quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Mensagem do papa Francisco para a Quaresma


Foi publicada na terça-feira, dia 26 de janeiro, a Mensagem do Papa Francisco para a Quaresma de 2016. 

Tema: «“Prefiro a misericórdia ao sacrifício” (Mt 9, 13). As obras de misericórdia no caminho jubilar»

1. Maria, ícone duma Igreja que evangeliza porque evangelizada
Na Bula de proclamação do Jubileu, fiz o convite para que «a Quaresma deste Ano Jubilar seja vivida mais intensamente como tempo forte para celebrar e experimentar a misericórdia de Deus» (Misericordiӕ Vultus, 17). Com o apelo à escuta da Palavra de Deus e à iniciativa «24 horas para o Senhor», quis sublinhar a primazia da escuta orante da Palavra, especialmente a palavra profética. 
Com efeito, a misericórdia de Deus é um anúncio ao mundo; mas cada cristão é chamado a fazer pessoalmente experiência de tal anúncio. Por isso, no tempo da Quaresma, enviarei os Missionários da Misericórdia a fim de serem, para todos, um sinal concreto da proximidade e do perdão de Deus.
Maria, por ter acolhido a Boa Notícia que Lhe fora dada pelo arcanjo Gabriel, canta profeticamente, no Magnificat, a misericórdia com que Deus A predestinou. Deste modo a Virgem de Nazaré, prometida esposa de José, torna-se o ícone perfeito da Igreja que evangeliza porque foi e continua a ser evangelizada por obra do Espírito Santo, que fecundou o seu ventre virginal. Com efeito, na tradição profética, a misericórdia aparece estreitamente ligada – mesmo etimologicamente – com as vísceras maternas (rahamim) e com uma bondade generosa, fiel e compassiva (hesed) que se vive no âmbito das relações conjugais e parentais.

2. A aliança de Deus com os homens: uma história de misericórdia
O mistério da misericórdia divina desvenda-se no decurso da história da aliança entre Deus e o seu povo Israel. Na realidade, Deus mostra-Se sempre rico de misericórdia, pronto em qualquer circunstância a derramar sobre o seu povo uma ternura e uma compaixão viscerais, sobretudo nos momentos mais dramáticos quando a infidelidade quebra o vínculo do Pacto e se requer que a aliança seja ratificada de maneira mais estável na justiça e na verdade. Encontramo-nos aqui perante um verdadeiro e próprio drama de amor, no qual Deus desempenha o papel de pai e marido traído, enquanto Israel desempenha o de filho/filha e esposa infiéis. São precisamente as imagens familiares – como no caso de Oseias (cf. Os 1-2) – que melhor exprimem até que ponto Deus quer ligar-Se ao seu povo.
Este drama de amor alcança o seu ápice no Filho feito homem. N’Ele, Deus derrama a sua misericórdia sem limites até ao ponto de fazer d’Ele a Misericórdia encarnada (cf. Misericordiӕ Vultus, 8). Na realidade, Jesus de Nazaré enquanto homem é, para todos os efeitos, filho de Israel. E é-o ao ponto de encarnar aquela escuta perfeita de Deus que se exige a cada judeu pelo Shemà, fulcro ainda hoje da aliança de Deus com Israel: «Escuta, Israel! O Senhor é nosso Deus; o Senhor é único! Amarás o Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todas as tuas forças» (Dt 6, 4-5). 
O Filho de Deus é o Esposo que tudo faz para ganhar o amor da sua Esposa, à qual O liga o seu amor incondicional que se torna visível nas núpcias eternas com ela.
Este é o coração pulsante do querigma apostólico, no qual ocupa um lugar central e fundamental a misericórdia divina. Nele sobressai «a beleza do amor salvífico de Deus manifestado em Jesus Cristo morto e ressuscitado» (Evangelii gaudium, 36), aquele primeiro anúncio que «sempre se tem de voltar a ouvir de diferentes maneiras e aquele que sempre se tem de voltar a anunciar, duma forma ou doutra, durante a catequese» (Ibid., 164). 
Então a Misericórdia «exprime o comportamento de Deus para com o pecador, oferecendo-lhe uma nova possibilidade de se arrepender, converter e acreditar» (Misericordiӕ Vultus, 21), restabelecendo precisamente assim a relação com Ele. 
E, em Jesus crucificado, Deus chega ao ponto de querer alcançar o pecador no seu afastamento mais extremo, precisamente lá onde ele se perdeu e afastou d'Ele. E faz isto na esperança de assim poder finalmente comover o coração endurecido da sua Esposa.

