exultar com tremor.” (CONFISSÕES, VII, 21).
Além deste, outro momento chave é a cena de sua conversão. Santo Agostinho decide-se radicalmente pelo cristianismo quando tem contato com um trecho da carta aos Romanos (cf. Rm 13, 13):
“... Deixei-me, não sei como, cair debaixo de uma figueira e dei livre curso às lágrimas que jorravam de meus olhos aos borbotões, como sacrifício agradável a ti. E muitas coisas eu te disse (...) ‘Por quanto tempo direi ainda amanhã, amanhã? Por que não agora? (...) Eis que de repente, ouço uma voz vinda da casa vizinha. (...) ‘Toma e lê, toma e lê’ (...) Peguei-o (o livro do Apóstolo. grifo nosso), abri-o e li em silêncio o primeiro capítulo sobre o qual caiu o meu olhar: ‘Não em orgias e bebedeiras, nem em devassidão e libertinagem, nem em rixas e ciúmes. Mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo e não procureis satisfazer os desejos da carne’. (...) Mal terminara de ler dissiparam-se em mim as trevas da dúvida...”. (CONFISSÕES, VIII, 12).
Foi um escrito de São Paulo que encorajou o Hiponense a ser radicalmente cristão.

Frei Felipe da Cruz, OSA.
Novembro 2010.


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