terça-feira, 17 de janeiro de 2017


Leitura Orante – 3º domingo do tempo comum, 22 de janeiro de 2017 


“Eles, deixando imediatamente as redes, o seguiram.” (Mt 4,20)



Texto Bíblico: Mateus 4,12-23



quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Leitura Orante – 2º domingo do tempo comum, 15 de janeiro de 2017

Leitura Orante –  2º domingo do tempo comum, 15 de janeiro de 2017

SOMOS HABITADOS PELO ESPÍRITO

“Vi o Espírito descer do céu como uma pomba e permanecer sobre ele” (Jo 1,32)


Texto Bíblico: João 1,29-34


1 – O que diz o texto?
No evangelho de hoje, mais uma vez o autor do quarto Evangelho nos coloca diante da figura de João Batista, relatando a experiência dele de encontro com Jesus e revelando-o como aquele que “viu” e que “deu testemunho” de que Jesus é “o Filho de Deus”.

Daí sua insistência no verbo “ver”. Não se trata de um “ver” neutro, preso à exterioridade, mas de um olhar contemplativo, capaz de distinguir e apontar quem de fato era o Messias.

João não recebeu o encargo de divulgar uma ideia, uma doutrina... mas apontar uma pessoa.

Como nos evangelistas sinóticos, também o evangelista João faz do batismo de Jesus o acontecimento fundante com o qual Ele inicia sua atividade pública. 

Depois do seu batismo e pleno do Espírito, Jesus se faz presente no lugar onde se encontram aqueles que não tem “lugar”, os “deslocados” e que são a razão de seu amor e do seu cuidado; faz-se solidário com os “sem lugares” e os convida a caminhar para um novo lugar.  Na Galiléia, Jesus tem suas preferências e escolhe o seu “lugar”, o lugar entre os mais pobres, vítimas daqueles que se fazem donos dos lugares.

Jesus, na Galiléia, encontrou os seus lugares: junto ao mar, nas estradas poeirentas, nas margens...

O(a) seguidor(a) de Jesus não é aquele que, por medo, se distancia do mundo, mas é aquele(a) que, movido(a) por uma radical compaixão, desce ao coração da realidade em que se encontra, aí se encarna e aí revela os traços da velada presença d’Aquele que é a Misericórdia.

Dessa forma, “habitado pelo Espírito”, experimenta que a vida é forte e formosa e que vale a pena acolhê-la e doá-la, como Jesus fez, sabendo que o tempo da opressão, da enfermidade, da morte e da condenação... não tem a última palavra. 

A novidade de Jesus consiste justamente em afirmar que existe um caminho para encontrar a Deus que não passa pelo Templo. Desse modo, reconhece-se a vida como lugar privilegiado da Sua Presença.

Esse é o sentido da expressão de João Batista aplicada a Jesus: “Aquele que tira o pecado do mundo”.

Por isso, Jesus e os primeiros cristãos não usaram modelos de poder centralizado para cultivar a presença de Deus. Nem tiveram a preocupação de construir um novo templo, nem formatar uma nova religião, mas descobriram o Templo de Deus na vida mesma, no diálogo e no encontro das pessoas nos espaços públicos, onde sob o impulso do Espírito, buscaram inspiração e sentido para suas existências.

E a vida não é um templo já construído mas uma rede de conexões múltiplas que vão se refazendo, recriando, de um modo incessante, por obra do Espírito de Cristo.


2 – O que o texto diz para mim?
Quê é que João Batista “viu”? Viu um homem cheio de Espírito. Ou seja, Jesus é aquele que, habitado pelo Espírito, se deixa conduzir pelo mesmo Espírito. Ele deixa “transparecer” esta presença do Espírito e só quem tem olhar contemplativo é capaz de perceber quem O move.

Sempre quando tenho a sorte de encontrar uma pessoa “transparente” (não “perfeita”, mas humana), torna-se mais fácil reconhecer, apreciar, “ver” o Mistério que a habita.

Mas não é suficiente encontrar-me com alguém assim; é preciso também desenvolver a própria “capacidade de ver”, ou seja, um “saber olhar” que transcende para além das aparências. 

Os sábios sempre foram conscientes de que existem diferentes níveis de realidade aos quais posso ter acesso através de diferentes órgãos de conhecimento. São Boaventura fala do “olho do espírito”, ou seja o “olho da contemplação”. 

Empobreço quando me reduzo ao “olho da carne” e também ao “olho da razão”. Preciso ativar o “olho do espírito” que me capacita para “ver” a realidade em sua dimensão mais profunda, para perceber o Mistério em tudo o que me rodeia, eu incluída. 

A qualidade humana, o futuro da humanidade e do planeta depende de que eu saiba “ver” deste modo.


3 – O que a Palavra me leva a experimentar?
Minha experiência do seguimento de Jesus brota da capacidade de fixar meu olhar n’Ele. De fato, o olhar é o primeiro sentido que me faz sentir presente junto ao outro. 