3. As obras de misericórdia
A misericórdia de Deus transforma o coração do homem e faz-lhe experimentar um amor fiel, tornando-o assim, por sua vez, capaz de misericórdia. 
É um milagre sempre novo que a misericórdia divina possa irradiar-se na vida de cada um de nós, estimulando-nos ao amor do próximo e animando aquilo que a tradição da Igreja chama as obras de misericórdia corporal e espiritual. Estas recordam-nos que a nossa fé se traduz em atos concretos e quotidianos, destinados a ajudar o nosso próximo no corpo e no espírito e sobre os quais havemos de ser julgados: alimentá-lo, visitá-lo, confortá-lo, educá-lo. 
Por isso, expressei o desejo de que «o povo cristão reflita, durante o Jubileu, sobre as obras de misericórdia corporal e espiritual. Será uma maneira de acordar a nossa consciência, muitas vezes adormecida perante o drama da pobreza, e de entrar cada vez mais no coração do Evangelho, onde os pobres são os privilegiados da misericórdia divina» (Ibid., 15).
Realmente, no pobre, a carne de Cristo «torna-se de novo visível como corpo martirizado, chagado, flagelado, desnutrido, em fuga... a fim de ser reconhecido, tocado e assistido cuidadosamente por nós» (Ibid., 15). É o mistério inaudito e escandaloso do prolongamento na história do sofrimento do Cordeiro Inocente, sarça ardente de amor gratuito na presença da qual podemos apenas, como Moisés, tirar as sandálias (cf. Ex 3, 5); e mais ainda, quando o pobre é o irmão ou a irmã em Cristo que sofre por causa da sua fé.
Diante deste amor forte como a morte (cf. Ct 8, 6), fica patente como o pobre mais miserável seja aquele que não aceita reconhecer-se como tal. Pensa que é rico, mas na realidade é o mais pobre dos pobres. E isto porque é escravo do pecado, que o leva a utilizar riqueza e poder, não para servir a Deus e aos outros, mas para sufocar em si mesmo a consciência profunda de ser, ele também, nada mais que um pobre mendigo. 
E quanto maior for o poder e a riqueza à sua disposição, tanto maior pode tornar-se esta cegueira mentirosa. Chega ao ponto de não querer ver sequer o pobre Lázaro que mendiga à porta da sua casa (cf. Lc 16, 20-21), sendo este figura de Cristo que, nos pobres, mendiga a nossa conversão. Lázaro é a possibilidade de conversão que Deus nos oferece e talvez não vejamos. 
E esta cegueira está acompanhada por um soberbo delírio de omnipotência, no qual ressoa sinistramente aquele demoníaco «sereis como Deus» (Gn 3, 5) que é a raiz de qualquer pecado. Tal delírio pode assumir também formas sociais e políticas, como mostraram os totalitarismos do século XX e mostram hoje as ideologias do pensamento único e da tecnociência que pretendem tornar Deus irrelevante e reduzir o homem a massa possível de instrumentalizar. E podem atualmente mostrá-lo também as estruturas de pecado ligadas a um modelo de falso desenvolvimento fundado na idolatria do dinheiro, que torna indiferentes ao destino dos pobres as pessoas e as sociedades mais ricas, que lhes fecham as portas recusando-se até mesmo a vê-los.
Portanto a Quaresma deste Ano Jubilar é um tempo favorável para todos poderem, finalmente, sair da própria alienação existencial, graças à escuta da Palavra e às obras de misericórdia. Se, por meio das obras corporais, tocamos a carne de Cristo nos irmãos e irmãs necessitados de ser nutridos, vestidos, alojados, visitados, as obras espirituais tocam mais diretamente o nosso ser de pecadores: aconselhar, ensinar, perdoar, admoestar, rezar. 
Por isso, as obras corporais e as espirituais nunca devem ser separadas. Com efeito, é precisamente tocando, no miserável, a carne de Jesus crucificado que o pecador pode receber, em dom, a consciência de ser ele próprio um pobre mendigo. 
Por esta estrada, também os «soberbos», os «poderosos» e os «ricos», de que fala o Magnificat, têm a possibilidade de aperceber-se que são, imerecidamente, amados pelo Crucificado, morto e ressuscitado também por eles. Somente neste amor temos a resposta àquela sede de felicidade e amor infinitos que o homem se ilude de poder colmar mediante os ídolos do saber, do poder e do possuir. 
Mas permanece sempre o perigo de que os soberbos, os ricos e os poderosos – por causa de um fechamento cada vez mais hermético a Cristo, que, no pobre, continua a bater à porta do seu coração – acabem por se condenar precipitando-se eles mesmos naquele abismo eterno de solidão que é o inferno. Por isso, eis que ressoam de novo para eles, como para todos nós, as palavras veementes de Abraão: «Têm Moisés e o Profetas; que os oiçam!» (Lc 16, 29). Esta escuta activa preparar-nos-á da melhor maneira para festejar a vitória definitiva sobre o pecado e a morte conquistada pelo Esposo já ressuscitado, que deseja purificar a sua prometida Esposa, na expectativa da sua vinda.
Não percamos este tempo de Quaresma favorável à conversão! Pedimo-lo pela intercessão materna da Virgem Maria, a primeira que, diante da grandeza da misericórdia divina que Lhe foi concedida gratuitamente, reconheceu a sua pequenez (cf. Lc 1, 48), confessando-Se a humilde serva do Senhor (cf. Lc 1, 38).
Vaticano, 4 de Outubro de 2015

Festa de S. Francisco de Assis



[Franciscus]

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Dicas Naturais de Fitoterapia


Paulinas WEBTV - Dicas naturais

- Perda de memória | Hilton Claudino -- Fitoterapeuta
https://www.youtube.com/watch?v=iPl9mnvD4LI

- Prevenção de catarata e outros problemas de visão | Hilton Claudino -- Fitoterapeuta
https://www.youtube.com/watch?v=ViVo7ojSw1E

-Manchas senis | Hilton Claudino -- Fitoterapeuta
https://www.youtube.com/watch?v=d4jZ7ov0OnA

- Doenças reumáticas | Hilton Claudino -- Fitoterapeuta
semente de sucupira
https://www.youtube.com/watch?v=Ntwln6TWxyw




DVD Saúde e vida natural
https://www.youtube.com/watch?v=qH0SEJMEwXU
O fitoterapeuta Hilton Claudino apresenta um guia prático para trilhar o caminho da Saúde e Vida Natural. Resgata os benefícios dos chás de plantas medicinais e dos alimentos naturais, da água e dos banhos medicinais, dos vários tipos de argilas e sua correta aplicação. Indica também



PodCast  do site
www.paulinas.org.br/Rádio 


 Contatos do Professor Hilton
site: www.hiltonfito.com.br
Pode também ligar:
 (12) 3882-2649 ou

3883-1011

Leitura Orante – 5º domingo do tempo comum, 07 de fevereiro de 2016


Leitura Orante –  5º domingo do tempo comum, 07 de fevereiro de 2016

ALARGAR ESPAÇOS, SAIR ÀS MARGENS 

 “Tendo subido em uma das barcas, a de Simão,
 pediu-lhe para afastá-la um pouco da terra. (Lc 5,3)


Texto Bíblico: Lc 5,1-11


1 – O que diz o texto?
Uma multidão vinda de todas as partes o seguiu até à beira do lago de Genesaré, e Jesus pediu a seus discípulos que tivessem uma barca preparada, pois o povo o apertava, porque tinha curado a muitos. 

