quarta-feira, 22 de junho de 2016

Leitura Orante – 13º domingo do tempo comum, 26 de junho de 2016


Leitura Orante –  13º domingo do tempo comum, 26 de junho de 2016

Ter os olhos fixos em Jesus

“Aquele que, tendo posto a mão no arado, 
continua olhando para trás não é apto para o Reino de Deus”. (Lc 9,62)


Texto Bíblico: Lc 9,51-62


1 – O que diz o texto?
Há um aspecto no Evangelho de hoje que é preciso ressaltar: precisamos aceitar que o “objeto do olhar” (Jesus e seu chamado) pode melhorar nossa visão. Isso significa que a experiência do encontro com a pessoa de Jesus, seu olhar misericordioso e marcado pela ternura, a proposta ousada e desafiante que Ele nos faz... podem ajudar a purificar nossos olhos e  a melhorar nossa visão.

A própria pedagogia de humanização ampla de Jesus vai beneficiar nossa própria identidade, despertar dinamismos e desejos ocultos em nosso interior, sacudir nossas amarguras e ampliar nosso atrofiado olhar.

Os olhos feridos que não ousam ir mais além; podem vir do interior, bem como do exterior da pessoa. São ferimentos de sua história, de seu passado, das experiências frustrantes que viveu até o momento presente. Muitas pessoas passam grande parte da vida fortemente impactadas por experiências negativas, de desamor, de solidão e desvalorização... 

Por isso, temos a clara convicção de que a objetividade do olhar e a capacidade de fixá-lo em Jesus requer um mínimo de liberdade interior, de ter experimentado o amor em suas múltiplas expressões.

O olhar é o recurso não verbal mais expressivo e sincero que nós, seres humanos, possuímos, porque com um simples olhar podemos transmitir desde o ódio até uma declaração de amor ou de amizade.


2 – O que o texto diz para mim?
O olhar é o reflexo de minha interioridade; ele tem um grande poder porque deixa transparecer o que acontece e o que sinto por dentro.

O corpo humano é um receptor e um transmissor de emoções e a principal mediação para comunicá-las e transmiti-las é através do olhar. A maneira de conhecer melhor uma pessoa, criar laços de empatia é através do olhar. 

Meus olhos refletem meu interior. Eles podem estar em condições favoráveis para contemplar a cena do chamado de Jesus. São olhos sadios. Sadios porque há uma correspondência direta e uma profunda intimidade entre aquele que olha e Aquele que é olhado.

Há pessoas que olham de forma bastante objetiva, transparente. São pessoas internamente mais livres, cujo olhar se deixa impactar pela presença e pela proposta de Jesus. Desse olhar brota o assombro, a admiração e o impulso em assumir o mesmo sonho do Jesus peregrino: a realização do Reino do Pai.


3 – O que a Palavra me leva a experimentar?
“Se eu morrer, morre comigo um certo modo de olhar”, disse um poeta. Mas o hábito contamina os olhos e tira seu brilho expressivo. Acostumada a ver as coisas, as pessoas e, de tanto ver, banalizo o olhar, perdendo a capacidade de despertar assombro e encantamento. Vejo e não olho. O que está próximo de mim, o que me é familiar, já não desperta curiosidade. O campo visual vai se estreitando e tudo se torna rotina.

Faz-se necessário, então, despertar a criança que ainda habita em meu interior; ela vê o que o adulto não vê, pois tem olhos atentos e limpos para o espetáculo do mundo. 

“Um olhar contemplativo percebe sinais de evangelho nos acontecimentos mais simples” (Ir. Roger).


4 – O que a Palavra me leva a falar com Deus?
Senhor, a saturação de imagens, informações e efeitos especiais, tão característica de minha cultura, está minando, progressiva e sutilmente, a capacidade tanto de apreciar as realidades simples como de perceber a profundidade e o mistério que há nelas. O pior desta situação não é somente a perda da visão contemplativa, mas sobretudo não ter consciência do que acontece ao meu redor.

Seria de grande ajuda conhecer as “enfermidades” mais frequentes de minha visão. Detectá-las e reconhecê-las constituiria um avanço decisivo para eliminar os obstáculos que impedem penetrar no significado do mistério da vida em seu estado mais “puro”.

Mas não basta pousar os olhos sobre a realidade para captar a profundidade e transcendência do que é contemplado. É difícil ver o evidente. Exige uma tarefa prévia de “desvestir” os olhos para olhar de novo e descobrir o que verdadeiramente existe. “Ver é um esforço, e olhar, literalmente, é um milagre” (Luis Rosales).


5 – O que a Palavra me leva a viver?
Ter um olhar límpido.

Ter um olhar transparente.

Configurar o meu olhar ao de Jesus.

Fixar os meus olhos em Jesus.

Sentir, perceber os olhos fixos de Jesus em mim.

Ao “fixar seu olhar” em mim, chamando-me pelo nome, serei movida a fazer opções mais radicais e integrais pelo Reino, segundo o modo de ser, de viver e de fazer do próprio Jesus.