E, como João Batista, ao fixar meu olhar contemplativo na pessoa de Jesus, o que vejo é o Espírito agindo n’Ele.

E porque se deixa conduzir pelo Espírito, Jesus não suporta lugares fechados, rompe com os “espaços sagrados”, com os esquemas fechados, com as estruturas arcaicas... 

O Espírito é “movimento” e Jesus inicia um movimento de vida e vida plena.

Jesus, cheio do Espírito, sempre foi o homem das praças, ruas, caminhos e campos abertos... Não foi o homem dos templos, dos lugares fechados, das cidades fortificadas, mas o “homem em saída”, revelando sua mensagem e sua missão ao ar livre da vida. 

A comunidade dos seus seguidores, conduzida pelo Espírito, também não se deixa atrofiar pelos lugares fechados, cheirando a incenso mofado, nem se prende a um ritualismo e religiosidade alienante, mas é aquela que sai para os espaços públicos e ali oferece o testemunho de Jesus.

Sou seguidora de Jesus nos espaços amplos da vida, sem distinção de classes, sem hierarquias, onde todos podem comunicar-se com todos, pois são habitados pelo mesmo Espírito, a força da vida.


4 – O que a Palavra me leva a falar com Deus? 
Senhor, a presença provocativa e o chamado exigente de Jesus colocam em questão o costume de me refugiar no mundo asséptico das doutrinas, na tranquilidade de uma vida ordenada e legalista, satisfatória e entorpecida, na segurança de horários imutáveis e de muros de proteção, longe do rumor da vida que luta para ter um lugar ao sol, dos gritos daqueles que sofrem e morrem nas periferias deste mundo.

Como Igreja, temo perder esse estilo itinerante que Jesus propõe. 

O caminhar dela é lento e pesado; não acerto o passo para acompanhar a humanidade; não tenho agilidade para deslocar-me em direção à margem sofredora; agarro ao poder e às estruturas que tiram a mobilidade; distraindo-me com interesses que não coincidem com o Reinado de Deus. É preciso uma profunda conversão e voltar à essência do Evangelho: compromisso com a vida, sendo presença misericordiosa.

Como seguidora de Jesus, também vivo à luz do Espírito, não à sua sombra. 

Minha existência, em sintonia com o desejo de Deus para que eu viva em plenitude, é enriquecida pelos desejos profundos de me constituir como ser livre, ou seja, ser capaz de tomar decisões oblativas, desafiadas permanentemente por uma pluralidade de opções abertas que se apresentam diante de mim. Não sou escrava de minha pobre condição mortal, mas o espaço livre por onde habita e transita o Espírito.


5 – O que a Palavra me leva a viver? 
Escutar e seguir Seu chamado implica abandonar a estreiteza de meus caminhos e deixar o meu coração bater no ritmo do Espírito que me faz romper meus estreitos lugares e me projeta em direção ao mundo dos doentes e marginalizados, vítimas da desumanização de minha sociedade.

“Fazer caminho” com Jesus implica sair pelas estradas e encruzilhadas para escutar o clamor das pessoas e para alargar a minha vida no contato com elas. 

A novidade do Espírito aparece sempre fora dos lugares seguros, protegidos e convencionais.

Está iniciando o tempo litúrgico conhecido como “Tempo comum”; tempo para um longo e demorado olhar centrado na pessoa de Jesus: “ver” e “mirar” me conduz a uma identificação com Ele. 

Do olhar correspondido brota o seguimento.

Valorizar o tempo que Deus me confiou...

Estar aberta e acolher àquilo que está diante de mim, à novidade que o Espírito está criando...


Fonte: 
Bíblia Novo Testamento – Paulinas:  João 1,29-34
Pe. Adroaldo Palaoro, sj – reflexão do Evangelho
Desenho: Osmar Koxne     


Sugestão:
Música: Divina fonte – fx 09  (02:39)
Autor: Jorge Trevisol
Intérprete: Jorge Trevisol
CD: Amor, mística e angústia
Gravadora:  Paulinas Comep

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Leitura Orante – Epifania, 08 de janeiro de 2017


Leitura Orante –  Epifania, 08 de janeiro de 2017

EPIFANIA: “viver em saída…”

“A estrela, que tinham visto surgir começou a guiá-los até que, tendo chegado sobre o lugar onde estava o menino, se deteve.” (Mt 2,9)


Texto Bíblico: Mateus 2,1-12


1 – O que diz o texto?
O relato dos Magos não faz referência a pessoas concretas, mas a personagens. Não eram reis, mas “magos”, ou seja, sábios que investigavam os céus para entender melhor o que se passava na terra. Porque estavam buscando, descobriram, encontraram. Notemos que são os que estavam longe que descobriram, enquanto que aqueles que estavam próximos do Menino não se inteiraram de nada.

Para descobrir a presença de Deus, o único definitivo é a atitude. Ao descobrir algo surpreendente, puseram-se a caminho. Não sabiam para onde iam, mas arriscaram.

