terça-feira, 26 de julho de 2016

Leitura Orante – 18º domingo do tempo comum, 31 de julho de 2016

Leitura Orante –  18º domingo do tempo comum, 31 de julho de 2016

A TIRANIA DO EGO

E direi à minha alma: alma, tens muitos bens armazenados para muitos anos;
descansa, come, bebe, e festeja. (Lc 12,19)


Texto Bíblico: Lc 12,13-21

1 – O que diz o texto?
A parábola do “homem rico”, dominado pelo “ego possessivo”, é contada por Jesus a partir de uma demanda de alguém que d’Ele se aproxima e lhe suplica que resolva uma questão da partilha de bens com seu irmão, que lhe faça justiça. Como bom pedagogo, Ele parte de uma questão colocada por alguém e vai mais além da exterioridade da situação; ou seja, Ele vai à raiz dos problemas, que está no coração do ser humano.

O monólogo do “homem rico”, no Evangelho de hoje, revela que, tudo na sua vida, gira em torno do próprio eu: "meus celeiros", "meu trigo", "meus bens". Em sua vida, não existe espaço para Deus e para o próximo. Tudo é pensado em função de sua satisfação pessoal: solidariedade, partilha, misericórdia são palavras banidas de seu vocabulário.

Este homem reduz sua existência a desfrutar da abundância de seus bens. No centro de sua vida está só ele e seu bem-estar. Deus está ausente. Os empregados que trabalham em suas terras não existem. As famílias das aldeias que lutam contra a fome não contam.
Para Jesus é mais importante desmascarar a cobiça e a avareza que nos dominam que fazer valer os direitos na partilha da herança.

As palavras de Jesus, nesse sentido, são magistrais: “Tomai cuidado contra todo tipo de ganância...; a vida de um homem não consiste na abundância de bens” (v. 15).


2 – O que o texto diz para mim?
O Evangelho não me convida ao conformismo. O primeiro é a justiça, querida por Deus, pregada e vivida por Jesus: que todos tenham pão, moradia, saúde... fruto da comunhão, da solidariedade, novo nome da justiça; isso é o Reino, a Nova Humanidade. Mas pode ocorrer que quando tenho o justo, o que me corresponde como filha e irmã, ambiciono mais. Esta cobiça, pecado de raiz, nunca me permitirá descansar.

Segundo o Evangelho a pessoa cresce e se enriquece na entrega e na desapropriação. 

Porque só assim deixa refletir algo da maneira de ser de Deus. Nisso consiste também em ser “rico para Deus”.


3 – O que a Palavra me leva a experimentar?
Na vida, eu preciso de algumas seguranças. E aspiro condições dignas de vida. Mas, há uma linha que separa a necessidade verdadeira da ansiedade imposta, a segurança do necessário e a insegurança do excesso e do abuso. Há uma tentação muito humana que a mim habita: a de ter mais, acumular sempre, apossar-se de tudo... Parece que não me satisfaço nunca com aquilo que consigo. Tudo revela-se insuficiente, e o impulso por acumular – riquezas, bens, relações ou experiências – se converte em voracidade.

Esta carência existencial é reforçada pelo ambiente no qual vivo, marcada pelo consumismo; a publicidade continuamente me impõe a ideia de que só tem valor quem tem e acumula bens e riquezas.

Nesse ambiente, vou alimentando uma espécie de ego, vivendo centrada em mim mesma e separada do resto do mundo. Tal ego é possessivo. Muitas vezes manifesta-se como um desejo insaciável de dinheiro e de bens. Daí a obsessão pela riqueza. Toda a minha economia está baseada na poderosa força impulsionadora do interesse individual. O ego exacerbado quer controlar o seu mundo: pessoas, acontecimentos e natureza. A partir da riqueza, ganha força a busca do poder e do domínio sobre os outros.

O ego compara-se com os outros e compete pelos elogios e pelos privilégios, pelo amor, pelo poder e pelo dinheiro. É isso que me torna invejosa, ciumenta e ressentida em relação aos outros. Também é isso que me torna hipócrita, dominada pela duplicidade e pela desonestidade.

Esse ego não confia em ninguém a não ser em si mesmo. É essa falta de confiança que me torna tão insegura. Fico inevitavelmente cheia de medos, preocupações e ansiedades. O meu ego, ou individualismo egoísta, torna-me solitária e temerosa.

O ego não ama ninguém além de si, atendendo apenas às suas próprias necessidades e à sua própria gratificação. Sofrendo de uma falta total de compaixão ou empatia, ele pode ser extraordinariamente cruel para com os outros.


4 – O que a Palavra me leva a falar com Deus?
Senhor, de onde vem tanta avareza e cobiça? Onde se encontra a raiz do instinto de posse?

Posso dizer que por detrás desse impulso de acumulação se esconde uma experiência de empobrecimento humano. Na origem da avareza, parece existir um vazio afetivo, uma infantil experiência de insegurança e, em último termo, uma desconexão de minha verdadeira identidade.

O vazio afetivo “exige” ser preenchido compulsivamente: esta é a fonte da ansiedade, que se traduz em variadas dependências, uma das quais, pode ser a afeição desordenada pelo dinheiro ou pelos bens materiais. Neste sentido, a cobiça ou avareza é esforço – inútil e estéril de preenchê-lo.