“Chamado-resposta” implica, pois,  uma troca comprometedora de olhares. O olhar transparente e livre de Jesus ressuscita o meu olhar tímido e estreito e me capacita a olhar amplos horizontes: seu povo, seu mundo dividido e excluído... Seu olhar me predispõe a encontrar motivações saudáveis e maduras que me permitem olhar e viver no contexto atual plural com amor, com entusiasmo e criatividade.


Fonte: 
Bíblia Novo Testamento – Paulinas:  Lc 9,51-62
Pe. Adroaldo, sj – reflexão do Evangelho
Desenho: Osmar Koxne       


Sugestão:
Música: Minha vocação
Autor e intérprete: Antônio Cardoso
CD: Antonio Cardoso – Quando se vive um grande amor
Gravadora:  Paulinas Comep

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Leitura Orante – 12º domingo do tempo comum, 19 de junho de 2016

Leitura Orante –  12º domingo do tempo comum, 19 de junho de 2016

DO “EU ESTREITO” AO “EU EXPANSIVO”

“Quem quiser vir após mim negue-se a si mesmo,
carregue cada dia sua cruz e siga-me” Lc 9,23)

Texto Bíblico: Lc 9,18-24

1 – O que diz o texto?
O Evangelho de hoje nos convida, mais uma vez, a alargar o círculo, a olhar para fora, a descentrar-nos para encontrar o outro, a Deus, e, provavelmente, por esse caminho, também o olhar mais autêntico e completo sobre a nossa própria vida. Ali Jesus fala em “renunciar a si mesmo”. O modo mais simples de traduzir isso poderia ser: “deixa de viver para teu eu estreito”, “não gires em torno ao teu ego, porque esse modo de vida te aprisionará cada vez mais, e tua vida será vazia e estéril”.

Trata-se de um convite a ir mais além do ego e descobrir nossa verdadeira identidade, aquela “identidade compartilhada”, na qual o próprio Jesus se encontrava.

O sentido de nossa existência consiste, portanto, em “passar da morte à vida”: é a isso que as palavras de Jesus nos convidam. O destino do eu atrofiado é a morte: viver para o eu equivale a perder a vida. Quem começa a descobrir sua verdadeira identidade, já está morrendo ao seu ego, porque descobriu que é “outra realidade”: a Vida que não morre. E, a partir desta nova percepção, toda a visão da própria existência se modifica.

“Aquele que quer salvar seu ego, perde a vida; mas aquele que perde seu ego, salva a vida”. E Lucas acrescenta o “por minha causa”, para destacar nossa unidade em torno ao seguimento do Mestre.

  
2 – O que o texto diz para mim?
Uma leitura superficial do evangelho de hoje pode dar a impressão que o cristianismo é a religião que preconiza o sofrimento, a renúncia, a negação de si mesmo, o esvaziamento da própria identidade.

O sofrimento foi de tal modo exaltado que levou muita gente a viver na passividade e resignação, esvaziando o sentido do seguimento e bloqueando a esperança.

De fato, existem sofrimentos que são vazios, sem sentido, “insensatos”..., pois fecham a pessoa em si mesma, na sua aflição e angústia; não apontam para o futuro, para a vida.

Como consequência, a Cruz ocupou o primeiro lugar e tudo passou a girar em torno a ela.

Quando não se vive em profundidade só resta a rotina, a superficialidade, o tarefismo sem sentido, o desânimo, o “vazio vital”; renunciando à tensão do “mais” a pessoa revela incapacidade de tomar a vida nas próprias mãos e dar-lhe uma direção mais ousada e criativa.

É nesse contexto que surgem inúmeros sofrimentos “insensatos” (sem sentido).


3 – O que a Palavra me leva a experimentar?
A missão primeira de Jesus foi a de aliviar toda dor humana. Por isso, suas inumeráveis curas relatadas nos evangelhos. Suas palavras expressam uma grande sabedoria: elas buscam “despertar” a pessoa para que possa viver com mais plenitude e perceber a melhor atitude frente à vida; elas condensam o significado de uma vida vivida por Jesus na fidelidade ao Pai que quer que todos vivam intensamente.

“Negar a vida”. Trata-se de negar a “ilusão do eu”, para acessar à Vida, que é minha verdadeira identidade. Porque só quando deixo de me identificar com o “ego”, tomo consciência da Vida que sou. Essa é a Vida de que fala o evangelho, a mesma Vida que Jesus viveu, com a qual Ele mesmo estava identificado (“eu sou a Vida”) e a que buscava despertar nos outros.

“Negar-se a si mesmo” e “carregar a cruz “ equivalem a fazer meu o caminho de Jesus. Ele se negou a tomar o poder, nem usou a força e o prestígio como meios para servir e salvar a humanidade. Jesus escolheu o único caminho que conduz ao coração do ser humano: a solidariedade com todos os excluídos da terra. Este foi o caminho d’Ele e este deve ser meu caminho se quero estar com Ele.