No caminho que os Magos percorreram para aproximar-se de Jesus estão representadas as atitudes daqueles que buscavam a Jesus e se aproximavam das primeiras comunidades cristãs para conhecê-lo. E está também representada nossa busca.

O importante, no texto de Mateus, não é deter-nos na veracidade histórica dos Magos, mas descobrir a “pérola preciosa” que o evangelista oferece, tanto para as primeiras comunidades cristãs como para os judeus que se aproximavam para conhecer Jesus através de seu testemunho. 

Segundo o Evangelista Mateus, diante de Jesus podem ser adotadas atitudes muito diferentes. 

Os Magos não pertenciam ao povo eleito, não conheciam o Deus vivo de Israel. Nada sabemos de sua religião nem de seu povo de origem. Só sabemos que eles viviam atentos ao mistério que se encerra no cosmos. Seu coração buscava verdade.

Em algum momento acreditaram ver uma pequena luz que apontava para um Salvador. Precisavam saber quem era e onde estava. Abriram-se à luz da estrela e rapidamente puseram-se a caminho. 

Não conheciam o itinerário preciso que deveriam seguir, não sabiam para onde a estrela os conduziria e o caminho implicava riscos. Mas em seu interior ardia a esperança de encontrar uma Luz para o mundo.


2 – O que o texto diz para mim?
O relato dos magos me fala da reação de três grupos de pessoas. As autoridades religiosas, que conheciam muito bem a lei judaica e sabiam o que significava Belém para a corrente profética, não souberam ler os sinais dos tempos e não puderam encontrar Jesus. A religião, quando se reduz a simples práticas rituais, atrofia a sensibilidade da pessoa, impedindo-a abrir-se às surpresas de Deus.

O poderoso rei Herodes, preocupado em preservar seu poder, só vê perigo diante de qualquer situação diferente. Nenhum poder é mediação para deixar-se provocar pelo novo. 

Somente alguns pagãos, guiados pela pequena luz de uma estrela, buscaram, puseram-se em marcha e encontraram Jesus.

O relato é desconcertante. Deus, escondido na fragilidade humana, não é encontrado pelos que vivem instalados no poder ou fechados na segurança religiosa, mas se revela àqueles que, guiados por pequenas luzes, buscam incansavelmente uma esperança para o ser humano, na ternura e na pobreza da vida.


3 – O que a Palavra me leva a experimentar?
Quando os Magos desviaram-se da rota de Belém e entraram em Jerusalém para perguntar onde é que estava o rei dos judeus recém-nascido, a estrela desapareceu de suas vistas, como que indicando que não é na riqueza e no luxo das cortes que a Luz de Deus brilha para os corações.

A estrela também moveu os magos a que deixassem de olhar para ela; que olhassem antes para o lugar, na Terra, para onde ela apontava e sua luz iluminava. 

Pois é na simplicidade e pobreza de uma criança que resplandece a luz de Deus.

Os magos não caem de joelhos diante de Herodes: não encontram nele nada digno de adoração. Não entram no Templo grandioso de Jerusalém: tem acesso proibido. 

A pequena luz da estrela os atrai para o pequeno povoado de Belém, longe de todo centro de poder.

Ao chegar ao lugar indicado, veem somente o “menino com Maria, sua mãe”. Nada mais. Um menino sem esplendor nem poder algum. Uma vida frágil que necessita dos cuidados de uma mãe. É suficiente para despertar nos magos o assombro.

Eles prostram-se e adoram o Menino Jesus. Cena poética onde Mateus me ajuda a romper meus esquemas mentais. Aqueles que conheciam as escrituras de memória e sabiam interpretá-las não vão ao encontro de Jesus. 

Aqueles que sabem ler as estrelas são capazes de ver mais além das aparências. E o que veem nesse Menino é tão profundo que caem prostrados, tiram seus tesouros, esvaziam-se e enchem-se da nova Luz descoberta.

A longa jornada dos Magos começou, seguindo o caminho que a luz da estrela indicava. E ao final de longa peregrinação chegaram ao lugar procurado.


4 – O que a Palavra me leva a falar com Deus? 
Senhor, “Banhado pela suave luz da estrela, em meio a vacas, jumentos e palha, se encontrava um nenezinho”. 

Eles, então, foram iluminados. Não pela luz da estrela, mas pela luz da criança.

Perceberam que sua busca havia chegado ao fim. Aquilo que os adultos esqueceram e que a sabedoria busca – as crianças sabem.

Ser sábio é ser criança. O universo é um berço onde dorme uma criança. E desde aquele dia eles deixaram de olhar para as estrelas e passaram a olhar para as crianças. 

Os sábios veem o avesso. 

O avesso é esse: os adultos são os alunos; as crianças são os mestres. Por isso os magos, sábios, deram por encerrada a sua jornada ao encontrarem um menino numa estrebaria...

No Natal, todos os adultos rezam a reza mais sábia de todos, escrita pela Adélia Prado:

“Meu Deus, me dá cinco anos, me dá a mão, me cura de ser grande...”     (Rubem Alves)

Busco não permanecer sentada olhando o teto ou paralisada com o comando da tv na mão.