A avareza, enquanto necessidade ilimitada de acumular, se explica – como todos os comportamentos egóicos – a partir da desconexão de minha verdadeira identidade. O que sou em minha identidade profunda – é Plenitude. Mas, quando me distancio de meu “eu profundo” ou o ignoro, começo a viver como ser separada e carente, em luta permanente e esgotadora por dissimular aquela carência que creio ser. Mendigo migalhas – “ajunto tesouros para mim mesma” – sem reconhecer que já sou “rica diante de Deus”.


5 – O que a Palavra me leva a viver?
Estar sempre alerta para não me deixar determinar pelo dinamismo da cobiça.
Viver confiando nas mãos providentes do Deus Pai, Mãe, buscando o Reino Utopia como o mais importante.

Investir  numa única fortuna: a do amor, do favorecimento da vida, a do descentramento de si mesmo em favor do serviço ao outro, o das obras em favor dos mais pobres e desfavorecidos...

Deixar cair minha falsa identidade, tomar distância do ego e, pacificar e aquietar o meu interior, fazer-me consciente da Plenitude que sou.

Descobrir a nobreza de minha identidade profunda, identidade unitária e partilhada, a salvo de ladrões, enfermidades e mortes.

Desmascarar meu ego com todas as suas maquinações e duplicidade.
Só uma pessoa esvaziada de seu ego pode transformar-se e transformar a realidade.

  
Fonte:
Bíblia Novo Testamento – Paulinas:  Lc 12,13-21
Pe. Adroaldo Palaoro, sj – reflexão do Evangelho
Desenho: Osmar Koxne      

Sugestão:
Música: Sem Deus – Fx 07 (3:36)
Autor: Pe. João Carlos
Intérprete: Pe. João Carlos
CD: Pe. João Carlos - Profetas
Gravadora:  Paulinas Comep

Sugestão:
Música: Valores – Fx 09 (2:58)
Autor: Pe. Zezinho, scj
Intérprete: Fabio Carneirinho
CD: O pregador e o sanfoneiro
Gravadora:  Paulinas Comep





quarta-feira, 20 de julho de 2016

Leitura Orante – 17º domingo do tempo comum, 24 de julho de 2016


Leitura Orante –  17º domingo do tempo comum, 24 de julho de 2016

PAI-NOSSO: a grande “petição” que nos descentra

“Pedi e vos será dado; buscai e encontrareis; batei e vos será aberto” (Lc 11,9)


Texto Bíblico: Lc 11,5-13

1 – O que diz o texto?
Na expressão “pedi e recebereis”, Jesus procura despertar, naquele que ora, a confiança no Pai.

Isso é o que nos ensina, também, a parábola do amigo inoportuno no evangelho de hoje; o que esta parábola recomenda não é tanto a perseverança na petição, mas a perseverança na confiança; não nos diz que Deus se colocará ao nosso lado pela insistência com que o pedimos, mas que Deus sempre está de nosso lado, querendo dar-nos tudo o que de verdade necessitamos.

Ao entrarmos no fluxo do Amor providente do Pai, a oração de petição dilata o nosso coração para receber aquilo que pedimos. É uma mudança no coração de quem reza. O sentido da petição não está, pois, no pedir, mas nas atitudes fundamentais da pessoa que pede. O que tem sentido não é a petição em si, mas a humilde gratidão, a acolhida agradecida, a confiança incondicional.

O Pai Nosso é a única oração que Jesus nos ensinou e resume de maneira simples sua mensagem, sua intenção e sua missão. Nela, Jesus expressa intimidade com o Pai e seu compromisso com os outros, especialmente os mais pobres e sofredores. Se rezado com atenção e profundidade o Pai Nosso é também, para nós, um itinerário de expansão de nós mesmos, uma proposta de descentramento.

Apesar de Deus ter muitos nomes nas diversas religiões, a deslumbrante oração ensinada por Jesus só aponta um nome: Pai. “Pai” é um nome que qualquer ser humano compreende, um nome que não fere nenhuma cultura e não fomenta qualquer sectarismo.
Por isso, tudo o que a oração do Pai-Nosso pede é universal (pai, pão, perdão), sendo, ao mesmo tempo, muito judaico, muito cristão, ou seja, muito humano.


2 – O que o texto diz para mim?
O Pai-nosso é uma oração universal porque ela é dirigida a todo ser humano, de qualquer raça, cultura, religião, mas em especial àqueles que tem coragem para se esvaziar de si mesmos e se tornar eternos aprendizes, àqueles que procuram a serenidade e a mansidão, àqueles que tem sede e fome de justiça, àqueles que querem construir uma nova sociedade.

Isso é ser cristão: na intimidade com Deus, poder dizer “Pai” (ou “Mãe”). Saber que estou envolvida pelas mãos providentes e cuidadosas do Pai, que sou presença de Deus no mundo (que Ele vive e se expressa em mim), essa é a essência da oração cristã. Nada mais, só isso: “Abba”, Pai/Mãe, proclamado e vivido... para assim crescer e ser humana a partir de Deus.

