quarta-feira, 16 de abril de 2014

SÁBADO DE ALELUIA?
História de um nome equivocado


Semana santa. No sábado próximo, preste atenção no noticiário veiculado pela grande mídia. Com certeza você vai ouvir notícias relativas ao “sábado de aleluia” (sic), dentre as quais se destacam as brincadeiras populares dos “Judas” enforcados... “Sábado de aleluia” é o nome que costumam dar este dia. No entanto, em nenhum documento oficial da Igreja católica existe a expressão “sábado de aleluia”. Daí vem a pergunta: Por que ainda se insiste no uso de tal expressão? De onde vem “sábado de aleluia”?

Os cristãos, desde suas mais remontas origens, celebram a Páscoa (paixão, morte e ressurreição de Jesus) uma vez por semana. O domingo é o dia semanal da Páscoa dos cristãos. 

A partir do século II, as Igrejas cristãs passaram a celebrar a Páscoa também uma vez por ano, então com um destaque todo especial, a saber, mediante um tríduo sagrado, isto é, em três dias sucessivos: 

No 1o dia (sexta-feira, cujo início já se dá a partir do anoitecer da quinta-feira), celebram todo o sofrimento do Senhor e sua morte na cruz. 

No 2o dia (sábado, cujo início já se dá a partir ao anoitecer da sexta-feira), celebram o mistério do corpo do Senhor na sepultura, sua presença na região dos mortos.

No 3o dia (domingo, cujo início já se dá ao anoitecer de sábado), celebram a ressurreição do Senhor dentre os mortos, mediante uma solene vigília pascal.

O sábado, portanto, segundo dia do tríduo pascal – que a Igreja chama de “sábado santo” –, celebra o repouso de Jesus no sepulcro, bem como sua descida ao mundo da morte, onde ele anuncia a libertação dos grilhões da morte a todos que esperavam pelo momento em que as portas do céu deviam se abrir, como ensina o apóstolo Pedro (1Pd 3,19-20; 4,6). É um dia de silêncio, de continuação do jejum, de recolhimento na paz e na espera. Sem festa, portanto. Sem “aleluia”! Mas, então, por que chamam esse dia de “sábado de aleluia”?

É que lá pelo século VII, anteciparam a celebração da Vigília pascal da noite do sábado (já início do domingo, portanto!) para às 14h00 do sábado (sábado mesmo!). 

Posteriormente, a partir do século XVI, vemos a Vigília antecipada para mais cedo ainda, para as 9h00 da manhã do sábado. E veja que coisa estranha! Em plena manhã de sol, em pleno dia, o diácono cantava diante do círio pascal as “maravilhas desta noite santa” (às 9h00 da manhã!)! E em seguida, antes da proclamação do Evangelho, irrompia o solene canto pascal de “aleluia”. Daí que, equivocadamente, a linguagem popular passou a chamar esse dia (sábado santo) de “sábado de aleluia”. Por causa do canto de aleluia da “Vigília” antecipado para manhã do sábado, deturpando assim o mais original e tradicional sentido deste santo dia.

Essa prática vigorou até 1955, quando o papa Pio XII reformou o tríduo pascal e, posteriormente, a reforma do Concílio Vaticano II o confirmou, ou seja: Resgatou-se a Vigília pascal para o sábado santo à noite (=início do domingo), como era o costume dos primeiros séculos. E o sábado todo (da noite de sexta até à noite do dia seguinte) volta a ser considerado como dia da sepultura, dia do silêncio, dia de recolhimento, dia de luto, dia vazio, sem nenhuma celebração litúrgica (com exceção da Oração matutina da Liturgia das Horas) e sem “aleluia”. 

Agora, veja que coisa interessante! O sentido original do sábado santo foi oficialmente resgatado, mas o equivocado nome de “sábado de aleluia” continua ainda agarrado no inconsciente coletivo ocidental e verbalizado, sobretudo, por ocasião da semana santa. Até quando?... 

Bibliografia
ALIAGA, E. O segundo dia do tríduo pascal: o sábado santo. In: BOROBIO D. A celebração na Igreja 3: Ritmos e tempos da celebração. São Paulo: Loyola, p. 110-112.
BERGAMINI, A. Tríduo pascal [V. Sábado santo, segundo dia do tríduo]. In: SARTORE, D. & TRIACCA, A. M. Dicionário de Liturgia. São Paulo: Paulinas, p. 1200.
JOUNEL, P. O sábado santo. In: MARTIMORT, A. G. A Igreja em oração. Introdução à Liturgia IV: A Liturgia e o Tempo. Petrópolis: Vozes, 1992, p. 59-60.
NOCENT, A. O Sábado Santo. In: VV.AA. O ano litúrgico. História. Teologia. Celebração.São Paulo: Paulinas, 1991, p. 108. (Anámnesis 5).


Frei José Ariovaldo da Silva, ofm
Teólogo liturgista
12.04.2014

VIA-SACRA DA CF 2014
“É para a liberdade que Cristo nos libertou” (Gl 5,1)



Dirigente: 
Celebrar  a Via-Sacra é seguir os passos de Jesus. São passos de quem teve a coragem de enfrentar a morte por amor, pela libertação de todos os males. A morte de Jesus na cruz se reverte em vida para todos, especialmente os pobres e oprimidos. Tomar a cruz a cada dia é condição para ser discípulo ou discípula de Jesus. Como Ele, não devemos ter medo da cruz. Vamos pedir a Deus que nos ajude a viver este compromisso. 

Todos: 
Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém!

Leitor(a) 
1: Vamos meditar os passos de Jesus rumo ao Calvário, refletindo sobre os passos de tantos filhos e filhas de Deus condenados à morte pela humilhação e pela violência do tráfico: de órgãos, de adoção  ilegal, de trabalho escravo de crianças e exploração sexual. 

Leitor(a) 
2: A Campanha da Fraternidade 2014 quer nos despertar a consciência para que lutemos com todas as forças contra as injustiças, violências e abusos à dignidade humana.

Leitor(a) 
1: A Igreja do Brasil quer que sejamos profetas, corajosos em denunciar e impedir essas situações contrárias à vontade e ao amor de Deus.

Dirigente: 
Em nossa Via-Sacra, rezemos pedindo a Deus a conversão do nosso coração para sermos próximos e  fraternos, solidários aos sofrimentos dos irmãos e irmãs vitimados pelo tráfico humano.

HINO CF 2014
É para a liberdade que Cristo nos libertou,
Jesus libertador! 
É para a liberdade que Cristo nos libertou!

1. Deus não quer ver seus filhos sendo escravizados, 
à semelhança e à sua imagem os criou. 
Na cruz de Cristo foram todos resgatados: 
pra liberdade é que Jesus nos libertou!
É para a liberdade que Cristo nos libertou, 
Jesus libertador! 
É para a liberdade que Cristo nos libertou!