Jesus se afasta do centro, da sinagoga e busca as margens do lago. E ali desencadeia um “movimento humanizador”: vida destravada e abundante, horizonte de sentido, relações de comunhão...


2 – O que o texto diz para mim?
Jesus entrou em conflito com o mundo religioso da sinagoga. A Lei, que se expressava em inumeráveis preceitos minuciosos, fragmentava a existência, atrofiava a criatividade e não representava vida nova para o povo. A novidade de Jesus não cabia nos moldes da sinagoga, e começou a buscar outros espaços onde criar a vida expansiva do Reino, elaborar novos sinais e cunhar novas palavras.

O “outro lado”, para Ele, passa a ser terra privilegiada, onde nasce o “novo” por obra do Espírito.

Ali aparece o broto germinal do “nunca visto”, que em sua pequenez de fermento profético torna-se uma denúncia ao imobilismo petrificado e um questionamento à ordem estabelecida. Isso vai gerar uma maneira nova de viver, um estilo de vida, um compromisso diferente, uma ação carregada de ousadia...


3 – O que a Palavra me leva a experimentar?
Encontrando-se em meio a um mundo em efervescência, Jesus lançou por terra as paredes e os muros dos templos e sinagogas e mergulhou no mar espaçoso da vida cotidiana. Ele alcançou sua plenitude humana precisamente porque foi capaz de “transgredir” o que estava estabelecido e abrir-se à universalidade de todas as terras, de todos os povos, sem distinção de raças, condição social... Seu itinerário não foi unicamente geográfico. Mais que um simples deslocar-se, trata-se de um “modo de viver” e de situar-se no mundo. Ele se fez presente nos lugares socialmente rejeitados, lugares de exclusão e da marginalidade, e ali revelou a presença d’Aquele que se faz presente e santifica todos os lugares: o Pai.


4 – O que a Palavra me leva a falar com Deus?
Senhor, do mar da Galiléia ao mar da vida: este é o movimento que Jesus desperta nas pessoas.

Ele continua desafiando a que cada um mergulhe mais fundo no oceano do coração e ali ative os recursos ainda escondidos: novos sonhos, novas possibilidades, nova inspiração, novo sentido para a existência...

Para isso, é preciso vencer o medo que atrofia tudo o que é humano em mim e entrar no movimento expansivo de Jesus.


5 – O que a Palavra me leva a viver?
Jesus, na Galiléia, encontrou os seus lugares: nas margens do lago,  junto ao mar, nas estradas poeirentas, nas margens das cidades e montanha...

Jesus transitou livremente por diferentes espaços; o deserto foi para ele um espaço necessário de solidão e de oração, onde, na intimidade com o Pai, alimentava a originalidade de sua pessoa e de sua missão.

Com sua presença inspiradora e provocativa, Jesus alarga os espaços e os corações das pessoas: ao entrar no barco, este deixa de ser simples instrumento de pesca para ser lugar do anúncio; Ele amplia o rotineiro modo de pescar (“lançai as redes em águas mais profundas”); por fim, desafia aqueles rudes pescadores a deixarem aquele atrofiado mar e entrar no vasto oceano da vida (“sereis pescadores do humano”). 

Preciso levantar-me cotidianamente de meus “lugares” estreitos e seguros: há sempre um “lugar ferido” que me espera, um “ambiente atrofiado” a ser curado, um “espaço limitado” a ser ampliado... 

Deus me chama cada dia, me tira de meu estreito mar, me faz sair do que é meu, da segurança, da comodidade... e me faz entrar numa “terra nova”. A “travessia” ativa e revela o que há de melhor em cada um de nós. Com a presença expansiva e inspiradora serei também capaz de “pescar o humano” que está escondido no outro.

Sou desafiada a “viver uma vida no mundo e no coração da humanidade” (Pe. Kolvenbach).


Fonte: 
Bíblia Novo Testamento – Paulinas:  Lc 5,1-11
Pe. Adroaldo, sj – reflexão do Evangelho
Desenho: Osmar Koxne       




    

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Leitura Orante – 4º domingo do tempo comum, 31 de janeiro de 2016

Leitura Orante –  4º domingo do tempo comum, 31 de janeiro de 2016

JESUS, “O HOMEM EMBRIAGADO COM A PALAVRA” 

“Todos davam testemunho dele e estavam 
admirados pelas palavras da graça que saíam da sua boca” (Lc 4,22) 



Texto Bíblico: Lc 4,21-30  


1 – O que diz o texto?
Chegada a plenitude dos tempos, Deus disse sua Palavra definitiva e insuperável em Jesus.  

Jesus, em sua vida e missão, prolonga a Palavra criativa de Deus; começa a falar uma Palavra sedutora a partir da margem geográfica, cultural, religiosa e econômica. 

Suas palavras revelam uma força “recriadora”, que é o sentido belo do viver; através delas Jesus põe em movimento a realidade, reconstrói pessoas feridas em sua dignidade, comunica saúde onde há enfermidade, faz emergir a vida onde impera a morte.

As palavras tem um peso no anúncio e na atividade missionária de Jesus. 

Como um raio x que transpassa, as palavras proferidas por Ele iluminam os recantos mais profundos do ser humano; como um refletor em noite escura, ela reacende a esperança onde tudo já perdeu o sentido; como a chuva em terra seca, ela desperta novidades na vida, sacode as consciências adormecidas, põe em questão as atitudes de indiferença e de fechamento... 

Palavra encarnada, Jesus sintoniza e ajusta sua palavra à palavra do Pai.

Com sua vida e sua palavra, Jesus interrompe o discurso dos especialistas sobre Deus. A surpresa, o desapontamento e o conflito que Jesus provocou, ensaiam cada dia novas palavras e novos gestos.

Seu ensinamento, cheio de “autoridade” introduz uma perspectiva nunca ouvida antes; apresenta uma alternativa que as pessoas mais simples do povo entendem como revelação do Pai aos pequeninos. 