Como todo judeu, Jesus orava com frequência em forma de súplica e petição. E o Pai-Nosso é uma grande petição. Nela manifesto minha atitude filial: reconhecer a Deus o direito de ser Pai.

O ser humano recorre a Deus como pobre, limitado, extraviado... A oração de petição é uma atitude do pobre que tudo agradece e tem consciência de esperar tudo de Deus.


3 – O que a Palavra me leva a experimentar?
A petição como atitude, me desarma de minha auto referência e me faz sair de mim mesma numa dupla direção: ao Pai e aos outros. Ela tem um sentido muito nobre porque com isso confesso a minha indigência diante de Deus, manifesto a minha confiança e reconheço a Sua grandeza, o Seu Santo Nome e o Seu amor para comigo.

Na oração de petição: aquele que ora, continua a orar, até se tornar ele mesmo, ouvinte do que Deus deseja para todos os seus filhos e filhas. A petição o arranca do individualismo e o situa no horizonte do outro.

Ao mesmo tempo, minha vida se abre para as necessidades de todos, tornando-me porta-voz dos mais carentes. Nesse sentido, a petição arranca de meu egocentrismo, expandindo-me e fazendo-me participar do mesmo fluxo do amor e do cuidado do Deus Pai/Mãe que tudo sustenta e ampara.

  
4 – O que a Palavra me leva a falar com Deus?
Senhor, as diferentes petições dirigem a minha atenção no sentido de orientar a minha vida e as minhas necessidades a partir de Deus. O polo de atenção passa da minha necessidade para a bondade de Deus.

Tanto em sua forma reduzida (Lucas) como em sua forma mais extensa (Mateus), a oração do Pai-Nosso não faz referencia a nenhum dogma especificamente cristão: nem Trindade, nem Jesus como Filho de Deus, nem Espírito Santo, nem Igreja, nem Eucaristia, nem sacramento... Também não contém nenhuma referência que seja exclusivamente judaica (nome de Javé, patriarcas, Moisés, Lei, Templo, cidade sagrada de Jerusalém, expiação ritual, tradições nacionais, alimentos puros, purificações, festas...).

Jesus orou como um judeu e assim me ensinou a orar. Mas, ao mesmo tempo, o Pai-Nosso é uma oração universal, pois pode ser assumida por todos aqueles que creem em Deus e se atrevem a invocá-lo com a expressão “Pai”, pedindo-lhe que seu Nome seja santificado, que venha seu Reino, que o pão seja partilhado, que o perdão seja um estilo de vida.

A oração do Pai-Nosso, portanto, resgata-me da acomodação e me dá um choque de lucidez. Ela oxigena a minha mente e implode meu conformismo; é instigadora e provocativa, uma fonte inspiradora que me liberta da rotina “normótica” (vida sem criatividade e sem inspiração).


5 – O que a Palavra me leva a viver?
Na petição, expresso a Deus, com simplicidade e confiança, todas as minhas carências, meu ser radicalmente necessitado.

Expresso diante de Deus meu limite e minha impotência.

Manifesto a Ele minha confiança plena, baseada justamente no contraste entre minha mesquinhez e o surpreendente “muito mais” da bondade e do amor de Deus, pois Ele está, a todo momento, comunicando-me tudo, agindo sempre em meu favor e para meu bem. Tudo procede das suas mãos providentes e cuidadosas.

Colocar-me em sintonia com Deus, e assim entender o que é melhor para o verdadeiro bem de todos.

Orar e saber ouvir o que Deus quer de mim.

Orar e entrar em sintonia com a Vontade do Pai.

A oração de petição me revela se realmente creio. Nela confesso que dependo de Deus.

A oração bem feita é a pedra de toque de minha e de minha humildade. Aqui o que se destaca é a certeza de que Deus me escuta.

Quando rezo encontro a força para fazer o que ia pedir a Deus. Esse é o autêntico sentido da oração de petição.

Fonte:
Bíblia Novo Testamento – Paulinas:  Lc 11,5-13
Pe. Adroaldo Palaoro, sj – reflexão do Evangelho
Desenho: Osmar Koxne      

Sugestão:
Música: Orar costuma fazer bem – fx 5 (3:13)
Autor: Pe. Zezinho, scj
Intérprete: Pe. Zezinho, scj
Coro: Dalva, Karla, Sueli, Vanessa, Luan
CD: Canções em fé maior
Gravadora:  Paulinas Comep
  
Sugestão:
Música: Pai Nosso – fx 2 (3:15)
Autor: Pe. Zezinho, scj
Intérpretes: Andreia, Dalva, Karla, Vanessa e Luan
CD: Iguais – Cantores de Deus
Gravadora:  Paulinas Comep


quarta-feira, 13 de julho de 2016

Leitura Orante – 16º domingo do tempo comum, 17 de julho de 2016



Leitura Orante –  16º domingo do tempo comum, 17 de julho de 2016

HOSPITALIDADE: 

Espaço de coração dilatado, gratuidade e contemplativo.