2. Há tanta gente que, ao buscar nova alvorada, 
sai pela estrada a procurar libertação; 
Mas como é triste ver, ao fim da caminhada, 
que foi levada a trabalhar na escravidão!

É para a liberdade que Cristo nos libertou, 
Jesus libertador! 
É para a liberdade que Cristo nos libertou!

3. E quantos chegam a perder a dignidade,
sua cidade, a família, o seu valor. 
Falta justiça, falta mais fraternidade 
pra libertá-los para a vida e para o amor!

É para a liberdade que Cristo nos libertou, 
Jesus libertador!
 É para a liberdade que Cristo nos libertou!

4. Que abracemos a certeza da esperança, 
que já nos lança nessa marcha em comunhão. 
Pra novo céu e nova terra da aliança,
de liberdade e vida plena para o irmão.
É para a liberdade que Cristo nos libertou, Jesus libertador! É para a liberdade que Cristo nos libertou!


1ª Estação: Jesus é condenado a morte


Dirigente: 
Nós vos adoramos e vos bendizemos, Senhor Jesus! 
Todos: 
Porque, pela vossa santa cruz, remistes o mundo.

Leitor(a) 
1: “Eles, porém, continuaram a gritar com toda a força, pedindo que fosse crucificado. E a gritaria deles prevaleceu. Então Pilatos decidiu que fosse feito o que eles pediam (...) e entregou Jesus à vontade deles” (Lc 23,23-25b).

Leitor(a) 
2- A multidão pede que Jesus seja pregado na cruz. Quando o povo não se une para lutar e defender a vida, fica a favor da morte, deixa que o mal vença. Quem se cala diante da opressão se coloca do lado do opressor!

Leitor(a) 
1- Muitas pessoas são traficadas, abusadas e humilhadas porque os cristãos cruzam os braços diante da injustiça no mundo e têm medo de denunciar maldade. e combater a injustiça.

Dirigente: 
Ó, Deus, nosso Pai e Criador, tende piedade de nós, quando condenamos vosso Filho à morte na pessoa dos irmãos e perdoai-nos quando nos silenciamos diante da crueldade humana e não somos capazes de denunciar e combater o mal como teu Filho o fez. Isso vos pedimos em nome de Jesus, nosso Senhor. Amém.

Todos: 
Ó, Maria, nossa Mãe, ajuda-nos a sermos solidários com os que sofrem!

CANTO 
A morrer crucificado / teu Jesus é condenado, / por teus crimes, pecador. 
Pela Virgem dolorosa, /Vossa Mãe tão piedosa, / perdoai-me, meu Jesus.


2ª Estação: Jesus carrega a cruz


Dirigente: 
Nós vos adoramos e vos bendizemos, Senhor Jesus! 

Todos: 
Porque, pela vossa santa cruz, remistes o mundo.

Leitor(a) 
1- “Cuspiram nele e, pegando a vara, bateram-lhe na cabeça. Depois de zombar dele, tiraram-lhe o manto vermelho e o vestiram com suas próprias roupas” (Mt 27,30-31).

Leitor(a) 
2; Os soldados humilhavam Jesus. Na mesma situação de humilhação, vemos hoje tantos irmãos e irmãs traficados, por vezes retirados de sua família e forçados a agirem contra a própria vontade.

Leitor(a) 
1 - Os cristãos não podem se conformar com tais humilhações ao outro; devem combater, a exemplo de Jesus, explorações e violências como essas, que destroem as vidas dos filhos e filhas de Deus.

Dirigente: 
Ó, Deus, Pai amoroso, na força do Espírito Santo, ajudai-nos a defender a família como o lugar da vida, da partilha e do amor. Que nenhuma família seja destruída pela humilhação, pela violência  e pelo tráfico humano. Isso vos pedimos, em nome de Jesus, nosso Senhor. Amém.

Todos: 
Ó, Maria, Mãe de Nazaré, vela pelas famílias, para que sejam imagens de tua Família Sagrada.

CANTO 
Com a cruz é carregado / e do peso acabrunhado, / vai morrer por teu amor. 
Pela Virgem Dolorosa, / vossa Mãe tão piedosa, / perdoai-me, meu Jesus.


3ª Estação: Jesus cai pela primeira vez


Dirigente: 
Nós vos adoramos e vos bendizemos, Senhor Jesus!

Todos:
Porque, pela vossa santa cruz, remistes o mundo.

Leitor(a) 
1- “Ele foi um pouco mais adiante, caiu com o rosto por terra e orou: ‘Meu pai, se possível, que este cálice passe de mim. Contudo, não seja feito como eu quero, mas como tu queres’” (Mt 26,39).

Leitor(a) 
2- Jesus, caído na terra, orava. Tantos irmãos e irmãs traficados só têm a oração como conforto. Rezam dia e noite pedindo a libertação de seu sofrimento.

Leitor(a) 
1- Ao pedir que o Pai faça a sua vontade, Jesus sabe que o Pai não quer a sua morte, mas sabe também que, se é preciso morrer para libertar os filhos e filhas do Pai, então aceita por amor essa vontade e os liberta.

Dirigente: 
Ó, Deus de compaixão, que não quereis a morte de ninguém, mas a vida em abundância, olhai com misericórdia os irmãos e irmãs que oram a vós dia e noite, caídos na opressão. E ajudai a  nós, cristãos, para agirmos como teu Filho no auxílio e libertação dos que sofrem. Isso vos pedimos em Jesus, Nosso Senhor. Amém. 

Todos: 
Ó, Maria, Consoladora dos aflitos, teu coração de Mãe nos ensine a sermos filhos como teu Filho.

CANTO 
Pela cruz tão oprimido, / cai Jesus desfalecido / pela tua salvação. 
Pela Virgem Dolorosa, / vossa Mãe tão piedosa, / perdoai-me, meu Jesus.


4ª Estação: Jesus se encontra com sua mãe


Dirigente: 
Nós vos adoramos e vos bendizemos, Senhor Jesus! 

Todos:
Porque, pela vossa santa cruz, remistes o mundo.

Leitor(a) 
1- “Simeão os abençoou e disse a Maria, a mãe: ‘Este menino será causa  de queda e reerguimento para muitos em Israel. Ele serás um sinal de contradição - uma espada traspassará a tua alma! -  e assim serão revelados os pensamentos de muitos corações’” 
(Lc 2,34-35).

Leitor(a) 
2- Uma espada há de lhe atravessar a alma. Como é grande a dor de uma mãe e de um pai que têm o seu filho ou sua filha traficados, tirados de seu lar para serem escravizados e abusados.