4 – O que a Palavra me leva a falar com Deus?
Senhor, carrego recursos ainda adormecidos, potencialidades quase divinas que, em alguns momentos privilegiados, descubro em meu interior. E, no entanto, ao reconhecer minha fragilidade humana, estremeço diante de minhas ricas capacidades.

“Renunciar a si mesmo” desvela o dinamismo de morte no interior de cada pessoa, marcado pelo medo de ir para além de si mesma; trata-se do medo de sua própria grandeza, o medo da sua missão, medo da vastidão dos seus sonhos... Na ausência de horizontes, a pessoa se limita ao seu modo habitual e fechado de viver; acomoda-se e não faz a travessia; não faz as coisas com paixão e com criatividade.

A verdadeira identidade, ou “eu expansivo”, é dinâmica, histórica, fecunda, aberta ao desconhecido, aventureira... Ela só se desvela para aquele que se desprende das defesas e projeções do falso eu.


5 – O que a Palavra me leva a viver?
Estar aberta ao contato com a minha própria realidade interior, para que venha à superfície aquilo que me sustenta e dignifica o meu viver.

Dirigir meu olhar para o mais íntimo de mim mesma, onde nascem sentimentos e valores, decisões e gestos... onde sou convidada a se alegrar com os rastros da Graça. 

Cessar de buscar-me como “eu” e deixar-me repousar no Silêncio, na Presença que anima tudo o que é.

“Descobrir-se a si mesmo” é descobrir que no próprio interior há um movimento infinito de construção de si mesmo, de identidade em movimento... que se torna possível graças a um constante arrancar-se do imobilismo e do auto-centramento existencial, que travam o fluxo da vida.

Viver a partir das raízes que me sustentam. Em contato com a fonte e na viagem para dentro, clareia-se a visão de mim mesma, da minha originalidade, dignidade.

Há uma força de gravidade que me atrai progressivamente para o mais profundo de mim mesma, onde Deus me espera e me acolhe, e onde encontro o sentido de minha existência e a verdadeira paz.

Só transcende quem se aproxima da própria interioridade, do próprio coração.

Estou diante de uma boa notícia: “Desperta!” “reconhece quem tu és!”.


Fonte:
Bíblia Novo Testamento – Paulinas:  Lc 9,18-24
Pe. Adroaldo, sj – reflexão do Evangelho
Desenho: Osmar Koxne      

Sugestão:
Música: Quem é esse Jesus? – fx 01 (3:38)
Autor: Pe. Zezinho, scj
Intérprete:  Pe. Zezinho, scj
CD: Quem é esse Jesus?
Gravadora:  Paulinas Comep


terça-feira, 7 de junho de 2016

Leitura Orante – 11º domingo do tempo comum, 12 de junho de 2016


Leitura Orante –  11º domingo do tempo comum, 12 de junho de 2016

Jesus, pura transparência do rosto misericordioso do Pai.

“Jesus Cristo é o rosto da misericórdia do Pai”. (Papa Francisco – Misericordiae Vultus)


Texto Bíblico: Lc 7,36-50


1 – O que diz o texto?
A presença misericordiosa de Jesus aparece claramente no jantar em casa do fariseu Simão.

O relato de Lucas põe em confronto duas maneiras diferentes de reagir perante a “mulher pecadora”: uma, de acolhida e proximidade; outra, de julgamento e distância.

Uma mulher, pecadora pública, aparece inesperadamente no jantar na casa do fariseu, sem ter medo do que dirão a respeito dela. Há nela como uma espécie de ansiedade e desejo de sair daquela situação; há nela uma necessidade de sentir-se pessoa, de sentir-se mulher de verdade, de recuperar sua dignidade, de sentir-se livre.

Busca alguém que não a veja como simples objeto de prazer; busca alguém que saiba reconhecê-la como pessoa, que possa devolver-lhe sua dignidade. E não se importa com as reações de julgamento. Prostra-se aos pés de Jesus, derrama o perfume que possivelmente era fruto do seu pecado. Lava os pés de Jesus com suas lágrimas de angústia e confiança ao mesmo tempo, antecipando o gesto que Jesus realizará na última Ceia. Seca-os com seus cabelos como expressão de sua esperança.

Jesus revela-se um convidado perigoso, porque é capaz de desvelar o que está encoberto. 

Sua presença  cria problemas para o anfitrião, coloca em risco o seu prestígio, a sua reputação.

“Eu entrei em tua casa e não me ofereceste água para os pés...

Tu não me beijaste... Tu não derramaste óleo em minha cabeça”.