“Jesus entrou num povoado, e uma mulher, 
chamada  Marta, deu-lhe hospedagem” (Lc 10,38)

                                                                           
Texto Bíblico: Lc 10,38-42


1 – O que diz o texto?
A hospitalidade envolve a escuta respeitosa daquilo que o outro tem a dizer, em uma abertura humilde do coração e da mente para compreender as diferenças e novidades que o outro nos traz. Aqui revela-se a diferença entre a hospitalidade de Marta e a de Maria, no evangelho deste domingo. 

Marta é a eficácia do amor serviçal e hospitaleiro a um amigo muito querido que foi acolhido com todo carinho na casa familiar. 

Maria é a gratuidade que escuta absorta a novidade que Jesus traz. 

Marta deve escutar o que diz Jesus e compreenderá que sua vida não fica limitada à tarefa de atender bem a familiares e amigos entre as quatro paredes da vida doméstica, senão que deve abrir-se para cuidar e servir o Reino de Deus que chega por todas as partes.

Maria não só deve estar atenta às palavras de Jesus, mas ao que dizem milhões de pessoas no mundo, suas solidões e suas alegrias, para que a novidade de Deus que se gesta em suas vidas encontre um rosto de lar onde possa ser acolhida e nascer na história.

Se existe uma atitude de vida que pede o resgate de sua profundidade e seu poder evocativo original é a da “hospitalidade”. É um dos termos bíblicos mais ricos, que nos ajuda a aprofundar e aumentar a compreensão sobre a relação com nossos semelhantes.



2 – O que o texto diz para mim?
A diaconia (serviço) da hospitalidade é um movimento que vem de dentro da pessoa e se estende no vaivém das relações humanas mais distantes e mais próximas. É abertura e disponibilidade àquele que interpela as minhas convicções, meu modo rotineiro e estreito de viver.

Em contexto de hospitalidade, anfitrião e hóspede podem revelar suas riquezas mais preciosas e trazer vida nova um ao outro. Só quem tem coração dilatado vive a hospitalidade como surpresa provocativa.

A hospitalidade é antes de mais nada uma disposição da alma, aberta e irrestrita. Acolher o outro significa multiplicar a alegria do encontro, da novidade e da partilha, não só do pão mas da vida.



3 – O que a Palavra me leva a experimentar?
A hospitalidade é uma “experiência existencial”, situa-se no nível do ser. É uma acolhida gratuita. Aquele que é acolhido tem direitos, mas também tem deveres e aquele que acolhe está disposto a mudar sua rotina, e ambos estão disponíveis a renovar, a redefinir sua identidade: “Antes de representar um problema para a minha identidade, ele (o hóspede) é estímulo para uma convivência sempre a reescrever, atualizar, enriquecer...” (Dal Corso, Marco). 

Essa é a minha vocação: converter o “hostis” em “hospes”, o diferente em convidado, o estranho em amigo, e criar o espaço livre e sem medo, no qual a fraternidade pode ser experimentada em plenitude.



4 – O que a Palavra me leva a falar com Deus?
Senhor, meu coração pode querer ajudar os outros e mostrar simpatia para com os pobres, solitários, rejeitados, minoritários...: no entanto, eu me protejo com um muro de medo e de sentimentos hostis, evitando instintivamente pessoas e lugares que possam me lembrar de minhas boas intenções.

Em um mundo tão competitivo, mesmo pessoas próximas, como colegas de classe, de equipe, de trabalho, todos podem ficar infectados pelo medo e pela hostilidade quando sentem o outro como uma ameaça à sua segurança pessoal. 

O paradoxo da hospitalidade é que ela deseja criar o “vazio”, um vazio amistoso no qual os estranhos podem entrar e descobrir a si mesmos livres como foram criados; livres para cantar suas canções, para falar suas línguas, para dançar suas danças; livres para expressar seus sentimentos e para seguir suas decisões. E isso não só no espaço físico da casa, mas nesse imenso continente das redes sociais, nos diferentes grupos de interesse, nos relacionamentos...

O verdadeiro hospitaleiro oferece o espaço, onde pode ouvir sua voz interior e descobrir sua maneira pessoal de ser humano. A verdadeira hospitalidade é inclusiva e dá espaço para uma grande variedade de experiências humanas.



5 – O que a Palavra me leva a viver?
Como comunidade seguidora de Jesus sou chamada a oferecer espaço aberto, hospitaleiro, onde os estranhos possam libertar-se de sua estranheza e transformar-se em minhas companheiras.

Ser Marta e Maria, o serviço eficaz e a gratuita contemplação de Jesus, irmanados em um modo original de viver a hospitalidade, onde o serviço pequeno e gratuito, a proximidade de portas abertas, o viver a cotidianidade como dom se constituem como a identidade cristã.

Hospitalidade: oferecer a quem chega um espaço no qual a mudança pode acontecer. 

Hospitalidade: oferecer uma liberdade sem as amarras de linhas divisórias. 

Hospitalidade: a dádiva de uma chance para que o hóspede descubra o seu próprio estilo.

Hospitalidade: abrir uma oportunidade para que os outros encontrem sua fé e seu caminho.

Continuamente me deparo com um Deus que chega gratuito e  imprevisível em minha vida, suplicando hospitalidade. Quando Ele é acolhido,  minha cotidianidade se converte em milagre.