Leitor(a) 
1- Quem não chora ao ver uma mãe assim como a Mãe de Jesus? Dói no peito, dá um aperto na garganta! Maria está ali junto ao Filho que sofre. O discípulo e a discípula de Jesus  devem estar onde Ele está sofrendo!

Dirigente: 
Ó, Deus, vós que tendes um coração de mãe, amparai as mães e os pais que sofrem pelos filhos tirados de seu convívio. E dai aos cristãos e cristãs um coração sensível à dor de vosso Filho, que sofre no  próximo. Isso vos pedimos em nome de Jesus, nosso Senhor. 

Todos: Amém.

Todos: 
Ó, Maria, Mãe Dolorosa, ensina-nos a termos um coração como o teu: ainda que transpassado de dor, sempre presente junto aos que sofrem.

CANTO 
De Maria lacrimosa / no encontro lastimoso / vê a viva compaixão. 
Pela Virgem Dolorosa, / vossa Mãe tão piedosa / perdoai-me, meu Jesus.


5ª Estação: Simão, o Cireneu, ajuda Jesus a carregar a cruz


Dirigente: 
Nós vos adoramos e vos bendizemos, Senhor Jesus! 

Todos:
Porque, pela vossa santa cruz, remistes o mundo.

Leitor(a) 
1- “Enquanto levavam Jesus, pegaram um certo Simão, de Cirene, que voltava do campo, e mandaram-no carregar a cruz atrás de Jesus” (Lc23,26).

Leitor(a) 
2- Forçaram o “Cireneu” a carregar a cruz de Jesus. A tradição cristã nos fala da atitude de compaixão do “Cireneu”. Embora obrigado a ajudar Jesus, quando dele se aproxima, tem o coração  convertido e passa a compartilhar aquele sofrimento no gesto concreto de ajudar a carregar a cruz.

Leitor(a) 
1- Tomar a cruz de Jesus implica sofrer como Ele e com Ele! Quem carrega a cruz, libertando os que sofrem, compartilha dos sofrimentos deles. Assim deu-nos o exemplo a Bem-Aventurada Madre Tereza de Calcutá, que compartilhou os sofrimentos de Cristo servindo aos mais pobres. Em nossa realidade, esse serviço se volta para os atingidos pelas diferentes modalidades de tráfico humano.

Dirigente: 
Ó, Deus, Pai misericordioso, tocai o nosso coração como tocastes o coração do Cireneu, fazendo-o amar e sofrer com vosso Filho. Dai viver como tantos santos homens e santas mulheres  viveram: carregando a cruz dos pobres e sofredores deste mundo. Isso vos pedimos em nome de Jesus, nosso Senhor. Amém.

Todos: 
Ó, Maria, Mãe dos pobres e desvalidos, ajuda-nos a servir como serviste na casa de Isabel.

CANTO 
Em extremo, desmaiado, / deve auxílio tão cansado / receber do Cireneu. 
Pela Virgem Dolorosa, / vossa Mãe tão piedosa, / perdoai-me, meu Jesus.


6ª Estação: Verônica enxuga o rosto de Jesus


Dirigente: 
Nós vos adoramos e vos bendizemos, Senhor Jesus! 

Todos:
Porque, pela vossa santa cruz, remistes o mundo.

Leitor(a) 
1- “Não fazia vista, nem tinha beleza a atrair o olhar, não tinha aparência que agradasse. Era o mais desprezado e abandonado de todos, homem do sofrimento, experimentado na dor, indivíduo de quem a  gente desvia o olhar, repelente, dele nem tomamos conhecimento. Eram na verdade os nossos sofrimentos que ele carregava, eram as nossas dores, que levava às costas” (Is 53,24).
Uma piedosa mulher enxugou o rosto de Jesus.

Leitor(a) 
2- Muitos “enxugam o rosto de Jesus” libertando, salvando e compartilhando as dores dos que sofrem: muitas comunidades, movimentos pastorais da Igreja levam vida aos que nada têm, como as  tantas iniciativas eclesiais voltadas ao cuidado com as pessoas vitimadas pelo tráfico humano.

Leitor(a) 
1- Podemos e devemos reforçar essas iniciativas que põem em prática radicalmente a palavra de Jesus: “todas as vezes que fizestes isso a um destes mais pequenos, que são meus irmãos, foi a mim que o fizestes!” (Mt 25,40).

Dirigente: 
Ó, Deus, vós que sois a nossa fortaleza e continuais a renovar a vossa Igreja chamando homens e mulheres a realizar o projeto de amor de vosso Reino, fazei com que  surjam cada vez mais comunidades de discípulos autênticos de vosso Filho. Isso vos pedimos em nome Jesus, nosso Senhor. Amém.

Todos: 
Ó, Maria, Mãe dos discípulos de Jesus, ensina-nos a vermos nos pobres e sofredores  o rosto de teu bendito Filho. 

CANTO 
O seu rosto ensanguentado / por Verônica enxugado, / contemplemos com amor. 
Pela Virgem Dolorosa, / vossa Mãe tão piedosa, / perdoai-me, meu Jesus.


7ª Estação: Jesus cai pela segunda vez


Dirigente: 
Nós vos adoramos e vos bendizemos, Senhor Jesus!  

Todos: 
Porque, pela vossa santa cruz, remistes o mundo.

Leitor(a) 
1- “Tendo ele próprio sofrido ao ser tentado, é capaz de socorrer os que agora sofrem a tentação” (Hb 2,18).

Leitor(a) 
2- Jesus não suporta a dor e o peso da cruz: cai pela segunda vez. Jesus cai por terra para levantar o homem e a mulher caídos pelo peso dos males e pecados. Todos os dias somos tentados a viver no egoísmo, na maldade, na mentira, na falta de amor e compaixão. Alguns pensam que a riqueza a qualquer custo está acima da vida humana, a ponto de atentarem contra a sua dignidade, escravizando pessoas.

Leitor(a) 
1- Jesus morreu para destruir o pecado em nós. Ele nos deu o seu Espírito Santo para nos fortalecer e podermos dizer não ao mal, abandonando a vida de pecado! 

Dirigente: Ó, Deus, vós que em Jesus tirastes o pecado do mundo, olhai para nós qual filhos pródigos que tantas enveredamos por caminhos geradores de morte e destruição. Concedei-nos o retorno à vossa casa, o arrependimento sincero e a mudança de vida. Isso vos pedimos em nome de Jesus, nosso Senhor. Amém.

Todos: 
Ó, Maria, refúgio dos pecadores, vela por nós que acabamos caindo, nos perdendo e levando outros a se perder; ajuda-nos a voltar para os braços do Pai misericordioso. 

CANTO 
Outra vez desfalecido, / pelas dores abatido, / cai por terra o Salvador. 
Pela Virgem Dolorosa, / vossa Mãe tão piedosa, / perdoai-me, meu Jesus.