No encontro com a realidade dos pobres e excluídos, Jesus extrai palavras significativas, previamente cinzeladas e incorporadas no seu interior, onde elas revelam dinamismo, sentido e alteridade; sua palavra brota de uma vida interior fecunda e conduz a uma vida comprometida. 


2 – O que o texto diz para mim?
É extraordinário perceber como as palavras ditas com cuidado e amor (pedagogia de Jesus) produzem efeitos benéficos para o ser humano. Suas palavras são bem-aventuradas, pois são capazes de fazer crescer, sustentar, edificar as pessoas para o convívio social, humano-afetivo, espiritual. São palavras que trazem luz e calor, infundem confiança e segurança.

Suas palavras jamais deixam as coisas como estão. Elas não se limitam a transmitir uma mensagem; elas tem uma força operativa, desencadeiam um movimento... 


3 – O que a Palavra me leva a experimentar?
As palavras podem mudar a vida, para o bem ou para o mal. Há palavras que ferem e há palavras que curam. Há uma palavra que constrói e uma que destrói, uma palavra que comunica calor e luz, outra que semeia frieza, uma que infunde confiança, outra que arrasa... 

As palavras me tocam e me modelam; às vezes, elas me tocam como brisa suave, outras vezes como punhais, mas sempre me deixando marcas profundas de estímulos ou de desânimo: sentimentos de alegria ou tristeza, de paz ou inquietação, de fé ou descrença, de amor ou ódio... 

Há uma palavra pela qual tudo começa e recomeça, outra pela qual tudo termina, deixando o silêncio atrás de si. Depois de certas palavras, não resta mais nada a dizer.


4 – O que a Palavra me leva a falar com Deus?
Senhor, as palavras perdem força e criatividade quando não nascem do silêncio. O mundo está repleto de “papos” vazios, confissões fáceis, palavras ocas, cumprimentos sem sentido, louvores desbotados e confidências tediosas, palavras enfeitadas e vazias, sem alma, nem paixão. Vivo cercada de “palavras vãs”. 

Às vezes tenho a sensação de que as palavras me saturam: nas aulas, na televisão, nos jornais, nas liturgias, na Internet, nas redes sociais... há demasiado palavras, palavras e mais palavras...

A palavra tem os atributos divinos. Os próprios textos sagrados me dizem:  “Deus-Palavra se encarnou”. 


5 – O que a Palavra me leva a viver?
Vivo em tempos de “fratura da palavra” e, portanto, “fratura de sentido”. E a raiz disso tudo está na carência de uma interioridade, lugar da gestão das palavras de sabedoria que inspiram minha vida.

Gerar palavras que elevam... curam... animam... Palavras marcadas pela esperança... Palavras carregadas de sentido... Palavras criativas... 

Cavar palavras nas minas do meu silêncio, e deixar que o Espírito diga a “palavra” misteriosa, diferente, reveladora de minha verdadeira identidade. Somente o silêncio poderá gerar “palavras de vida”.

Buscar palavras nas profundezas do meu interior, palavras carregadas de sentido e de ânimo.

Criar silêncio para poder dialogar com o meu  eu profundo.

Quem sabe articular silêncio e  palavra é um verdadeiro artífice da vida e da paz.


Fonte: 
Bíblia Novo Testamento – Paulinas:  Lc 4,21-30  
Pe. Adroaldo, sj – reflexão do Evangelho
Desenho: Osmar Koxne       

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Leitura Orante – 3º domingo do tempo comum - 24.01.2016

Leitura Orante –  3º domingo do tempo comum, 24 de janeiro de 2016

AS CREDENCIAIS DE JESUS E DE SEUS SEGUIDORES

“Jesus voltou para a Galiléia com a força do Espírito...” (Lc 4,14)

Texto Bíblico: Lc 1,1-4; 4,14-21

1 – O que diz o texto?
Lucas descreve com todo detalhe o que faz Jesus na sinagoga de seu povo: põe-se de pé, recebe o livro sagrado, busca uma passagem de Isaías, lê o texto, fecha o livro, o devolve e se senta. Todos hão de escutar com atenção as palavras escolhidas por Jesus pois elas explicitam a missão à qual Ele se sente enviado por Deus. Ele começa a gritar uma mensagem nova e diferente, surpreendente e provocativa.
Estas são as credenciais de Jesus, aquelas que identificam sua personalidade e sua missão.

Surpreendentemente, o texto não fala de organizar uma religião mais perfeita, de implantar um culto mais digno ou de apresentar novas leis, mas de comunicar libertação, esperança, luz e graça aos mais pobres e excluídos.

É curioso que os traços distintivos de sua missão não fazem referência à sua relação com Deus; todos fazem referência à relação com as pessoas mais necessitadas e marginalizadas: os pobres, os cativos, os cegos.

Sua única preocupação é a missão de “anunciar o Evangelho”. Jesus veio anunciar “boas notícias”: uma vida digna e de esperança aos pobres; a liberdade àqueles que carecem dela; a vista àqueles que não podem ver.


2 – O que o texto diz para mim?
A primeira coisa que chama a atenção é a apresentação que Lucas faz de Jesus como alguém que é movido “pela força do Espírito”. Nem sempre sou consciente das “forças” que movem em meu viver cotidiano, tampouco das motivações reais que me impulsionam a tomar certas decisões. Dois dinamismos atuam em meu interior: um, de impulso para algo maior, para o serviço, para ser presença inspiradora; outro, de atrofia, de acomodação e medo.

Jesus chamava a atenção pela claridade de suas motivações e a coerência com as mesmas: é o homem íntegro e fiel, lúcido e transparente. Deixa-se conduzir pelo Espírito no mais profundo de si mesmo; deixa que Deus viva nele; deixa Deus ser Deus nele.