Hoje sou milhões de pessoas buscando permanentemente no Google, no Facebook, no WhatsApp..., sentada, parada, anestesiada...

Quem “sai” está deixando sua acomodada segurança, expondo-se ao que não conhece ou lhe dá medo conhecer. 

Há milhões de pessoas saindo sem pôr os pés na rua, de garagem em garagem, de centro comercial em centro comercial, viajando de metrô com os olhos fixos no celular, transitando por circuitos perfeitamente estabelecidos para não ver o que há mais além do “parque temático” que lhe é apresentado. 

Há muitos milhões que vivem com uma venda nos olhos, quer estejam em casa ou saiam para fazer exercícios. 

Quê busco? 

Quê me anima a sair? 

O quê encontro?


5 – O que a Palavra me leva a viver? 
Descobrir sinais e começar um caminho de busca.

Descobrir sinais que me foram apresentados durante o ano de 2016.

Descobrir para onde esses sinais me conduzem.

Descobrir sinais que me fazem sair de minha zona de conforto.

Descobrir sinais que me fazem sair de minha segurança.

Priorizar a viagem interior.

Ter a coragem de acessar menos as redes sociais, celular.

Ter a coragem de agendar uma viagem que desperta o espírito solidário.

Ter a coragem de fazer uma viagem que venha comprometer a responder às necessidades dos mais frágeis.

Ter a coragem de dirigir o olhar para frente, para os lados e para a vida que grita, implora a minha atenção...

A “travessia” vivida pelos Magos é a mesma que eu experimento; sou ser “em saída”, em contínua busca. 


Fonte: 
Bíblia Novo Testamento – Paulinas:  Mateus 2,1-12
Pe. Adroaldo Palaoro, sj – reflexão do Evangelho
Desenho: Osmar Koxne     


Sugestão:
Música: Jesus é Luz  - fx: 11 (04:02)
Autor: Pe. Zezinho, scj
Intérprete: Pe. Zezinho, scj
CD: Canções que a fé escreveu
Gravadora:  Paulinas Comep

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Leitura Orante – Dia mundial da paz, 01 de janeiro de 2017


Leitura Orante –  Dia mundial da paz, 01 de janeiro de 2017

ANO NOVO: um oceano inteiro para navegar

“Foram às pressas e encontraram Maria e José e o recém-nascido deitado na manjedoura” (Lc 2,16)


Texto Bíblico: Lucas 2,16-21


1 – O que diz o texto?
O Evangelho de hoje nos revela que o caminho para uma vida expansiva começa no acesso a uma simples gruta, para acolher a admirável profundidade que a cena do nascimento de Jesus desvela e que, em seu nível mais interior, fala de todos nós. 

Ali nos encontramos com um recém-nascido e seus pais, com pastores, com um presépio, com uma mulher que “guarda” um segredo, com a glória e o louvor de Deus... 

Os pastores, o presépio, o recém-nascido... representam a realidade inteira: somos nós mesmos, é tudo o que nos envolve neste preciso momento, são todos os seres... 

Toda a cena, marcada pela simplicidade, quer introduzir-nos em um Silêncio admirado e agradecido, pleno de luz e de encanto.

Trata-se de um convite a aprofundar no Mistério que aí se expressa. Tudo está aí; quando sabemos olhar descobrimos que tudo está cheio da Presença que dá sentido à nossa existência e nos move a uma vida sempre mais ampla.

As primeiras testemunhas foram alguns pastores. Para seus contemporâneos, eles não eram bem-vistos; no entanto, são eles que acolheram com assombro a grande novidade, imperceptível para aqueles que estavam “cheios de si”; eles estão despertos enquanto outros dormem.

Esta cena de hoje, tão despojada e carregada de luz, será a plataforma de lançamento para este Novo Ano que começa. Ao entrar na Gruta de Belém e na própria gruta interior, muitas perguntas provocativas brotarão e nos mobilizarão a assumir este novo tempo (kairós) com mais inspiração. 

Lembro-me de uma publicidade que apresentava este slogan: “Qual foi a última vez que você fez algo pela primeira vez?”


2 – O que o texto diz para mim?
Hoje começa mais um “novo ano”. Segundo S. Gregório de Nissa, “na vida cristã, vai de começo em começo, através de começos sem fim”. 

Recomeçar contínuo, no qual me coloco sempre de novo à escuta do Espírito para me deixar conduzir por Ele em direção ao vasto oceano da vida.

Em um primeiro momento, receber de golpe tanta luz os cega, e o medo se apodera deles. 

Sempre que tenho possibilidade de mais luz em minha vida, rondam também os medos. 

Ver de novo, ver outras coisas diferentes daquilo que acreditava ver, que tenho me acostumado a ver, é também nascer de novo, e toda transformação se encontra bloqueada pelo medo. 

Ao lado do medo, dentro de sua concha, a pérola da alegria aguardando ser descoberta.