8ª Estação: Jesus consola as mulheres


Dirigente: 
Nós vos adoramos e vos bendizemos, Senhor Jesus! 

Todos: 
Porque, pela vossa santa cruz, remistes o mundo.

Leitor(a) 
1- “Seguia-o uma grande multidão do povo, bem como de mulheres que batiam no peito e choravam por ele. Jesus, porém, voltou-se para elas e disse: ‘Mulheres de Jerusalém, não choreis por mim!
Chorai por vós mesmas e por vossos filhos! ( ... ) Pois, se fazem assim com a árvore verde, o que não farão com a árvore seca?’” (Lc 23,27-28).

Leitor(a) 
2- Jesus diz  às mulheres: “chorai diz por vós mesmas e vossos filhos”. Ele diz isso porque o ser humano se faz preguiçoso e deixa-se vencer e abater pelo mal. A consolação que Jesus faz a  essas mulheres é uma advertência: “se matam um filho assim, que coisa pior não farão com os pais?”

Leitor(a) 
1- Se não lutarmos com todas as forças contra o mal, ele cresce a cada dia. É preciso lutar contra a ganância, a violência e a opressão. Se não, continuaremos a chorar por nós mesmos e por nossos filhos!

Dirigente: 
Ó, Deus, a cruz de Jesus é um grito contra a violência do coração do homem. Vós que sois o bem invencível, ajudai-nos a vencer o mal praticando o bem e combatendo a miséria, a injustiça e a  violência. Isso nós vos pedimos em nome de Jesus, nosso Senhor. 

Todos: Amém. 

Todos: 
Ó, Maria, Senhora das Dores, com Jesus teu coração foi morto na cruz. Ajuda-nos a sermos corajosos para vencer o mal com a fé que Jesus nos deu!

CANTO 
Das mulheres piedosas, / de Sião filhas chorosas, / é Jesus consolador. 
Pela Virgem dolorosa, / vossa Mãe tão piedosa, / perdoai-me, meu Jesus.


 9ª Estação: Jesus cai pela terceira vez


Dirigente: 
Nós vos adoramos e vos bendizemos, Senhor Jesus. 

Todos:
Porque, pela vossa santa cruz, remistes o mundo.

Leitor(a) 
1- “Eram na verdade os nossos sofrimentos que ele carregava, eram as nossas dores que levava às costas. E a gente achava que ele era um castigado, alguém por Deus ferido e massacrado” (Is 53,4).

Leitor(a) 
2- As pessoas que acompanhavam Jesus ao calvário pensavam que Ele era ferido e castigado por Deus. Muitas pessoas pensam que a violência, a guerra e a fome são culpa dele, divino, castigo e não consequência da injustiça social.

Leitor(a) 
1- Jesus nos ensinou que a violência, a maldade, a falta de solidariedade vêm de dentro do coração orgulhoso e egoísta do ser humano. Essas atitudes não fazem parte do projeto de Deus!

Dirigente: 
Ó, Deus, vós que desejais vida digna a todos os vossos filhos e filhas, ajudai-nos a expressar o amor a Vós amando nossos irmãos e irmãs, principalmente os vitimados pelo tráfico humano.
Isso nós vos pedimos em nome de Jesus, nosso Senhor. 

Todos: Amém.

Todos: 
Ó, Maria, que tiveste um coração imaculado e manso, ajuda-nos a sermos bons e amar-nos uns aos outros.

CANTO 
Cai terceira vez  prostrado / pelo peso redobrado / dos pecados e da cruz.
Pela Virgem dolorosa, / vossa Mãe tão piedosa, / perdoai-me, meu Jesus.


10ª Estação: Jesus é despido de suas vestes


Dirigente: 
Nós vos adoramos e vos bendizemos, Senhor Jesus! 

Todos: 
Porque, pela vossa santa cruz, remistes o mundo.

Leitor(a) 
1- “Depois que crucificaram Jesus, os soldados pegaram suas vestes e as dividiram em quatro partes, uma para cada soldado. A túnica era feita sem costura, uma peça só de cima em baixo.  Eles combinaram: ‘Não vamos rasgar a túnica. Vamos tirar sorte para ver de quem será’. Assim cumpriu-se a Escritura: ‘Repartiram entre si as minhas vestes e tiraram a sorte sobre minha túnica’” (Jo 19,23-24).

Leitor(a) 
2- A túnica de Jesus representa a sua dignidade. Os soldados a tiraram, repartiram-na entre eles e jogaram-na à sorte, como se ela fosse um objeto qualquer.

Leitor(a) 1: 
A mesma coisa acontece com os irmãos e irmãs sequestrados, traficados, explorados e abusados. Suas vidas e dignidade são desrespeitadas como se eles fossem objetos.

Dirigente: 
Ó, Deus, vós que sois o doador da vida e nos criastes a vossa imagem e semelhança daí a cada homem e mulher reconhecer o valor inestimável da vida e da dignidade humana. Isso vos pedimos em nome de Jesus, nosso Senhor. 

Todos: Amém.

Todos: 
Ó, Maria, Senhora do Amparo, ampara os que são espoliados e que têm suas vidas tiradas antes do tempo.

CANTO 
Das suas vestes despojado, / por algozes maltratado, / eu vos vejo, meu Jesus. 
Pela Virgem dolorosa, / vossa Mãe, tão piedosa / perdoai-me, meu Jesus. 


11ª Estação: Jesus é pregado na cruz


Dirigente: 
Nós vos adoramos e vos bendizemos, Senhor Jesus! 

Todos:
Porque, pela vossa santa cruz, remistes o mundo.

Leitor(a) 
1- “E chegaram a um lugar chamado Gólgota, que quer dizer Calvário. Deram-lhe de beber vinho misturado com fel. Ele provou, mas não quis beber. Depois de o crucificarem, repartiram as suas vestes tirando a sorte. E ficaram ali sentados, montando guarda” 
(Mt 27,33-36).

Leitor(a) 
2- Crucificaram Jesus e ficaram vigiando. Tinham medo que alguém o libertasse da cruz. Nossas leis muitas vezes são injustas, protegem aqueles que fazem o mal impedindo que a justiça aconteça.

Leitor(a) 
3: Devemos cobrar de nossos governantes leis justas, que defendam os princípios da ética e da igualdade.

Dirigente: 
Ó, Deus, vós que sois justo e conheceis os caminhos dos homens e mulheres deste mundo, iluminai nossos governantes para que, com prudência e justiça, exerçam sua vocação de políticos e  legisladores. Isso nós vos pedimos em nome de Jesus, nosso Senhor. 

Todos: Amém.

Todos: 
Ó, Maria, Sabedoria, Sede ensina-nos da a procurar o bem com todas as nossas forças.