3 – O que a Palavra me leva a experimentar?
A missão de Jesus é a de aliviar o sofrimento humano; o sofrimento dos inocentes é a primeira preocupação d’Ele. Jesus “desce” em direção a tudo o que desumaniza as pessoas: os traumas, as experiências de rejeição e exclusão, as feridas existenciais, a falta de perspectiva frente ao futuro, o peso do legalismo e moralismo, a força de uma religião que oprime e reforça os sentimentos de culpa, as instituições que atrofiam o desejo de viver...

Lucas destaca que “todos os que estavam na sinagoga tinham os olhos fixos n’Ele”.

E ao “fixar os olhos n’Ele” os ouvintes são movidos a ampliar o olhar e voltar-se para aqueles que são vítimas do sistema social e religioso de seu tempo.

As pessoas percebem n’Ele um novo Mestre, cujo ensinamento desperta o assombro e a admiração.


4 – O que a Palavra me leva a falar com Deus?
Hoje se cumpre essa escritura em ti”.

Senhor, esse mesmo Espírito que atuou em Jesus, está sempre presente em mim. Deus dá o Espírito sem medida. Se eu não descobrir e não experimentar isto, nenhuma vida espiritual será possível. O Espírito me leva ao amor e o amor se manifesta em atitudes.
A força do ego me separa. A força do Espírito me identifica.

Conectada com essa energia divina que já está em mim, e a espiritualidade é o que há de mais espontâneo e natural em minha vida.


5 – O que a Palavra me leva a viver?
- “Ungidos pelo Espírito”:  sou marcada, assinalada pela unção no Espírito. Carrego a “marca” do Espírito: Espírito que não está sobre mim, mas dentro de mim; Espírito que me habita e que me conduz para fora de mim mesma, em direção ao compromisso com os outros.

- “Enviados para anunciar o Evangelho”, ou seja, ser boa notícia para os outros através da presença alegre e solidária. Sou  enviada a anunciar aos tristes a alegria de Deus, aos pobres a esperança de um mundo mais humano, justo e fraterno, aos excluídos o amor de Deus, aos que nada contam aos olhos dos homens que eles são importantes para Deus.

- “Enviados a anunciar a liberdade aos oprimidos”: anunciar que Deus quer a todos livres; ser presença libertadora de tudo o que desumaniza o ser humano: pobreza e miséria, ignorância e violência, opressão religiosa, preconceitos, exploração...

- “Enviados a ativar a visão aos cegos” para que vejam as maravilhas que acontecem ao seu redor, para ver o rosto de Deus no rosto de cada irmão, para encantar-se com a beleza e grandeza da Criação, para contemplar a presença do Criador em tudo e em todos...

- “Enviados a proclamar o ano da Graça do Senhor”: a plenitude humana que Jesus começou a realizar se expressa como festa jubilar: ano de graça, tempo de júbilo que, conforme à tradição de Israel, se torna celebração de fraternidade, perdão das dívidas, libertação dos escravos, partilha das terras...

Neste “Ano jubilar da Misericórdia” sou convocada a ser presença reconciliadora em meio aos conflitos, a indicar para os desanimados a esperança da salvação, a viver como filha de Deus e como irmã, a viver a presença de Deus neles...


Fonte:
Bíblia na linguagem de hoje –  Lc 1,1-4; 4,14-21
Pe. Adroaldo, sj – reflexão do Evangelho

Desenho: Osmar Koxne       

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Leitura Orante – 2º domingo do tempo comum, 17 de janeiro de 2016



Leitura Orante –  2º domingo do tempo comum, 17 de janeiro de 2016

UM CONVIDADO QUE “DÁ O QUE FALAR”

“Também Jesus e seus discípulos tinham sido convidados para o casamento” (Jo 2,2)


Texto Bíblico: Jo 2,1-11


1 – O que diz o texto?
"Havia um casamento na Galileia". Assim começa este relato em que nos é dito algo inesperado e surpreendente. Este gesto de Jesus ajuda-nos a captar a orientação de toda a Sua vida e o conteúdo fundamental do Seu projeto do Reino de Deus. Enquanto os dirigentes religiosos e os mestres da lei se preocupam com a religião, Jesus dedica-se a fazer mais humana e leve a vida das pessoas.

Segundo o evangelista João, a primeira intervenção pública de Jesus, o Enviado de Deus, não tem nada de “religioso”. Não acontece num lugar sagrado (sinagoga ou templo). Jesus inaugura a Sua atividade profética "salvando" uma festa de casamento que podia ter terminado muito mal. Trata-se do "primeiro sinal", onde nos é oferecida a chave para entender toda a Sua atuação e o sentido profundo da Sua missão salvadora. Convida-nos a que descubramos o Seu significado mais profundo.

“Festeje a fé que torna Deus luz e garantia para os nossos caminhos; festeje a esperança que transporta os seres ao novo do amanhã; festeje o amor  que os torna fonte de crescimento e união.

Ao festejar o mistério que o carrega e atrai, será capaz de transformar o dever em prazer, a dor em dinamismo de renovação e a convivência em promessa que se há de revelar graça onipresente.

Enxergue em tudo a dádiva e repouse do cansaço; celebre a festa em clima de gratidão e nunca deixará de ser motivado para um novo entusiasmo, recompensado também em ritmo de morte ressurreição”.
(F. Cláudio V.B.)


2 – O que o texto diz para mim?
Nas bodas de Caná, a novidade está numa nova forma de presença de Jesus, que não se encontra interessado, em princípio, por fazer coisas, por resolver problemas, senão para traçar uma presença como convidado. Ele não está aí para “arrumar” as coisas, mas para escutar e compartilhar um momento festivo. Ele se encontra presente de maneira gratuita, num gesto de solidariedade que transcende e supera toda atividade.

Os evangelhos apresentam Jesus concentrado, não na religião mas na vida. Viver o “estilo de vida” de Jesus não é só para pessoas religiosas e piedosas. É também para quem ficou decepcionado com a religião, mas sente necessidade de viver de forma mais digna e ditosa. Porquê? Porque Jesus contagia a fé num Deus festeiro, que não complica a vida de ninguém, mas  convida a confiar n’Ele, que com Ele é possível viver com alegria pois Ele apresenta uma vida mais generosa, movida por um amor solidário.