Aquele fariseu tinha muitas coisas para dar a Jesus, mas não lhe deu nada de amor; aquela mulher não tinha nenhuma coisa que dar-lhe, mas lhe deu o melhor: muito amor. O fariseu não esperava nada de Jesus, aquela mulher esperava tudo d’Ele. Aquele fariseu e os demais convivas a julgam como pecadora pública, mas Jesus a reabilita diante deles; Ele a acolhe com respeito e ternura. Descobre em seus gestos um amor limpo e uma fé agradecida. Diante de todos, fala com ela para defender sua dignidade e revelar-lhe como Deus a ama.

  
2 – O que o texto diz para mim?
Jesus é capaz de reconstruir o que os outros haviam destruído; é capaz de devolver a alegria a uma mulher que os outros tinham tirado; é capaz de dar a vida àquela que os outros deram morte.

Jesus não se fixa na vida passada da mulher; por isso, não a julga, pelo contrário, valoriza todos os seus gestos de acolhida e ternura. Não importam “seus muitos pecados”, mas o amor de seu coração.

Jesus não é daqueles que se entretém contabilizando pecados; Ele é daqueles que olha o coração do pecador; e quando descobre amor, aí mesmo perdoa. Porque a melhor expressão de amar é perdoar; a melhor expressão de sentir-se perdoado é sentir-se amado.

O perdão não é um problema de justiça; o perdão é algo que nasce do amor; o perdão é fruto da compreensão, da misericórdia.

O comportamento de Jesus era diametralmente oposto ao do fariseu e dos seus convivas: todas as mulheres que se encontraram com Ele sempre saíram reabilitadas, até o ponto de chegarem a se converter em protagonistas do fato mais importante de Sua vida, a ressurreição.


3 – O que a Palavra me leva a experimentar?
Jesus propõe um modo de ser humano inseparável da misericórdia do Pai:

“Sede misericordiosos como o Pai é misericordioso” (Lc. 6,36)

Ser misericordioso “como” Deus constitui o mais elevado convite e a mensagem mais profunda que o ser humano recebe sobre como tratar a si mesmo e aos outros.

O Papa Francisco diz: “A misericórdia de nosso Senhor se manifesta sobretudo quando Ele se inclina sobre a miséria humana e demonstra sua compaixão, para quem necessita de compreensão, cura e perdão. Tudo em Jesus fala de misericórdia; mais ainda, Ele mesmo é a misericórdia”.

Jesus desmascara a maneira medíocre de amar do fariseu, desprovido de compaixão e calculista no julgamento. O fariseu perfeito tem comportamento frio, legalista, insensível, indiferente, rígido.

O perfeccionista e o legalista é um ser anestesiado e petrificado: nele a misericórdia permanece atrofiada; ele ficará confinado dentro de um eu inchado e vazio, que caminha sobre pernas de barro.

Onde o legalismo prevalece, ali a misericórdia não encontra espaço para reconstruir relações quebradas.

Por isso, Jesus revela o abismo que existe entre a posição em que o fariseu se encontra e a da mulher que, através de tantos gestos afetivos, expressa sua ternura e humanidade.


4 – O que a Palavra me leva a falar com Deus?
Senhor, Jesus, com sua presença desconcertante, relativiza costumes, ritos e práticas religiosas, inclusive o Templo, e se relaciona com gente excluída e de má reputação. Ele faz muitas coisas e em muitos lugares (ensina, cura, denuncia, alimenta, dialoga...), mas a misericórdia é a que inspira e move tudo em sua vida e ação. Sente a fundo o sofrimento das pessoas; antes de preocupar-se com o pecado, preocupa-se em aliviar a dor da marginalização e exclusão.

A linguagem de Jesus para aquelas pessoas que praticavam uma religiosidade vazia, só ritual e elitista, era muito dura e crítica.

A maioria das religiões dá muita importância ao cultual, às cerimônias, aos ritos. Gastam muito dinheiro em objetos, roupas, ornamentos, imagens, ostentações..., mas o compromisso com os grandes valores do Evangelho, que são o essencial da mensagem de Jesus, fica ofuscado ou esquecido. É urgente retornar à fonte do Evangelho, onde a misericórdia é o atributo essencial e o modo de proceder de todo seguidor de Jesus.


5 – O que a Palavra me leva a viver?
Este “princípio-misericórdia” é o que há de iluminar e conduzir a vida dos seguidores de Jesus, e da Igreja como comunidade misericordiosa.

A misericórdia é, pois, um sentimento profundo e dinâmico, que não permite que quem o sente permaneça imóvel ou passivo diante de tanto sofrimento que há na humanidade. Ela é a alma da solidariedade, da ação social, do compromisso com a justiça...

Por um lado, a misericórdia é propriamente a atitude permanente que se revela em qualquer situação, sempre que há fraternidade e amor, e por outra parte, a misericórdia é a compaixão para com a pessoa que sofre. Uma atitude profunda, uma comoção do coração, que conduz a atos de solidariedade...

Tornar presente o Pai como Amor e Misericórdia foi, para Jesus, o cerne de sua missão: toda a sua vida foi uma eloquente demonstração da misericórdia divina para com a humanidade.