CANTO
Sois por mim na cruz pregado / insultado, blasfemado / com cegueira e com furor. 
Pela Virgem dolorosa, / vossa Mãe tão piedosa, / perdoai-me, meu Jesus. (bis)


12ª Estação: Jesus morre na cruz


Dirigente: 
Nós vos adoramos e vos bendizemos, Senhor Jesus!

Todos: 
Porque, pela vossa santa cruz, remistes o mundo.

Leitor(a) 
1- “Jesus deu um forte grito: ‘Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito’. Dizendo isto, expirou. O centurião, vendo o que acontecera, glorificou a Deus dizendo: ‘Realmente! Este homem era justo!’” (Lc 23,46- 48).

Leitor(a) 
2- A morte natural é parte da nossa trajetória. Mas muitos os assassinados, morreram não porque “chegou a hora”, como muitos costumam dizer, mas foram vítimas da injustiça. Jesus e muitos que foram traficados e escravizados perdem a vida antes do tempo!

Leitor(a) 
1: O quinto mandamento da lei de Deus proíbe matar. Ninguém possui esse direito. Peçamos perdão por tantas vidas tiradas antes do Tempo.

Todos: 
Senhor, tende piedade de nós!

Dirigente: 
Ó, Deus, a morte do vosso Filho é um grito levantado ao céu como o sangue de Abel, o justo, que foi assassinado por seu irmão. Daí a cada um de nós a consciência de que a morte do justo não passará despercebida e nem ficará impune diante de vós. Isso nós vos pedimos em nome de Jesus, nosso Senhor. 

Todos: Amém

Todos: 
Ó, Maria, Rainha dos Mártires, ensina-nos a lutar pela justiça e a não ficar indiferentes diante da morte de inocentes.

CANTO 
Por meus crimes padecestes, / meu Jesus, por mim morrestes. Ó, quão grande é minha dor. 
Pela Virgem dolorosa, / vossa Mãe tão piedosa, / perdoai-me, meu Jesus.


13ª Estação: Jesus é descido da cruz


Dirigente: 
Nós vos adoramos e vos bendizemos, Senhor Jesus! 

Todos:
Porque, pela vossa santa cruz, remistes o mundo.

Leitor(a) 
1- Um dos soldados, vendo que Jesus já estava morto, furou o seu lado com uma lança. No mesmo instante, saiu sangue e água. José de Arimateia pediu licença a Pilatos para tirar o corpo de Jesus,  e retirou-o. (cf. Jo 19,34;38). A mãe de Jesus recebe o Filho morto em seus braços.

Leitor(a) 
2- A dor de Maria nesse momento, ao receber o filho morto nos braços, é como a dor de tantas mães, que veem seus filhos maltratados por uma vivência de privações, exauridos pelo trabalho  escravo, assassinados por matadores de aluguel. A dor é muito profunda.

Leitor(a) 
1: Do coração de Jesus sai sangue e água, símbolos do nascimento da Igreja, que é alimentada com o Corpo e Sangue de Jesus.

Leitor(a) 
2- Na Eucaristia, recebemos esse mesmo Corpo torturado, assassinado, que José de Arimateia tirou da cruz, mas que está ressuscitado e glorioso pelo poder de Deus.

Leitor(a) 
1- Comungamos o “Corpo da vida”, porque Deus quer que todos os seus filhos e filhas tenham “a vida em abundância” (cf.Jo 10,10)

Dirigente: 
Ó, Deus, que do lado aberto de Jesus fizestes nascer a vossa Igreja, dai-nos que, ao comungar do Corpo e Sangue do vosso Filho, participemos de sua morte e ressurreição e, assim, também nos doemos para que os que sofrem possam viver e ressuscitar. Isso vos pedimos em nome ele Jesus, nosso Senhor. 

Todos: Amém

Todos: 
Ó, Maria, Senhora  Aparecida,  ajuda-nos a não deixar faltar o pão de cada dia aos nossos irmãos e irmãs que morrem de fome, assim como vosso Filho nos alimentou com o Pão da vida.

CANTO 
Do madeiro vos tiraram / e à Mãe vos entregaram / com que dor e compaixão. 
Pela Virgem dolorosa, / Vossa Mãe tão piedosa, / perdoai-me, meu Jesus. 


14ª Estação: Jesus é sepultado


Dirigente: 
Nós vos adoramos e vos bendizemos, Senhor Jesus! 

Todos:
Porque, pela vossa santa cruz, remistes o mundo.

Leitor(a) 
1- Nicodemos e José de Arimateia pegaram o corpo de Jesus e o enrolaram em lençóis nos quais haviam espalhado perfumes. Era assim que os judeus preparavam os corpos para serem enterrados. E sepultaram Jesus num túmulo novo num jardim. (Cf.Jo 19,3941).

Leitor(a) 
2- O jardim onde sepultaram Jesus e onde ele ressuscitou é imagem daquele Jardim do Êden, do qual Adão e Eva foram expulsos pelo pecado. Jesus devolve ao ser humano “a vida no jardim”, isto é, a vida junto com Deus.

Leitor(a) 
1- O amor de Deus é mais forte que o pecado e a morte! O amor dele nos quer felizes e a felicidade verdadeira só é possível quando estamos ligados a Ele.

Leitor(a) 
2- Ainda que no mundo tenhamos sofrimentos, lembremo-nos o que disse Jesus: “em mim, tenhais a paz. No mundo terei aflições. Mas tende coragem! Eu venci o mundo” (Jo16,33).

Dirigente: 
Ó, Deus da esperança, fortalecei a nossa fé e o desejo de libertação. Ajudai-nos a sermos profetas da esperança, como foi São Francisco de Assis, e instrumentos de vossa paz, levando amor onde há ódio, perdão onde há ofensas, união onde há discórdias, fé onde há duvida, verdade onde há erros, esperança onde há desespero, alegria onde há tristeza, luz onde há trevas.  Isso vos pedimos em nome de Jesus, nosso Senhor. 

Todos: Amém

Todos: 
Ó, Maria, Virgem da Esperança, ajuda-nos a nunca desanimar na luta pelo bem, pela paz e pela promoção da dignidade humana.

CANTO 
No sepulcro vos puseram, / mas os homens tudo esperam / do mistério da paixão. 
Pela Virgem dolorosa, / vossa Mãe tão piedosa, / perdoai-me, meu Jesus. 


15ª Estação: Jesus Ressuscitou


Dirigente: 
Nós vos adoramos e vos bendizemos, Senhor Jesus! 

Todos:
Porque, pela vossa santa cruz, remistes o mundo.