3 – O que a Palavra me leva a experimentar?
A cena das bodas de Caná da Galiléia não se limita simplesmente à ausência de vinho. O assunto é outro: o relato tem que ser entendido na perspectiva do Reino, na dinâmica do tempo messiânico. O texto indica que havia aí, em um lugar da casa, seis talhas de pedra vazias. O texto enfatiza que estavam vazias. São vasos destinados a conter a água da purificação, ritual dos crentes judeus. Porém estão vazias, secas. Este símbolo indica que o modelo religioso que Jesus encontrou está ressecado, vazio.

A espiritualidade de Jesus não é a espiritualidade do sacrifício, do pecado e da culpa, da busca da perfeição, mas é a espiritualidade da felicidade e da alegria para as pessoas. Com sua presença, participando das bodas, das refeições festivas e dos banquetes, Jesus anunciava e indicava um outro mundo diferente, onde partilha-se a vida, a convivência, a alegria, abrindo espaço à participação de todos, sobretudo daqueles que eram excluídos da religião. É a alegria contagiante do Evangelho.



4 – O que a Palavra me leva a falar com Deus?
Senhor, a mensagem para mim hoje é muito simples e questionadora. Nem ritos, nem abluções, poderão me purificar. Só quando saborear o vinho amor da festa e da partilha, ficarei toda limpa e purificada. Só quando descobrir o Deus presente dentro de mim e nas realidades mais cotidianas, serei capaz de viver a imensa alegria que nasce da profunda unidade com Ele. 

Geralmente me contento com as seis talhas de pedra para as purificações, preocupada com os ritos e as normas religiosas; esqueço que o melhor vinho ainda não foi servido, pois está escondido no mais profundo de mim mesma.



5 – O que a Palavra me leva a viver?
Com a presença de Jesus, a ritualidade, o legalismo, a norma fria e vazia, se transformam em vinho, símbolo da alegria, do júbilo messiânico, da festa da chegada do tempo novo do Reino de Deus.

A atitude de Jesus, sem nenhum tipo de imposição, vai revelando uma nova imagem e um novo conceito de Deus. Deus deixou de ser esse ser estranho e distante, que atemoriza o ser humano com o peso da doutrina e das leis, mas que revela sua face misericordiosa, ou seja, o Deus que caminha com seu povo.

Preciso eliminar, em minha vida pessoal comunitária, com os sistemas religiosos desumanizantes, para conseguir entrar na dinâmica libertadora, inclusiva e festiva que Jesus inaugurou.

Para Jesus, Deus se manifesta em todos os acontecimentos que me impulsiona a viver mais plenamente. Deus não quer que eu renuncie nada do que é verdadeiramente humano. Ele quer que eu viva o divino no que é cotidiano e normal. A ideia do sofrimento e da renúncia como exigência divina é antievangélica. 

A festa está profundamente enraizada no coração do ser humano; ela proporciona o diferente, o novo, o exuberante, o utópico; revela o “homo ludicus” que brinca, canta, dança, transborda emoções, reúne companheiros em comunidade e celebra a vida.



Fonte: 
Bíblia na linguagem de hoje –  Jo 2,1-11
Pe. Adroaldo, sj – reflexão do Evangelho
Desenho: Osmar Koxne       

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Leitura Orante - Batismo: "operação saída"


Leitura Orante –  domingo, 10 de janeiro de 2016

BATISMO: “operação saída”

“E, enquanto rezava, o céu se abriu e o Espírito Santo desceu sobre Jesus...” (Lc 3,21-22)

Texto Bíblico: Lc 3,15-16.21-22

1 – O que diz o texto?
“Jesus sai das águas elevando consigo o mundo que estava submerso, e vê rasgarem-se e abrirem-se os céus que Adão fechara para si e sua posteridade” (S. Gregório Nazianzeno).

O Batismo de Jesus é um acontecimento fundamentalmente vocacional. É muito provável que Jesus, já adulto, vivesse com uma inquietação em seu coração, conectado com seu desejo profundo, e uma pergunta estivesse ressoando com força no seu ser mais íntimo; essa mesma pergunta com a qual cada um precisa conectar, em algum momento da vida, e que faz brotar as decisões mais cruciais:

“Quem sou? Para quê nasci? Quê sentido quero que minha existência tenha?...”
Depois de ter passado trinta anos de sua vida no anonimato em Nazaré, dedicado aos trabalhos cotidianos e simples de uma vida campesina, Jesus decidiu um dia deixar para trás suas pequenas seguranças e pôr-se a caminho em direção ao sul, junto ao rio Jordão, onde João estava batizando. Despediu-se dos seus e se lançou a uma aventura da qual não regressaria mais. Tomou uma decisão que se revelou central para sua vida e para a nossa.

Para Jesus, a experiência vivida no Jordão, funda sua vocação, ou seja, a partir de então compreende quem é Ele para Deus: o Filho Amado. Com essa consciência, configura todo seu ser e aposta plenamente por seu projeto de vida. Então, Ele experimenta a presença de Deus de um modo claro e contundente. Nesse momento, confirma-se tudo o que sentiu e viveu em toda sua vida em Nazaré: a profunda sintonia com Deus, experimentado como um Pai amoroso e próximo.


2 – O que o texto diz para mim?
Agora Jesus sente que o Pai o chama a mudar o estilo de vida escondido. Ele está atento aos “sinais dos tempos” e sabe discernir nesses sinais a Vontade do Pai que o chama a mudar de caminho, a deixar sua terra, a lançar-se numa aventura. Começa uma vida itinerante, missionária, despojado de tudo.
Segundo os estudiosos da Cristologia, em Jesus, a tomada de consciência de quem era Ele e qual era sua missão,  foi um processo de contínuo discernimento que não terminou nunca. O relato do batismo está me falando de um passo a mais, ainda que decisivo, nessa tomada de consciência.