“Jesus Cristo é o rosto da misericórdia do Pai. O mistério da fé cristã parece encontrar nestas palavras a sua síntese. Tal misericórdia tornou-se viva, visível e atingiu o seu clímax em Jesus de Nazaré. Com a sua palavra, os seus gestos e toda a sua pessoa, Jesus de Nazaré revela a misericórdia de Deus”. (Papa Francisco – Misericordiae Vultus)



Fonte:
Bíblia Novo Testamento – Paulinas:  Lc 7,36-50
Pe. Adroaldo, sj – reflexão do Evangelho
Desenho: Osmar Koxne      

Sugestão:
Música: Um processo no templo – fx04 (5:22)
Autores: Ir. Maria Luiza Ricciard – Luiz A. Karam
Intérpretes:  Paulinho Campos – Rita Kfouri
CD: Encontro com Jesus – Canções Bíblicas
Gravadora:  Paulinas Comep

segunda-feira, 30 de maio de 2016

Leitura Orante – 10º domingo do tempo comum, 05 de junho de 2016


Leitura Orante –  10º domingo do tempo comum, 05 de junho de 2016

COMPAIXÃO: atributo divino e que nos diviniza

Ao vê-la, o Senhor foi tomado de compaixão por ela e disse-lhe:
 “Não chores!” (Lc 7,13)

Texto Bíblico: Lc 7,11-17

1 – O que diz o texto?
Jesus se aproxima de Naim. A cena não é nada simpática. Um funeral de um jovem “filho único” e uma mãe que se desfaz em lágrimas de dor e que, além disso, era viúva. Ela está passando por uma dura prova. A perda de seu filho supunha também a perda de dignidade e consideração na sociedade onde vivia, além de ter sofrido a perda de seu marido, que lhe assegurava estabilidade e respeito.

As lágrimas são como a linguagem do coração que sofre. O coração de Jesus é demasiado sensível para não deter-se diante da dor de uma mãe. É a compaixão do Pai que O faz tão sensível diante do sofrimento das pessoas.

Por isso, “ao vê-la, encheu-se de compaixão”.

Lucas, o evangelista da misericórdia, mais uma vez nos desvela, em Jesus, o rosto do Deus compassivo diante da miséria humana. A expressão ‘encheu-se de compaixão’ não consegue traduzir a força da palavra original, que evoca as entranhas, o seio maternal. Jesus deixa transparecer os sentimentos de ternura maternal e de compaixão para com aqueles que estão na miséria. Ou seja, Ele não tem como permanecer insensível a um tal sofrimento. Por isso, intervém para aliviar a miséria desta pobre mulher.


2 – O que o texto diz para mim?
O relato de hoje diz que há dois cortejos que se encontram na entrada da cidade de Naim: a multidão que segue Jesus; uma grande multidão, alegre, que se dirige para a cidade, isto é, para o lugar da vida. A outra multidão, ao contrário, sai da cidade e se dirige ao cemitério, isto é, ao lugar da morte.

No momento em que as duas multidões se encontram, Jesus se detém e mobiliza a todos a olhar com atenção para aquela triste cena: um jovem é levado para ser sepultado.

Léon Paillot escreve: À multidão alegre que segue atrás da vida, Jesus diz: “vocês não tem o direito de passar ao largo do sofrimento e da miséria humana sem parar. Eu, Deus, parei. Também meus discípulos devem parar”.

Jesus não conhece a mulher, mas se deixa impactar pela situação dela, se solidariza com ela, olha-a com atenção e a leva em consideração. Capta sua dor e solidão, e se comove até as entranhas. O abatimento daquela mulher lhe atinge o mais profundo. O pranto da viúva é o grito silencioso de uma mulher que sente não só a perda de seu filho mas também seu destino de vulnerabilidade, exclusão e desigualdade. É o pranto que denuncia o machismo e a discriminação social.


3 – O que a Palavra me leva a experimentar?
A reação de Jesus é imediata: “Não chores”. Ele não pode ver ninguém chorando. Precisa intervir.

Não pensa duas vezes; detém o enterro, aproxima-se do féretro, toca o esquife e diz ao morto: “Jovem, eu te ordeno, levanta-te!” Esta é a palavra chave de Jesus: que o filho da viúva se levante... que retome seu caminho. Quando o jovem se ergue e começa a falar, Jesus o entrega à sua mãe para que deixe de chorar. De novo estão juntos; a mãe já não estará mais sozinha. E aquele que era levado a caminho do cemitério, regressa agora à sua casa, tomado pela mão de sua mãe. Jesus não só ressuscitou o filho; também ressuscitou a mãe. Secaram-se as lágrimas e o sorriso voltou a florescer em seus lábios.


4 – O que a Palavra me leva a falar com Deus?
Senhor, essa mensagem de Lucas é uma mensagem de esperança. A morte não pode ter a última palavra sobre a vida. Deus me quer viva e devo me deixar conduzir pela vida.