Fonte: 
Bíblia Novo Testamento – Paulinas:  Lc 10,38-42
Pe. Adroaldo Palaoro, sj – reflexão do Evangelho
Desenho: Osmar Koxne       



Sugestão:
Música: Uma luz em cada coração – fx06 (3:18)
Autor: Dom Betto, Lula, Tivas, Emmanuel Santos
Intérpretes: Emmanuel, Paulinho Campos, Ricardo Moreno, Yara Negrete, Claudia Ferrete, Vera Veríssimo.
Coro Infantil: Paz-Saredo
Regente: Regina C. Oliveira
CD: Emmanuel – Um canto de paz 
Gravadora:  Paulinas Comep

terça-feira, 12 de julho de 2016

radio9dejulho AM 1600kHz


radio9dejulho.com.br

Programa: NOS PASSOS DE PAULO
das 20h às 21h
de segunda à sexta

Para sintonizar é só clicar no link:


What’sApp
 (55 11) 9 4169 3879

Vamos passar essa hora juntos. Participe.
Graça e Paz.


quarta-feira, 6 de julho de 2016

Leitura Orante – 15º domingo do tempo comum, 10 de julho de 2016


Leitura Orante –  15º domingo do tempo comum, 10 de julho de 2016

A MISERICÓRDIA DESPERTA O “SAMARITANO” EM NOSSO INTERIOR

“A Igreja tem a missão de anunciar a misericórdia de Deus, coração pulsante do Evangelho... “ (Papa Francisco – Misericordiae Vultus)
                                                                                                                                                          
Texto Bíblico: Lc 10,25-37

1 – O que diz o texto?
Em pouco mais de uma linha, o evangelista Lucas, na parábola do Bom Samaritano, ajunta uma infinidade de ações: o samaritano se compadece, se aproxima, enfaixa suas feridas, coloca-o em seu próprio animal, o conduz à hospedaria e o cuida. 

Diante da presença do homem semi-morto, o sacerdote e o levita dão a volta; o samaritano se aproxima.

Dois itinerários que determinarão não só a sorte da vítima, mas também a dos viajantes. Os dois primeiros, recusando seu auxílio, revelam sua desumanidade, com a desculpa de manter sua pureza religiosa. O samaritano é um exemplo de humanidade, mesmo com o risco de tornar-se “impuro”.

Na parábola, o samaritano se sentiu impactado, se deixou afetar, seu coração se estremeceu..., ao “olhar um corpo estendido no chão”. A partir desse momento, ele “desvia” do seu caminho e se desloca em direção àquele de quem todos se desviavam e “passavam do outro lado”. Gasta do que é seu, dedica tempo, mobiliza toda sua atenção frente ao ferido. Mistura sua vida com a de um necessitado e rompe solidões. Muda seu esquema de vida e se deixa levar pela misericórdia criativa. 

Jesus, o grande samaritano, se aproxima de todos e de cada um de nós para curar as nossas feridas e derramar sobre elas o óleo da sua consolação e o vinho da sua força; Ele se ocupa de nossas fragilidades, nos convida a ir com Ele aos lugares onde a vida está mais em perigo e a confiar na força secreta da compaixão e da esperança teimosa.

Os relatos evangélicos destacam que a atuação de Jesus está sempre inspirada, motivada e impulsionada pela misericórdia para com todo ser humano. É a misericórdia a que explica e define Sua maneira de ser e de atuar. O sofrimento das pessoas comove suas entranhas, penetra até o fundo de seu ser e se converte em seu princípio de ação transformadora.

Esta presença misericordiosa de Jesus está presente, de maneira contundente, na parábola do “bom samaritano”, onde o próprio Jesus “pinta” seu auto-retrato.


2 – O que o texto diz para mim?
O ícone do “bom samaritano” apresenta o próximo “em situação”, o próximo concreto, histórico, que interpela e compromete cada um em escolhas decisivas, em relação às quais se demonstra se é ou não “próximo” do necessitado. O “próximo” não é somente o outro para mim, mas eu para o outro.

O “próximo”, no sentido expresso pela parábola, não pode me deixar indiferente; provoca uma resposta, compromete em uma ternura concreta, oblativa, capaz de risco, para socorrer o ferido.

O samaritano começa a viver novos registros do que são a solidariedade, o amor e a liberdade. Seu coração tocado pela compaixão o anima a modelar a vida em prol dos outros.

Quando acolho a realidade e nenhuma venda me impede ver o sofrimento do outro, a reação imediata é a compaixão. A compaixão samaritana não se reduz a um mero sentimento empático; inclui, além disso, a ação por aliviar o sofrimento do outro e o risco de compartilhar seu destino.


3 – O que a Palavra me leva a experimentar?
O encontro com este ícone da ternura desperta dentro de mim o samaritano que permanece “adormecido”. Somente a Misericórdia de Deus, que revela seu Rosto no rosto de tanta exclusão, violência e sofrimento, é capaz de despertar o “samaritano” que eu carrego. 

Isso implica em abandonar a estreiteza de meus projetos e deixar o meu coração bater no ritmo dos sofredores e excluídos, vítimas da desumanização de minha sociedade.

O “bom samaritano” é todo aquele que se detém ao lado do sofrimento de outra pessoa, quem quer que seja. É comoção, compaixão, disponibilidade, ajuda concreta. É doação de si mesmo.