Leitor(a) 
1- “Por que procurais entre os mortos aquele que está vivo? Não está aqui. Ressuscitou! Lembrai-vos do que Ele vos falou, quando ainda estava na Galileia: ‘É necessário o Filho do Homem ser entregue  nas mãos dos pecadores, ser crucificado e, no terceiro dia, ressuscitar’” (Lc 24,5b-7).

Leitor(a) 
2- “Lembrai-vos do que Ele falou”, disseram os anjos às mulheres que foram procurar o corpo de Jesus morto. Experimentar a ressurreição de Jesus em nós mesmos é ter sempre presente em nós as Palavras dEle. É recordar e praticar o que Ele fez, ensinou e revelou.

Leitor(a) 
1- “Vitorioso, Ressuscitou! Após três dias à vida Ele voltou! Ressuscitado, não morre mais. Está junto do Pai, pois Ele é o Filho eterno. Mas Ele vive em cada lar e onde se encontrar um coração fraterno!”

Todos: 
“Proclamamos que Jesus de Nazaré, glorioso e triunfante, Deus conosco está! Ele é o Cristo e a razão da nossa fé e um dia voltará.” 

Dirigente: 
Ó Deus da  ressurreição, fazei com que nossos irmãos e irmãs que sofrem a violência do tráfico humano, da opressão e da injustiça experimentem a ressurreição do vosso Filho, por meio do testemunho libertador dos cristãos e cristãs. Ajudai-nos, através da nossa fé e esperança na ressurreição, a transformar este mundo, fazendo com que seja mais justo e fraterno.
Isso nós vos pedimos em nome de Jesus, nosso Senhor - Amém.

Todos: 
Ó, Maria, bendita para sempre, ajuda-nos a recordar sempre a misericórdia que Deus teve com nosso pai Abraão e todos nós seus descendentes.

CANTO 
Meu Jesus,  por vossos passos, / recebei em vossos braços / a mim, pobre pecador. 
Pela Virgem dolorosa, / vossa Mãe tão piedosa, / perdoai-me, meu Jesus. 

Dirigente: 
Irmãos e irmãs, ao concluirmos nossa Via-Sacra, peçamos ao Senhor que a contemplação dos mistérios de sua Paixão Redentora possa gerar em nós frutos de conversão pessoal e social. Que sejamos agentes de libertação, como Jesus o foi. Para isso, vamos rezar com fé, amor e confiança a oração que Ele mesmo nos ensinou e a oração da Campanha da Fraternidade.

 Pai nosso ...

ORAÇÃO DA CAMPANHA DA FRATERNIDADE 

Ó Deus, sempre ouvis o clamor do vosso povo 
e vos compadeceis dos oprimidos e escravizados.
Fazei que experimentem a libertação da cruz 
e a ressurreição de Jesus. 
Nós vos pedimos pelos que sofrem 
o flagelo do tráfico humano.
Convertei-nos pela força do Espírito, 
e tornai-nos sensíveis às dores destes nossos irmãos. 
Comprometidos na superação deste vossos mal, 
vivamos como vosso filhos e filhas, 
na liberdade e na paz.

Por Cristo nosso Senhor. Amém! 

terça-feira, 15 de abril de 2014


Leitura Orante em Paulo Apóstolo
Dia : 15 de abril de 2014
Tema: Jerusalém ou Babilônia

Jerusalém antiga


Babilonia Antiga












1. Oração ao Apóstolo São Paulo

Ó São Paulo,
discípulo e missionário de Jesus Cristo:
ensina-nos a acolher a Palavra de Deus
e abre nossos olhos à verdade do Evangelho.
Conduze-nos ao encontro com Jesus e
contagia-nos com a fé que te animou

São Paulo Apóstolo, Rogai por nós!

O papa Francisco manda um recado para todos nós: Como é doce estar diante do Crucifixo, ficar simplesmente sob o olhar cheio de amor do Senhor! (papa Francisco, 12/04/2014).

2. O método

1º Momento - Leitura (Verdade) – O que diz o texto?
Vejamos: 1Ts 2,17-20. Vamos a uma primeira leitura:
Irmãos, já faz algum tempo que estamos separados de vocês, longe dos olhos, mas não do coração, e por isso temos o mais vivo e ardente desejo de tornar a vê-los.
Quisemos visitá-los. Eu mesmo, Paulo, mais de uma vez quis fazer isso. Satanás, porém, nos impediu.

De fato, quem, senão vocês, será a nossa esperança, a nossa alegria e a nossa coroa diante de nosso Senhor Jesus, no dia de sua vinda? Sim, nossa glória e alegria são vocês!
Ler uma segunda vez. Deter-se nas palavras mais fortes.
Muitas vezes precisaremos lançar mão de algum subsídio que nos ajude a entender melhor o texto.

Paulo lembra um ditado popular de quem se quer bem: “longe dos olhos mas perto do coração”.

Só que ele diz que muitas vezes quis ir ver a comunidade de Tessalônica, mas Satanás o impediu. O que ele quer dizer com isso? Quem era na prática, satanás?
Para Paulo, satanás é o que ele diz também “poder das trevas”, o “deus deste mundo”, aos Romanos ele dirá da “escravidão da corrupção” (Rm 8,21). Em Corinto, ele fala de “falsos apóstolos” e “ministros de satanás”. (2Cor 11, 14-15).  Veja o que ele diz neste texto:  “O próprio Satanás se disfarça em anjo de luz! Por isso, não me surpreendo de que os ministros de Satanás se disfarcem como servidores da justiça”.

Mas, até com anjo de luz aparece Satanás?

Isso mesmo. Para enganar.  Na segunda aos tessalonicenses Paulo dirá: “A vinda do ímpio vai acontecer graças ao poder de satanás, com todo tipo de falsos milagres, sinais e prodígios e com toda sedução”.(2Ts 1,8-9).  Quando ele fala  do disfarce de Satanás em  anjo de luz quer dizer que não é fácil identificá-lo. Ele confunde as pessoas. Aos efésios, por exemplo, Paulo usa outro termo para dizer que satanás se disfarça para enganar. Veja Ef 2,2.
Outrora vocês viviam nessas faltas e pecados, seguindo o modo de pensar deste mundo, seguindo o príncipe do poder do ar, o espírito que agora age nos homens desobedientes.
Na verdade ele quer dizer que há dois modos de viver: sem Cristo e com Cristo. Sem Cristo é o mundo pagão, cuja mentalidade, modo de pensar e agir manifestam a presença do mal que é o egoísmo que divide as pessoas. Com Cristo surge nova forma de viver: o amor que leva à doação, ao perdão, à comunhão e realiza-se o Projeto de Deus. Então, quando ele fala que satanás o impede de ir ver a comunidade, quer dizer que há empecilhos à missão?