Preciso despertar o pastor interior que há em mim, minha capacidade de atenção e vibração com a vida, de buscar com outros, de deixar-me surpreender.

A luz e a voz põem os pastores em marcha. Preciosas mediações que mobilizam sua busca e encaminham com prontidão e rapidez suas vidas para o encontro. 

Os sinais são mínimos, cotidianos, demasiado simples: um menino, umas faixas, um lugar onde os animais frequentam...

Eles não tinham visto nascer outros meninos de noite e em condições de pobreza?

Por que aquele ia ser diferente? 

Como poderia esta indefesa criança trazer tanta alegria, tanto amor, tanta paz? Precisam ir juntos para descobrir isso: “Vamos até Belém para ver”.


3 – O que a Palavra me leva a experimentar?
É incrível que a pequenez e a vulnerabilidade sejam os cartões de visita de Deus. 

O Natal é o memorial desta verdade, que normalmente esqueço. 

Deus não me estende a mão a partir de cima, senão que se mostra necessitado a partir de baixo; Ele me ajuda a partir da debilidade, da fragilidade, como se não houvesse outro modo de poder ser compassivo.

Há muito que ver em Belém, mas nem todos os olhares podem recebê-lo. 

Há olhares opacos que não se alegrarão, e olhares desconfiados que não o entenderão. 

Somente os olhares e os passos dos pobres e pequenos se admirarão, e a paz do coração será sua recompensa. 

Uma paz que, a partir deles, transbordará.


4 – O que a Palavra me leva a falar com Deus? 
Senhor, descobri na entranha da natureza humana a força do “magis”, a exigência de infinito e de transcendência que cada um carrega no seu eu mais profundo, impedindo-o de instalar-se na mediocridade de sua vida.

Todo ser humano vive, nas raízes do seu coração, uma tensão para o “mais”, que sacode o adormecimento ou a satisfação descompromissada, na qual poderia sentir a tentação de instalar-se.

Nada mais contrário ao “mais” que a vida instalada e de alguma maneira acomodada, que consistiria na pura repetição mecânica dos mesmos gestos e das mesmas ações, ano após ano.

Também se opõe ao dinamismo do “mais” uma existência estabilizada de uma vez para sempre, tendo pontos de referência fixos, definitivos, tranquilizadores...

Numa vida assim faltaria por completo o princípio da novidade, da criatividade, a capacidade de questionar-se e de uma orientação nova, a audácia de arriscar, de fazer caminhos ainda não percorridos ou abertos à aventura e às surpresas.

É assim que a vida, em lugar de estancar-se em si mesma no mecanismo de repetição, se converte em história, atravessada por uma busca e uma vontade de construção contínua de si mesma.


5 – O que a Palavra me leva a viver? 
O “novo” deste ano; a novidade só pode brotar de minha interioridade destravada em direção a vastos horizontes.

“Novo Ano” tempo instigante que sempre pede ir mais longe, mesmo que seja a preço de muita luta e esforço.

“Querer e buscar mais” em um compromisso amplo, aberto no qual o dinamismo do desejo aberto ao infinito se mergulha.

Buscar a expansão de horizontes e de sonhos no mais íntimo do coração, mediante o descentramento de mim mesma, como impulso para os “grandes espaços”.

O que desbloqueia a força da busca e do compromisso é o encontro com a Criança de Belém.

Estar diante dela implica sacudir de mim toda forma de apatia e de fraqueza, rechaçar toda tendência à acomodação e toda tentação de apegar-me a medidas muito reduzidas, ao tédio e ao costume.

2017 será um ano a mais, dedicado ao  tempo para o silêncio, o descanso, a entrada na gruta para o encontro com Aquele que se “humanizou”.

A partir do “olhar” admirado dos pastores, desejo viver, ao longo deste ano, um processo minucioso de reacender o olhar contemplativo capaz de expressar a benevolência, a delicadeza, a acolhida, a serenidade, a modéstia a alegria simples de estar juntos...

Um inspirado e criativo 2017 a todos.


Fonte: 
Bíblia Novo Testamento – Paulinas:  Lucas 2,16-21
Pe. Adroaldo Palaoro, sj – reflexão do Evangelho
Desenho: Osmar Koxne     


Sugestão:
Música: Há um clima diferente – fx 12 (03:32)
Autor: Antonio Cardoso
Intérprete: Antonio Cardoso
CD: Uma casa iluminada por Jesus
Gravadora:  Paulinas Comep

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Leitura Orante – Natal, 25 de dezembro de 2016


Leitura Orante –  Natal, 25 de dezembro de 2016

“Um Menino é a resposta de Deus às nossas perguntas”

“Encontrareis um recém-nascido envolto em faixas e deitado numa manjedoura” (Lc 2,12)


Texto Bíblico: Lucas 2,1-14


1 – O que diz o texto?
“Deus se humanizou”: tal expressão revela que a Misericórdia de Deus significa também ternura.