A compaixão me coloca ao lado das vítimas e, a partir daí, me ajuda a ler o drama interno da história em termos de injustiça, desigualdade e opressão. A compaixão pergunta pelos desajustes estruturais que estão por detrás de cada desgraça. Nas catástrofes naturais o número de mortos costuma ser inversamente proporcional ao PIB per capita...  


4 – O que a Palavra me leva a falar com Deus?
Senhor, é necessário certo “grau de escala Richter de desgraça” para provocar um sismo em meu interior e despertar o “samaritano” ali presente...

Muitas das ações samaritanas me colocam em situações de aperto: aproximar-me até ficar “impura”. 

O compromisso samaritano passa por “manchar-se”, exige tomar partido pelos últimos, arriscar-se a perder subvenções, expor-se a ter o nome na ficha policial. Em suma, ficar “impuro” perante os olhos da “religião oficial” do Estado.

A parábola ainda me faz cair na conta do profundo valor simbólico que se esconde por detrás do simples ato do samaritano de fazer o ferido viajar sobre sua própria cavalgadura. O samaritano conduz o animal para a pousada como um servo conduz seu senhor. A distinção entre aquele que viaja e aquele que conduz o animal é muito forte, ainda hoje, no mundo oriental.


5 – O que a Palavra me leva a viver?
Viver o amor gratuito que brota de uma profunda sintonia com o mistério insondável de Deus Pai-Mãe, fonte de misericórdia; assim como Jesus viveu...

Compadecer-se, aproximar-se, curar, levar, cuidar... tecem a rede de ações que definem a ajuda samaritana, diferenciando-a de propostas meramente retóricas, modelos assistencialistas e ajudas estruturais desencarnadas.

Estar atenta em aliviar o sofrimento humano.

Escutar a voz das vítimas.

Ser samaritano é um estilo de vida.


Fonte: 
Bíblia Novo Testamento – Paulinas:  Lc 10,25-37
Pe. Adroaldo Palaoro, sj – reflexão do Evangelho
Desenho: Osmar Koxne       


Sugestão:
Música: Eis o bom samaritano – fx 5 (3´20”)
Autor: Frei Luiz Turra
Intérpretes: Idalina Miraci, Terezinha Reghellin, Maria do Carmo Diniz, Frei Luiz Turra, Luciano Baldasso e Fabio Cadorin
CD: Cura-me Senhor, e serei curado
Gravadora:  Paulinas Comep



quarta-feira, 29 de junho de 2016

Leitura Orante – São Pedro e São Paulo, 03 de julho de 2016


Leitura Orante –  São Pedro e São Paulo, 03 de julho de 2016

MINHA IDENTIDADE “escondida em Cristo”

“E vós, quem dizeis que eu sou?” (Mt 16,15)


Texto Bíblico: Mt 16,13-19  


1 – O que diz o texto?
Nos evangelhos sinóticos, esta pergunta sobre a identidade de Jesus ocupa um lugar destacado. Ela nos oferece as respostas do povo e da comunidade de discípulos, personalizados em Pedro.

No evangelho de hoje, Jesus revela sua identidade (“Messias, o Filho do Deus vivo”) e, ao mesmo tempo, desvela a identidade de Pedro: “Tu és “petros” (pedregulho) e sobre esta “petra”(rocha) edificarei minha igreja”. Pedro se torna rocha firme (“petra”) quando se apoia na identidade de Jesus (a verdadeira Rocha).

Pedro, que era “petros” (pedra de tropeço no caminho), foi sendo transformado, através da identificação com Jesus, em “petra”, rocha firme da primitiva comunidade cristã.

Dessa forma, o Simão que era “petros”/pedra se converte em “Petra”/rocha firme, porque o mestre desvelou a nobreza que estava escondida no coração dele, ou seja, sua verdadeira identidade sobre a qual o mesmo Jesus iria edificar sua igreja.

Nosso seguimento está fundamentado no Jesus que encarna o ideal do ser humano querido por Deus, Aquele que nos revela, ao mesmo tempo, quem é Deus e quem é o ser humano. Por isso, a pergunta que devemos responder é: “quê significa Jesus, para mim?” 

É preciso deixar muito claro que não se pode responder a essa pergunta se não nos perguntamos ao mesmo tempo: “quem sou eu?” . O encontro com a identidade de Jesus desvela nossa própria identidade.

Na realidade, a pergunta pela identidade é a mais importante de todas aquelas que podemos nos fazer: “Quem sou eu?” A rigor, essa é a primeira e essencial pergunta. A resposta adequada à mesma nos liberta da ignorância, da confusão e do sofrimento. Faz-nos livres e nos possibilita viver na luz.



2 – O que o texto diz para mim?
Perguntar sempre:  “quem é Jesus?”. Aqui não se trata do conhecimento externo da pessoa de Jesus: quando e como viveu, quem são seus pais, em que cultura viveu, qual era seu entorno social e religioso; nem sequer se trata de conhecer e aceitar sua doutrina.Todo ser humano possui dentro de si uma profundidade que é o seu mistério íntimo e pessoal; trata-se do “EU original”, aquele lugar santo, intocável, onde reside o lado mais positivo da pessoa.