É. Na 2ª aos Coríntios 4,4, Paulo afirma que “o deus deste mundo” afasta do Evangelho seus súditos humanos, cegando-lhes a inteligência para que não compreendam, nem creiam. Paulo falava de satanás que o impedia, referindo-se a “circunstâncias adversas”, ou à “situação política”. Para ele, no entanto,  não existem acaso, nem circunstâncias adversas quer de tipo político, climático, de saúde. Ele sabe que o que acontece  é causado por forças vivas pessoais que trabalham por Deus ou contra ele. Santo Inácio de Loyola falará de duas bandeiras: Jerusalém ou Babilônia.  O amor ou o egoísmo?

Pense nestas verdades e se pergunte:
Qual bandeira o nosso mundo mais levanta: a de Jerusalém ou a da Babilônia? Ou seja, a do amor que ajuda, perdoa, promove ou a do egoísmo que divide as pessoas, julga, condena? Pense nalgum exemplo e converse com alguém, seu grupo ou comunidade sobre isto.

2º Momento – Meditação (Caminho) – O que diz o texto?
O que diz para mim, para nós, para o mundo de hoje? Há algo parecido no mundo de hoje? Há algo diferente?  Outros textos  bíblicos ou de autores cristãos que você recorda, relacionados a este.

Para a nossa meditação pedimos ajuda ao Papa Francisco e ele nos oferece sua mensagem da Quaresma deste ano, uma mensagem inspirada em São Paulo apóstolo.

MENSAGEM DO SANTO PADRE FRANCISCO
PARA A QUARESMA DE 2014

Fez-Se pobre, para nos enriquecer com a sua pobreza
(cf. 2 Cor 8, 9)

Por ocasião da Quaresma, ofereço-vos algumas reflexões com a esperança de que possam servir para o caminho pessoal e comunitário de conversão. Como motivo inspirador tomei a seguinte frase de São Paulo: «Conheceis bem a bondade de Nosso Senhor Jesus Cristo, que, sendo rico, Se fez pobre por vós, para vos enriquecer com a sua pobreza» (2 Cor 8, 9). O Apóstolo escreve aos cristãos de Corinto encorajando-os a serem generosos na ajuda aos fiéis de Jerusalém que passam necessidade. A nós, cristãos de hoje, que nos dizem estas palavras de São Paulo? Que nos diz, hoje, a nós, o convite à pobreza, a uma vida pobre em sentido evangélico?

A graça de Cristo

Tais palavras dizem-nos, antes de mais nada, qual é o estilo de Deus. Deus não Se revela através dos meios do poder e da riqueza do mundo, mas com os da fragilidade e da pobreza: «sendo rico, Se fez pobre por vós». Cristo, o Filho eterno de Deus, igual ao Pai em poder e glória, fez-Se pobre; desceu ao nosso meio, aproximou-Se de cada um de nós; despojou-Se, «esvaziou-Se», para Se tornar em tudo semelhante a nós (cf. Fl 2, 7; Hb 4, 15). A encarnação de Deus é um grande mistério. Mas, a razão de tudo isso é o amor divino: um amor que é graça, generosidade, desejo de proximidade, não hesitando em doar-Se e sacrificar-Se pelas suas amadas criaturas. A caridade, o amor é partilhar, em tudo, a sorte do amado. O amor torna semelhante, cria igualdade, abate os muros e as distâncias. Foi o que Deus fez conosco. Na realidade, Jesus «trabalhou com mãos humanas, pensou com uma inteligência humana, agiu com uma vontade humana, amou com um coração humano. Nascido da Virgem Maria, tornou-Se verdadeiramente um de nós, semelhante a nós em tudo, exceto no pecado» (Conc. Ecum. Vat. II, Const. past. Gaudium et spes, 22).

A finalidade de Jesus Se fazer pobre não foi a pobreza em si mesma, mas – como diz São Paulo – «para vos enriquecer com a sua pobreza». Não se trata dum jogo de palavras, duma frase sensacional. Pelo contrário, é uma síntese da lógica de Deus: a lógica do amor, a lógica da Encarnação e da Cruz. Deus não fez cair do alto a salvação sobre nós, como a esmola de quem dá parte do próprio supérfluo com piedade filantrópica. Não é assim o amor de Cristo! Quando Jesus desce às águas do Jordão e pede a João Baptista para O batizar, não o faz porque tem necessidade de penitência, de conversão; mas fá-lo para se colocar no meio do povo necessitado de perdão, no meio de nós pecadores, e carregar sobre Si o peso dos nossos pecados. Este foi o caminho que Ele escolheu para nos consolar, salvar, libertar da nossa miséria. Faz impressão ouvir o Apóstolo dizer que fomos libertados, não por meio da riqueza de Cristo, mas por meio da sua pobreza. E todavia São Paulo conhece bem a «insondável riqueza de Cristo» (Ef 3, 8), «herdeiro de todas as coisas» (Hb 1, 2).

Em que consiste então esta pobreza com a qual Jesus nos liberta e torna ricos? É precisamente o seu modo de nos amar, o seu aproximar-Se de nós como fez o Bom Samaritano com o homem abandonado meio morto na beira da estrada (cf. Lc 10, 25-37). Aquilo que nos dá verdadeira liberdade, verdadeira salvação e verdadeira felicidade é o seu amor de compaixão, de ternura e de partilha. A pobreza de Cristo, que nos enriquece, é Ele fazer-Se carne, tomar sobre Si as nossas fraquezas, os nossos pecados, comunicando-nos a misericórdia infinita de Deus. A pobreza de Cristo é a maior riqueza: Jesus é rico de confiança ilimitada em Deus Pai, confiando-Se a Ele em todo o momento, procurando sempre e apenas a sua vontade e a sua glória. É rico como o é uma criança que se sente amada e ama os seus pais, não duvidando um momento sequer do seu amor e da sua ternura. A riqueza de Jesus é Ele ser o Filho: a sua relação única com o Pai é a prerrogativa soberana deste Messias pobre. Quando Jesus nos convida a tomar sobre nós o seu «jugo suave» (cf. Mt 11, 30), convida-nos a enriquecer-nos com esta sua «rica pobreza» e «pobre riqueza», a partilhar com Ele o seu Espírito filial e fraterno, a tornar-nos filhos no Filho, irmãos no Irmão Primogênito (cf.Rm 8, 29).

Foi dito que a única verdadeira tristeza é não ser santos (Léon Bloy); poder-se-ia dizer também que só há uma verdadeira miséria: é não viver como filhos de Deus e irmãos de Cristo.