A “abertura dos céus” que se rasgam significa a abertura de novas relações entre Deus e a humanidade, o início de um novo diálogo de Deus com o ser humano, um novo tempo de graça, de novos dons dados por Deus a todos. Jesus é o lugar do novo, definitivo e pleno encontro de Deus com os homens, dos homens com Deus  e dos homens entre si.


3 – O que a Palavra me leva a experimentar?
Ver Jesus dirigir-se para o desconhecido, confiado somente na proximidade de seu Pai Deus, me anima a empreender também um caminho novo a cada dia, com a confiança de que Deus me acompanhará e repetirá de novo o que o mesmo Jesus escutou no Jordão: “Tu és meu(minha) filho(a) amado(a), em ti ponho o meu bem querer”.

Viver a vocação batismal implica viver em contínua “operação saída”. Demasiados costumes conservados podem ser uma forte herança, mas não deixam de ser um peso para quem precisa olhar longe e olhar bem. O discernimento implica investigar quê novos lugares me quer conduzir o Espírito.


4 – O que a Palavra me leva a falar com Deus?
Senhor, em algum momento ou outro de minha vida, sinto ser chamada a reorientar o meu caminho. Tenho que tomar a decisão de deixar para trás os espaços e as pessoas conhecidas que formam o meu entorno vital. Aventurar-me a estabelecer novas relações, novas práticas, novas formas de comunicação com esse novo entorno, novas formas de pensar a mesma realidade. Caminhar para o desconhecido, confiar na promessa e na fidelidade de Deus. Por Ele e n’Ele,  descobrir novos horizontes.

Levei anos em que, em lugar de ir, voltei. Tenho medo frente às “novas saídas”. Há uma preferência por permanecer no seguro, no conhecido, no de sempre. Busco as mais sofisticadas razões para “não sair”, para manter  meus “centros” e situar-me  naqueles espaços que me dão segurança e me permitem realizar meus próprios sonhos e não tanto os de  Deus.

Lucas me diz expressamente: “e enquanto orava...”; porque só a partir do interior pode-se descobrir o Espírito que me invade. Se assim o faço e se dou uma oportunidade ao Espírito de Deus, descobrirei minha própria vocação... e, quem sabe, verei o Cristo em silêncio, ao meu lado.


5 – O que a Palavra me leva a viver?
A Exortação do Papa Francisco me convida a “sair”, em atitude de “intimidade itinerante”: “quando se toma gosto do ar puro do Espírito Santo, que me liberta de estar centrada em mim mesma, escondida em uma aparência religiosa vazia de Deus” (EG, 97).
Esta atitude requer a maturidade de saber fazer a “travessia”, de romper com os muros das ideias fixas, atitudes fechadas, situações estreitas... De sedentária me converter  em nômade do “sentido”, buscadora de uma realidade totalizante que me ultrapassa e que está sempre além.

Tanto mais intensa será minha vivência batismal quanto mais me leve para “fora” de meu próprio centro, de meu próprio mundo e de meu modo habitual  e fechado de viver.

Nessa “saída de si” encontro o termômetro de toda vida espiritual: “Sair de si” é olhar a própria vida de outro ângulo, de outra perspectiva... para encontrar um “sentido” maior que me escapa.

A “saída de si” é humanizante e humanizadora, porque faz emergir tudo o que é humano em mim.

É ir mais além daquilo que me é próximo, próprio ou afetivamente perto.

É ir aos “aforas” de minha vida, de meu mundo, de minhas coisas de sempre.
Assim, pois, tanto mais real e verdadeira será minha resposta amorosa ao carinho de Deus quanto mais  expansiva se faz minha vida, deslocando-me em direção às fronteiras dessa vida pessoal e comunitária.

A experiência do encontro com Ele junto ao Jordão, desvela meu rosto, transforma minha vida, abre caminhos e me compromete com a causa do Reino.


Fonte:
Bíblia na linguagem de hoje –  Lc 3,15-16.21-22
Pe. Adroaldo, sj – reflexão do Evangelho

Desenho: Osmar Koxne       

sábado, 2 de janeiro de 2016

Sete passos do peregrino paulino

Os sete passos do peregrino para caminhar com Paulo ao encontro de Jesus são:

1) ORAÇÃO
Encontro com Deus. Paulo se encontrou e dialogou: "Senhor, que queres que eu faça?" (Atos 22,10)
Entende que este não é um projeto seu, mas é a missão que vem do Senhor Jesus. Como foi para Paulo, assim é para nós.
 1Ts 5,16-24 
"Estejam sempre alegres, rezem sem cessar. Dêem graças em todas as circunstâncias, porque esta é a vontade de Deus a respeito de vocês em Jesus Cristo. Não extingam o Espírito,  não desprezem as profecias; examinem tudo e fiquem com o que é bom. Fiquem longe de toda espécie de mal.
Que o próprio Deus da paz conceda a vocês a plena santidade. Que o espírito, alma e corpo de vocês sejam conservados de modo irrepreensível para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo.  Quem chamou vocês é fiel e realizará tudo isso."
Somente por meio da oração o peregrino paulino pode conhecer o que Deus quer de si, qual a sua vontade. O Espírito Santo vai abrir seu ouvido para que você o possa ouvir. 

2) PERCEPÇÃO
Para descobrir o que Deus quer, o peregrino paulino  tem que ouvir, observar e fazer a experiência. Por esta razão, precisa crescer no "silêncio interior", na escuta,  para perceber e reconhecer a voz do Senhor.Cuidado com o que se move dentro de você: seus desejos, seus medos, seus pensamentos, suas fantasias, seus anseios, seus planos. Ouça, da mesma forma aqueles que seguem sua preocupação, quanto aqueles que vão em outras direções. O peregrino paulino ouve seu coração: o que é que Deus quer? Observa as pessoas ao seu redor: o que Cristo Jesus está dizendo a você pela sua ansiedade, sua dificuldade, sua dor, seus medos, a necessidade de Deus ...?
Paulo recomenda na 2Cor 13, 5-9: " Examinem-se a si próprios e vejam se estão firmes na fé. Façam uma revisão de si mesmos. Será que vocês não reconhecem que Jesus Cristo está em vocês? A não ser que não passem na prova!  Espero que reconheçam que nós somos aprovados. Pedimos a Deus que vocês não cometam mal nenhum. O nosso desejo não é aparecer como aprovados, mas sim que vocês pratiquem o bem, ainda que devamos passar como não aprovados.  Nada podemos contra a verdade; só temos poder em favor da verdade.  E nos alegramos todas as vezes que nos sentimos fracos, enquanto vocês se sentem fortes. E o que pedimos em nossas orações é que vocês se tornem sempre mais perfeitos".