Apareceu um Menino: apareceu a ternura e a doçura do Deus que salva. 

Na fragilidade de uma criança se esconde e se revela a grandeza divina. 

Uma antiga tradição religiosa afirma que a maior seriedade de Deus aconteceu quando Ele virou menino. Louca aventura amorosa de Deus!

No rosto de uma criança se faz visível a Misericórdia que desce sempre mais abaixo, que nasce no ventre da terra e se faz terra fértil.

Ao entrar na gruta para contemplar o Menino-Deus, conectamos, ao mesmo tempo, com o mais profundo do coração humano, carregado de compaixão e generosidade. A bondade humana é uma faísca que pode se atrofiar, mas jamais se apagar. São necessários alguns momentos densos para que esta chama seja ativada. A vivência do Natal é um deles.

Natal: estamos em um tempo que nos fala do essencial: um Deus que se faz carne, o divino que se faz humano; o eterno se estremece diante do que é terno; o infinito abraça amorosamente a fragilidade... 

Viver este mistério é viver em Deus, compreender até onde chega a loucura de amor de um Deus que se humaniza para que nos humanizemos. 

“A humanidade de Cristo é a humanidade vivida à maneira de Deus, ou melhor, vivida por Deus” (José Arregi).

Segundo Jacob Boehme, místico medieval, Deus é uma Criança que brinca...

É nessa atmosfera “infantil” que Deus se aproximou de nós. Não veio como um imperador poderoso nem como um sumo sacerdote ou um grande filósofo. Deus pode ser encontrado não na estrada suntuosa do domínio e do poder, mas na estrada da doação, da partilha, da solidariedade... A única explicação da “descida” de Deus é seu “amor compassivo”. Ele mergulhou na nossa fragilidade fazendo-se uma criança pobre, que nasce na periferia, no meio de animais, deitada numa manjedoura... para que ninguém se sentisse distante d’Ele, para que todos pudessem experimentar o sentimento de ternura que  uma criança desperta e sobre quem nos dobramos, maravilhados. Criança não infunde medo; todos se aproximam dela. 

Pequenino com os pequeninos, Deus nos faz proclamar silenciosamente: 

“Meu Deus, me dá cinco anos, me dá a mão, me cura de ser grande...” (Adélia Prado).


2 – O que o texto diz para mim?
Ao recuperar o olhar de assombro e de espanto no interior da Gruta de Belém, minha mente se abre à imaginação e ao sonho, começo a considerar as infinitas possibilidades para ser e conviver, brota a alegria do novo, do que está nascendo a cada instante, de explorar recursos inéditos e desconhecidos.

O Natal é essa ternura que ilumina a história humana, o cosmos do qual faço parte. É a confissão de que a bondade gera e sustenta a vida. 

É crer que tudo está eternamente movido por um pulsar profundo, criador, maior e mais poderoso que o universo, mais terno e pequeno que o coração de um recém-nascido. 

É a promessa de que o bem prevalecerá.

Natal: é o tempo para acolher com ternura o que é germinal, o pequeno, o que nasce nos movimentos sociais e humanitários alternativos e nos grupos eclesiais que se empenham por um mundo novo e por uma Igreja mais sintonizada com o sonho de Deus. 


3 – O que a Palavra me leva a experimentar?
Da “Gruta de Belém” à “gruta interior”: esta é a aventura que me leva a crescer, amar e compartilhar com os outros o dom da vida; aprender a ver nas pessoas a grande reserva de bondade, altruísmo e generosidade que carregam dentro de si; nunca me conformar com a injustiça e a violência, semeando cordialidade e gentileza a todos (as); e, sobretudo, ser mestre da esperança. “...porque é de infância, meu filho, que o mundo precisa” (Thiago de Mello).

Quando me faço presente junto à Criança eterna, então brota em mim o impulso para a renovação de vida, o despertar da inocência escondida, o encontro com novas possibilidades de ação que correm em direção ao futuro.

Se Deus correu o risco de encarnar-se, de nascer pobremente e crescer como salvação a partir da exclusão deste mundo, já não há excluídos para Ele, ninguém fica fora d’Ele. E o lugar principal para a festa é ali onde Ele aparece: nos aforas, onde não há lugar, onde tudo parece esgotar-se e é condenado a crescer em meio às ameaças e às intempéries das situações humanas.


4 – O que a Palavra me leva a falar com Deus? 
Senhor, o Nascimento de Jesus é um atrevimento, uma verdadeira ousadia, uma surpresa inimaginável...; na verdade, o Natal é a manifestação do impossível que se faz possível no coração de Deus.

“Ele é o eterno Menino, o Deus que faltava; o divino que sorri e que brinca; o menino tão humano que é divino” (Fernando Pessoa).

É a fragilidade de uma criança que ativa em mim a atitude da expectativa, da novidade, do assombro... 

Cada nascimento é um sinal, um imenso milagre, uma bela promessa, um profundo chamado. 

Viver é milagre. Só ser já é milagre. E o maior milagre é a ternura que cuida, nutre, consola. Isso é “Deus”.