A estratégia de Jesus não é do tipo assistencial, mas libertador. Não ajuda passivamente à viúva, senão que lhe entrega seu filho, para que iniciem um novo caminho, ativo, comprometido, no seio da comunidade.

Em Sua mensagem e em Sua atuação profética pode-se escutar este grito de indignação: o sofrimento dos inocentes deve ser tomado a sério; não pode ser aceito como algo normal, pois é inaceitável para Deus.

A compaixão que Jesus introduz na história reclama uma maneira nova de me relacionar com o sofrimento que há no mundo. Para além de imperativos morais ou religiosos, Jesus está exigindo que a compaixão penetre mais e mais nos fundamentos da convivência humana e se torne um “estilo de vida”.


5 – O que a Palavra me leva a viver?
Tudo parece simples. O relato não insiste no aspecto prodigioso daquilo que Jesus acaba de fazer. Convida os seus leitores para que vejam n’Ele a revelação de Deus como Mistério de compaixão e força de Vida, capaz de salvar inclusive da morte. Jesus transgride de novo as regras excludentes daquela sociedade, devolvendo a vida e a dignidade à mulher.

A compaixão constitui, junto com a gratuidade, a coluna vertebral da mensagem e da prática de Jesus.

Jesus sempre encontra algo em seu caminho que toca seu coração. Para Ele, os caminhos da vida estão sempre cheios de surpresas, de interrogações, cheios de gente, cheios de dor e sofrimento...

O seguidor, a seguidora de Jesus deve ser alguém que, por onde vai, sabe olhar e escutar, para não passar pela vida como cego e surdo. Estar atenta, conectada continuamente nos caminhos da vida...


Fonte:
Bíblia Novo Testamento – Paulinas:  Lc 7,11-17
Pe. Adroaldo, sj – reflexão do Evangelho
Desenho: Osmar Koxne      

Sugestão:
Música: Mães de Naim – fx 05 - (4:42)
Letra, música e interpretação: Pe. Antonio Maria
CD: A esperança tem voz – tempo de paz
Gravadora:  Paulinas Comep


terça-feira, 24 de maio de 2016

Leitura Orante – Corpus Christi, 26 de maio de 2016


Leitura Orante – Corpus Christi, 26 de maio de 2016

ESPIRITUALIDADE DO CORPO

Texto Bíblico: Lc 9,11-17

1 – O que diz o texto?
“A festa de Corpus Christi quer nos fazer recordar que CORPO é cálice, onde se bebe o vinho da alegria e da salvação, inserido no CORPO místico e cósmico de Cristo. Só haverá futuro digno quando todos os CORPOS viverem em comunhão, saciados da fome de pão e de beleza” ( Frei Betto).

Por meio da Encarnação e por meio da Ressurreição de Jesus, a carne se converteu em espelho da divindade. Assim, o corpo humano começou a ocupar um lugar central.

O próprio Deus se fez corpo, no corpo de uma mulher: “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós”.

A espiritualidade cristã é “encarnada”.

A Encarnação  foi o caminho que a Trindade escolheu para se aproximar da humanidade e fazer história conosco. Nosso corpo humano, feito de barro – vaso frágil e quebradiço – tornou-se o lugar privilegiado da chegada e da revelação do amor trinitário.

Se nos fixarmos nas palavras e nos gestos de Jesus na última Ceia, descobriremos que suas palavras (“isto é meu corpo”) e seus gestos (partir e repartir o pão) constituem a essência afetiva e social (de amor e justiça) do cristianismo e a verdade do Evangelho.

Celebrar “Corpus Christi” é “cristificar” nossos corpos.


2 – O que o texto diz para mim?
Eucaristia é “Corpo” e é corpo doado e partilhado, não pura intimidade de pensamento, nem desejo separado da vida. A Eucaristia é Corpo feito de amor expansivo e oblativo, que se expressa no trabalho da terra, na comunhão do pão e do vinho, no respeito mútuo frente o valor sagrado da vida, no meio do mundo, nas casas de todos, em plena rua. Não são necessários grandes templos e nem suntuosas procissões para celebrar a festa do Corpo de Deus; basta a vida que se faz doação e partilha, no amor, como Jesus fez.

No gesto do partir e repartir o pão se condensou todo o caminho de Jesus: vida que se doou para aliviar todo “sofrimento humano” (curas), para proporcionar a “refeição partilhada” (ceias e multiplicação dos pães) e para ativar “novas relações humanas” (sermão da montanha).

Celebrar o “Corpus Christi” é atualizar estas três preocupações centrais da vida de Jesus. Aqui se conecta a essência de Sua vida na vida dos seus seguidores.


3 – O que a Palavra me leva a experimentar?
A humanidade  de Deus me incomoda. Coisa que os primeiros cristãos descobriram com espanto.

Eles entenderam que para falar de Deus é necessário deixar de falar de Deus, e falar sobre um homem, um rosto, uma vida... Foi então que eles ficaram cristãos.