É aqui onde a pessoa encontra a sua identidade pessoal; trata-se do CORAÇÃO,  da dimensão mais verdadeira de si, da sede das decisões vitais, lugar das riquezas pessoais, onde vive o melhor de si mesma, onde se encontram os dinamismos do seu crescimento, de onde parte as suas aspirações e desejos fundamentais, onde percebe as dimensões do Absoluto e do Infinito da sua vida.

O próprio ser é a rocha consistente e firme, bem talhada e preciosa que cada pessoa tem para encontrar segurança e caminhar na vida superando as dificuldades e os inevitáveis golpes da luta pela vida.

Com confiança em si e na rocha do próprio interior todas as forças vitais se acham disponíveis para crescer dia-a-dia, para a pessoa se tornar aquilo que originalmente é chamada a ser.



3 – O que a Palavra me leva a experimentar?
Descobrir a própria identidade pessoal é situar-se na linha da orientação e sentido da vida. A pessoa deve ter a capacidade de voltar sobre si mesma e perceber por onde está sendo conduzida e porquê. Concretamente, isso pressupõe uma atitude de atenção e escuta que permitem à pessoa situar-se diante do “para onde” e “para quê”,  diante da motivação básica do viver e do agir, diante da “intenção”  com que faz as coisas...

Minha existência não pode ser de anonimato e indefinição. Ela exige identidade clara e bem definida.

Normalmente confunde-se a identidade com certas “marcas distintivas”: o nome, a profissão, a posição social, política ou religiosa, a função...

A identidade, no entanto, é dinâmica, histórica, fecunda, aberta ao desconhecido, aventureira...; ela é lugar de expansão e de manifestação da livre circulação do impulso vital, que faz de cada ser humano um “sopro divino vivo”.

O grande místico cristão do séc. XIII, Mestre Eckhart, repetia essa expressão contundente: “Meu solo e o de Deus são o mesmo”.



4 – O que a Palavra me leva a falar com Deus?
Senhor, o ser humano é um contínuo “tornar-se”, um “vir-a-ser”, um “ek-sistir”, capacidade de ir além de si e adiante de si, no movimento de infinita transcendência.

Só transcende quem se aproxima da própria interioridade, do próprio coração.

Ter identidade é viver em contato com as raízes que me sustentam. Em contato com a fonte e na viagem para dentro, clareia-se a visão de mim mesma, da minha originalidade e dignidade.

Há uma força de gravidade que me atrai progressivamente para o mais profundo de mim mesma, onde Deus me espera e me acolhe, e onde encontro a minha própria identidade e a verdadeira paz.

“Que eu me conheça e que te conheça, Senhor! Quantas riquezas entesoura o homem em seu interior! Mas de que lhe servem, se não se sondam e investigam” (S. Agostinho).

De “petros” a “petra”: esse é o desvelamento que acontece em todo seguidor de Jesus quando escuta e vive sua Palavra, proclamada no Sermão da Montanha.

Minha identidade profunda é constituída pela fragilidade/petros e pela fortaleza/petra. Só no encontro com Aquele que é a Rocha firme é que transparece a “petra” que está oculta em meu interior.



5 – O que a Palavra me leva a viver?
O objetivo de minha vida é viver o que sou. E isso não é algo que devo “alcançar”, “conseguir” ou “conquistar”..., mas, simplesmente, reconhecer. Trata-se de cair na conta ou compreender quem sou. Ao compreender isso, emerge a plenitude, a sabedoria e a alegria.

A Rocha é o divino que me habita. No caminho do Seguimento de Jesus vou tirando os véus que bloqueiam e obscurecem minha visão, permitindo que aflore resplandecente minha radiante identidade.  

“Descobrir a si mesmo”

“Viver em profundidade”.

“Entrar” no âmago da própria vida, 

“Descer” até às fontes do próprio ser, até às raízes mais profundas. Aí se pode encontrar o sentido de tudo aquilo que é, o porquê do que se faz, se espera, busca e deseja.


Fonte: 
Bíblia Novo Testamento – Paulinas:  Mt 16,13-19  
Pe. Adroaldo Palaoro, sj – reflexão do Evangelho
Desenho: Osmar Koxne       


Sugestão:
Música: Juntos seremos fortes – fx 01 (4:08)
Autor e intérprete: Antônio Cardoso
Participação.: Ricardo Gomes
Coro: Dalva Tenório, Vanessa, Luan, Karla Fioravante e Suely Ferreira
CD: Antonio Cardoso - Juntos
Gravadora:  Paulinas Comep



quarta-feira, 22 de junho de 2016

Leitura Orante – 13º domingo do tempo comum, 26 de junho de 2016


Leitura Orante –  13º domingo do tempo comum, 26 de junho de 2016

Ter os olhos fixos em Jesus

“Aquele que, tendo posto a mão no arado, 
continua olhando para trás não é apto para o Reino de Deus”. (Lc 9,62)


Texto Bíblico: Lc 9,51-62


1 – O que diz o texto?
Há um aspecto no Evangelho de hoje que é preciso ressaltar: precisamos aceitar que o “objeto do olhar” (Jesus e seu chamado) pode melhorar nossa visão. Isso significa que a experiência do encontro com a pessoa de Jesus, seu olhar misericordioso e marcado pela ternura, a proposta ousada e desafiante que Ele nos faz... podem ajudar a purificar nossos olhos e  a melhorar nossa visão.