O nosso testemunho

Poderíamos pensar que este «caminho» da pobreza fora o de Jesus, mas não o nosso: nós, que viemos depois d'Ele, podemos salvar o mundo com meios humanos adequados. Isto não é verdade. Em cada época e lugar, Deus continua a salvar os homens e o mundo por meio da pobreza de Cristo, que Se faz pobre nos Sacramentos, na Palavra e na sua Igreja, que é um povo de pobres. A riqueza de Deus não pode passar através da nossa riqueza, mas sempre e apenas através da nossa pobreza, pessoal e comunitária, animada pelo Espírito de Cristo.
À imitação do nosso Mestre, nós, cristãos, somos chamados a ver as misérias dos irmãos, a tocá-las, a ocupar-nos delas e a trabalhar concretamente para as aliviar. A miséria não coincide com a pobreza; a miséria é a pobreza sem confiança, sem solidariedade, sem esperança. Podemos distinguir três tipos de miséria: a miséria material, a miséria moral e a miséria espiritual. A miséria material é a que habitualmente designamos por pobreza e atinge todos aqueles que vivem numa condição indigna da pessoa humana: privados dos direitos fundamentais e dos bens de primeira necessidade como o alimento, a água, as condições higiênicas, o trabalho, a possibilidade de progresso e de crescimento cultural. Perante esta miséria, a Igreja oferece o seu serviço, a sua diakonia, para ir ao encontro das necessidades e curar estas chagas que deturpam o rosto da humanidade. Nos pobres e nos últimos, vemos o rosto de Cristo; amando e ajudando os pobres, amamos e servimos Cristo. O nosso compromisso orienta-se também para fazer com que cessem no mundo as violações da dignidade humana, as discriminações e os abusos, que, em muitos casos, estão na origem da miséria. Quando o poder, o luxo e o dinheiro se tornam ídolos, acabam por se antepor à exigência duma distribuição equitativa das riquezas. Portanto, é necessário que as consciências se convertam à justiça, à igualdade, à sobriedade e à partilha.

Não menos preocupante é a miséria moral, que consiste em tornar-se escravo do vício e do pecado. Quantas famílias vivem na angústia, porque algum dos seus membros – frequentemente jovem – se deixou subjugar pelo álcool, pela droga, pelo jogo, pela pornografia! Quantas pessoas perderam o sentido da vida; sem perspectivas de futuro, perderam a esperança! E quantas pessoas se vêem constrangidas a tal miséria por condições sociais injustas, por falta de trabalho que as priva da dignidade de poderem trazer o pão para casa, por falta de igualdade nos direitos à educação e à saúde. Nestes casos, a miséria moral pode-se justamente chamar um suicídio incipiente. Esta forma de miséria, que é causa também de ruína econômica, anda sempre associada com a miséria espiritual, que nos atinge quando nos afastamos de Deus e recusamos o seu amor. Se julgamos não ter necessidade de Deus, que em Cristo nos dá a mão, porque nos consideramos auto-suficientes, vamos a caminho da falência. O único que verdadeiramente salva e liberta é Deus.

O Evangelho é o verdadeiro antídoto contra a miséria espiritual: o cristão é chamado a levar a todo o ambiente o anúncio libertador de que existe o perdão do mal cometido, de que Deus é maior que o nosso pecado e nos ama gratuitamente e sempre, e de que estamos feitos para a comunhão e a vida eterna. O Senhor convida-nos a sermos jubilosos anunciadores desta mensagem de misericórdia e esperança. É bom experimentar a alegria de difundir esta boa nova, partilhar o tesouro que nos foi confiado para consolar os corações dilacerados e dar esperança a tantos irmãos e irmãs imersos na escuridão. Trata-se de seguir e imitar Jesus, que foi ao encontro dos pobres e dos pecadores como o pastor à procura da ovelha perdida, e fê-lo cheio de amor. Unidos a Ele, podemos corajosamente abrir novas vias de evangelização e promoção humana.

Queridos irmãos e irmãs, possa este tempo de Quaresma encontrar a Igreja inteira pronta e solícita para testemunhar, a quantos vivem na miséria material, moral e espiritual, a mensagem evangélica, que se resume no anúncio do amor do Pai misericordioso, pronto a abraçar em Cristo toda a pessoa. E poderemos fazê-lo na medida em que estivermos configurados com Cristo, que Se fez pobre e nos enriqueceu com a sua pobreza. A Quaresma é um tempo propício para o despojamento; e far-nos-á bem questionar-nos acerca do que nos podemos privar a fim de ajudar e enriquecer a outros com a nossa pobreza. Não esqueçamos que a verdadeira pobreza dói: não seria válido um despojamento sem esta dimensão penitencial. Desconfio da esmola que não custa nem dói.

Pedimos a graça do Espírito Santo que nos permita ser «tidos por pobres, nós que enriquecemos a muitos; por nada tendo e, no entanto, tudo possuindo» (2 Cor 6, 10). Que Ele sustente estes nossos propósitos e reforce em nós a atenção e solicitude pela miséria humana, para nos tornarmos misericordiosos e agentes de misericórdia. Com estes votos, asseguro a minha oração para que cada crente e cada comunidade eclesial percorra frutuosamente o itinerário quaresmal, e peço-vos que rezeis por mim. Que o Senhor vos abençoe e Nossa Senhora vos guarde! Francisco

3º momento - Oração (Vida) – O que o texto nos faz dizer a Deus?

A meditação nos faz subir o terceiro degrau. A leitura e meditação se transformam em um encontro mais direto, íntimo e pessoal com Deus. Entramos em diálogo, em comunhão amorosa com Deus. Respondemos a Deus, pedimos que nos ajude a praticar o que a sua Palavra nos pede.

Vamos fazer uma oração diferente: uma oração como sugere o papa Francisco: “estar diante do Crucifixo, ficar simplesmente sob o olhar cheio de amor do Senhor”. Contemple um crucifixo que você deve ter na parede,  aí onde está, ou até no seu terço ou na sua correntinha e pense:

Deus conseguirá (pe. Zezinho, scj)

E quando se acabarem as palavras
E quando não deu certo o que era humano
E quando se esgotarem os recursos
E já não adiantar nenhum discurso

E quando eu tiver feito o que é possível
E quando fazer mais for impossível
Então descansarei bem mais tranquilo
Então meu coração se lembrará

Confia no Senhor
Confia no Senhor
Procura o ombro dele que ele é Pai
Confia no Senhor

Confia no Senhor
Se não conseguiste
Deus conseguirá.

O segredo para viver em Deus está aí: Confia no Senhor!

4º momento - Contemplação (Vida) –  Qual o nosso novo olhar?

Que olhar a  Leitura, a Meditação e a Oração despertaram em mim, em nós?
Este olhar é mudança do coração em ação transformadora. “Para que ponhas em prática” (Dt 30,14).

Meu novo olhar deve ser de plena confiança em Deus e de fidelidade ao seu amor, rejeitando todo mal.

3. Conclusão

O Senhor nos abençoe e nos conduza na sua Verdade, no seu Caminho, na sua Vida. Amém.