Dizia o pintor Pablo Picasso que tornar-se criança leva tempo, e talvez eu possa acrescentar que somente o encontro com o Deus Menino me devolve a pureza e a inocência primordiais. 

Agora tenho um Deus menino e não um Deus juiz severo de meus atos e da história humana. 

Quê alegria interior sinto quando penso que serei julgada por um Deus Menino! Ao invés de condenar, ele quer conviver e entreter-se comigo eternamente.


5 – O que a Palavra me leva a viver? 
Olhar a realidade e a fragilidade de tantas pessoas. 

Contemplar a fragilidade e a exclusão humana como uma forma de presença de Deus. 

Sair, descer ao encontro das carências humanas, é uma forma de peregrinação para o coração do Deus mais vivo e surpreendente. Deus está presente como fragilidade, nos excluídos, nos pobres, nas carências de todo tipo, em cada uma de minhas limitações. 

Aproximar da fragilidade dos que sofrem, também me aproximo de Deus.

Sentir a força de Deus, seu santo braço, que transforma, com a minha ajuda, toda a realidade. 


Fonte: 
Bíblia Novo Testamento – Paulinas:  Lucas 2,1-14
Pe. Adroaldo Palaoro, sj – reflexão do Evangelho
Desenho: Osmar Koxne     


Sugestão:
Música: O que era noite, tornou-se dia – fx 12 (2:58)
Autor: Zé Vicente
Intérprete: Zé Vicente
CD: Sol e sonho
Gravadora:  Paulinas Comep

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Leitura Orante – 4º domingo do Advento, 18 de dezembro de 2016


Leitura Orante –  4º domingo do Advento, 18 de dezembro de 2016

O SILÊNCIO DO “HOMEM JUSTO”

“José, seu esposo, sendo justo, mas não querendo difamá-la publicamente, decidiu repudiá-la em segredo.” Mateus 1,19


Texto Bíblico: Mateus 1,18-24 


1 – O que diz o texto?
A única coisa que o Evangelho nos diz de José é que era um homem justo. 

Este adjetivo, de profundas raízes bíblicas, nos quer dizer que era reto, íntegro, autêntico, bom..., tudo o que podemos encontrar de positivo em uma pessoa humana. 

O homem justo é aquele que, como Abraão, acolhe na fé o plano de Deus e com Ele colabora. 

José é “justo” porque adere ao misterioso desígnio de Deus, é justo porque se “ajusta” ao modo de agir de Deus, arrisca com Deus, embora os contornos do Seu Plano permaneçam obscuros e, em certos aspectos, incompreensíveis.

José se coloca, portanto, na linha das grandes figuras da história da salvação. Sua atitude é um exemplo de silenciosa dedicação ao Reino. É o homem de uma grande nobreza de coração que, no silêncio da fé, acolhe o mistério que não compreende. Ele também teve sua “anunciação”; também teve que dar seu “sim” a Deus no mistério do desconhecido.

O “justo” José viveu no dia-a-dia a fidelidade a Deus. Mateus repete três vezes que ele se levantou para fazer o que lhe fora revelado como Vontade de Deus. José soube acolher também, na obediência e no amor despojado, a missão que Deus lhe confiou.

Nos relatos de aparição de anjo, normalmente se dá um intercâmbio de palavras entre o mensageiro e a pessoa à qual é enviado. 

No caso de José, no entanto, nunca há diálogo. Nos três momentos em que o anjo do Senhor aparece a José dá-se o mesmo esquema: o anúncio da mensagem e a resposta decidida de José por meio da ação. José não pede explicações nem sinais confirmadores; obedece e pronto. 

Quando recebe o anúncio de que Maria estava grávida por obra do Espírito Santo, imediatamente faz o que lhe havia dito o anjo do Senhor e toma consigo a sua mulher. 

No caso da fuga ao Egito, o anjo, além do mais, pede a José colocar-se a caminho: pede-lhe uma prontidão que o desenraíza de seu ambiente, que o desinstala de sua própria terra para viver no estrangeiro.

Quando o anjo lhe adverte da perseguição de Herodes, imediatamente se levanta, toma o menino e a sua mãe durante a noite e se retira ao Egito. 

O mesmo acontece quando o anjo do Senhor lhe diz que pode voltar a Israel porque tinham morrido aqueles que buscavam tirar a vida do menino.

Os textos destacam a atitude de disponibilidade obediente e prontidão confiada de José. 


2 – O que o texto diz para mim?
José é o homem do silêncio; de fato, uma das coisas que mais chama a atenção é que ele não pronuncia palavra alguma em nenhum dos relatos evangélicos nos quais aparece. 

Os relatos apresentam a figura de um homem silencioso. 

Sua existência está atravessada pelo silêncio. 

José é o homem que vive e atua no silêncio. 

Este silêncio não se deve a que José seja um homem de caráter introvertido, isolado, fechado sobre si. Pelo contrário, trata-se de um silêncio interior, intenso, grávido de conteúdo. 