Parece que não sei lidar muito bem com esse estranho e (des)conhecido que é o meu “corpo”. 

É preciso estabelecer o diálogo com o corpo. Não se trata apenas de uma reconciliação amistosa, mas de uma descoberta radical. Ignoro meu corpo, apesar de tê-lo tão próximo; é preciso dar-me conta das riquezas que tem, o muito que sabe, a importância do que tem a me dizer, a necessidade de seu apoio e a sabedoria de sua amizade. 

Aqui está meu melhor amigo, fielmente junto a mim, e nem sempre o percebo.

A corporeidade penetra toda a minha auto-realização como ser humano. 

O corpo  é o  templo do Espírito, o lugar onde o “Verbo se fez carne”.

O corpo fala por si mesmo, comunica, reage... O corpo é expressão de minha feminilidade ou masculinidade, de minha sexualidade integrada ou reprimida, de minha saúde ou doença, de minha alegria ou tristeza, realização ou frustração, de minha consolação ou desolação.

O corpo é expressão e comunicação daquilo que sou.


4 – O que a Palavra me leva a falar com Deus?
Senhor, diante do Corpo de Cristo, meu corpo se plenifica na comunhão com outros corpos, com Deus e com o corpo da natureza. Meu humilde corpo é parte da Criação inteira e meu bem-estar faz sorrir a natureza.

Meu corpo é pura relação. Nele ficam registradas todas as marcas de minha vida, de minha história.

O corpo é presença e linguagem - tudo nele fala: fala o rosto, falam os olhos, falam os movimentos e as posturas, falam os gestos, acompanhando, reforçando e expressando a intenção íntima.

Meu corpo é tocado pela encarnação de Jesus. E Deus conhece minha estrutura. Sabe de que barro sou feita.


5 – O que a Palavra me leva a viver?
A “linguagem espiritual” acompanha a “linguagem corporal”, assim como a linguagem do corpo reforça a linguagem espiritual.

Rezar minha humanidade.

Levar para a oração os desafios do cotidiano, os imprevistos da vida.

Ser humana diante de Deus.

Deixar meu corpo falar a Deus.

Rezar com meu corpo. 

E agradecer e bendizer sempre o Senhor.

Celebrar  o “Corpo de Cristo”, uma das festas mais ricas que me faz pensar em seu conteúdo e simbolismo.

Aceito, pela fé, a presença real de Cristo na Eucaristia; isso implica comunhão, bem maior com minha vida, testemunho de amor, de partilha, solidariedade, dedicação, transformação...

“Não sabeis que o vosso corpo é templo do Espírito Santo, que habita em vós?” (1Cor, 6,19)

O meu corpo é o “templo” santo e santificado, onde Deus Trino faz sua morada.


Fonte: 
Bíblia Novo Testamento – Paulinas:  Lc 9,11-17
Pe. Adroaldo Palaoro, sj – reflexão do Evangelho
Desenho: Osmar Koxne       


Sugestão:
Música: Este pão – Fx 12
Autor: Pe. Zezinho, scj
Interpretes: Pe. Zezinho, scj e Cantores de Deus 
Coro: Dalva Tenorio, Angela Marcia, Silvinha Araujo, Ringo, Caio Flavio, Mauricio Novaes. 
Solo: Silvio Brito, Dalva Tenorio, Farid Maria, Marileia Silveira.
CD: Quando agente encontra Deus
Gravadora:  Paulinas Comep

Leitura Orante – 9º domingo do tempo comum, 29 de maio de 2016


Leitura Orante –  9º domingo do tempo comum, 29 de maio de 2016

HUMILDADE: “andar na verdade”

“Senhor, não te incomodes, pois não mereço que entres sob meu teto; por isso, nem me achei digno de ir a teu encontro.
...diz uma palavra para que meu criado fique curado”. (Lc 7,6-7)

Texto Bíblico: Lc 7,1-10   

1 – O que diz o texto?
Neste belo relato do Evangelho de Lucas nos é apresentado, com simplicidade, a força e a intrepidez que se revelam numa pessoa de fé. Podemos imaginar o que significou para aquele centurião romano o gesto de ter que acudir a alguém do povo a quem dominava, buscando a cura de seu empregado. Teve de superar muitas barreiras e impedimentos e esvaziar-se de seu orgulho e amor próprio para realizar aquele gesto humilde de solicitar ajuda a um judeu.

No Novo Testamento, a humildade é entendida não apenas como atitude para com Deus, mas também para com os outros. Por isso, a humildade é vista juntamente com a mansidão, brandura, perdão... Os elevados “ideais de perfeição” nos impedem de envolver-nos com as pessoas reais e com suas feridas.

A radicalidade que o Evangelho nos propõe é a radicalidade de ser radicalmente humanos. E a humildade nos despoja de tudo o que é ilusão, falsas imagens de nós mesmos, vazias pretensões de poder, prestígio e vaidade... fazendo emergir o que há de mais humano, portanto, mais divino, em nosso interior.