A própria pedagogia de humanização ampla de Jesus vai beneficiar nossa própria identidade, despertar dinamismos e desejos ocultos em nosso interior, sacudir nossas amarguras e ampliar nosso atrofiado olhar.

Os olhos feridos que não ousam ir mais além; podem vir do interior, bem como do exterior da pessoa. São ferimentos de sua história, de seu passado, das experiências frustrantes que viveu até o momento presente. Muitas pessoas passam grande parte da vida fortemente impactadas por experiências negativas, de desamor, de solidão e desvalorização... 

Por isso, temos a clara convicção de que a objetividade do olhar e a capacidade de fixá-lo em Jesus requer um mínimo de liberdade interior, de ter experimentado o amor em suas múltiplas expressões.

O olhar é o recurso não verbal mais expressivo e sincero que nós, seres humanos, possuímos, porque com um simples olhar podemos transmitir desde o ódio até uma declaração de amor ou de amizade.


2 – O que o texto diz para mim?
O olhar é o reflexo de minha interioridade; ele tem um grande poder porque deixa transparecer o que acontece e o que sinto por dentro.

O corpo humano é um receptor e um transmissor de emoções e a principal mediação para comunicá-las e transmiti-las é através do olhar. A maneira de conhecer melhor uma pessoa, criar laços de empatia é através do olhar. 

Meus olhos refletem meu interior. Eles podem estar em condições favoráveis para contemplar a cena do chamado de Jesus. São olhos sadios. Sadios porque há uma correspondência direta e uma profunda intimidade entre aquele que olha e Aquele que é olhado.

Há pessoas que olham de forma bastante objetiva, transparente. São pessoas internamente mais livres, cujo olhar se deixa impactar pela presença e pela proposta de Jesus. Desse olhar brota o assombro, a admiração e o impulso em assumir o mesmo sonho do Jesus peregrino: a realização do Reino do Pai.


3 – O que a Palavra me leva a experimentar?
“Se eu morrer, morre comigo um certo modo de olhar”, disse um poeta. Mas o hábito contamina os olhos e tira seu brilho expressivo. Acostumada a ver as coisas, as pessoas e, de tanto ver, banalizo o olhar, perdendo a capacidade de despertar assombro e encantamento. Vejo e não olho. O que está próximo de mim, o que me é familiar, já não desperta curiosidade. O campo visual vai se estreitando e tudo se torna rotina.

Faz-se necessário, então, despertar a criança que ainda habita em meu interior; ela vê o que o adulto não vê, pois tem olhos atentos e limpos para o espetáculo do mundo. 

“Um olhar contemplativo percebe sinais de evangelho nos acontecimentos mais simples” (Ir. Roger).


4 – O que a Palavra me leva a falar com Deus?
Senhor, a saturação de imagens, informações e efeitos especiais, tão característica de minha cultura, está minando, progressiva e sutilmente, a capacidade tanto de apreciar as realidades simples como de perceber a profundidade e o mistério que há nelas. O pior desta situação não é somente a perda da visão contemplativa, mas sobretudo não ter consciência do que acontece ao meu redor.

Seria de grande ajuda conhecer as “enfermidades” mais frequentes de minha visão. Detectá-las e reconhecê-las constituiria um avanço decisivo para eliminar os obstáculos que impedem penetrar no significado do mistério da vida em seu estado mais “puro”.

Mas não basta pousar os olhos sobre a realidade para captar a profundidade e transcendência do que é contemplado. É difícil ver o evidente. Exige uma tarefa prévia de “desvestir” os olhos para olhar de novo e descobrir o que verdadeiramente existe. “Ver é um esforço, e olhar, literalmente, é um milagre” (Luis Rosales).


5 – O que a Palavra me leva a viver?
Ter um olhar límpido.

Ter um olhar transparente.

Configurar o meu olhar ao de Jesus.

Fixar os meus olhos em Jesus.

Sentir, perceber os olhos fixos de Jesus em mim.

Ao “fixar seu olhar” em mim, chamando-me pelo nome, serei movida a fazer opções mais radicais e integrais pelo Reino, segundo o modo de ser, de viver e de fazer do próprio Jesus.

“Chamado-resposta” implica, pois,  uma troca comprometedora de olhares. O olhar transparente e livre de Jesus ressuscita o meu olhar tímido e estreito e me capacita a olhar amplos horizontes: seu povo, seu mundo dividido e excluído... Seu olhar me predispõe a encontrar motivações saudáveis e maduras que me permitem olhar e viver no contexto atual plural com amor, com entusiasmo e criatividade.


Fonte: 
Bíblia Novo Testamento – Paulinas:  Lc 9,51-62
Pe. Adroaldo, sj – reflexão do Evangelho
Desenho: Osmar Koxne       


Sugestão:
Música: Minha vocação
Autor e intérprete: Antônio Cardoso
CD: Antonio Cardoso – Quando se vive um grande amor
Gravadora:  Paulinas Comep