Precisamente o que as cenas evangélicas mais destacam é que José escuta atentamente o que lhe é anunciado e ele responde instantaneamente, com gestos decididos. 

Suas ações são suas palavras e suas palavras não pronunciadas se convertem em gestos eloquentes que manifestam a grandeza de sua alma.


3 – O que a Palavra me leva a experimentar?
Toda a vida de José é descrita pelos evangelistas em segundo plano. 

Esse saber estar na “sombra” para não “fazer sombra” a outros, esse escutar e discernir a vontade divina, essa preocupação pelo bem-estar dos demais, esse silêncio contemplativo e radical que lhe permitia aprofundar na realidade, essa prontidão na “obediência à fé” e essa disponibilidade sem fissuras à graça foram qualidades com as quais José entrou em sintonia com Deus, dando sua contribuição decisiva ao mistério da salvação.

Seu silêncio não tem nada de ingênuo, não é o silencio daquele que nada sabe ou não quer complicar sua vida. 

José está, sim, ciente de que sua esposa está grávida; está ciente que o menino está em perigo e, por isso, o leva ao Egito; está ciente de que seu filho se perdeu e, por isso, o busca. E como está ciente, tem medo. Não um medo que o paralisa, mas um medo inquietante, que o impulsiona a buscar soluções respeitosas para com sua esposa e lhe move a tomar decisões valentes, como a de emigrar em busca de um lugar onde refugiar-se. José se arrisca como resultado de uma reflexão, feita possível graças a um silêncio que escuta, valoriza e discerne.

Tony de Mello diz: “O silêncio não é ausência de som, mas ausência de Ego”.

A carência do silêncio em minha vida me faz ser superficial. Com efeito, a cultura pós-moderna decretou o fim do silêncio: vivo imersa nos mais diferentes ruídos. E o silêncio, por sua vez, está se vingando de mim, criando vazio, superficialidade, palavras sem sentido, já não sei quem sou, para onde ando e o que quero...


4 – O que a Palavra me leva a falar com Deus? 
Senhor, a figura silenciosa de José desvela e denuncia o “palavreado crônico” que me esvazia. Ele me mobiliza a viver o silêncio atento e que escuta. Quando mergulho no  silêncio começo a escutar a mim mesma e a Deus, que fala silenciosamente “em sonhos”.

Há uma diversidade de silêncios. 

Existe o silêncio dos mortos ou o silêncio daquele que não tem nada que dizer, porque sua vida está vazia. 

Existe o silêncio cheio de tristeza do desamparado, que sofre, chora e perdeu toda esperança. 

Existe o silêncio tenso que se estabelece quando duas pessoas que não se amam se veem obrigadas a estar em um mesmo lugar. 

Existe o silêncio respeitoso diante de um enfermo ou diante de uma tragédia.

Existe o silêncio cheio de amor que brilha no olhar daqueles que se amam. 

E existe o silêncio daquele que escuta atentamente o que o(a) amado(a) tem a lhe dizer. 

Sem dúvida, este último silêncio é o que melhor caracteriza a José de Nazaré. 

Os Evangelhos o apresentam como um homem sempre pronto a escutar a voz de Deus que fala através dos acontecimentos de sua vida e da vida daqueles que foram confiados aos seus cuidados.


5 – O que a Palavra me leva a viver? 
Silêncio transformador...

O ruído inunda as ruas, os lugares de trabalho, as casas e até os corações. 

O ruído atordoa, tem efeito devastador, provoca a revolta, agressividade e um estado de ânimo convulsionado. 

Com o barulho, o espírito humano se acomoda se anestesia, se dopa. O funcionamento normal do cérebro fica debilitado. A pessoa não sente, não pensa, não tem serenidade para decidir. 

Todas as expressões de vida se atrofiam. 

A criatividade seca, os sonhos desaparecem e o ser humano torna-se incapaz de escutar a música harmoniosa de toda a Criação...

Num contexto de ruídos atrevidos, tanto na cidade como em  lugares de “repouso”, torna-se mais do que necessário uma “cultura do silêncio”, que permita redescobrir o próprio interior, escutar a voz dos anjos indicando os melhores caminhos a serem trilhados. 

É indispensável “fazer silêncio” para entrar em contato com a realidade, sobretudo para abrir espaço ao Outro dentro de mim, para acolhê-lo, para ouvi-lo e entrar em sintonia com sua Vontade.

Nos murmúrios interiores do coração ali encontro os sinais da presença viva de Deus.


Fonte: 
Bíblia Novo Testamento – Paulinas:  Mateus 1,18-24
Pe. Adroaldo Palaoro, sj – reflexão do Evangelho
Desenho: Osmar Koxne     


Sugestão:
Música: Quando a gente encontra Deus – fx 10 (05:57)
Autor: Pe. Zezinho, scj
Intérprete: Pe. Zezinho, scj e Dalva Tenório
CD: Quando a gente encontra Deus
Gravadora:  Paulinas Comep