2 – O que o texto diz para mim?
“Onde está a humildade, está também a caridade” diz Santo Agostinho. A  humildade leva ao amor, ao amor verdadeiro. A humildade é essa atitude pelo qual o eu se liberta das ilusões que tem sobre si mesmo. Nesse sentido, a humildade significa adotar uma atitude gratuita e receptiva, de um amor agradecido que dirige tudo a Deus e entrega-se por completo à Sua Vontade.

Para Jung, a humildade é a coragem de olhar a própria sombra.

Sou o solo, o húmus, onde o Deus-semente pode germinar, criar raízes e florir.

Todos surgimos deste fecundo húmus fundamental, onde “humildemente” acolhemos o dom da vida, onde toda existência funda suas raízes que a nutrem e se faz “humilde” e verdadeiramente “humana”.

“Sereis como deuses” (Gen. 3,5): este é o grande pecado de origem. A humildade é a virtude do ser humano que reconhece não ser “deuses”. Nesse sentido, ela é a virtude dos santos e santas.

Junto com Jesus Cristo, o caminho da “descida”, o ser humano vai ao encontro de sua realidade e coloca-se diante de Deus para que Ele transforme em amor tudo quanto existe nele, para que ele seja totalmente perpassado pelo Espírito de Deus.


3 – O que a Palavra me leva a experimentar?
Todas as grandes correntes espirituais, tanto do Oriente como do Ocidente, conduzem à humildade.

Só posso aceitar o presente da graça divina quando tenho consciência de minha própria condição humana. Por isso, aqueles que mais avançaram no caminho espiritual foram os que mais viveram a humildade. Eles passaram por essa experiência; a humildade...

A humildade é o pólo terreno em minha caminhada espiritual. Para permitir que Deus atue nas profundezas de meu ser faz-se necessário o auto esvaziamento, para ser preenchido por Sua presença. Agora, sim, posso escutar a voz de Deus e sentir a sua presença em meu próprio coração, em meus sonhos e desejos, em minhas paixões, em meu corpo e em meus sentimentos.

Cultivar a humildade é uma das maiores e mais difíceis virtudes humanas. Ela está vinculada ao amor à verdade. "Ser humilde é amar a verdade mais que a si mesmo", escreve o filósofo  Comte-Sponville. 

Admitindo minha própria fragilidade, limite e descendo ao fundo de minha realidade, posso retornar transformada e com abundantes riquezas descobertas no garimpo do meu coração.

“Subo” a Deus quando “desço” à minha humanidade. Este é o caminho da liberdade, este é o caminho do amor e da humildade, da mansidão e da misericórdia; é o caminho de Jesus também para mim.


4 – O que a Palavra me leva a falar com Deus?
Senhor, a humildade pressupõe um descentramento, um êxodo para o encontro com o outro, acolhendo-o tal como é; ela me conduz à pura gratuidade do amor desinteressado; ela pressupõe, essencialmente, o reconhecimento da alteridade. 

Humildade, dizia Santa Teresa, é andar na verdade. Trata-se de reconhecer e expressar, com simplicidade, quem sou. Humildade é agradecer as capacidades e talentos e superar as limitações e fragilidades. É a virtude que mais humaniza, pois me faz descer em direção à minha própria humanidade e, a partir desta perspectiva, entrar no movimento que me leva para além de mim mesma.

O caminho de descida ao meu próprio “húmus”, à minha própria condição terrena onde Deus plantou sua tenda, me revela quem realmente sou, me preserva de  considerar  como “deuses” e me liberta do orgulho e do auto-centramento que me destroem.

À medida que, verdadeira e completamente, me aceito e me acolho como húmus, mergulho na graça de Deus, pois  ela já fala dentro de mim desde meu nascimento.


5 – O que a Palavra me leva a viver?
Encontrar minha própria condição humana.

Reconciliar-me com tudo aquilo que é humano.

Quebrar a rigidez na relação com o mais fraco, o enfermo, o imperfeito e o fracassado. 

Ver tudo envolvido pelo olhar de bondade e misericórdia de Deus.

Assumir tudo o que sou, reconhecer-me diante de Deus e dos outros, ativando meus recursos, capacidades, acolhendo minhas limitações, fragilidade, medos, com a disposição de viver o caminho do crescimento. 

Reconhecer minha realidade humana é a condição para a humanização autêntica, e também para a verdadeira experiência de Deus. 

Ser  humilde é ser humano simplesmente, com a capacidade de amar


Fonte: 
Bíblia Novo Testamento – Paulinas:  Lc 7,1-10   
Pe. Adroaldo, sj – reflexão do Evangelho
Desenho: Osmar Koxne       


Sugestão:
Música: Foi a minha fé – fx05 
Autor: Pe. Zezinho, scj
Intérprete: Pe. Zezinho, scj
CD: Contemplativo – Quando me chamaste
Gravadora:  Paulinas Comep