3) INFORMAÇÃO
Os caminhos através dos quais podemos perceber o que Deus quer de nós passam pela Palavra, como passou para Paulo, pela comunidade. A comunidade – seus companheiros  - o conduziram até a cidade e lá ele foi batizado por Ananias, integrando-se entre os seguidores de Jesus. Aos efésios ele diz:
 Ef 4, 13-16 -  "A meta é que todos juntos nos encontremos unidos na mesma fé e no conhecimento do Filho de Deus, para chegarmos a ser o homem perfeito que, na maturidade do seu desenvolvimento, é a plenitude de Cristo. Então, já não seremos crianças, jogados pelas ondas e levados para cá e para lá por qualquer vento de doutrina, presos pela artimanha dos homens e pela astúcia com que eles nos induzem ao erro. Ao contrário, vivendo amor autêntico, cresceremos sob todos os aspectos em direção a Cristo, que é a Cabeça. Ele organiza e dá coesão ao corpo inteiro, através de uma rede de articulações, que são os membros, cada um com sua atividade própria, para que o corpo cresça e construa a si próprio no amor".
4) REFLEXÃO
Paulo ficou três dias em Damasco, “cego, sem comer”, em oração.  Até que, depois desta longa reflexão, Ananias foi até ele e lhe impôs as mãos, ele foi batizado, recuperou a visão e ficou repleto do Espírito Santo. O que  Deus quer que o peregrino paulino faça?  Que razões você tem para ele, ou não, para realizar ou não este caminho dos peregrinos paulinos? 
Com a luz do Espírito Santo, vamos descobrir o que Deus quer de nós. "o Espírito vem em auxílio da nossa fraqueza, pois nem sabemos o que convém pedir; mas o próprio Espírito intercede por nós com gemidos inefáveis. E aquele que sonda os corações sabe quais são os desejos do Espírito, pois o Espírito intercede pelos cristãos de acordo com a vontade de Deus." , confirma Paulo falando aos romanos (Rm 8, 26-27).

5) DECISÃO
O peregrino paulino, neste passo, toma a decisão, como Paulo que disse aos coríntios:
2Cor 4,1 -  "Esse é o nosso ministério. Nós o temos pela misericórdia de Deus; por isso, não perdemos a coragem.  Dissemos «não» aos procedimentos secretos e vergonhosos, não agimos com astúcia, nem falsificamos a palavra de Deus. Ao contrário, manifestando a verdade, nos recomendamos diante de Deus à consciência de cada homem.  Não pregamos a nós mesmos, mas Cristo Jesus, Senhor. Quanto a nós mesmos é como servos de vocês que nos apresentamos, por causa de Jesus. Pois o Deus que disse: «Do meio das trevas brilhe a luz!» foi ele mesmo que reluziu em nossos corações para fazer brilhar o conhecimento da glória de Deus, que resplandece na face de Cristo."
O peregrino paulino tendo descoberto o que Deus quer dele, busca responder seguindo-o com generosidade. 
6) AGIR
Tome uma atitude! O peregrino paulino se decide e toma atitude, como Paulo:
2Cor 4,12:  Animados pelo mesmo espírito de fé, sobre o qual está escrito: «Acreditei, por isso falei», Também nós acreditamos e por isso falamos. Uma vez feita a decisão, é preciso lançar-se! Não se deixe vencer pelos medos: lance-se com coragem. Coloque todos os meios que tem à sua disposição para realizar o que você decidiu. Diga como Paulo:
" Combati o bom combate, terminei a minha corrida, conservei a fé. Agora só me resta a coroa da justiça que o Senhor, justo Juiz, me entregará naquele Dia; e não somente para mim, mas para todos os que tiverem esperado com amor a sua manifestação".(2Tm 4,7-8)

7) ACOMPANHAMENTO- GUIA
Ninguém pode ouvir o chamado da missão por si mesmo, por isso, faz-se necessária a mediação da Igreja. Ser peregrino paulino não é fácil, mas não impossível. Se você partiu com sinceridade a buscar a vontade de Deus, percebeu os passos que deve dar. Paulo também percebeu e testemunhou:
Rm 8,14-16:
"Todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus. E vocês não receberam um Espírito de escravos para recair no medo, mas receberam um Espírito de filhos adotivos, por meio do qual clamamos: Abba! Pai! O próprio Espírito assegura ao nosso espírito que somos filhos de Deus."

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO PARA O 49º DIA MUNDIAL DA PAZ


                                       VENCE A INDIFERENÇA E CONQUISTA A PAZ

1. Deus não é indiferente; importa-lhe a humanidade! Deus não a abandona! Com esta minha profunda convicção, quero, no início do novo ano, formular votos de paz e bênçãos abundantes, sob o signo da esperança, para o futuro de cada homem e mulher, de cada família, povo e nação do mundo, e também dos chefes de Estado e de governo e dos responsáveis das religiões. Com efeito, não perdemos a esperança de que o ano de 2016 nos veja a todos firme e confiadamente empenhados, nos diferentes níveis, a realizar a justiça e a trabalhar pela paz. Na verdade, esta é dom de Deus e trabalho dos homens; a paz é dom de Deus, mas confiado a todos os homens e a todas as mulheres, que são chamados a realizá-lo.

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http://papa.cancaonova.com/mensagem-do-papa-para-o-49o-dia-mundial-da-paz-em-2016/